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[Livro] Joyland - Stephen King

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Sinopse: Devin Jones é um estudante de 21 anos que arruma um emprego de verão no parque de diversões JOYLAND para conseguir dinheiro para os estudos e tentar esquecer a garota que partiu seu coração. Mas acaba encontrando algo mais terrível: o legado de um serial killer, o destino de uma criança a beira da morte e as verdades obscuras sobre a vida – sobre o que vem depois – e isso irá mudar seu mundo para sempre. 

Joyland é um livro doce, daqueles que nos faz querer virar as páginas só para participar, um pouco mais, da vida dos personagens. Essa leitura me lembrou, um pouco, outro clássico do Stephen King chamado A Espera de um Milagre, pela sutileza e leveza dos fatos, mesmo que estejam mergulhados em uma trama densa e, muitas vezes, sobrenatural.

Devin Jones é tão doce quanto essa obra e tão profundo quanto o mundo dos parques, e é, basicamente, disso que o livro fala: a vida das pessoas, seu envelhecimento, suas amizades e principalmente seus amores que é exatamente o que levou Devin para o parque de diversões chamado Joyland.


Desiludido e profundamente machucado, Devin, vai tentar seguir em frente, mesmo que seus pensamentos estejam ainda em seu primeiro amor e acaba topando com algo ainda mais terrível quando resolve passar suas férias de verão trabalhando no parque.

Eu nunca fui tão infeliz, também posso dizer. As pessoas pensam que o primeiro amor é fofo e que fica ainda mais fofo depois que passa. Você já deve ter ouvido mil músicas pop e country que comprovam isso; sempre tem algum tolo de coração partido. No entanto, essa primeira mágoa é sempre a mais dolorosa, a que demora mais para cicatrizar e a que deixa a cicatriz mais visível. O que há de fofo nisso?

A partir daí, a maior parte do livro mostra o cotidiano dos novatos no parque e isso pode ter decepcionado um pouco os fãs mais exigentes do King, mas não eu que aprecio acima de tudo o poder que a narrativa dele tem. Obviamente que existe um suspense em tono desse universo e é aí que entra a história do assassinato de Linda Grey que aconteceu dentro da Casa dos Horrores, cujo fantasma ainda aparece pedindo ajuda.

Algumas partes de suspense nos mostra que Stephen King, mesmo tentando ser romântico, ainda traz nas veias aquele lado obscuro que só ele sabe narrar, mas em momento algum o terror assuma o protagonismo dessa história e é por isso que Joyland se tornou tão especial para mim.


Devin ainda conhece duas pessoas muito importantes em sua jornada: O garoto de cadeira de rodas, chamado Mike, que sofre de distrofia muscular, e sua mãe Annie que tem uma história complicada com o pai e se desdobra para ajudar o filho, abrindo mão de sua própria vida para isso.

E como King é King, o garoto tem certo grau Iluminado. \O/


Chega de Spoilers? Eu garanto que isso não via arruinar sua leitura, pois não contei nenhuma novidade. Quem conhece Stephen King mata logo de cara onde ele quer chegar e vibra a cada página com a trama.

Só digo que tudo se uni de uma forma deliciosa no final. O parque Joyland e toda sua magia. O fantasma da garota assassinada na Casa dos Horrores. O garoto (iluminado?) e Devin Jones com seu coração partido.

E não pensem que tudo são lágrimas ou mistérios e discordâncias. Stephen King nos presenteou com uma obra realmente doce e muito gostosa de ler, provando que ele consegue passear por qualquer tipo de literatura. Isso fica claro no final desse livro, tanto para nós, leitores, quanto para Devin Jones:

Alguns dias são preciosos. Não muitos, mas acho que em quase toda a vida há alguns. Aquele foi um dos meus, e quando estou triste, quando a vida me dá uma rasteira e tudo parece ruim e sem graça, como a Joyland Avenue em um dia chuvoso, eu volto a ele, ao menos para lembrar a mim mesmo que a vida nem sempre arranca nosso couro. Às vezes, ela oferece verdadeiros prêmios. Às vezes são precisos.

