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[Conto] Noites Brancas - Fiódor Dostoiévski

Mais um daqueles contos do Dostoiévski que são tão profundos e cheios de detalhes que mais parecem uma novela. 

Sinopse: Numa iluminada noite de primavera, à beira do rio Fontanka, um jovem sonhador se depara com uma linda mulher, que chora. São Petersburgo está mergulhada em mais uma de suas noites brancas, fenômeno que as faz parecerem tão claras quanto os dias e que confere à cidade a atmosfera onírica ideal para o encontro entre essas duas almas perdidas. Em apenas quatro noites, o tímido rapaz e a misteriosa Nástienhka passam a se conhecer como velhos amigos, mas algo vem atrapalhar o desenrolar romântico deste fugaz encontro. Publicada em 1848, esta história faz parte do ciclo de obras que Dostoiévski (1821-1881) criou após amargar uma forte desilusão amorosa e é a última escrita antes da prisão e do período de exílio na Sibéria. 


Acho que já é redundante escrever sobre a genialidade do autor, portanto vou me ater a outro aspecto dessa pequena obra: A solidão. 

Se você quer ler e entender sobre solidão, pegue um romance do Dostoiévski e você terá relatos profundíssimos e variados sobre o tema. Ao lado da religiosidade, acredito que esse seja o tema mais usado em seus trabalhos. 

Em "Noites Brancas" o sentimento veio acompanhado de seu algoz natural: a esperança o que tornou tudo mais doloroso e real. 

Só uma pessoa que se sente sozinha em meio à multidão de gente ao seu redor é que conseguiria entender, de fato, o começo desse conto sem achar bobo ou sem sentido. Quando alguém se vê na situação de não ter ninguém e não ser notado por ninguém, sem querer, se joga à trivialidade das coisas.  

Situações começam a ser criadas para amenizar a dor, tais como: Apego a lugares, apego a pessoas estranhas que frequentam os mesmos lugares nas mesmas horas, carinho por prédios históricos e por aí vai. Nosso protagonista é de uma peculiaridade ímpar, assim como todo solitário e logo nas primeiras páginas somos apresentados a sua rotina. 

Tudo anda bem até que a "tal esperança" aparece na vida dele na forma de uma bela jovem e eu não vou falar nada mais além disso. O conto é realmente pequeno e qualquer coisa além disso pode tirar a graça da história. 

Só digo que o final é muito bom, digno de um gênio da escrita. Mas cuidado, corações fracos podem sangrar... (rs)

[Livro] O Último Magnata - F. Scott Fitzgerald

Nossa, como é difícil falar de um livro amado pela maioria dos leitores, adorado pelos críticos literários e tido, quase como unanimidade, como a maior obra do autor. 

Sinopse: A experiência de Fitzgerald como roteirista de cinema foi decisiva na criação da obra que é considerada seu trabalho mais maduro. Nas palavras de seu amigo e editor, Edmund Wilson, “O último magnata é de longe o melhor romance jamais escrito sobre Hollywood e o único a nos situar em seu interior”. Ele foi também o responsável pela última versão do livro, já que Fitzgerald morreu subitamente, vitimado por um ataque cardíaco, quando ainda trabalhava nos últimos capítulos.
A história desvenda o universo do cinema dos anos 30, época dos grandes estúdios, e conta a história do produtor Monroe Stahr. O personagem, baseado na vida de Irving Thalberg, antigo chefe da MGM, não consegue superar a morte da esposa, uma grande atriz. Confuso, passa a ser dominado pela visão de uma desconhecida, muito parecida com a falecida esposa. O livro ganhou uma versão cinematográfica em 1976. Com roteiro de Harold Pinter e dirigida por Elia Kazan, teve Robert de Niro no papel do magnata Monroe Stahr.
Francis Scott Key Fitzgerald (1896-1940) se consagrou como um dos ícones da geração perdida e um dos mais importantes escritores da literatura americana. Começou a carreira literária nos anos 20, publicando Este lado do paraíso. Com sua esposa, Zelda, mudou-se para a França, onde concluiu seu terceiro e célebre romance, O grande Gatsby (1925). Com a saúde já abalada pelo alcoolismo, Fitzgerald mudou-se então para Hollywood, onde trabalhou como roteirista cinematográfico. Em 1939, começou a escrever O último magnata, publicado postumamente em 1941. 


Li apenas dois livros de Fitzgerald, este a "O Grande Gatsby". Em ambos, o autor nos apresenta homens milionários, admiráveis, que despertam a inveja de todos que se aproximam, mas que, às portas fechadas, sentem uma imensa amargura e solidão. 

Ambos sofrem por amor, o que é interessante de se observar em homens poderosos como os criados por Fitzgerald. Eu preciso confessar logo, meu preferido ainda é Jay Gatsby, mas Stahr tem um charme bem parecido, portanto ambos são interessantes, cada um em sua área de super ricaços! 

Notem que estou falando dos protagonistas e não da história, pois é exatamente isso que fica em você após o término da leitura. A trama, pouco importou para mim aqui nessa obra, porque é Stahr que me fascinou e tudo ao redor dele pareceu simples e desinteressantes. 

Me desculpem os amantes dessa obra, em minha opinião é um livro bastante arrastado, principalmente pela sua genialidade em descrever o mundo do cinema na época de ouro dos Estados Unidos. O que de mais rico existiu nessa época do que Hollywood e suas estrelas? Mas a genialidade aqui requer detalhes, muitos e bastante extensos. 

De qualquer forma, Fitzgerald faz isso com maestria e já era de se esperar. Ele cria cenários vívidos, personagens que poderiam realmente existir (se é que não existem até hoje), mas (para mim) faz a história andar mais lentamente. Sem falar que ao lado de Stahr ninguém mais é interessante (rs). 


