[Conto] A Morte de Ivan Ilitch - Liev Tolstói


Eu acho que é conto (quase novela), mas já vi, em diversos lugares, leitores se referindo a essa obra como um livro. Tem pouco mais de 70 páginas de pura agonia, mesmo assim, para mim, é conto!






Meu exemplar tem a pior capa do planeta. Horrorosa, desconexa com a história e com três seres que não sei explicar de que espécie são, mas o conteúdo, meus amigos, esse é poderoso. 





Essa foi minha primeira leitura do aclamadíssimo Liev Tolstoi e pude entender porque a paixão ao redor desse escritor russo. Sua narrativa é visceral. É algo que toca a alma da gente. Impressionante como ele pode chacoalhar seu mundo em apenas 70 páginas! 

Aqui, temos a história de Ivan, um funcionário público medíocre que se casa com a mulher de sua vida, mas vê essa relação ir para o espaço por conta das dificuldades. Revoltado com essa situação, Ivan se empenha e consegue, finalmente, vencer na vida, mas de nada adianta. 

Passamos a acompanhar seus últimos dias de vida com colegas de trabalho e uma família que não dão a mínima importância para ele, mas que se aproveitam de sua posição privilegiada na sociedade. Isso até que ele sofre um acidente e passa a agonizar na cama. Já sabendo que seu fim é a morte, passa a refletir sobre tudo. 

Isso não é spoiler nenhum porque o livro começa em seu velório. Acontece que o interessante dessa obra é acompanhar Ivan durante sua jornada rumo à morte. O final, o autor já dá no título e certamente isso é o menos importante em todo o conto. 

Suas reflexões sobre a vida e a morta. Pensamentos insanos que Ivan tem, reações instintivas e remorsos recheiam as páginas dessa história que é pura agonia e não te deixa relaxar um minuto sequer.



Bem, aprendi a lição, Tolstói precisa ser lido "de cabo a rabo" e é isso que farei.


[Livro] O Colecionador - Jhon Fowles

Livro incrível que me surpreendeu demais. Não foi o que eu esperava após ter lido tantas resenhas (isso sempre atrapalha), mas o que encontrei aqui é ainda melhor e é uma obra que serviu de base para outras que gostei muito, então valeu a pena me doar à essa história. 





Sinopse: “O Colecionador" é a história de Frederick Clegg, um homem solitário com um plano para conquistar o grande amor de sua vida. "O Colecionador" também é a história de Miranda Gray, sequestrada por um maníaco que acha que pode obrigá-la a se apaixonar por ele. Dois narradores antagônicos, sequestrador e vítima, brilham no romance de John Fowles. 









Um rapaz se apaixona por uma garota, mas sua personalidade, um tanto peculiar, o impede de se aproximar dela. As primeiras páginas contam muito bem o tipo de pessoa que ele é. 

Acontece que ele é um psicopata e sente essa necessidade de possuí-la e assim talvez a faça amá-lo. Veja bem, não encare esse "possuí-la" como algo sexual, o que o rapaz quer, na verdade, é ter essa garota para ele como um objeto maravilhoso, como um pássaro na gaiola ou talvez como uma obra de arte presa a parede. Para isso ele a sequestra. Ah, ele diz o tempo todo que ela é sua hospede! (rá, sei!). 

Essa história pode não parecer muito original, talvez você já tenha lido aí ao menos dois livros que falam disso, mas, acreditem, essa obra foi a primeira que trouxe esse tema, exposto desse jeito, para a literatura e todas as outras podem (ou não) ter se baseado nessa para nascer. 

O livro é narrado em primeira pessoa, mas dividido em duas partes. Na primeira parte é Frederick quem expõe os fatos. Sua obsessão fica evidente e, por incrível que pareça, sua inferioridade diante dela também. Em determinados momentos da história você chega a sentir pena dele. Ele mostra o quanto ela é forte e decidida. Inteligente acima da média, chega a ser esnobe e, diversas vezes, até manipuladora. 

Na segunda parte a coisa muda de figura e é Miranda quem passa a narrar os fatos de seu próprio sequestro. É aqui que a obra te dá o petardo. Só digo uma coisa: É muito mais completa e bizarra! 