Espero que, se você nunca leu nada do autor, comece por esse e parta para todos os outros 60 e tantos livros. Garanto que algum deles fara tua cabeça 


[Conto] 1922 - Stephen King

Dia dos namorados: que lindo, que romântico, que reconfortante... Para quem está namorando. Então para mim não serve de nada e para comemorar a minha "solteirice" resolvi postar uma resenha, no estilo mais romântico que o meu escritor preferido no mundo poderia criar:

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1922 - Primeiro Conto do livro 'Escuridão total, sem estrelas (Stephen King)

O conto começa com uma confissão e daí você já imagina o que virá em seguida, se a pior coisa que poderia acontecer já veio explícita na primeira página:

Meu nome é Wilfred Leland James, e esta é minha confissão. Em Junho de 1922 eu assassinei minha esposa, Arlette Christina Winters James, e escondi seu corpo o colocando no fundo de um velho poço. Meu filho, Henry Freeman James, me ajudou neste crime, embora tivesse 14 anos, ele não foi responsável; eu o enganei para fazê-lo participar, brincando com seus medos e derrubando todas as suas objeções deveras normais por um período de dois meses. Isto é uma coisa da qual eu me arrependo mais amargamente do que o crime, por razões que este documento mostrará".

Tem como piorar? Claro que tem! Isso é King e eu não traria um conto qualquer para o meu dia dos namorados! \O/

Wilfred arquiteta um plano perfeito para se livra da esposa que o pressiona dia e noite para vender as terras que ganhou de herança. Ela quer se mudar para a cidade e ele a odeia por isso. Para tal plano, trabalha a mente de seu filho Henry e o faz odiá-la também, pois precisa de ajuda para se livrar dela.

Ela fora um problema para mim por todos os dias de nosso casamento, e era um problema mesmo agora, em nosso divórcio sangrento. Mas o que mais eu deveria estar esperando?"

Obviamente que matar uma pessoa não é tão fácil como ele havia planejado em sua cabeça. Henry também não aguenta o tranco tão bem quanto esperavam e diversas coisas começaram - desde o início - a sair dos trilhos.

Aqui vai algo que aprendi em 1922: sempre há coisas piores esperando".

Capa alternativa.
Não sei de onde é, mas andei vendo alguns exemplares assim pela internet!

Arlette não ajuda muito, talvez porque o conto é narrado por Wilfred, ela não cai nas graças de nenhum leitor e obviamente não se rende frente à morte, desencadeando um cenário de horror até mesmo antes de ser assassinada.

Tudo desanda, tudo dá errado, tudo se torna macabro demais até para Wilfred e é nesse clima que o conto segue até a última palavra de suas 155 páginas sangrentas.

Henry cresce com o peso do pior ato de sua vida e perde uma parte de sua de sua inocência bem antes da hora. Isso o faz ver o pai com outros olhos e duas pessoas que deveriam permanecer aliadas começam a enfrentar os problemas inevitáveis de um plano mal traçado

– Do que você entende? – ele perguntou com infinito desdém – Você nem mesmo pôde cortar uma garganta sem fazer uma bagunça - Eu fiquei sem palavras. Ele viu isso, e me deixou assim".

O que mais dizer desse conto... É uma típica obra do Stephen King, com todo o terror obsceno que só ele sabe construir. Os personagens são incrivelmente complexos e a atmosfera não poderia ser melhor descrita. Nas primeiras páginas já somos absorvidos pelo suspense e é impossível largar o conto até conhecer o final.

Eu prometi a mim mesmo me matar e trocar de lugar com ela no inferno se ela parasse. Mas ela não parou. Nem iria. Os mortos não param. É isso o que eu sei agora".

Chega de quotes né? É que esse conto é tão lotado de frases incríveis que eu poderia ler tudo novamente bem agora. Aliás, é o que farei...

