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Trilha sonora e fotografia (Especial Hannibal 3/9)


Uma história, por melhor que seja nunca é o suficiente em uma série se não vier acompanhada de uma boa fotografia e uma trilha sonora de impacto. Se a combinação entre os três não funcionar, enfraquece a obra.

No caso do visual de qualquer adaptação de Hannibal, o mundo pode colecionar imagens chocantes e mágicas que estão presentes na mente, até mesmo daquele telespectador que nunca assistiu aos filmes.

Quem não reconhece esse personagem:


Mas a fotografia de uma série (ou filme) vai muito além de imagens chocantes e clássicas. Estou falando disso:




E nesse caso, a série ganhou de longe em qualidade, graças ao diretor de fotografia, James Hawkinson. As ilusões de Will em relação ao serial Killer que ele perseguia, e nem sabia que era o seu psiquiatra que ele caçava:


As mortes expostas de forma artística, elaboradas por Lecter e posicionadas quase como um presente para Will:


Sem falar nos banquetes magníficos, a base de carne humana, mas preparados e expostos de tal forma que dava água na boca se quem assistia:




Não podemos esquecer também, das inúmeras apresentações culturais que Lecter compareceu e se deixou embalar em magníficas melodias, com visuais como esse:



É aqui entramos em outro destaque: TRILHA SONORA 

Bem, o próprio escritor deu uma mãozinha nesse sentido. Thomas Harris deixou em evidência uma das músicas clássicas mais lindas que existe, colocando como vicio de Hannibal por toda sua vida.

Estou falando de "Variações de Goldenberg - Bach". Uma das composições mais deliciosas dele e que acompanhou Hannibal nas cenas mais importantes de sua saga.

Com várias interpretações, "Variações de Goldenberg" está presente em todas as adaptações dessa obra e embala a penúltima cena da série. (O vídeo abaixo está com o nome errado, mas a música é Variações de Godenberg com certeza).


Também está presente na cena - sanguinária de fuga do Hannibal Lecter, depois de 8 anos preso:


Não posso deixar de compartilhar a belíssima “Le quattro stagioni: L'Inverno” de Antonio Vivaldi que tem todo o ritmo e força das cenas em que aparece.


Outra faixa que remete qualquer fã às cenas inesquecíveis da série e dos filmes é “Vide Cor Meum”.
Esse vídeo que escolhi tem o som melhor e imagens lindas:


E depois dessa música, preciso ressaltar a importância da ópera na vida de Hannibal. Na série ele assiste a uma apresentação linda, embalada pela belíssima “Piangero la sorte mia (Giulio Cesare in Egitto)”.

Cena da série:


Música completa:


A parte que aparece na série começa aos 3 minutos e 13 segundos desse vídeo acima. 

Além dessa, ainda podemos encontrar "Se pietà de me non senti" que teve um enorme destaque no terceiro filme "Hannibal" que se passou em sua maior parte em Florença:


Eu sou uma amante de música clássica desde criança. Em casa, sempre tive contato com esse tipo de música e foi fácil encontrar estas faixas em minhas coleções, por isso, acabei fazendo um álbum no YouTube que chamei de HANNIBAL, e agora compartilho com vocês. Estou sempre atualizando as faixas e aumentando a coleção.


Espero que se deliciem com essa trilha sonora que é de pura qualidade. Refinada, assim como Hannibal Lecter.



[Livro] Dragão Vermelho - Thomas Harris (Especial Hannibal 2/9)


Que livro incrível. Policial de qualidade, com suspense até os ossos e muitas cenas inesquecíveis. 

A verdade é que Dragão Vermelho ficou imortalizado, após sua adaptação e ganhou ainda mais destaque depois que a série foi cancelada, tendo sua cena final bem ao lado dele - O Dragão.


Sinopse: Dragão Vermelho é a história de um agente do FBI, especializado em serial killers. Ele entra em colapso após a caçada a um psicopata extremamente perigoso. Mas seus serviços são novamente requisitados quando um serial killer começa a matar famílias inteiras, quebrando espelhos da casa e colocando os cacos diretamente nos olhos das vitímas. E para resolver esse caso, ele conta, a contra gosto, com a ajuda de um de seus maiores inimigos, o psiquiatra sociopata, o doutor Hannibal Lecter.


Classificação
Editora Record

Francis Dolaryde é um vilão digno. Até Hannibal o admirou. O livro descreve tão bem sua transformação que é possível sentir alguma empatia por ele em determinados momentos. 