Eu não quero falar mais nada, principalmente sobre essa segunda parte, porque é interessante você se deixar guiar pela narrativa de ambos. Achei muito intrigante o paradoxo das personalidades de ambos quando narrado através dos outros do outro e de si mesmo. Como uma pessoa pode ser diferente aos olhos de cada observador. Isso é algo que grudou em minha cabeça e não consigo parar de pensar no assunto. 

Obras que beberam dessa fonte 

Jhon Fowles pode ter sido lido por alguns escritores do gênero e pode ter inspirado outras histórias igualmente fantásticas. Pode ser que exista outras, mas aqui quero citar duas que me marcaram e que gostei demais: 


Misery (Louca Obsessão) - Stephen King 
Sim, eu acho que o mestre leu esse livro para criar uma de suas melhores histórias. A trama não é exatamente igual ao "Colecionador", mas tem similaridades incríveis. De qualquer forma vale a pena ler as duas porque não seguem o mesmo rumo e o final é absolutamente diferente.  



Dias Perfeitos - Raphael Montes
Essa eu tenho certeza que veio direto da fonte. Parece até uma releitura. Obviamente possui algumas diferenças estruturais, mas a base toda está lá. Uma ressalva que quero fazer é que em "Dias Perfeitos" as coisas são muito mais bizarras! Recomendo demais a leitura. Aliás, recomendo o autor e toda sua bibliografia.
Tem resenha desse livro AQUI. Confira. 



E é isso. Não é porque um escritor se inspirou em outra obra que seu livro deve ser descartado. Não sendo uma cópia e possuindo pontos específicos só faz a coisa toda mais interessante. Um dia farei um post sobre obras que não são tão "novidades" como nós pensamos ser, mas ainda sim são ótimas. 


Uma pequena ressalva: A DarkSide relançou esse livro recentemente com uma capa de “cair o queixo”. Eu li na versão antiga (deu o maior trabalho para achar), mas fiquei encantada com o trabalho da Editora para essa nova edição. O livro parece um quadro!!! Quero demais.



[Livro] A Caça - Jussi Adler-Olsen

Esse é o segundo volume de uma série que se chama Departamento Q. Os livros podem ser lidos fora da ordem, pois não há continuação. A história base (entre os investigadores) é bem sutil e o leitor não perde muito se começar pelo segundo.

O primeiro livro se chama "A Mulher Enjaulada" e tem resenha AQUI.

Sinopse: Ao retornar das férias, o detetive Carl Mørck, do Departamento Q, encontra em sua mesa os arquivos do caso Rørvig. Que estranho. O caso não havia sido encerrado? O assassino dos dois irmãos mortos na casa de veraneio não se entregara nove anos depois do crime? Quem teria colocado aqueles arquivos ali? Alguém parece querer que o caso seja reaberto e Carl Mørck morde a isca. As pistas que encontra levam o detetive à alta-roda, ao mundo do mercado de ações, da indústria da moda e da cirurgia plástica. E também às sarjetas mais imundas e sinistras de Copenhage, onde conhece Kimmie, uma moradora de rua atormentada por vozes e que precisa roubar para viver. Kimmie parece estar sempre fugindo. E de fato está. Três poderosos homens estão atrás dela e não medirão esforços para encontrá-la, pois Kimmie parece saber algo capaz de ameaçar o futuro deles. Algo que pode ter a ver com o caso antes encerrado, mas que, infelizmente para os três, acaba de ser reaberto pelo incansável detetive Mørk. 


Definitivamente, eu vou ler QUALQUER coisa que este escritor lançar. No quesito: POLICIAL, ele arrasa e prende o leitor da primeira à última página sem muito esforço.

Adaptação da obra.
Filme muito fiel ao livro!
A história é simples e é daquele tipo que já começamos sabendo quem mata, quem morre e quem está mentindo. A questão é COMO serão pegos e PORQUE um deles se rebelou contra os outros.

Anos atrás: Cinco amigos, completamente pirados, se uniram na adolescência, pois perceberam que havia algo que eles possuíam em comum: Todos adoravam torturar pessoas, espancar, humilhar, etc.