Feliz dia dos namorados pra vocês! \O/

Um pouco de sangue começou a manchar minha meia. Isso não me perturbou, nem um pouquinho. Eu já havia visto mais sangue do que isso na vida; em 1922 houve um quarto cheio dele".

Hahahaha UAU!!!!



Os meus ídolos para o novo Oscar

Os atores, os músicos, os modelos, os mágicos (não estes não), os lutadores de Kung Fu, os cozinheiros, os pintores, os pensadores, os marinheiros, os bombeiros, os mecânicos, os médicos, etc...

Os leitores são uma paixão à parte!

Todos eles são incríveis a seu modo (menos os mágicos) e me atraem de alguma forma, mas nenhum é tão irresistível – para mim – do que OS ESCRITORES.

Sim, sim, sim... Se quiser ver a Camila aqui vibrando por alguém, ou enfrentando uma fila quilométrica para pegar um mísero autógrafo, ou economizando horrores para ter um pedacinho de uma obra de arte, seria provavelmente por um escritor.

John Green seria o Bradley Cooper - Lindo, fofo e qualquer coisa que faz encanta!

Eu li um artigo esses dias que falava que o mundo merecia um Oscar para escritores e eu concordo plenamente com isso. Porque só os filmes merecem esse glamour já que o mundo literário é tão movimentado quanto Hollywood!

Aliás, metade do que o cinema apresenta hoje para nós, vem dos meus amados escritores ♥
Tenho até algumas similaridades para apresentar:


Provavelmente Stephen King seria a nova Meryl Streep – Pois seria SEMPRE indicado e ninguém teria chance alguma de ganhar dele (rs)


Paulo Coelho seria o novo Leonardo Di Caprio – Seria indicado sempre e NUNCA ganharia nada (hahaha maldade minha?)


Neil Gaiman seria o novo Johnny Deep – Excêntrico e aguardado, independente de ganhar ou não. As pessoas só iriam quer vê-lo na cerimônia.


Richelle Mead seria a nova Megan Fox – Linda e sexy, independente do que escrevesse. Todo mundo leria só para tê-la na estante.


Jô Soares seria o novo Eddie Murph – Não apareceria quase nunca, mas quando acontecesse seria por um filme qualquer engraçado que arrecadaria milhões e seria esquecido logo, sem nenhum Oscar, claro (eu amo o Jô, não me entendam mal).

E você? Consegue pensar em alguma comparação bacana? Deixa aí nos recados, quem sabe um dia isso se realize!

[Livro] O Cemitério - Stephen King

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Hey, Ho, Let´s go! (Ramones) 

Uau, como é difícil resenhar um livro do King...
Como é difícil resenhar uma obra que acabou de atingir o primeiro lugar no "podium do medo" da minha estante e como é difícil não ser capaz de demonstrar o quanto esse livro é magnífico. 

Sem dúvida alguma, se você quer conhecer Stephen King em sua essência como escritor: esse é o livro ideal, porque tem todos os pontos fortes do mestre e mais alguns. 

O Cemitério conta a história da família Creed, formada por Louis e Rachel mais seus dois filhos pequenos e um gato chamado Church, que se mudam para Ludlow (Maine) em busca de uma nova vida. Não necessariamente um recomeço e é esse um dos pontos positivos do livro:

A família Creed é realmente adorável. Do tipo que você se apaixona pelas manias e pelo carinho que um tem com o outro. (mas vamos avançar um pouco mais na história). 


Louis é medico - Sim! O protagonista não é escritor nesse livro - e veio para assumir um novo cargo na Universidade do Maine. Através de fotos, escolheu a antiga casa colonial - típica da Inglaterra e recém-reformada, com três cômodos etc..., mas o que o atraiu de imediato foi o extenso gramado verde que rodeava a casa onde as crianças poderiam brincar livremente e mais adiante um bosque. Tudo muito lindo, quase a terra dos sonhos. 