Stahr é poderoso magnata da industria do cinema. Tudo passa por ele e a ultima palavra é sempre dele e de seus sócios. Ele é viúvo e logo nas primeiras páginas já descobrimos que ele foi profundamente apaixonado pela esposa que era também uma estrela de cinema. 

A trama começa de fato quando ele avista uma mulher que é sósia de sua falecida esposa e fica obcecado por ela. Essa parte da história é bastante interessante. Fitzgerald criava diálogos magníficos, ricos, hipnotizantes. É neles que desvendamos toda personalidade dos personagens e o quanto são fortes (ou escondem bem suas fraquezas). 

Enfim. Não quero me alongar mais na trama, mas preciso dizer que este, sendo o ultimo livro de Fitzgerald, está inacabado, portanto vai até o capítulo 6 e acredito que deveria ter mais um tanto desse para a frente. Mas o nosso escritor gênio não se foi, deixando para trás apenas leitores curiosos, ele esboçou tão bem sua ideia que só a organização de seus rabiscos puderam fazer com que a trama se fechasse. 

O final é fantástico! Ou seria fantástico ao quadrado caso ele tivesse terminado de escrever. Queria muito ter lido isso completamente revisado por ele, certamente arrancaria lágrimas. 

Por favor não me odeiem, mas Jay Gatsby ganhou meu coração bem antes de Stahr aparecer e ele ainda ocupa o lugar de ouro em minha estante, mas "O Último Magnata" não fica atrás. É um livro maravilhoso, que pode cansar um leitor mais novato, mas que encantará qualquer um que se renda à arte em palavras. 

[Book] The girl who loved Tom Gordon - Stephen King

I got this book from a special Friend who travels a lot. She is almost the only person on the planet that can give me a book I haven´t read yet, without asking me anything. This was one of this events. CARLA CERES, this review is for you.





Synopsis: The story follows a 9 year old girl who finds herself lost in the woods after straying from her arguing mother and brother to pee. She continues to wander around the woods for nine days, trying to find her way out.



This synopsis is so faint, so empty that I probably would never have bought this book if I did not know Stephen King as if I do. If there´s a writer who can make this poor story really incredible, that guy is Stephen King.


Trisha is a normal girl, very intelligent, but her life is boring and her family is to blame for much of it. her parents are divorced and her brother has that delightful behavior of all teenagers in such situations. He's a pain in the ass, actually.


Well, knowing this, it's not so difficult to understand why Trisha goes into the woods with her mother and brother, but she carries her CD player along and walks a little way from them. There arguments are unbearable and she just needs some peace. So she thinks: She can pee quickly and hidden, then return to the trail without major problems.


And her problems start there. 

"She was afraid of the dark even when she was at home in her room, with the glow from the streetlight on the corner falling in thought the window. She thought that if she had to spend the night out here, she would die of terror"

What child would not die of terror in such situation? Trish was not different. When she was lost in the forest, she panicked and despaired as any other child would. And everything only got worse when the night came and together the mosquitos and other insects. The dark. The noises of the woods and, of course, worst of all: Her childish imagination.

"She wished briefly that she was dead - Better to be dead than have to endure such fear, better to be dead than to be lost."
My criticism of this boohas to do with what gives Trish strength to go on. That girl really loves baseball, and one particular player, Tom Gordon, who walks by her side to calm her down and give her little survival tips. Sometimes he just shows up and sits there without saying anything and it calms down her scared heart. Trish is a child and makes bargains with herself and somehow this helps her to overcome the obstacles that only grow up each day that she is lost.

"If we win, if Tom gets the save, I´ll be saved. This thought came to her suddenly - it was like a firework bursting in her head." 

Now the good part of the story ...
Thirst, hunger, fright, terror, doubts and pain all over the child’s body are not enough for Mr. Stephen King. He wants more. He wants to alienate the girl’s mind and use her own imagination as a weapon. Everything in this forest is conducive to madness. The noises of the trees, the dark, endless nights and the buzzing of insects form what she calls the "cold voice."

And this cold voice, my friends, is totally inappropriate. It appears in the worst hours as a nightmare usually does. It says terrifying things when the girl desperately needs to calm down. It’s a delightful read!!

"You know what it was, the cold voice told her. It was the thing. the special thing that´s whatching you right now." 

To be fair, this is not King's best book. But even though it contains a lot of references to baseball that left me stuck for several pages, it's one of the easiest to read. It messes with the character´s mind and with ours too. Things are palpable here as in any other work of Stephen King and that is what keeps a legion of fans eager for everything he writes.


I hope "Suma de Letras" brings this work to Brazil, because Brazilian readers deserve to know this story in a beautiful and well-made edition. 

And this is my gift to my friend Carla Ceres who has brought me this book from Europe and asked me for a good review. I hope you liked what I tried to do here, and I hope you haven´t seem my languages mistakes.

In the end of the book, King keeps trying to scare us with this explanation:

" the wood themselves are real. If you should visit then on your vacation, bring a compass, bring good maps... and try to stay on the path." 

It´s impossible not to love a book written by the master of terror.

[Livro] A Pequena Caixa de Gwendy – Stephen King e Richard Chizmar

Pequeno livro que li, lentamente, e terminei em dois dias, com ilustrações de Richard Chizmar e que me encantou como se fosse um conto de fadas moderno. Mais uma vez a Editora Companhia das Letras com seu selo SUMA arrasou na edição de capa dura e arte original!


Sinopse: A pequena cidade de Castle Rock testemunhou alguns eventos estranhos ao longo dos anos, mas existe uma história que nunca foi contada... Até agora. Há três caminhos para subir até Castle View a partir da cidade de Castle Rock: pela rodovia 117, pela Estrada Pleasant e pela Escada Suicida. Em todos os dias do verão de 1974, Gwendy Peterson, de doze anos, vai pela escada, que fica presa por parafusos de ferro fortes (ainda que enferrujados pelo tempo) e sobe em ziguezague pela encosta do penhasco. Certo dia, um estranho a chama do alto: “Ei, garota. Vem aqui um pouco. A gente precisa conversar, você e eu”. Em um banco na sombra, perto do caminho de cascalho que leva da escada até o Parque Recreativo de Castle View, há um homem de calça jeans preta, casaco preto e uma camisa branca desabotoada no alto. Na cabeça tem um chapeuzinho preto arrumado. Vai chegar um dia em que Gwendy terá pesadelos com isso. 


