Zumbis, sangue e terror no território nacional

Quando comecei o Blog Vida Complicada passei a ter algumas oportunidades que não chegavam a mim antes como leitora. Umas delas foi conhecer escritores novos, relativamente desconhecidos no cenário literário e tão talentosos quanto os famosos publicados nas grandes editoras. 

Nesse momento passei a ler homens e mulheres de todos os cantos desse país e o ultimo que apareceu por aqui foi o talentosíssimo Francis Graciotto.


Em minha singela opinião, quando um assunto entra "na moda" acaba se esgotando com rapidez. Tivemos a onda dos vampiros, depois lobisomens, daí vieram os "softporns" e logo em seguida: ZUMBIS

Li algumas coisas desse último tema e achei tudo muito parecido, tudo com cara de "The Walking Dead", inclusive com a mesma formação de personagens e logo desisti dessas histórias, mas caiu no meu colo essa obra: Febre Vermelha. Conheci o escritor, a edição era linda, estávamos perto do halloween e eu resolvi dar uma chance! E então...


Que viagem boa! Me fisgou da primeira à última página. Francis tem uma abordagem nova, fresca e tão nacional que parece estar acontecendo aqui do lado. Ele tem uma linha de raciocínio rápida dos fatos que levaram ao surgimento da tal febre vermelha que vai te carregando pelos capítulos com imensa naturalidade.


Mesmo com toda rapidez e fluidez os personagens são profundos e complexos - do tipo cheios de defeitos que você adora mesmo assim. Da mesma forma que inova, faz de forma primorosa tudo que uma boa história de zumbis exige. 

Conselho: Não se apaixone por personagens nessa história. tudo é muito volátil e o mundo é perigoso demais para se apoiar totalmente em um pilar só. (rs). Febre Vermelha foi meu presente de Halloween. É uma história deliciosa e ambiciosa que já rendeu outro projeto: 


Esse pequeno livro chamado Dias Febris vem com 8 contos que se passam nesse universo tomado pela febre vermelha. Totalmente independente do romance, pode ser lido antes ou depois do romance e em qualquer ordem, sem perigo de estragar qualquer experiência.


Eu não consigo encontrar defeitos nessas duas obras. Nenhunzinho mesmo. Acredito que Francis Graciotto vai longe e espero vê-lo despontando listas e indicações pelos nossos ambientes literários. O terror merece mais destaque, pois possui qualidade literária transbordando para todos os lados, assim como um grande drama ou romance clássico. 

Leiam mais nacionais. Temos escritores incríveis aqui, escondidos simplesmente pela máfia das editoras que cobram um rim por qualquer publicação. 


Encontre as Obras do autor e suas redes sociais:




(Livro) Os livros que devoraram meu pai - Afonso Cruz

Esses dias comprei um livro só pelo valor. Não foi pela capa, pelo menos (rs).

Bem, li a sinopse, achei "legalzinha", mas o que me convenceu a finalizar a compra foi mesmo o preço: Apenas R$10,00 (sem frete). Praticamente de graça.


O livro era bem pequeno também, pouco mais de 100 páginas e com várias ilustrações no meio, era algo para ler brincando, sabe?

Me lembrei agora de uma conversa que tive com um amigo duas atrás: Os melhores livros que já li são bem pequenos e de fácil leitura. 

Esse foi só mais um assim. Daquele tipo que te segura com força já nas primeiras linhas e te arrasta até o final sem esforço algum. Toma um lugar bem grande em sua alma, daqueles em que vc vai marcando tudo com post its coloridos e, mesmo detestando essa mania, acaba grifando frases com caneta vermelha. 


"Os livros que devoraram meu pai" é LO-TA-DO de referências literárias e se o leitor tiver a sorte de já ter passado pelas obras citadas vai aproveitar 60% a mais da leitura. Se não leu, vai tomar spoilers diversos (rs). Eu tive sorte. 

Em um resumo rápido e bem superficial, esse livro fala de um homem viciado em leitura que leva livros para ler escondido no serviço. Ele é tão viciado que um dia uma dessas obras o engole e ele desaparece. Anos depois seu filho sai a sua procura. Nos livros!


Pareceu coisa do Ítalo Calvino? Então. Se jogue nessa leitura o mais rápido possível. Não foi a toa que ele foi o ganhador do prêmio Literário - Maria Rosa Colaço de 2009. (Prêmio esse que eu não conhecia, mas que irei vasculhar assim que terminar essa resenha).

Não vou falar mais nada da história em si, porque o mais legal é ir caminhando sem saber aonde está pisando, mas posso dizer que o Epílogo quebrou meu coração em 7 bilhões de pedacinhos. Mas calma, não é tudo só tristeza, dei boas gargalhadas com essa história e as referências são de matar ualquer leitor apaixonado. 

[Conto] Noites Brancas - Fiódor Dostoiévski

Mais um daqueles contos do Dostoiévski que são tão profundos e cheios de detalhes que mais parecem uma novela. 

Sinopse: Numa iluminada noite de primavera, à beira do rio Fontanka, um jovem sonhador se depara com uma linda mulher, que chora. São Petersburgo está mergulhada em mais uma de suas noites brancas, fenômeno que as faz parecerem tão claras quanto os dias e que confere à cidade a atmosfera onírica ideal para o encontro entre essas duas almas perdidas. Em apenas quatro noites, o tímido rapaz e a misteriosa Nástienhka passam a se conhecer como velhos amigos, mas algo vem atrapalhar o desenrolar romântico deste fugaz encontro. Publicada em 1848, esta história faz parte do ciclo de obras que Dostoiévski (1821-1881) criou após amargar uma forte desilusão amorosa e é a última escrita antes da prisão e do período de exílio na Sibéria. 


Acho que já é redundante escrever sobre a genialidade do autor, portanto vou me ater a outro aspecto dessa pequena obra: A solidão. 

Se você quer ler e entender sobre solidão, pegue um romance do Dostoiévski e você terá relatos profundíssimos e variados sobre o tema. Ao lado da religiosidade, acredito que esse seja o tema mais usado em seus trabalhos. 

Em "Noites Brancas" o sentimento veio acompanhado de seu algoz natural: a esperança o que tornou tudo mais doloroso e real. 

Só uma pessoa que se sente sozinha em meio à multidão de gente ao seu redor é que conseguiria entender, de fato, o começo desse conto sem achar bobo ou sem sentido. Quando alguém se vê na situação de não ter ninguém e não ser notado por ninguém, sem querer, se joga à trivialidade das coisas.  

Situações começam a ser criadas para amenizar a dor, tais como: Apego a lugares, apego a pessoas estranhas que frequentam os mesmos lugares nas mesmas horas, carinho por prédios históricos e por aí vai. Nosso protagonista é de uma peculiaridade ímpar, assim como todo solitário e logo nas primeiras páginas somos apresentados a sua rotina. 

Tudo anda bem até que a "tal esperança" aparece na vida dele na forma de uma bela jovem e eu não vou falar nada mais além disso. O conto é realmente pequeno e qualquer coisa além disso pode tirar a graça da história. 

Só digo que o final é muito bom, digno de um gênio da escrita. Mas cuidado, corações fracos podem sangrar... (rs)

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