Bom, partindo do principio, Dragão vermelho começa já na metade da história entre Will Graham (agente do FBI especializado em serial killers) e Hannibal. Will tem uma capacidade imaginativa fora do normal e consegue se colocar no lugar do assassino, apenas observando a cena do crime.

Traçando um paralelo com a série, podemos ver, em muitos momentos, o quanto Will, praticamente, entra na cabeça dos psicopatas que investiga, para traçar a ordem e os motivos dos seus crimes. Will assume a personalidade das pessoas de tal forma que uma simples conversa já o faz assumir tiques e sotaques de quem está ao redor, isso ele faz de forma inconsciente.

Esse é meu estilo.

Impossível esquecer a maneia como foi retratada, na série, essa capacidade de Will e parece que Hannibal também admira isso, pois o aceitou como amigo. Nesse livro, Will já passou pela batalha que precisou travar contra Hannibal e já o prendeu. 

"— Fez o que fez porque sentiu prazer nisso. Ainda o sente. O Dr. Lecter não pode ser considerado louco no sentido vulgar da palavra. Fez algumas coisas monstruosas porque sentiu prazer nisso. Mas quando quer, pode funcionar perfeitamente e parecer normal".

Após um incidente no passado, Will é internado em um hospício, por ter matado um homem, mas a verdade é que Hannibal conseguiu entrar em sua cabeça de tal forma que o perturbou. O livro passa por esses detalhes rapidamente, assim como o filme, mas a série destrincha essa parte minuciosamente em sua primeira e segunda temporada. Ela nos mostra o que nem mesmo Thomas Harris (o escritor) mostrou.

Enfim, começa o livro bem nessa parte, com Will Graham aposentado e curado de seus demônios, recebendo a visita de Jack Crawford, antigo chefe e agente especial do FBI. Jack vem em busca de ajuda para solucionar um caso que está deixando todo o departamento assustado. Sua equipe é imensa, mas apenas Will tem as ferramentas necessárias para pegá-lo.

Will Graham do filme
Will aceita voltar, analisa o caso e chega à conclusão de que só conseguirá resolver esse caso com o auxilio de seu antigo parceiro: Hannibal Lecter. 

Não preciso dizer o quanto é prazeroso acompanhar a relação entre os dois. A maldita cumplicidade que eles possuem, mesmo estando em lados opostos da lei, é deliciosa. Eles parecem falar a mesma língua e com isso destrincham nosso novo vilão, chamado inicialmente de Fada do dente.

Francis Dolarhyde - o dragão - do filme

Pausa para o meu chilique: Esse, tirando Hannibal, é meu vilão preferido no mundo da literatura policial. Francis Dolarhyde foi tão bem construído e ganhou adaptações tão magníficas que fizeram dessa obra, a minha preferida na quadrilogia toda.

Então Will aceita caçar o Dragão ao lado de Hannibal, o canibal.

"A loucura entrara naquela casa pela porta da cozinha, calçando sapatos tamanho quarenta e três. Sentado na escuridão, Graham farejava a loucura como um cão-policial fareja uma camisa".

A cada visita que Will faz à prisão, onde encontra Hannibal, sentimos o peso que isso traz para seus ombros. O medo e a admiração que ele sente são quase iguais e os jogos que precisa jogar para conseguir cada informação é um deleite. 

Fora isso, Will teme que Hannibal penetre em sua cabeça novamente, algo que ele faz com facilidade. O problema é que ficamos o tempo todo torcendo para isso acontecer, quer dizer, a relação deles é profunda e foi muito bem retratada na série. O medo e a fascinação andam juntos.

"A distância que o separava da rua pareceu-lhe muito curta. Era um único edifício e só cinco portas entre Lecter e o mundo exterior. Sentia uma impressão absurda de que Lecter saíra com ele. Parou diante da porta do Hospital e olhou à sua volta para se certificar de que de fato se encontrava só".

Francis Dolarhyde - o dragão - da série

Agora o Dragão.
Um homem traumatizado. Renegado desde seu nascimento, que sofre as piores humilhações no orfanato por ter um problema sério no palato que prejudica sua fala. Francis é, finalmente, adotado por sua avó e se muda para um lar de verdade.

Bem, um lar distorcido e tão agressivo quanto sua vida no orfanato, mas real. Sua avó é assustadora, além de usar uma dentadura medonha e ser extremamente rígida, ameaça Francis de formas dolorosas. E ele cresce, temendo tudo e todos.

