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[Livro] Hannibal - Thomas Harris (Especial Hannibal 5/9)


É impressionante, como um personagem pôde se tornar tão importante em uma quadrilogia, tendo aparecido tão pouco nos dois primeiros livros e no terceiro - que leva seu próprio nome na capa - foi dar as caras depois da página 100.

Sinopse: Após o banho de sangue que Hannibal causou ao fugir do presídio, ele consegue fugir primeiro para o Brasil, onde consegue bons documentos falsos e depois para a Itália, onde, com nova identidade e novo rosto, tenta começar uma vida nova, sendo o curador de um Museu. Mas o vício não o abandona tão facilmente... Enquanto isso, nos Estados Unidos, o FBI não desistiu de prendê-lo, usando a agora Agente Clarice Starling, que já tem um bom conhecimento sobre o caso e está em maus lençóis depois de uma operação policial mal feita. Mas o maior problema de Hannibal não é a polícia! Acontece que uma de suas primeiras vítimas, o rico e inescrupuloso Mason Verger, que foi completamente desfigurado pelo Dr. Lecter, só pensa em vingança. Além de um parafuso a menos, ele sempre está um passo a frente do FBI e sabe que seu objetivo está mais próximo que nunca de se realizar, com uma vingança, que pode ser considerada no mínimo, surpreendente e bizarra! Agora, parece que o Dr. Lecter, de caçador, passa a ser a caça. Vai ser preciso muito mais que seus dentes para se safar dessa rede. Thomas Harris conseguiu fechar essa saga com chave de ouro. Brilhante, bizarro e absurdo, como descreveu o Publishers Weekly sobre o livro, é além de tudo, um aprofundamento na vida de Hannibal: seus gostos, sua infância, sua família...

Classificação 
Editora Record

Hannibal está livre. 
Clarice Starling ainda luta para se manter firme após a prisão de Jame Gumb, o Bufalo Bill de Silêncio dos Inocentes. Mesmo sendo a responsável pela captura de um dos serial Killers mais procurados do FBI, precisa lidar com a fuga de Hannibal. Ele parece ter um interesse enorme por ela e mesmo prometendo que não a procuraria, o medo anda ao seu lado. (Com razão, né?)

Acontece que agora, o FBI não é o único que procura pelo Dr. Lecter. Mason Verger, (quarta vítima de Lecter e o único sobrevivente de seus ataques) mesmo desfigurado e completamente imobilizado, dispõe de recursos quase infinitos que usa na busca de Hannibal.


Mason não admite, mas está cego pela vingança que vem traçando há anos, enquanto respira por aparelhos. Seus contatos chegam até Florença e as informações que ele possui acabam caindo nas mãos de um investigador chamado Rinaldi Pazzi.

Desacreditado por um erro grave na captura de um Serial Killer, anos antes, Pazzi se dedica com afinco na procura do famoso Canibal dos Estados Unidos. Indícios mostram que ele está ali e essa seria a porta de entrada para ser novamente reconhecido como um bom profissional.

Sim, Sim. Temos Hannibal em Florença na série também e Pazzi está lá!
Como Clarice não teve tempo de ser criada nessa produção, contamos com Will Grahan em seu lugar.
Este da foto é Pazzi e a mulher é a psiquiatra de Hannibal. Algumas mudanças foram feitas, mas a essência está toda aí!

Pazzi reconhece Hannibal quase de imediato, mesmo que este tenha sofrido algumas modificações no rosto e orelhas, as imagens enviadas por Verger não deixam dúvidas. Fora isso, há duas coisas que denunciam Lecter: 

  • A cicatriz em sua mão esquerda, onde deveria ter o sexto dedo que ele retirou no Brasil (isso nunca apareceu nos filmes e nem na série).
  • Sua fascinação pela música Variações Goldberg de Bach, faixa que ele escuta constantemente e que tocava no momento em que matou os guardas que cuidavam dele antes de fugir. 
Mason Verger garante três milhões de dólares por Hannibal vivo e Pazzi não deixará essa oportunidade escapar.

