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Quando a chuva cai


E quando a chuva cai é outra história.


Os animais parecem se esconder, mas não é isso, todos querem um lugar tranquilo e reservado para ver esse espetáculo. Não é todo dia, não é toda noite, quando chove tudo muda... O cheiro, a cor, o ânimo.

E não sou só eu que falo isso, vejo pessoas correndo pela rua, sorrindo para as gostas por que é inevitável não alargar os lábios em uma gargalhada quando no meio do caminho te pegam as gotas geladas. Eu não perdia uma. Ensacava minha mochila com um saco qualquer que pegava com a caseira da escola e enquanto a maioria se abrigava abaixo das telhas eu e meus amigos fanfarrões corríamos pulando nas poças. O tênis secaria amanhã e eu seria um tantinho mais feliz por ter feito isso! Valeu a pena!


Então veja que até meu querido e amado Fernando Pessoa gostava dela. Ele me entenderia!

 Chove. Há Silêncio
Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva
Não faz ruído senão com sossego.
Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva
Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego...

Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece...

Não paira vento, não há céu que eu sinta.
Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente...

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

No momento que escrevi isso estava chovendo claro, espero que quando estiverem lendo também esteja porque o calor está de matar!


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