Eu acho que o Mr. Stephen King está ficando mole! (rs) 
Essa obra não tem nada de terror e não apavora. Claro que aquela veia negra e maligna que ele tem desde que escreveu “Carrie” ainda existe e influência tudo que ele coloca as mãos, aqui não é diferente, mas é leve, mágico.

“A pequena caixa de Gwendy” é um drama quase infantil, com um toque... Não, não, uma pitada de suspense à lá King. Algo bem sutil, peculiar, claro, mas que te faz sorrir no final, coisa que geralmente só acontece se seu sorriso é de nervoso! 

Mas vamos à obra: Gwendy é uma garota gordinha que se cansou de ser chamada de Goodyear pelos garotos da escola e resolveu tomar uma atitude. Todos os dias ela sobe uma escadaria imensa (chamada de “escadaria do suicídio") para queimar suas calorias e ainda manera na comida. Ela nunca repete. Isso até que está funcionando, mas seria bom se as coisas andassem mais rápido. 


É aí que entra nosso outro personagem: Sr. Farris é um homem peculiar que um dia aparece sentado no bando que fica bem de frente à tal escadaria. Parecia que esperava Gwendy e realmente fazia isso. Esse homem entrega a ela uma caixa cheia de botões coloridos (cada um deles representa um continente) mas dois deles são mais chamativos: O vermelho realiza qualquer coisa que ela desejar e o preto... bem, é preto, preciso dizer algo mais? 

"Gwendy esqueceu de sentir medo. Está fascinada pela caixa e quando o homem de paletó a entrega ela aceita. Estava esperando que fosse pesada porque mogno é uma madeira pesada afinal de contas e nem dava para saber o que havia dentro, mas não é. É leve a ponto de Gwendy conseguir balançar nos dedos. Ela passa o dedo pela superfície reluzente e meio convexa de botões e quase sente as cores iluminando sua pele." 

A caixa ainda conta com duas alavancas que liberam coisas bem especiais: Uma dela lhe dá moedas raríssimas e a outra chocolates do tamanho de jujubas que fazem milagres para sua dieta. Acontece que King mergulhou no mundo mágico e criou uma trama deliciosa e leve. Algo que só vi em “Os Olhos de Dragão” (resenha aqui). 

A grande questão é que a caixa proporciona coisas boas para Gwendy que passa a conseguir, sem muitos esforços, tudo que sempre desejou. É como se tivesse uma fada madrinha bem ali, capaz de destruir o mundo com seus botões, mas com a habilidade de lhe dar conforto e força de vontade para as tarefas do dia a dia. Cabe a Gwendy decidir o que fazer com essa caixa tão especial.

“Quanto da vida dela é obra dela mesma e quanto é obra da caixa com seus chocolates e botões?”. 

Acho mesmo que esse é um excelente livro para quem quer começara ler King. Não vai ter aqui aquela coisa crua e visceral que nós fãs amamos, mas terá a rescrita detalhada e muita história por baixo da história principal como de costume. Personagens profundos e acontecimentos de cair o queixo. Recomendo.


[Livro] O casal que mora ao lado – Shari Lapena

Então eu “encontrei” esse livro na minha estante. Não sei de onde veio, não lembro de tê-lo comprado e nem ganhado, mas o fato é que foi mais uma das gratas surpresas que tive ao começar meu projeto #LendoOQueTenho ano passado (2017). 

Sinopse: É o aniversário de Graham, e sua esposa, Cynthia, convida os vizinhos, Anne e Marco Conti, para um jantar. Marco acha que isso será bom para a esposa, afinal, ela quase nunca sai de casa desde o nascimento de Cora e da depressão pós-parto. Porém, Cynthia pediu que não levassem a filha. Ela simplesmente não suporta crianças chorando.Marco garante que a bebê vai ficar bem dormindo em seu berço. Afinal, eles moram na casa ao lado. Podem levar a babá eletrônica e se revezar para dar uma olhada na filha. Tudo vai dar certo. Porém, ao voltarem para a casa, a porta da frente está aberta e Cora desapareceu. Logo o rapto da filha faz Anne e Marco se envolverem em uma teia de mentiras, que traz à tona segredos aterradores. 


Para começar, fazia muito tempo que eu não lia um suspense policial e isso contou pontos para meu envolvimento na trama e o outro detalhe bastante importante: O livro é MUITO bem escrito. 

Acredito que amantes do gênero não se surpreenda tanto com os desfechos na história, nem com as reviravoltas. Isso fica reservado para aqueles que não possuem muita experiência dentro dessas tramas, mas a forma como tudo vai acontecendo, a rapidez da narrativa e a profundidade dos personagens te arrastam para a ultima página sem que você perceba. 

Talvez o grande segredo dessa obra esteja aí: Os personagens. 

Você se importa verdadeiramente com eles ao ponto de confiar (quase cegamente) no que dizem. Por outro lado, alguns personagens podem despertar ódio, raiva e asco. Isso é que é profundidade! 


É um livro simples, mas com reviravoltas deliciosas e mesmo que você desvende algo antes, a forma como é contada compensa qualquer coisa. É uma obra de leitura rápida, mas não tão rápida quanto você desejaria, porque eu na página 40 já traçava teorias e me segurava para não espiar o último capítulo. 

Não posso dar detalhe algum sobre a obra, o plot é o que está na sinopse acima e é tudo que você pode saber antes de iniciar sua leitura. Aconselho que não procure nada pela internet, porque qualquer detalhezinho pode estragar a graça da trama. 