Há coisas secretas, Louis. O solo do coração de um homem é mais empedernido... como o solo no velho cemitério Micmac. Mas um homem planta o que pode... e cuida do que plantou". - Jud

Logo que chegam à nova casa, conhecem Jud - um velho morador daquelas redondezas que logo encanta a família toda (e eu também) pela sua hospitalidade. Jud é um homem de muitas histórias e um sotaque divertido, (certamente um dos meus personagens preferidos no livro), que atrai Louis imediatamente como um pai que ele nunca teve e os dois se tornam amigos com muita facilidade. 

Eu sei... Você que conhece Stephen King um pouco já deve estar criando histórias mirabolantes na cabeça, mas Jud é adorável. O típico amigo para toda hora, que oferece cerveja no fim da tarde e muitas histórias inacreditáveis até altas horas. 


Uma pausa: Essa obra me encantou pela profundidade dos personagens, Acredito que Louis foi uma das personalidades criados por King que mais me satisfez. O médico é completo, carinhoso e suas dúvidas são reais, de um homem íntegro e apaixonado, talvez por isso você acabe entendendo até onde ele chega por amor. A forma com que ele lida com as adversidades de sua família é encantadora. 

Já li várias obras do King e o vi passando por psicopatas, monstros, mocinhas indefesas, bad boys e alcoólatras, mas Louis foi com certeza o mais completo e o mais profundo em termos de personalidade que já li. Eu praticamente sabia o que ele estava pensando em várias partes da história, de tão real que ele se tornou para mim. 

... e naquela noite os dois dormiram bem abraçados. Quando Rachel acordou tremendo, no meio da noite, passado o efeito do Valium, ele (Louis) a acariciou com as duas mãos e sussurrou em seu ouvido que estava tudo bem. Ela dormiu de novo".

Voltando: Uma das inúmeras histórias que Jud tem para contar é justamente a respeito de um local muito interessante que fica no terreno dos Creed: O "Simitério" de Bichos. 


Logo após o gramado da casa dos Creed, há uma trilha - muito bem conservada pelas crianças da redondeza - que acaba em um cemitério onde todos os animais dali são enterrados. É uma espécie de santuário para elas, pois é através desses bichinhos de estimação que elas têm seu primeiro contato com a morte. Louis acha isso importante, como médico tende a encarar a morte com mais tranquilidade e acha importante a filha fazer o mesmo, mas Rachel não. 

Por conta de traumas que ela trás desde criança (e essa é uma das histórias mais horripilantes que já li na vida), Rachel simplesmente prefere ignorar a morte ao pensar nela como algo natural para qualquer ser vivo e esse é um dos únicos pontos em que o casal discorda.

É aquele lugar maldito. Não é saudável. Crianças indo até ali e cuidando dos túmulos, conservando a trilha limpa... Que merda de coisa mais mórbida! Seja qual for a doença que tenham as crianças daqui, não quero que Ellie a pegue" - Rachel

Então até onde um pai devotado e amoroso iria para ver sua família feliz? O que um homem como Louis seria capaz de fazer para protelar o primeiro contato de sua filha com a morte, já que sua esposa é incapaz de absorver tal ato? 

Os gatos são os gângsteres do mundo animal, vivendo fora da lei e frequentemente morrendo por causa disso"

Ellie - filha mais velha - tem um gato - Crurch - que dorme com ela e a segue onde quer que ela vá. Um dia o animal atravessa a estrada bem em frente a casa deles e morre atropelado. 

O que mais Louis poderia fazer se descobrisse que o tal "Simitério" de bichos esconde algo muito mais poderoso do que pequenas lápides feitas por crianças. 

...um homem planta o que pode... e cuida do que plantou"

O que ele poderia fazer se o próprio cemitério - que tem uma história incrível - parece ter também vontade própria e exercer uma fascinação incontrolável nele? 


E o que fazer quando o maldito gato Church volta para casa, mesmo depois de ter sido enterrado por Louis? É exatamente isso que o cemitério faz... É isso que Louis descobre e é nesse momento que sua vida vira um inferno sem volta. 

