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Meu querido diario...


Hoje minha mãe apareceu com uma novidade.

Estávamos todos no fundo de casa fazendo um churrasco, quando ela disse que havia feito um poema a muito tempo atrás.

Ok, todos sabem que amo ler e a ideia de ler algo que minha mãe escreveu quando era adolescente me deixou realmente animada.

Depois de vários pedidos insistentes (e foram muitos mesmo) ela resolver dizer que estava com vergonha de mostrar o poema porque ele estava em um caderninho.

CADERNINHO????? Como assim um caderninho?

Ela ainda seguiu dizendo: “... é, sabe aqueles caderninhos que as meninas escrevem quando estão apaixonadas e tal...”


Surtei! E meu pai então? Arregalou os olhos e veio logo interessado... “ Fala de mim La?”. Hahahahahahha!

Minha mãe tem um diário????? Depois de 20 e tantos anos convivendo com uma pessoa você ainda continua a conhecê-la. Claro que ela me deixou ler depois de muito pedir e prometer não rir dela.

Era um caderninho fino e realmente foi de quando ela tinha uns 16 anos. Fazia um tempão que ela não o pegava. Estava escondido dentro de um plástico, já com as paginas meio amareladas, mas conservava um cheiro tão bom... um cheiro de rosas. Delicia ver aquilo.

Os olhinhos dela brilhavam, mas ela ainda estava envergonhada e eu na sede de ler o tal diário. Bem, comecei a ler quando o churrasco acabou e esperei ela sair de perto pra não me ver rindo de algo que poderia estar escrito ali.

No começo havia varias historias de amor de menina mesmo, mas essas historias foram tomando uma forma mais seria. Para a minha surpresa não me pareciam engraçadas, porque se pareciam muito com as minhas historias.

Me debulhei em lagrimas quando cheguei na parte onde ela falava da tristeza de não ter mais o pai ao seu lado. Ela escreveu no diário dias depois que ele faleceu e aquelas palavras pareciam tão profundas.

Tinham brigas com a mãe depois disso. Ela se sentia muito sozinha... até que aparece meu pai...

Como foi bom ler minha mãe falando do meu pai como uma adolescente. Que delicia a empolgação dela em dizer que ele era o amor da vida dela sem ao menos imaginar que alguns anos mais tarde a própria filha ia estar lendo aquilo.

Meu conselho? Escrevam diários. Um dia você pode ter um filho que vai amar ler tudo que você escreveu.
Eu já comecei o meu a algum tempo atrás e confesso que achava besteira no começo mas agora acho legal escrever. Espero que um dia alguém leia e se emocione também, como aconteceu comigo hoje!


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