Para quem gosta de suspense policial, esse romance canadense é imperdível. Procurarei mais obras dessa autora, com certeza.

[Livro] As Pontes de Madison - Robert James Waller

Um romance para acalentar a alma. Um amor denso e ao mesmo, leve. Uma paixão avassaladora, vivida por duas pessoas maduras e seguras de seus desejos. É o tipo de romance que agrada qualquer pessoa, até mesmo uma como eu, que detesta melecas amorosas.

Sinopse: O ano é 1965, e a cidade de Iowa, interior dos Estados Unidos, parece estar ainda mais quente nesse verão. Francesca Johnson, uma mãe de família que vive uma vida pacata do campo, não espera nada além dessa temporada do que o retorno dos filhos e do marido, que viajaram. Sua tranquilidade, porém, será interrompida com a chegada de Robert Kincaid, um fotógrafo de espírito aventureiro que recebeu a missão de registrar as belíssimas pontes de Madison County. Francesca e Robert comprovaram para o mundo que o valor das coisas está realmente na intensidade que elas carregam e não no tempo que duram. Casada, mãe, Francesca não deveria ter sentimentos tão fortes por esse fotógrafo. Assim como ele, um homem tão livre, nunca se viu tão preso a alguém que acabou de conhecer. E é justamente assim que as paixões intensas funcionam: é como ser atingido por um raio quando menos se espera, e, de repente, seu corpo e sua existência estão preenchidos de energia, sem ter como voltar atrás para o estado anterior. E perdemos todo e qualquer pudor ao ver que é possível, uma vez mais, encontrar espaço para dançar. As pontes de Madison dá voz aos anseios de homens e mulheres de todo mundo e mostra, por meio desse encontro fortuito e avassalador, o que é amar e ser amado de forma tão ardente que a vida nunca mais será a mesma. 


E que adaptação perfeita! Colocar Meryl Streep no papel principal foi simplesmente genial. É tão bom quando o filme capta a essência da obra como foi feita aqui.


Será que é possível amar alguém de verdade e tão profundamente em pouquíssimo tempo? Menos de uma semana? Ou melhor, é possível se apaixonar, mesmo depois de certa idade e já estando casada?

Resposta correta: Sim, sim e SIM!

Francesca poderia jurar que não, já que tem uma vida estruturada e uma família feliz, mas o mundo conspira contra todos, isso é fato. São pequenos detalhes, ações quase imperceptíveis (como NÃO bater forte a porta da casa ao entrar) que fazem o outro mais feliz. Aos poucos, a ausência dessas ações cuidadosas pode minar o amor e fazer murchar a mais alegre das pessoas.

Francesca é incrível, mas os anos de dona de casa a fizeram murchar e tiraram de sua vida a vontade de mudar. Ela não é infeliz, ama os filhos, gosta muito do marido, mas nada daquilo foi o que ela havia sonhado para si.


Então o homem perfeito aparece. Livre, inteligente, divertido e não bate a porta quando entra. Essa fórmula perfeita vem de encontro aos sonhos adormecidos dessa mulher que, quase não acredita mais em nada.

Aos poucos, tudo que ela havia deixado de tentar em sua vida, parece mais palpável e as cores, assim como a dança, voltam para o seu dia a dia. Nem que seja por pouco tempo. O que você faria com isso? Iria se agarrar a esse sonho é deixar para trás toda a base sólida que te sustentou até então?

É uma obra linda. Não é a toa que se tornou um clássico, tanto em livro, quanto em filme. Recomendo a leitura e logo depois o filme, porque você irá captar elementos importantes e tão sutis que vai te fazer sorrir.

Não tenho muito mais o que dizer dessa obra que já é um clássico dos clássicos, portanto é mais uma indicação do que uma critica. 


[Livro] É isto um homem? - Primo Levi


ARBEIT MACHT FREI — o trabalho liberta.

Escrito em 1947, o livro "É isto um homem?" foi rejeitado por diversas editoras na Itália e só veio a ser publicado em 1958 por uma editora bem pequena (e corajosa). Aqui no Brasil demorou ainda um bom tempo para aparecer, mas não é de se estranhar todas essas recusas, a história narrada nessas páginas é forte e destroça a alma. Causa espanto até para quem já leu diversos relatos como esse e deixa evidente que o homem (que possui o mal dentro de si) pode atingir níveis astronômicos de maldade, quando lhe dão poder.

Sinopse: Clássico sobre o Holocausto, É isto um homem? é um libelo contra a morte moral do indivíduo. Contra o homem que se deixou desumanizar. No livro, o escritor e químico italiano Primo Levi relembra seu sofrimento num campo de extermínio, sem, contudo,invocar qualquer resquício de auto piedade ou vingança. Deportado para Auschwitz em 1944, entre outros 650 judeus italianos, Levi foi um dos poucos que sobreviveram, retornando à Itália em 1945. A precisão da linguagem, a vivência e firmeza do autor fazem desta obra uma leitura da qual é impossível se escapar ileso.

Esse é um livro de memórias de um sobrevivente italiano e judeu do holocausto que esteve na temida Auschwitz já no fim da Segunda Guerra Mundial.

É isto um homem?
Vocês que vivem seguros
em suas cálidas casas, 
vocês que, voltando à noite, 
encontram comida quente e rostos amigos, 
pensem bem se isto é um homem 
que trabalha no meio do barro, 
que não conhece paz, 
que luta por um pedaço de pão, 
que morre por um sim ou por um não. (...) 

(Trecho do poema que abre o livro)

Primo Levi foi capturado em 1944, levado para o Campo de Fossoli e logo depois partiu na temida viagem de trem, por dias, até chegar em Auschwitz. Lá foi logo recrutado para trabalhar ao invés de ir para a câmara de gás e assim começa sua luta pela vida e pela pequena parcela de dignidade que sobrou dentro dele.