"Os termos incluíam cem mil dólares adiantados. Para se candidatar ao adiantamento, Pazzi teria de fornecer uma impressão digital positivamente identificável do Dr. Lecter, a impressão teria de ser sobre um objeto, e não uma cópia".
Hannibal e Clarice em uma das cenas mais legais do filme, COM OS MALDITOS PORCOS!

Nesse volume passamos a acompanhar mais Hannibal Lecter e participamos de seus pensamentos tão complexos. O destaque maior vai para seu famoso "Palácio de Memórias" tão bem retratado na série. Este é o lugar criado por ele em sua memória, com cômodos e objetos depositados ali com todo cuidado. A mente de Hannibal é fascinante e tudo que ele guarda, está ali, neste palácio. 

“O palácio de Hannibal Lecter é vasto, até mesmo para os padrões medievais. Traduzido para o mundo tangível, ele poderia rivalizar com o palácio Topkapi em Istambul, em tamanho e complexidade.”

Clarice também mergulha, profundamente, na vida de Hannibal. Ela praticamente vive ao seu lado, ouvindo gravações e lendo notas que o psiquiatra enviou ou publicou. Sua fascinação se torna cada vez mais clara e mesmo o "caçando", podemos notar o tamanho respeito que ela tem pelo Hannibal, o canibal.

É impossível, o próprio leitor, não sentir essa tal fascinação em diversos momentos. Eu atribuo isso ao fato de que Hannibal, realmente, come os rudes. Suas vítimas são pessoas odiosas. Mason Verder, mesmo tendo sofrido horrores nas mãos de Lecter, é uma pessoa desprezível. 

Já sentimos isso nos livros anteriores. Bufallo Bill é um lunático que precisa ser contido, enquanto Hannibal tem todo o requinte e inteligência. Nesse volume da quadrilogia, passamos a conviver com o investigador Paul Kendler que é tão desagradável quanto o Dr. Chilton do volume anterior.

Sendo bem sincera: Desejei que Hannibal pegasse a ambos. E quem vai se esquecer de cenas como essa:

No filme (inesquecível mesmo)
Na série!

Agora sobre o final... Calma, não teremos spoilers aqui:
O final do filme é BEM diferente do livro. Bem diferente mesmo, dá todo um sentido contrário à coisa e não sei por que fizeram isso. Me senti meio traída.


No livro é tudo mais real, justamente porque a ultima cena de Clarice deixa claro, alguns sentimentos que vamos descobrindo ao longo dos livros. Hannibal tem um final melhor também e isso, por si só, me fez ficar com raiva da adaptação. 

Ok. O filme deixa a desejar, mas a série compensa. O final que ganhamos com ela lembrou muito o final que lemos nesse volume. Acho que foi uma espécie de presente para os fãs dos livros. (Foi um presente lindo). O que temos que ter em mente é que ao invés de Clarice, tivemos o Will Grahan neste último encontro.

Essa não é a cena final, mas todas que encontrei eram um GRANDE spoiler,

Enfim, como na maioria das vezes, quem gosta de verdade desse personagem, PRECISA ler as obras, que são bem mais profundas e verdadeiras.

Espero que estejam gostando desse especial, eu estou me divertindo demais ao criar cada post desses.

[Livro] Silêncio dos Inocentes - Thomas Herris (Especial Hannibal 4/9)


O começo do livro é um pouco mais lento, mas primordial para o desenrolar da história. Até então estamos focados em Will Graham e de repente ele desaparece, deixando o caminho livre para Clarice Starling, isso foi um choque para mim que acompanhei a série com tanto afinco ANTES de ler os livros.



