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Quando a chuva cai


Uma brisa leve desperta as borboletas de um jardim mal cuidado. É fim de tarde e os imensos raios solares já estão enfraquecendo.

Aos poucos elas se alimentam do néctar que ainda sobra das flores depois de um dia escaldante. Pétalas amareladas se agitam tentando, ao máximo, fornecer o que os insetos tanto precisam.

Elas se esforçam cada vez mais para uma nova produção e isso as torna mais viçosas. Vivas, mesmo que estejam em seus últimos suspiros.

O vento sopra novamente, dessa vez com mais intensidade, já não são apenas borboletas, algumas abelhas rondam o jardim que já possui alguma cor. O esforço está valendo a pena, algumas flores parecem até mais jovens e já ameaçam sorrir.

Como por milagre cai uma gota do céu bem em cima de uma dessas flores triste. Essa gota é absorvida quase instantaneamente pelas pétalas sedentas e como em um convite chama outras gotas. O dia foi escaldante, mas a noite promete compensar.

Várias outras pétalas se agitam, erguem-se em busca do alimento aquoso tão escasso nos últimos dias e hoje parece que será servido em abundância. Há ali uma completa agitação muda. Uma energia frenética percorre a terra e sobe pelos caules preparando-se para a absorção tão aguardada.


Como bebês sorvendo o leite materno, quanto mais as flores bebem, mais gotas caem e a noite atravessa o tempo com o molhado do céu. 

Pela manhã o orvalho é acariciado pela brisa leve novamente, pássaros sobrevoam todo o jardim porque agora as cores são irresistíveis. A água as coloriu durante a noite revelando uma agradável surpresa aos animais da manhã.

Um banquete, gentilmente oferecidos por aquelas plantas. Toda natureza vibra servindo e produzindo, flores beijadas já não têm suas cabeças baixas, uma nova brisa se faz presente, agora perfumada.

É sempre assim quando a chuva cai.


Me resumo assim...



Eu sou do verde



Sou da chuva



Sou da tecnologia


Sou do rock


Sou do preto


Sou do negro


Sou dos répteis


Sou dos amigos


Sou da família


Sou das séries


Sou dos livros


Sou da escrita


Sou do suspense

Sou da Vida Complicada


PS: Esse post foi inspirado pelo blog Somente Amor da querida Rô, que é um doce de pessoa!


Quando a chuva cai


E quando a chuva cai é outra história.


Os animais parecem se esconder, mas não é isso, todos querem um lugar tranquilo e reservado para ver esse espetáculo. Não é todo dia, não é toda noite, quando chove tudo muda... O cheiro, a cor, o ânimo.

E não sou só eu que falo isso, vejo pessoas correndo pela rua, sorrindo para as gostas por que é inevitável não alargar os lábios em uma gargalhada quando no meio do caminho te pegam as gotas geladas. Eu não perdia uma. Ensacava minha mochila com um saco qualquer que pegava com a caseira da escola e enquanto a maioria se abrigava abaixo das telhas eu e meus amigos fanfarrões corríamos pulando nas poças. O tênis secaria amanhã e eu seria um tantinho mais feliz por ter feito isso! Valeu a pena!


Então veja que até meu querido e amado Fernando Pessoa gostava dela. Ele me entenderia!

 Chove. Há Silêncio
Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva
Não faz ruído senão com sossego.
Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva
Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego...

Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece...

Não paira vento, não há céu que eu sinta.
Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente...

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

No momento que escrevi isso estava chovendo claro, espero que quando estiverem lendo também esteja porque o calor está de matar!


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