"Cedo ou tarde, na vida, cada um de nós se dá conta de que a felicidade completa é irrealizável; poucos, porém, atentam para a reflexão oposta: que também é irrealizável a infelicidade completa."

A obra toda é lotada de reflexões impressionante. Primo Levi, com muita dor, chega a dizer, em determinado momento, que esse período foi perfeito para estudos e pesquisas, por que haviam ali pessoas de línguas e costumes diferentes em uma mesma situação degradante tendo que viver basicamente por instinto e sem recurso algum. Que cientista não adoraria algo desse tipo para estudar o comportamento humano?

É horrível pensar nisso. É triste e completamente errado. Nenhum ser vivo deveria passar por isso e é por essa razão que histórias como a dele devem ser contadas e recontadas e retratadas novamente em filmes, documentários e livros, até que o mundo todo entenda que coisas assim não podem acontecer novamente.

E que ninguém chegue a um ponto de desespero tão grande que passe a pensar dessa forma:

"Sorte que hoje não há vento. É estranho: de alguma maneira, sempre tem-se a impressão de ter sorte: de que alguma circunstância, ainda que insignificante, nos segure à beira do desespero, nos permita viver. Chove, mas não está ventando. Ou, chove e venta, mas a gente sabe que à noite nos toca o suplemento de sopa e então, hoje também, encontra-se a força para chegar à noite. Ou ainda: chove, venta, a fome é a de sempre; então a gente pensa que, se precisasse mesmo, se já não tivesse nada em seu coração a não ser sofrimento e tédio (como acontece, às vezes, quando parece mesmo que chegamos ao fundo) ... bem, ainda pensamos que, querendo, em qualquer momento podemos tocar a cerca eletrificada ou jogar-nos debaixo de um trem em manobras, e então pararia de chover."

O livro segue em um relato do dia a dia que conta desde a importância de uma colher para tomar a sopa até o calor humano do companheiro que eventualmente dividiria sua cama ao anoitecer.

O sistema todo foi criado para subjugar os judeus, humilhar mesmo e finalmente liquidar com ele, mas não antes de tirar proveito de tudo que pudesse, como trabalho escravo ou material para experiências (sim, estou falando sobre experiências dolorosas com seres humanos).

E quando um homem perde toda sua essência é isso que ele parece:

"Quando fala, quando olha, dá a impressão de estar interiormente oco, nada mais do que um invólucro, como certos despojos de insetos que encontramos na beira dos pântanos, ligados por um fio às pedras e balançados pelo vento. (...) Tudo já lhe é tão indiferente, que não tenta fugir ao trabalho e às pancadas, nem procurar comida. Executa todas as ordens que recebe; é provável que, quando for enviado à morte, ele vá com essa mesma absoluta indiferença."

Mas como dita no primeiro quote: "(...)também é irrealizável a infelicidade completa.", Primo Levi conta sobre prisioneiros que iluminavam quem estivesse por perto. É o caso de Lourenço:

"... em todo caso, creio que devo justamente a Lourenço o fato de estar vivo hoje. E não só por sua ajuda material, mas por ter-me ele lembrado constantemente (com a sua presença, com esse seu jeito tão simples e fácil de ser bom) que ainda existia um mundo justo, fora do nosso; algo, alguém ainda puro e íntegro, não corrupto nem selvagem, alheio ao ódio e ao medo;".

Essa resenha não faz jus a importância e profundidade dessa obra. Assim como todos que leram "É isto um homem?" dizem: esse livro deveria ser obrigatório em todas as escolas do mundo.


É um relato profundamente honesto e sem traço de ódio ou desejo de vingança. Primo Levi apenas retrata o quanto tudo aquilo foi errado e não pode, de forma alguma, se repetir. Apelos como esse devem ser passados para frente. A obra me atingiu com tamanha força que nem consegui lançar essa resenha logo que terminei a leitura. Ela está aqui, amadurecendo há um bom tempo, porque eu queria ser justa nas palavras a fim de convencer várias pessoas a encarar essa leitura também. Espero ter conseguido...


[Livro] Belas Adormecidas - Stephen King e Owen King


Obra que me fez lembrar demais outro livro do autor: "Sob a Redoma", tanto pela trama distópica e sobrenatural quanto na quantidade de personagens. 

Sinopse: Pelo mundo todo, algo de estranho começa a acontecer quando as mulheres adormecem: elas são imediatamente envoltas em casulos. Se despertadas, se o casulo é rasgado e os corpos expostos, as mulheres se tornam bestiais, reagindo com fúria cega antes de voltar a dormir. Em poucos dias, quase cem por cento da população mundial feminina pegou no sono. Sozinhos e desesperados, os homens se dividem entre os que fariam de tudo para proteger as mulheres adormecidas e aqueles que querem aproveitar a crise para instaurar o caos. Grupos de homens formam as “Brigadas do Maçarico”,incendeiam em massa casulos, e em diversas partes do mundo guerras parecem prestes a eclodir. Mas na pequena cidade de Dooling as autoridades locais precisam lidar com o único caso de imunidade à doença do sono: Evie Black, uma mulher misteriosa com poderes inexplicáveis. Escrito por Stephen King e Owen King, Belas Adormecidas é um livro provocativo, dramático e corajoso, que aborda temas cada vez mais urgentes e relevantes.


Um livro do King que trás logo nas primeiras duas páginas uma "lista de personagens" é algo para prestar atenção. Não é brincadeira, tem divisão com títulos e tudo! Dito isso preciso ressaltar o ÚNICO ponto negativo que eu encontrei nessa trama:

É um pouco mais arrastada do que as outras obras dele. As primeiras 200 páginas é basicamente para apresentar os mais de 30 personagens ao leitor e também para inserir o problema na trama que é: As mulheres começaram a dormir e durante o sono um casulo se forma ao redor delas e elas simplesmente não acordam mais. Quando alguém tenta remover essa substância esquisita elas despertam extremamente violentas, agridem (e até matam) quem as incomodou e voltam a dormir. 