O grupo: herdeiros de famílias muito ricas, não se preocupavam com as punições, pois elas não os ameaçavam de forma alguma e isso faz com que a maldade desses adolescentes crescesse dia a dia. Até que...

Uma garota, a única do grupo, resolve se voltar contra eles. O motivo é avassalador e o leitor fica o tempo todo querendo descobrir o que se passa na cabeça dessa garota que cresce como uma mendiga e escuta vozes, além de carregar um embrulho precioso nos braços.

Ela parece se esconder de todos e fugir da própria sombra, mas tem algo muito fixo em sua mente: Vingança.

"— O divórcio vai sair caro, Ditlev. Você faz coisas estranhas. Quando os advogados estiverem envolvidos no caso, elas vão custar muito dinheiro. Seus jogos perversos com Ulrik e os outros. Por quanto tempo você acha que vou omitir isso de graça?".

Ao mesmo tempo acompanhamos o já conhecido detetive Carl, rabugento como sempre e seu subordinado Assad e toda sua alegria irritante. Ambos são atraídos para um caso já solucionado há anos que aparece, misteriosamente, no famoso Departamento Q e exige ser reaberto.

O caso é justamente um duplo assassinato que envolveu aquele grupo de adolescentes, mas acontece que um deles já havia confessado o crime, inocentado os outros todos.

Quem está enviando arquivos desse caso aos detetives?

O livro te coloca em uma posição estranha. Até onde o ser humano pode ir antes de se arrepender pelos crimes cometidos? É possível um assassino frio e perverso entender que o que faz é errado? Existe redenção para isso?

O crítico do "The New York Times" nos avisa logo na capa:

“A criatividade de Jussi Adler-Olsen para cenas de violência é inigualável” 

E ele tem razão. Olsen não mede palavras. Ele parece tão feliz em nos chocar, quanto os assassinos em matar, naquela trama. As cenas são narradas com maestria e me peguei prendendo a respiração, diante de tanta brutalidade. A narrativa é incrível. Impossível largar a obra sem ficar pensando nela.

"Ditlev tinha que se segurar para não matar a vítima. Ulrik era diferente. A morte, na verdade, não o interessava. O que o excitava era o espaço vazio entre a potência e a impotência, e era exatamente lá que sua vítima se encontrava naquele momento".
Carl e Assad
Os personagens são os melhores. Tanto os bons quanto os ruins. Em relação aos detetives, já falei na resenha de "A Mulher Enjaulada" e repito aqui: Me apaixonei pelo Assad. Ele é um árabe muito interessante que chega a Dinamarca e é contratado para ajudar Carl, mas nada ao redor dele é muito claro. Sem falar que ele possui habilidades interessantíssimas e contatos ainda mais suspeitos do que sua procedência. Mas o bom humor dele... Ah, é apaixonante!

Os vilões dessa obra são outro ponto positivo. 
Um fato interessante aconteceu: Li e resenhei a obra "Laranja Mecânica" (LEIA AQUI) ao mesmo tempo em que lia essa obra aqui e o bacana é que os adolescentes dessa trama assistiam ao filme do Kubrick o tempo todo, porque adoravam aquela violência. Eles mantiveram esse costume até depois de adultos e muitas emoções que eles demonstram são bem parecidas com as do Alex de Laranja Mecânica.

O gosto pela violência. O desprezo pela lei e a união entre os amigos que parecem se venerar entre si, onde se colocam em pedestais, acima de todos.

"Eles assistiram ao filme inúmeras vezes. Sem ele, a vida não seria a mesma. A primeira vez que viram Laranja mecânica foi no internato, nos primeiros anos".

Isso deu uma profundidade enorme à obra, pelo menos para mim e me fez mergulhar ainda mais fundo na trama.

"— A escolha é sua. Pular ou levar um tiro. São cinco andares até lá embaixo. Se pular, você tem boas chances de sobreviver. Os arbustos, você sabe. Não é por isso que eles são plantados tão próximos do prédio?".

Leiam! Literatura dinamarquesa me pareceu algo para se ficar de olho. Vou procurar outras coisas dessa mesma procedência.



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