Quando adulto, conhece uma pintura chamada "O Grande Dragão Vermelho e a Mulher Vestida de Sol" de William Blake e imediatamente sente uma conexão. Ele se vê nessa pintura e encontra a força que pensa não possuir. Francis resolve então se transformar no Dragão, unindo a pintura à dentadura medonha de sua avó: duas coisas que ele teme e que representam força para ele.


Mas seus delírios são inesgotáveis. A força do Dragão cresce dentro dele (ele desenvolve uma segunda personalidade) e o obriga cometer os atos mais brutais em nome dessa transformação.

"Durante semanas, Dolarhyde receara que seus pensamentos pudessem sair pelas orelhas para se materializar na câmara escura e queimar os filmes. Colocara tampões de algodão nas orelhas. Mais tarde, temendo que o algodão fosse inflamável, tentara a lã de aço. Fizera-lhe sangrar as orelhas. Por último, cortara pequenos pedaços de tela de amianto da cobertura de uma tábua de passar ferro e fizera pequenas bolas que obstruíam perfeitamente os seus canais auditivos"

Para ele, seus atos eram de salvação. Ele escolhia famílias perfeitas e as "transformava". Um psicopata desse nível só poderia ser entendido e capturado por outro ser como ele. Hannibal é um tipo de ídolo para Francis e aceita ajudar Will nessa caçada, mas nem sempre se inclina para o lado certo. Hannibal não tem mais nada e age sempre em busca da única coisa que o interessa: prazer e diversão. Por isso nunca sabemos quem, exatamente, ele está ajudando.

Essa obra é deliciosa. Temos a introdução de Hannibal e no meio do livro a história completa de Francis. O ritmo é acelerado e o nível de delírios, assustador. Francis, apesar de psicopata, é adorável e chega dar pena. Seus atos são justificáveis para ele e aqui, temos a primeira grande vingança contra personagens odiosos que nos fará torcer pelos vilões o tempo todo.

"Dolarhyde reunia os seus gritos como um escultor reúne a poeira que se liberta da pedra trabalhada".

Falarei disso mais para frente, mas chegamos a torcer para Hannibal e até para Francis, quando nos deparamos com o odioso Dr. Chilton e o detestável repórter Freddy Lounds (que na série é uma mulher). Ambos são tão baixos e rudes que merecem um encontro com nossos protagonistas do mal. 

Francis é poderoso e delicado ao mesmo tempo. Ele sofre e vive atormentado. Suas lembranças o assusta como se sua avó ainda estivesse ali ao seu lado, junto com o Dragão, prontos para o punir. Ao mesmo tempo em que vive solitário naquela casa enorme e cheia de lembranças.

"Desde os nove anos que sabia que se encontrava só e que estaria sempre só, uma conclusão que se acentuou mais por volta dos quarenta. Estava só porque era único".

Então Francis conhece Reba, uma mulher encantadora e CEGA que parece perfeita para ele. Isso até o dragão decidir que ele precisa matá-la. Nesse ponto ele vive o maior dilema de sua vida: Ser mais forte que o dragão e conservar Reba mais um pouco ao seu lado ou seguir com sua transformação.


Eu poderia ficar horas escrevendo sobre Francis e Hannibal nesse post, mas destruiria as surpresas do livro para quem decidir ler. A série ganha, mais uma vez, na forma em que retratou o Dragão e suas alucinações. Ganhou também com a adaptação perfeita de Will Graham em sua relação com Hannibal, portanto mais um ponto para ela!

Melhor parar por aqui, porque falaremos mais sobre Francis Dolarhyde daqui alguns dias.

*****
Eu não ia comentar, mas existe uma adaptação (horrorosa) dessa obra, além do filme com o Antony Hopkins e a série. Foi a primeira aparição de Hannibal nas telas, mas foi tão ruim que passou despercebida pelo mundo. Graças a Deus.


Ela se chama ManHunter que trás um Will Graham palerma, um Hannibal com cara de tonto e um Francis Dolarhyde em sua versão DragQueen.

Foi QUASE ofensivo e revoltante ler, no meio do filme o título de uma matéria se referindo à Hannibal Lecter assim:


Eu senti vontade de chorar e quase nem falei dessa obra aqui, mas achei melhor alertar quem, um dia, se deparar com isso. NÃO PERCA SEU TEMPO. 