Sinopse: Cinco mulheres são brutalmente assassinadas em diferentes localidades dos Estados Unidos. Para chegar até o sanguinário assassino, uma jovem treinada pelo FBI entrevista o Dr. Hannibal Lecter, um brilhante psiquiatra, cuja mente está perigosamente voltada para o crime. Ao seguir as pistas apontadas por Lecter, a jovem se vê envolvida numa teia mortífera e surpreendente.



Classificação
Editora Record

"- Memória, policial Starling, é o que tenho em vez de uma vista".

Nestas primeiras páginas vamos conhecer a estudante, recrutada por Jack Crawford, e também acompanhamos o quanto Hannibal Lecter teceu sua teia, envolvendo-a a cada encontro. Perto da página 100 a coisa esquenta. O ritmo aumenta. Nesse ponto, Lecter tem todas as cartas na mesa e está pronto para jogar.

É assustador. Me coloquei no lugar de Clarice, ali, de frente para um monstro canibal, capaz de penetrar em sua mente e causar danos, mesmo atrás de um vidro inquebrável e preso por correntes e uma mordaça de ferro. E as conversas entre eles...

"Creio que a maioria dos psiquiatras tem um paciente ou dois que gostaria de encaminhar para mim".

Aqui, mais uma vez o FBI precisa da ajuda de Hannibal para pegar um psicopata desenfreado, pois só uma mente perversa pode entender outra - É o que pensam.

Com Will Grahan, definitivamente, afastado e desfigurado (leiam Dragão Vermelho para saber o motivo apavorante desse acidente), Jack Crawford apela para uma estudante brilhante. Ele espera que sua esperteza e por ser mulher, consiga algo de Hannibal, antes que Bufallo Bill ataque novamente.

Dessa vez, Hannibal parece fazer parte dos assassinatos que andam ocorrendo. Ele dá pistas que parecem incompletas para Clarice e, em um primeiro momento, parece estar enrolando em busca de um prêmio maior. Agora ele tem uma governadora em suas mãos, já que sua filha, Catherine Martin, é a garota sequestrada de Bufallo Bill, no momento e resolve tirar vantagem disso.


Bem, Bufallo Bill é mais lunático do que Francis Dolarhyde - ou não, sei lá - pois está querendo se transformar também, mas não em um dragão e sim em uma moça. Para isso ele sequestra garotas grandes e tira sua pele para costurar um traje para ele. Pense que beleza de traje!

"Lidar com a pele humana é monstruosamente difícil se os padrões de qualidade do serviço não são tão altos quanto os do Sr. Gumb. Há decisões estruturais básicas a tomar e a primeira é onde colocar o Zíper".

Acontece que Hannibal não perde oportunidade alguma em sua vida e ao mesmo tempo em que "ajuda" Clarice na investigação, joga os dados a seu favor, mirando a liberdade.

A genialidade com que ele traça seu caminho é maravilhosa. Cada ação é calculada e cada resultado aproveitado com sabedoria. Por ser a obra que mais teve destaque no cinema, contamos com cenas inesquecíveis de Hannibal, tais como:

Hannibal usando a mascara de ferro ao encontrar com a governadora.


O primeiro encontro dele com Clarice - deliciosamente assustador.


Sua fuga teatral e refinada, com requintes de horror - É de arrepiar mesmo.


E claro,as provocações que ele faz com todo mundo, provando o quanto é diferente dos outros seres humanos.

"- Você se machucou?
- Não, eu...
- Está com um Band-Aid novo, Clarice.
Então ela lembrou - Arranhei-me hoje na borda da piscina - O Band-Aid estava na sua perna, escondido, por debaixo da calça. Ele devia ter sentido o cheiro."

Vai cheirar assim lá longe!

Esse livro é mais um dos que eu poderia ficar horas conversando. Falando sobre as conversas e sobre as reações, mas deixaria pouco para quem decidir ler. O filme foi maravilhoso e Antony Hopkins imortalizou o psiquiatra canibal de forma tão esplêndida que deu a ele um Oscar.