Talvez na vida normal de um homem, mesmo nas melhores circunstâncias, houvesse menos que um mês de dias realmente bons. Deus, em Sua infinita sabedoria, parecia muito mais generoso quando distribuía a dor"

O livro é aterrorizante! Começa leve e vai esquentando como se fosse água sendo fervida em fogo baixo. Você vai se envolvendo e começa a pensar como Louis, sente suas dúvidas e desconfia das coisas ao passo que as páginas vão passando. 


Eu não conseguia parar. Li de noite e me arrependi quando cheguei à parte da história da irmã da Rachel - que como eu disse, foi uma das mais assustadoras que já li na vida - e queria acordar mais cedo para ler um pouco antes do serviço. É eletrizante. 

Sem dúvidas, O Cemitério é o melhor livro do Stephen King. Em comparação com os outros parece se distanciar em termos de narrativa e descrição. Tudo é melhor nesse livro. 

Pontos Positivos:
- Personagens
- Locais macabros
- Sustos
- Genialidade
- Drama intenso
- Ação na medida exata 

Pontos Negativos:
- Não tem nenhum
- Tem sim: Poucas páginas (deveria ter 5600 páginas na verdade)
- Não tem mais nenhum (rsrs)

Leia mais resenhas dos livros do Stephen King

Um pouco sobre o filme que ganhou o nome de O Cemitério Maldito: É um filme leal ao livro, algumas falas são até iguais e marcantes, mas é muito corrido. Jud deixa de ser um senhor simpático e adorável e passa a ser meio assustador – algo que me desagradou porque realmente gostei dele no livro – No entanto, a escolha dos personagens ficou perfeita (A Ellie é uma chata, chata, chata).

Stephem King de padre é no mínimo interessante.

Se o filme é corrido, o livro é totalmente o contrário. Tem histórias transbordando pelas páginas e toda a profundidade que só o King consegue dar em suas cenas. De qualquer forma, vale a pena ver a adaptação, mesmo que seja para dar “cara” aos personagens de vez, mas o livro não deve ser ignorado jamais! É BEM mais assustador. Isso eu garanto.

Sério, leiam esse livro para conhecer Stephen King. Saibam por que ele lança quase 4 livros por ano e vende todos na mesma intensidade. Descubra com esse livro, porque quando eu estou desanimada e sem inspiração, é o Stephen King que eu procuro como remédio. 

Leiam! Leiam! Leiam!

Para essa obra, dou 5 lápides!
5 estrelas parece pouco!





[Book] - Revival - Stephen king

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Então eu estou aqui, parada em frente essa folha em branco, pensando em como começar a resenhar esse livro para vocês!


Não está sendo fácil. Novamente li em inglês e senti uma dificuldade maior dessa vez, algumas palavras e expressões me confundiram muito e por isso demorei mais do que o normal. Fora isso (e eu não acho que tenha influenciado minha opinião) não senti aquele frio na barriga que sempre sinto ao ler alguma obra do King. Isso para mim já basta!


Revival é uma obra interessante, com uma história incrível e muito bem delineada. A narrativa é rápida, o que resultou em um dos seus menores livros até hoje - 347 páginas e muitas frases interessantes:


When you want to feel better, call something a piece of shit. It usually works".

("Quando você quiser se sentir melhor, chame algo de pedaço de merda, geralmente funciona").

Os personagens são extremamente reais e profundos e os protagonistas conquistam logo de cara, nas primeiras páginas e ganham nossa simpatia. Mas então o que me decepcionou?

