[Livro] O Pistoleiro da Meia-Noite - Rodrigo Rodrigues

Tenho a maior satisfação do mundo hoje em abrir esse meu pequeno espaço para falar de um livro muito especial para mim, pois se trata do primeiro lançamento de um amigo meu e só por isso já valeu a pena ter voltado com o blog (mesmo de forma tão esporádica).



Sinopse: Frankie é um assassino de aluguel implacável que roda o país estrada afora matando desconhecidos a troco de dinheiro. No entanto, a quantia ganha é o que menos lhe interessa... A única coisa que o move é um forte impulso homicida, que ele controla por meio de protocolos rigorosos. Após quarenta anos de serviços prestados, seu corpo já não é mais o mesmo, os ossos doem e o coração velho está cansando demais. É então que a aposentadoria se torna uma realidade inevitável, mas a vontade de continuar na ativa e o medo de encarar a vida solitária deixam-lhe em conflito. Porém, quando um senador aparece em busca de vingança, o pistoleiro aceita o trabalho, planejando seu último desafio, só que, ao confrontar o alvo, um sujeito misterioso, Frankie se envolve em uma trama sobrenatural de consequências cruéis. 


Eu classificaria essa obra como uma novela, porque é maior do que um conto, mas bem menor do que um romance e, como novela, cumpre muito bem seu papel. (São 101 páginas bem intensas) 

Certamente o mundo é um hospício muito maior do que as pessoas imaginam. 

Os personagens são bem delineados, não tão aprofundados como em um romance, mas não deixa nada a desejar. A trama é simples, mas muito envolvente. Não há reviravoltas, surpresas ou sustos, você já prevê o que vem pela frente, mas é tudo descrito com muita habilidade. 

É como ler sobre uma lenda urbana que você já conhece, mas que foi tão bem escrita que empolga da mesma forma. 

O Recife do Diabo era um lugarejo esquecido, que regressava aos tempos antigos, quando os homens ainda balbuciavam palavras sem sentido e louvavam entidades ancestrais.

Bem, fui um pouco injusta quando disse que não havia surpresas: Bem no finalzinho do livro recebemos o gancho tão esperado e para alguns isso pode, sim, ser surpreendente - eu achei corajoso. Foi muito bem bolado, por sinal a forma com que o autor deixa claro que a história não acaba ali foi a parte que eu mais gostei: A motivação do protagonista. 


Dá forma que o Rodrigo Rodrigues colocou a trama, teremos continuações infinitas pela frente e eu adoraria ler cada uma delas. Ainda mais que as influências são claríssimas, Stephen King está presente em todas as páginas e isso tornou a leitura, pelo menos para mim, muito agradável e familiar. 

Não há crime aos olhos de Deus que não possa ser perdoado.

É o primeiro romance do autor e acho que já mostra um enorme potencial para crescer no cenário literário. Espero que a Editora Chiado não o perca de vista.









Rodrigo "Shepard" Rodrigues, queria te dizer que estou feliz da vida por ter você como amigo e muito orgulhosa com seu caminho. Espero que você tenha mais realizações como essa e que sejam tão boas quanto! Conte sempre comigo!






Siga o Rodrigo Rodrigues em todas as plataformas. Vamos valorizar o que nossos autores estão produzindo. Vale a pena demais e para quem tiver interesse em adquirir sua obra, tens links aqui:




[Livro] Dois Irmãos - Milton Hatoum

Provavelmente um dos maiores escritores em nosso país, ainda vivo. Milton Hatoum é um amazonense que usou seu estado para desenhar uma das histórias mais interessantes e mais triste de nossa literatura contemporânea. 



Sinopse: "Dois Irmãos" é a história de como se constroem as relações de identidade e diferença numa família em crise. É a história de dois irmãos gêmeos - Yaqub e Omar - e suas relações com a mãe, o pai e a irmã. Moram na mesma casa Domingas, empregada da família, e seu filho. Esse menino - o filho da empregada - narra, trinta anos depois, os dramas que testemunhou calado. Buscando a identidade de seu pai entre os homens da casa, ele tenta reconstruir os cacos do passado, ora como testemunha, ora como quem ouviu e guardou, mudo, as histórias dos outros. Do seu canto, ele vê personagens que se entregam ao incesto, à vingança, à paixão desmesurada. O lugar da família se estende ao espaço de Manaus, o porto à margem do rio Negro: a cidade e o rio, metáforas das ruínas e da passagem do tempo, acompanham o andamento do drama familiar. Prêmio Jabuti 2001 de Melhor Romance.