Nos livros, a introdução de Clarice foi bem mais interessante do que a de Will Grahan, porque veio desde o começo ao passo que com ele, em Dragão Vermelho, a história já começa na metade. E é por esse motivo que sempre irei agradecer a série que nos deu esse ANTES que nem Thomas Harris deu! 

Aqui, acompanhamos o primeiro contato de Clarice, que é incrível de se ver e vamos seguindo com essa relação ao mesmo tempo em que ela. O que a torna irresistível para ele? Porque entre tantos alunos, repórteres e médicos, Hannibal deixou-se envolver apenas com Clarice?


O vilão da vez, e notem que casa livro tem o seu, além do Hannibal, é bem interessante. Um homem que pensa ser mulher e para isso busca essa transformação. A medicina negou a ele essa mudança, então ele buscou seu sonho de outra forma. Distorcida, mas eficaz em sua cabeça.

A simbologia usada aqui foi a de uma mariposa. Enquanto no livro anterior temos o Dragão tatuado nas costas de Francis, um monstro quase vivo, em Silêncio dos Inocentes encontramos a perigosa Erebus odora — A mariposa conhecida como Feiticeira Negra que era introduzida na garganta das vítimas como uma assinatura de Jame Gamb (Bufallo Bill).

E, nesse segundo volume da série, somos, finalmente, premiados com a fuga de Hannibal Lecter. Quem lê desde o começo, anseia por esse momento que foi, de fato, esplêndido e ao som de Bach. (ouça aqui)


Lecter deixa para trás pessoas estupefatas com tamanha ousadia e uma agente do FBI entorpecida por conta de sua atenção a ela. Clarice temeria o retorno de Hannibal? Bom, ele mesmo deixou algo bem claro para ela em uma carta:

"Não faço planos de procurá-la, Clarice, o mundo fica mais interessante com você dentro dele. Certifique-se de estender-me a mesma cortesia". 

E como isso é generoso da parte dele, porque quem acompanha Lecter, sabe: Ele é perverso e raramente perdoa as pessoas, mas NUNCA quebra uma promessa. Ele considera isso rude e Lecter não perdoa os rudes, ele os come.


Trilha sonora e fotografia (Especial Hannibal 3/9)


Uma história, por melhor que seja nunca é o suficiente em uma série se não vier acompanhada de uma boa fotografia e uma trilha sonora de impacto. Se a combinação entre os três não funcionar, enfraquece a obra.

No caso do visual de qualquer adaptação de Hannibal, o mundo pode colecionar imagens chocantes e mágicas que estão presentes na mente, até mesmo daquele telespectador que nunca assistiu aos filmes.

Quem não reconhece esse personagem:


Mas a fotografia de uma série (ou filme) vai muito além de imagens chocantes e clássicas. Estou falando disso:




E nesse caso, a série ganhou de longe em qualidade, graças ao diretor de fotografia, James Hawkinson. As ilusões de Will em relação ao serial Killer que ele perseguia, e nem sabia que era o seu psiquiatra que ele caçava:


As mortes expostas de forma artística, elaboradas por Lecter e posicionadas quase como um presente para Will:


Sem falar nos banquetes magníficos, a base de carne humana, mas preparados e expostos de tal forma que dava água na boca se quem assistia:




Não podemos esquecer também, das inúmeras apresentações culturais que Lecter compareceu e se deixou embalar em magníficas melodias, com visuais como esse:



É aqui entramos em outro destaque: TRILHA SONORA 

Bem, o próprio escritor deu uma mãozinha nesse sentido. Thomas Harris deixou em evidência uma das músicas clássicas mais lindas que existe, colocando como vicio de Hannibal por toda sua vida.

Estou falando de "Variações de Goldenberg - Bach". Uma das composições mais deliciosas dele e que acompanhou Hannibal nas cenas mais importantes de sua saga.

Com várias interpretações, "Variações de Goldenberg" está presente em todas as adaptações dessa obra e embala a penúltima cena da série. (O vídeo abaixo está com o nome errado, mas a música é Variações de Godenberg com certeza).