"Um ruído baixo começou a soar de dentro da garganta dela, quase um ronco. As pálpebras estavam se movendo, tremendo com o movimento dos olhos por baixo da pele. Os lábios se abriram e fecharam. Um pouco de cuspe escorreu pelo canto da boca." 

Mas a questão é que você pega essa ideia logo de cara e as coisas demoram um pouco para acontecer justamente porque o leitor ainda está perdido no meio do mar de personagens. Isso atrasou bastante a trama e deixou ainda mais evidente o que todo mundo sabe: O Stephen King enrola pra cacete! (rs)


Bem, passemos para os pontos positivos do livro que são só todos os outros milhões. Se você é fã do mestre já deve estar achando o que eu escrevi anteriormente bem redundante. Nós estamos muito acostumados com esse jeito dele e até gostamos, mesmo que isso traga um ponto negativo, ainda assim é tão bem escrito e desenvolvido que você engole as páginas mesmo assim.

Por conta dessa questão de não poderem dormir, as mulheres recorrem a todo tipo de estimulante para ficarem acordadas e isso inclui cocaína e outras drogas. Isso é angustiante. Uma delas chega a pensar que talvez seria melhor se render e dormir logo de uma vez, porque assim escaparia dos problemas que anda enfrentando acordada. #QuemNunca!

Não é um livro sanguinário. Não espere algo próximo de "O Cemitério" ou "IT". Como eu já disse ele está mais próximo de "Sob a Redoma" do que qualquer outra coisa. Há sim algumas cenas bastante pesadas e cheias de sangue, mas nada comparado ao que estamos acostumados a ler. Portanto nivele suas expectativas quanto a isso. Mesmo assim encontramos aqui referências à estupros e abusos psicológicos e sexuais, mesmo entre família. (Isso é constante nas obras dele).

"Jeanette fez o que ele mandou e, enquanto fazia, manteve o olhar na janela atrás dos ombros dele. Era uma técnica que ela começou a aprender aos onze anos, quando o padrasto a tocava, e aperfeiçoou com o falecido marido. Se encontrasse alguma coisa em que se concentrar, um ponto focal, quase dava para esquecer o corpo e fingir que estava agindo sozinho enquanto você visitava aquilo que de repente estava achando tão fascinante." 

Tramas e subtramas são muito bem desenvolvidos e da metade do livro para frente você nem consulta mais o glossário de personagens. Cada um fica absolutamente distinto do outro o que acelera a leitura.

Nosso famoso escritor preferido é conhecido pela sua critica religiosa e aqui ele faz um trabalho diferente do que andou fazendo em toda sua carreira. Ele muda o foco e aposta no "feminismo". As mulheres adormecendo e deixando para trás homens perdidos e desesperados é algo muito bem explorado. Por conta disso podemos chegar a conclusão de que um mundo só de homens simplesmente acabaria uma hora ou outra. Sem falar que a violência cresceria em números astronômicos e não para por aí...

Uma das personagens chega a dizer que se fosse ao contrário, se os homens dormissem e as mulheres ficassem acordadas, em pouco tempo eles se organizariam, dariam a luz à novos meninos (banco de espermas, sacou) e os educaria diferente. Assim o mundo continuaria... MELHOR!

Tem como ser mais feminista do que isso?

Só quero falar mais uma coisinha da trama: Em determinadas partes do livro, o leitor acompanha o "Nosso Lugar" que é o mundo paralelo em que as mulheres adormecidas estão e isso é bem bizarro e interessante. Elas começam a se organizar e a distinção entre as duas realidades começa, de fato, a se distanciar É uma obra que te coloca para pensar sobre diversos aspectos das nossas relações. Te instiga à critica feminista e mostra um lado do King que muita mulher vai adorar.

"As mulheres começaram a chamar de “lugar novo” porque não era mais Dooling, ao menos não a Dooling que elas conheciam. Mais tarde, quando começaram a perceber que poderiam ficar ali por muito tempo, começaram a chamar de Nosso Lugar. O nome pegou."

Eu estou falando muito do Stephen King e não estou citando o filho Owen que escreveu esse livro junto dele, mas é porque eu simplesmente não consegui identificá-lo. Só vi Stephen ali e isso me alegra! Teremos um substituto para quando nosso mestre partir? Quem sabe?!


Agora um pequeno elogio à editora: A suma manteve a capa original do livro e isso agradou demais os fãs brasileiros e, ainda por cima, lançou aqui no país o livro apenas 20 dias depois do lançamento lá dos Estados Unidos. Um "VIVA" para a Suma. Muito amor por vocês!


Leia, mas se você for daqueles que detestam a enrolação do King, se prepare antes.


[Livro] A maldição do cigano - Stephen King


Inicialmente lançado sob o pseudônimo de Richard Bachman em 1984, "Thinner", de Stephen King, chegou ao Brasil com o título de "A maldição do cigano" e foi adaptado para o cinema em 1996 com outro nome: "A Maldição". Enfim, apesar dessa melecada de ficar mudando o título das coisas, a Editora Suma de Letras relançou o livro que seguiu o título do filme e pronto, acabou-se as mudanças bizarras. Só acho que essa obra merecia um pouco mais de destaque entre os leitores, porque é realmente aterrorizante. 

Sinopse: Bill Halleck tinha uma vida boa e tranquila, até o dia em que atropelou uma velha cigana. Inocentado no tribunal por ter boas relações com o júri, logo descobrirá que, apesar de ter escapado da justiça americana, existem outras formas de pagar por um erro. Em pouco tempo, o obeso Halleck começa a emagrecer — seus quilos sugados vertiginosamente a cada dia que passa. Para surpresa dos médicos que o examinam, não há nada de errado fisicamente. Mas Halleck terá de encontrar uma solução – e rápido – senão, em pouco tempo, não será mais do que um feixe de ossos. 