Dois irmãos gêmeos, descendentes de libaneses que nasceram em Manaus - Omar e Yaqub. Idênticos por fora, mas por dentro dotados de um abismo de semelhanças traçam a trama dessa história.

Omar, o caçula, nasceu com diversos problemas de saúde e por isso, quando a divergência apareceu entre eles (por um fato que não contarei aqui porque é spoiler) a mãe resolveu mandar Yaqub para o Líbano, a fim de apaziguar as coisas em casa. 

Bem, o afastamento do irmão só aumentou o abismo de diferenças e colocou o mais velho em uma posição que ninguém pareceu entender por muitos anos, mas que deu origem a diversos traços importantes em sua personalidade.

Esquerda: HQ que ainda não tive oportunidade de ler.
Direita: Edição nova que está muito confortável de ler.

Yaqub se tornou independente e ambicioso. Logo que voltou para o Brasil deu um jeito de ir embora e mudou-se para São Paulo, enquanto o caçula se entregava a vida boa dos "prazeres da carne" sem se preocupar com o futuro. 

O resto você vai ter que descobrir ao ler porque é tudo tão delicioso que não me atrevo contar. O livro é poético em um nível deslumbrante. Cada frase dele parece um desenho. A obra toda é muito fácil de ler e a própria trama te carrega até o final. Todos os personagens, repito: TODOS, são muito bem desenvolvidos. É impossível não se identificar com ao menos um deles. 

É um livro bom demais para ser deixado na estante. Se você (assim como eu) o guarda para depois, o passe na frente das outras leituras ainda hoje! (rs) 

Ps: Eu sei que tem uma série da Rede Globo baseada nessa obra, mas não assisti e nem sei onde encontrá-la, por isso não falei nada sobre ela. Quem souber algo, comenta aí.

[Conto] A Morte de Ivan Ilitch - Liev Tolstói


Eu acho que é conto (quase novela), mas já vi, em diversos lugares, leitores se referindo a essa obra como um livro. Tem pouco mais de 70 páginas de pura agonia, mesmo assim, para mim, é conto!






Meu exemplar tem a pior capa do planeta. Horrorosa, desconexa com a história e com três seres que não sei explicar de que espécie são, mas o conteúdo, meus amigos, esse é poderoso. 





Essa foi minha primeira leitura do aclamadíssimo Liev Tolstoi e pude entender porque a paixão ao redor desse escritor russo. Sua narrativa é visceral. É algo que toca a alma da gente. Impressionante como ele pode chacoalhar seu mundo em apenas 70 páginas! 

Aqui, temos a história de Ivan, um funcionário público medíocre que se casa com a mulher de sua vida, mas vê essa relação ir para o espaço por conta das dificuldades. Revoltado com essa situação, Ivan se empenha e consegue, finalmente, vencer na vida, mas de nada adianta. 

Passamos a acompanhar seus últimos dias de vida com colegas de trabalho e uma família que não dão a mínima importância para ele, mas que se aproveitam de sua posição privilegiada na sociedade. Isso até que ele sofre um acidente e passa a agonizar na cama. Já sabendo que seu fim é a morte, passa a refletir sobre tudo. 

Isso não é spoiler nenhum porque o livro começa em seu velório. Acontece que o interessante dessa obra é acompanhar Ivan durante sua jornada rumo à morte. O final, o autor já dá no título e certamente isso é o menos importante em todo o conto. 

Suas reflexões sobre a vida e a morta. Pensamentos insanos que Ivan tem, reações instintivas e remorsos recheiam as páginas dessa história que é pura agonia e não te deixa relaxar um minuto sequer.



Bem, aprendi a lição, Tolstói precisa ser lido "de cabo a rabo" e é isso que farei.


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