Também está presente na cena - sanguinária de fuga do Hannibal Lecter, depois de 8 anos preso:


Não posso deixar de compartilhar a belíssima “Le quattro stagioni: L'Inverno” de Antonio Vivaldi que tem todo o ritmo e força das cenas em que aparece.


Outra faixa que remete qualquer fã às cenas inesquecíveis da série e dos filmes é “Vide Cor Meum”.
Esse vídeo que escolhi tem o som melhor e imagens lindas:


E depois dessa música, preciso ressaltar a importância da ópera na vida de Hannibal. Na série ele assiste a uma apresentação linda, embalada pela belíssima “Piangero la sorte mia (Giulio Cesare in Egitto)”.

Cena da série:


Música completa:


A parte que aparece na série começa aos 3 minutos e 13 segundos desse vídeo acima. 

Além dessa, ainda podemos encontrar "Se pietà de me non senti" que teve um enorme destaque no terceiro filme "Hannibal" que se passou em sua maior parte em Florença:


Eu sou uma amante de música clássica desde criança. Em casa, sempre tive contato com esse tipo de música e foi fácil encontrar estas faixas em minhas coleções, por isso, acabei fazendo um álbum no YouTube que chamei de HANNIBAL, e agora compartilho com vocês. Estou sempre atualizando as faixas e aumentando a coleção.


Espero que se deliciem com essa trilha sonora que é de pura qualidade. Refinada, assim como Hannibal Lecter.



[Livro] Dragão Vermelho - Thomas Harris (Especial Hannibal 2/9)


Que livro incrível. Policial de qualidade, com suspense até os ossos e muitas cenas inesquecíveis. 

A verdade é que Dragão Vermelho ficou imortalizado, após sua adaptação e ganhou ainda mais destaque depois que a série foi cancelada, tendo sua cena final bem ao lado dele - O Dragão.


Sinopse: Dragão Vermelho é a história de um agente do FBI, especializado em serial killers. Ele entra em colapso após a caçada a um psicopata extremamente perigoso. Mas seus serviços são novamente requisitados quando um serial killer começa a matar famílias inteiras, quebrando espelhos da casa e colocando os cacos diretamente nos olhos das vitímas. E para resolver esse caso, ele conta, a contra gosto, com a ajuda de um de seus maiores inimigos, o psiquiatra sociopata, o doutor Hannibal Lecter.


Classificação
Editora Record

Francis Dolaryde é um vilão digno. Até Hannibal o admirou. O livro descreve tão bem sua transformação que é possível sentir alguma empatia por ele em determinados momentos. 

Bom, partindo do principio, Dragão vermelho começa já na metade da história entre Will Graham (agente do FBI especializado em serial killers) e Hannibal. Will tem uma capacidade imaginativa fora do normal e consegue se colocar no lugar do assassino, apenas observando a cena do crime.

Traçando um paralelo com a série, podemos ver, em muitos momentos, o quanto Will, praticamente, entra na cabeça dos psicopatas que investiga, para traçar a ordem e os motivos dos seus crimes. Will assume a personalidade das pessoas de tal forma que uma simples conversa já o faz assumir tiques e sotaques de quem está ao redor, isso ele faz de forma inconsciente.

Esse é meu estilo.

Impossível esquecer a maneia como foi retratada, na série, essa capacidade de Will e parece que Hannibal também admira isso, pois o aceitou como amigo. Nesse livro, Will já passou pela batalha que precisou travar contra Hannibal e já o prendeu. 

"— Fez o que fez porque sentiu prazer nisso. Ainda o sente. O Dr. Lecter não pode ser considerado louco no sentido vulgar da palavra. Fez algumas coisas monstruosas porque sentiu prazer nisso. Mas quando quer, pode funcionar perfeitamente e parecer normal".