Esse livro vem com todos os pontos positivos de Stephen King. Toda sua força maligna impressa em papel foi usada nessa história, com direito a cenas nojentas e final aterrorizante. Parece até que o livro não acabou porque não é possível não ter um "Felizes para sempre" nem de leve! 

A obra conta a história de Billy Halleck, um advogado obeso bem-sucedido que, de forma bastante imprudente, atropela uma velha cigana. O caso vai a julgamento, mas, mesmo com tudo contra, Billy é inocentado (pois é bem influente no ramo) e sai ileso do acidente. O problema é que quando ele sai do tribunal, um cigano o toca e sussurra uma maldição em seu ouvido: "Mais magro". 

A maldição é real e começa, de fato, a acontecer. 

Billy começa a emagrecer e isso pode até parecer bom no começo, mas a coisa começa a sair fora de seu controle e ele passa a correr risco de morte. Desesperado vai a vários médicos e nada funciona. A situação o força acreditar que foi mesmo amaldiçoado. 


Eu pensei em várias formas de terminar essa resenha sem dar spoilers e resolvi colocar uma sequência de tópicos para atiçar a curiosidade de vocês, portanto aí vão algumas coisinhas que existem nesse livro: 

  • Billy culpa sua esposa pelo acidente
  • O cigano não amaldiçoa apenas o advogado obesa. Todo mundo envolvido no julgamento cai em suas garras e as maldições são terríveis.
  • Existe uma "cura" para sua maldição.
  • É uma saída bem ao estilo Stephen King. 

Chega! Quando eu li esse livro, não sabia absolutamente nada sobre a história e as surpresas fizeram toda diferença pra mim. Aconselho que quem se interessar faça o mesmo. Vale muito a pena!

Ah! Feliz Halloween para todos!


[Livro] Jantar Secreto - Raphael Montes

Sabe aquele livro que te tira da realidade e te envolver em uma trama surreal, mas, de alguma forma acaba parecendo completamente possível e te arrasta na leitura? Então, esse livro é "Jantar Secreto" do queridinho do Brasil, Raphael Montes. 

Sinopse: Um grupo de jovens deixa uma pequena cidade no Paraná para viver no Rio de Janeiro. Eles alugam um apartamento em Copacabana e fazem o possível para pagar a faculdade e manter vivos seus sonhos de sucesso na capital fluminense. Mas o dinheiro está curto e o aluguel está vencido. Para sair do buraco e manter o apartamento, os amigos adotam uma estratégia heterodoxa: arrecadar fundos por meio de jantares secretos, divulgados pela internet para uma clientela exclusiva da elite carioca. No cardápio: carne humana. A partir daí, eles se envolvem numa espiral de crimes, descobrem uma rede de contrabando de corpos, matadouros clandestinos, grã-finos excêntricos e levam ao limite uma índole perversa que jamais imaginaram existir em cada um deles. 


Não é brincadeira quando eu digo "surreal". A verdade é que Raphael Montes brinca com o bizarro e se equilibra entre o medo e o hilário. Acho que ele exagera um pouco no "gore"? Sim, acho, mas também preciso admitir que esse é o diferencial dele e é muito bem usado. 

O livro começa num ritmo gostoso apresentando os 4 amigos aos poucos. Mostra a vida dura de cada um deles, as lutas de quem precisa se virar em uma cidade grande enfrenta. Fala sobre a crise e a decepção pessoal de cada um deles e por aí vai. Daí o narrador, Dante, que é um dos quatro amigos vai travando caminhos difíceis em seu emprego e mostrando como tudo anda mal até que... 

Bem, não vou estragar absolutamente nada desse livro para quem vai ler. O resumão que você pode ler nas orelhas do livro ou no Skoob é que por conta de uma dívida enorme eles resolvem servir jantares especiais para pessoas selecionadas a dedo onde servirão carne humana! 


Isso mesmo, Carne humana. Nada depois disso pode dar certo, não é mesmo? E não dá. esse é o tipo de livro que tudo só vai piorando e piorando e piorando e quando o livro está acabando você começa a ficar aliviado que vai sair daquele pesadelo e algo muito pior acontece. 

Ou seja, não tem saída nem para os protagonistas e nem para o leitor. Eu não tenho como agradecer mais o escritor por isso! É o sonho de todo leitor, engolir uma obra que te arrasta pelos cabelos até a última página e sem deixar de surpreender a cada capítulo. 


Eu recomendo esse livro para quem tem estômago forte. Como já disso, Raphael Montes abusa do bizarro e aqui estamos falando de canibalismo. Eu mesma fiquei uns dias rejeitando carne nas refeições. É uma leitura indispensável. Fico aqui imaginando que se fossemos norte-americanos, provavelmente, essa obra viraria uma série daquelas bem sangrentas.


[Livro + Filme] Christine - Stephen King

Essa é uma história sobrenatural de um carro assombrado, contado pelo melhor amigo de Arnie, seu nome é Dennis. É através de seus olhos que conhecemos Christine e, assim como ele, notamos logo de cara como a história toda já começa errada.

Sinopse: Arnie Cunnigham era um perdedor. Rosto coberto de espinhas, desajeitado com as garotas, magro demais, passava os dias pelos corredores da escola, tentando fugir da gozação dos colegas. Isso até Christine entrar em sua vida. Amor à primeira vista. A partir desse dia, o mundo ganha novo sentido. Tudo o que Arnie quer é estar junto de Christine. Mas não espere um novo Romeu e Julieta, tratando-se da mente assombrosa de Stephen King. Christine é um carro. Um Plymouth Fury 1958. Um feitiço sobre rodas que se apodera de Arnie e faz dele alguém diferente. Há algo poderosamente maligno solto pelas estradas de Libertyville. Uma força sobrenatural que vai deixando seu rastro de sangue por onde passa. 