Acho que o único que ficou bem nesse filme foi o Jack Crawford, que consegui ser um bom personagem em TODAS as adaptações, mesmo sendo interpretado por atores diferentes em cada uma delas. Mas mesmo assim, não vale as mais de DUAS horas sofridas! 

Você não vai querer ver isso:



Se pode ver isso:



Introdução - A ordem certa das coisas (Especial Hannibal 1/9)


Com este texto, começaremos um #EspecialHannibal durante o mês de Agosto. Será tipo um "esquenta" para o nosso mês do Halloween que já está sendo preparado, e também, por que eu simplesmente não consegui me conter e guardar estes textos até lá!


Falaremos sobre os a quadrilogia de livros e também sobre os filmes e a série, traçando comparações entre eles e sua fidelidade (ou não) às obras literárias. O que ficou melhor e o que não funcionou. Também quero conversar um pouco sobre os vilões e os mocinhos (se eu encontrar algum), além de destrinchar todo o requinte do canibal mais charmoso do planeta.


E hoje quero falar um pouco sobre a ordem que o escritor Thomas Harris escreveu os livros e como isso afetou suas adaptações. Acredito que nem ele esperava que seu personagem Hannibal Lecter fizesse tanto sucesso.


Thomas Harris não era tão principiante assim, quando começou essa saga. Em 1975 terminou um romance chamado "Black Sunday" (Domingo Negro) que foi adaptado (1977) para o cinema com o mesmo título. A obra falava de terroristas islâmicos que queriam jogar uma bomba durante um evento esportivo, usando um dirigível publicitário.


Apenas 6 anos depois, e após ter mergulhado profundamente nos estudos de investigações criminais, acabou lançando seu segundo livro e este sim, trouxe pela primeira vez o psiquiatra Hannibal Lecter e todo seu intelecto, para os leitores. Era o ano de 1981 quando Thomas Harris escreveu Red Dragon (Dragão Vermelho) e deixou sua marca no mundo.

O problema é que a obra já começa no meio de uma história. Hannibal já está preso e tem um passado glorioso com o investigador Will Grahan, mas não o conhecemos, porque a obra começa aí. Nesse caso a SÉRIE foi muito generosa com os leitores, pois trouxe toda a história ANTES de Lecter ser preso (Um ponto para a série).


Logo em seguida, Thomas Harris escreveu Silêncio dos Inocentes (1988) e essa é sua obra mais famosa, tanto nos livros, quanto nos cinemas. Hannibal aparece bem mais nesse volume e ganha um destaque assustador com sua inteligência quase sobrenatural e seu faro infalível.

A relação que ele cria com a estudante Clarice Starling é enlouquecedora e foi belíssimamente retratada na série, mas com outro personagem, tão famoso quanto ela: Will Grahan, citado acima e que nos livros participou apenas do Dragão Vermelho, mas é citado em todas as obras, pois foi o policial que mais se aproximou de Lecter, antes de ser preso.

Na série, Will é o grande destaque e talvez por isso eu tenha sentido tanto sua falta nos livros seguintes de Thomas Harris. Infelizmente a série foi cancelada antes que pudéssemos conhecer Clarice Starling, mas os filmes estão aí, contando com duas atrizes incríveis em sua pele.


Após estes dois volumes - ambos com um final sangrento - Thomas Harris escreveu a continuação direta de Silêncio dos Inocentes que leva apenas o nome "Hannibal" e tem um desenrolar fantástico. É a primeira vez que acompanhamos o psiquiatra tão de perto.


Então, Hannibal Lecter ficou famoso no mundo todo e Thomas Harris resolveu criar o ultimo livro, chamado "Hannibal, a origem do mal", mas que na realidade deveria ser o primeiro, porque conta a história desse personagem desde criança. Como ele se tornou o canibal mais procurado do mundo.

Acredito que esse "início" fecha com chave de outro toda a história de Hannibal. Apesar de pensar que mais alguns volumes dessa serie não seriam de todo mal. Um antes de Dragão vermelho também me deixaria muito contente.

Enfim, essa é a ordem certa para sua leitura de acordo com os lançamentos do escritor:

  1. Dragão Vermelho
  2. Silêncio dos Inocentes
  3. Hannibal
  4. Hannibal, a origem do mal
Espero que essa introdução ajude na sua localização nos próximos posts que virão por aí e lembre-se:

"Sempre que possível, tente "comer" o rude." - Hannibal

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