Após um incidente no passado, Will é internado em um hospício, por ter matado um homem, mas a verdade é que Hannibal conseguiu entrar em sua cabeça de tal forma que o perturbou. O livro passa por esses detalhes rapidamente, assim como o filme, mas a série destrincha essa parte minuciosamente em sua primeira e segunda temporada. Ela nos mostra o que nem mesmo Thomas Harris (o escritor) mostrou.

Enfim, começa o livro bem nessa parte, com Will Graham aposentado e curado de seus demônios, recebendo a visita de Jack Crawford, antigo chefe e agente especial do FBI. Jack vem em busca de ajuda para solucionar um caso que está deixando todo o departamento assustado. Sua equipe é imensa, mas apenas Will tem as ferramentas necessárias para pegá-lo.

Will Graham do filme
Will aceita voltar, analisa o caso e chega à conclusão de que só conseguirá resolver esse caso com o auxilio de seu antigo parceiro: Hannibal Lecter. 

Não preciso dizer o quanto é prazeroso acompanhar a relação entre os dois. A maldita cumplicidade que eles possuem, mesmo estando em lados opostos da lei, é deliciosa. Eles parecem falar a mesma língua e com isso destrincham nosso novo vilão, chamado inicialmente de Fada do dente.

Francis Dolarhyde - o dragão - do filme

Pausa para o meu chilique: Esse, tirando Hannibal, é meu vilão preferido no mundo da literatura policial. Francis Dolarhyde foi tão bem construído e ganhou adaptações tão magníficas que fizeram dessa obra, a minha preferida na quadrilogia toda.

Então Will aceita caçar o Dragão ao lado de Hannibal, o canibal.

"A loucura entrara naquela casa pela porta da cozinha, calçando sapatos tamanho quarenta e três. Sentado na escuridão, Graham farejava a loucura como um cão-policial fareja uma camisa".

A cada visita que Will faz à prisão, onde encontra Hannibal, sentimos o peso que isso traz para seus ombros. O medo e a admiração que ele sente são quase iguais e os jogos que precisa jogar para conseguir cada informação é um deleite. 

Fora isso, Will teme que Hannibal penetre em sua cabeça novamente, algo que ele faz com facilidade. O problema é que ficamos o tempo todo torcendo para isso acontecer, quer dizer, a relação deles é profunda e foi muito bem retratada na série. O medo e a fascinação andam juntos.

"A distância que o separava da rua pareceu-lhe muito curta. Era um único edifício e só cinco portas entre Lecter e o mundo exterior. Sentia uma impressão absurda de que Lecter saíra com ele. Parou diante da porta do Hospital e olhou à sua volta para se certificar de que de fato se encontrava só".

Francis Dolarhyde - o dragão - da série

Agora o Dragão.
Um homem traumatizado. Renegado desde seu nascimento, que sofre as piores humilhações no orfanato por ter um problema sério no palato que prejudica sua fala. Francis é, finalmente, adotado por sua avó e se muda para um lar de verdade.

Bem, um lar distorcido e tão agressivo quanto sua vida no orfanato, mas real. Sua avó é assustadora, além de usar uma dentadura medonha e ser extremamente rígida, ameaça Francis de formas dolorosas. E ele cresce, temendo tudo e todos.

Quando adulto, conhece uma pintura chamada "O Grande Dragão Vermelho e a Mulher Vestida de Sol" de William Blake e imediatamente sente uma conexão. Ele se vê nessa pintura e encontra a força que pensa não possuir. Francis resolve então se transformar no Dragão, unindo a pintura à dentadura medonha de sua avó: duas coisas que ele teme e que representam força para ele.


Mas seus delírios são inesgotáveis. A força do Dragão cresce dentro dele (ele desenvolve uma segunda personalidade) e o obriga cometer os atos mais brutais em nome dessa transformação.