A história é fantástica. Não quero entregar muitos detalhes para quem não leu, mas basta saber que Arnie vê Christine, na casa de seu ex-dono, caindo aos pedaços e fica alucinado por ela, ao ponto de pagar muito mais do que ela vale, mesmo com os protestos de seu amigo. É como se ele estivesse enfeitiçado. 



A partir daí as coisas vão ladeira abaixo em uma velocidade incrível. A família de Arnie fica "fula" da vida com a aquisição. Dennis começa a não reconhecer seu amigo por conta da mudança repentina de comportamento e por isso começa a investigar qual é a história desse carro velho que lhe causa arrepios. 

Antes e depois de Arnie
 
Olha, nesse livro tem de tudo: Carro que anda sozinho, atropelamentos bizarros (narrados com tantos detalhes que dá nó no estômago), cenas de tensão para quem pega carona com Arnie, pessoas vivas vendo mortas andando em Christine por aí e uma das cenas mais angustiantes que já li: 

Quando a namorada de Arnie engasga dentro do carro. Essa cena é de tirar o fôlego no livro. No filme ficou mais leve, mas mesmo assim dá um desespero! Dá uma olhadinha nela: 


Acreditem, a leitura é bem pior do que essa cena. Leigh, a namorada, se torna parceira de Dennis na luta contra Christine e o desenrolar é alucinante. 

O ponto negativo do livro: A parte realmente alucinante como eu estou dizendo até aqui só começa da metade para frente. É um livro de 600 páginas e nas primeiras 300 acompanhamos a amizade entre Arnie e Dennis, a mudança de Arnie e todo o desenvolvimento do carro, se revelando aos pouquinhos. 


Mas na segunda metade é que tudo acontece. Os assassinatos, as pessoas realmente entendendo o que está acontecendo e o melhor: o motivo para Christine ser como é que, diga-se de passagem, é diferente do motivo do filme e também sua primeira cena. 

Gostei muito do livro apesar disso, quem lê muito Stephen King já está acostumado com essa "enrolação". Ele dá todo o panorama da cidade e das pessoas antes de entrar fundo na história. Achei exagerado, mas nada de se jogar fora pela genialidade da escrita. 

 

Quanto ao filme: Os livros do King foram muito adaptados nos anos 80/90 e possuem (TODOS) um ponto negativo e um positivo: 

Negativo: é fraco em produção, com atores bastante despreparados e algumas mudanças importantes que alteram os finais das obras. 

Positivo: Mesmo com a mudança, as cenas mais impactantes dos livros estão lá e com as mesmas falas escritas por King. Isso é delicioso para o leitor. 

Em Christine, escrito em 83 e adaptado em 84 é tudo muito fiel. As melhores cenas estão presentes e algumas falas icônicas também. As mudanças e adaptações não fazem diferença na história e, apesar do final ser diferente, a diversão é garantida. 

Não é à toa que virou um clássico!


[Livro] O Pistoleiro da Meia-Noite - Rodrigo Rodrigues

Tenho a maior satisfação do mundo hoje em abrir esse meu pequeno espaço para falar de um livro muito especial para mim, pois se trata do primeiro lançamento de um amigo meu e só por isso já valeu a pena ter voltado com o blog (mesmo de forma tão esporádica).



Sinopse: Frankie é um assassino de aluguel implacável que roda o país estrada afora matando desconhecidos a troco de dinheiro. No entanto, a quantia ganha é o que menos lhe interessa... A única coisa que o move é um forte impulso homicida, que ele controla por meio de protocolos rigorosos. Após quarenta anos de serviços prestados, seu corpo já não é mais o mesmo, os ossos doem e o coração velho está cansando demais. É então que a aposentadoria se torna uma realidade inevitável, mas a vontade de continuar na ativa e o medo de encarar a vida solitária deixam-lhe em conflito. Porém, quando um senador aparece em busca de vingança, o pistoleiro aceita o trabalho, planejando seu último desafio, só que, ao confrontar o alvo, um sujeito misterioso, Frankie se envolve em uma trama sobrenatural de consequências cruéis. 


Eu classificaria essa obra como uma novela, porque é maior do que um conto, mas bem menor do que um romance e, como novela, cumpre muito bem seu papel. (São 101 páginas bem intensas) 

Certamente o mundo é um hospício muito maior do que as pessoas imaginam. 

Os personagens são bem delineados, não tão aprofundados como em um romance, mas não deixa nada a desejar. A trama é simples, mas muito envolvente. Não há reviravoltas, surpresas ou sustos, você já prevê o que vem pela frente, mas é tudo descrito com muita habilidade. 

É como ler sobre uma lenda urbana que você já conhece, mas que foi tão bem escrita que empolga da mesma forma. 

O Recife do Diabo era um lugarejo esquecido, que regressava aos tempos antigos, quando os homens ainda balbuciavam palavras sem sentido e louvavam entidades ancestrais.

Bem, fui um pouco injusta quando disse que não havia surpresas: Bem no finalzinho do livro recebemos o gancho tão esperado e para alguns isso pode, sim, ser surpreendente - eu achei corajoso. Foi muito bem bolado, por sinal a forma com que o autor deixa claro que a história não acaba ali foi a parte que eu mais gostei: A motivação do protagonista. 


Dá forma que o Rodrigo Rodrigues colocou a trama, teremos continuações infinitas pela frente e eu adoraria ler cada uma delas. Ainda mais que as influências são claríssimas, Stephen King está presente em todas as páginas e isso tornou a leitura, pelo menos para mim, muito agradável e familiar. 

Não há crime aos olhos de Deus que não possa ser perdoado.

É o primeiro romance do autor e acho que já mostra um enorme potencial para crescer no cenário literário. Espero que a Editora Chiado não o perca de vista.









Rodrigo "Shepard" Rodrigues, queria te dizer que estou feliz da vida por ter você como amigo e muito orgulhosa com seu caminho. Espero que você tenha mais realizações como essa e que sejam tão boas quanto! Conte sempre comigo!






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