"Durante semanas, Dolarhyde receara que seus pensamentos pudessem sair pelas orelhas para se materializar na câmara escura e queimar os filmes. Colocara tampões de algodão nas orelhas. Mais tarde, temendo que o algodão fosse inflamável, tentara a lã de aço. Fizera-lhe sangrar as orelhas. Por último, cortara pequenos pedaços de tela de amianto da cobertura de uma tábua de passar ferro e fizera pequenas bolas que obstruíam perfeitamente os seus canais auditivos"

Para ele, seus atos eram de salvação. Ele escolhia famílias perfeitas e as "transformava". Um psicopata desse nível só poderia ser entendido e capturado por outro ser como ele. Hannibal é um tipo de ídolo para Francis e aceita ajudar Will nessa caçada, mas nem sempre se inclina para o lado certo. Hannibal não tem mais nada e age sempre em busca da única coisa que o interessa: prazer e diversão. Por isso nunca sabemos quem, exatamente, ele está ajudando.

Essa obra é deliciosa. Temos a introdução de Hannibal e no meio do livro a história completa de Francis. O ritmo é acelerado e o nível de delírios, assustador. Francis, apesar de psicopata, é adorável e chega dar pena. Seus atos são justificáveis para ele e aqui, temos a primeira grande vingança contra personagens odiosos que nos fará torcer pelos vilões o tempo todo.

"Dolarhyde reunia os seus gritos como um escultor reúne a poeira que se liberta da pedra trabalhada".

Falarei disso mais para frente, mas chegamos a torcer para Hannibal e até para Francis, quando nos deparamos com o odioso Dr. Chilton e o detestável repórter Freddy Lounds (que na série é uma mulher). Ambos são tão baixos e rudes que merecem um encontro com nossos protagonistas do mal. 

Francis é poderoso e delicado ao mesmo tempo. Ele sofre e vive atormentado. Suas lembranças o assusta como se sua avó ainda estivesse ali ao seu lado, junto com o Dragão, prontos para o punir. Ao mesmo tempo em que vive solitário naquela casa enorme e cheia de lembranças.

"Desde os nove anos que sabia que se encontrava só e que estaria sempre só, uma conclusão que se acentuou mais por volta dos quarenta. Estava só porque era único".

Então Francis conhece Reba, uma mulher encantadora e CEGA que parece perfeita para ele. Isso até o dragão decidir que ele precisa matá-la. Nesse ponto ele vive o maior dilema de sua vida: Ser mais forte que o dragão e conservar Reba mais um pouco ao seu lado ou seguir com sua transformação.


Eu poderia ficar horas escrevendo sobre Francis e Hannibal nesse post, mas destruiria as surpresas do livro para quem decidir ler. A série ganha, mais uma vez, na forma em que retratou o Dragão e suas alucinações. Ganhou também com a adaptação perfeita de Will Graham em sua relação com Hannibal, portanto mais um ponto para ela!

Melhor parar por aqui, porque falaremos mais sobre Francis Dolarhyde daqui alguns dias.

*****
Eu não ia comentar, mas existe uma adaptação (horrorosa) dessa obra, além do filme com o Antony Hopkins e a série. Foi a primeira aparição de Hannibal nas telas, mas foi tão ruim que passou despercebida pelo mundo. Graças a Deus.


Ela se chama ManHunter que trás um Will Graham palerma, um Hannibal com cara de tonto e um Francis Dolarhyde em sua versão DragQueen.

Foi QUASE ofensivo e revoltante ler, no meio do filme o título de uma matéria se referindo à Hannibal Lecter assim:


Eu senti vontade de chorar e quase nem falei dessa obra aqui, mas achei melhor alertar quem, um dia, se deparar com isso. NÃO PERCA SEU TEMPO. 

Acho que o único que ficou bem nesse filme foi o Jack Crawford, que consegui ser um bom personagem em TODAS as adaptações, mesmo sendo interpretado por atores diferentes em cada uma delas. Mas mesmo assim, não vale as mais de DUAS horas sofridas! 

Você não vai querer ver isso:



Se pode ver isso:



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