Simples: A obra é boa e não passa disso, nem parece algo que foi escrito pelo meu tão amado Stephen King se não fosse à típica narrativa genial. O que me decepcionou um pouco foi essa declaração dele:


Ao contrario do que foi dito pelo próprio King meses antes da publicação, o livro não assusta, não dá frio na barriga e nem causa mal estar em geral. Esperei pelo tão acalmado FINAL e preciso admitir que era exatamente o que eu imaginava que seria, desde a metade do livro, mas vamos à obra:

O livro é narrado pela visão de Jamie, caçula de uma grande família, e gira em torno de sua bela amizade com o novo Reverendo da cidade, Charles Jacobs: Um homem iluminado pela fé, amado por todos e admirado na comunidade logo nos primeiros sermões em sua igreja.

Charles tem uma esposa linda e adorável que toca piano melhor do que ninguém e um filho incrível, além disso, ele tem um hobby interessante: É maluco por ELETRICIDADE e isso aproxima Jamie ainda mais, se tornando seu pupilo preferido na comunidade.

Um belo dia, um dos irmãos de Jamie sofre um acidente e perde a voz. Esse transtorno desequilibra sua família e desesperado, Jamie vai à busca de ajuda e a encontra, com o Reverendo.

Charles constrói rapidamente uma "engenhoca" chamada: Electrical Nerve Stimulator, que promete trazer de volta a voz do irmão de seu amigo com pequenos impulsos elétricos, para estimular as cordas vocais para que voltassem a trabalhar e de fato ele consegue o feito.

Essa é sua primeira experiência e infelizmente não para por aí. Então a vida resolve testar a enorme fé do Reverendo e sai vitoriosa. Após um terrível acidente, toda sua crença é colocada a prova e obviamente ele não passa.

Coincidence and lucky break are words people with little faith use to discrable the will of God..."

("Consciência e fé são palavras que as pessoas de pouca fé usam para descrever as vontades de Deus...")

Após um discurso revelador e aterrorizante em sua igreja, que marcou a vida não só de Jamie, mas de todos que estavam presentes naquela igreja, o Reverendo Jacobs é demitido de seu cargo e resolve ir embora.

A história segue nesse impasse, não vou contar mais nada para não estragar as surpresas (que não são muitas), mas Charles segue adiante com suas experiências e avança muito no estudo da eletricidade. Jaime cresce e se torna um homem complicado e...

...I thought, every cure has its price". - Jaime

("...eu pensei, toda cura tem seu preço".)

E tem mesmo, Jaime e Jacobs estão ligados pelo passado, a amizade entre eles é bem forte, cheia de cumplicidade e não vai acabar ali na infância do garoto.

No difference - He said - They´re both just a matter of convincing the rubes of something..."

"Nenhuma diferença - Ele disse - São ambas as formas de convencer os caipiras de algo..." - Se referindo a diferença entre fé e charlatanismo.

O final: É satisfatório, nada surpreendente, mas de certa forma interessante. Vale a pena conhecer, é uma obra diferente das que o King costuma escrever e diferente das que eu tanto amo.

Fica a dica, talvez se eu não fosse tão sedenta para as páginas desse livro, teria aproveitado mais. Recomendo assim mesmo, Mr. King é sempre uma boa leitura.


A última festa de Halloween

Conto escrito por mim especialmente para fechar o mês do Halloween! 
Espero que gostem.


A última festa de Halloween

Cinco anos atrás.

Estava tudo pronto. A casa plenamente decorada, as luzes brancas enroladas nos troncos das árvores e nos pilares da frente da casa davam um ar fantasmagórico à noite mais divertida do ano. Era Halloween e fora nessa noite que Marri decidiu mudar o rumo de sua vida.

Marri havia mudado no começo daquele ano para a pequena cidade do interior com sua família, mas não conseguiu se encaixar em turma alguma em sua escola. Já no segundo ano do segundo grau, todos se conheciam desde sempre e a garota nova, e levemente estranha, não encontrou abertura para novas amizades.

Mas sua aptidão para dar festas e seu amor pelo Halloween deu a ela uma grande ideia. Sem ajuda de ninguém imprimiu alguns panfletos e os distribuiu pela escola toda, convidando os alunos para uma enorme festa de Halloween em sua casa.  O panfleto dizia que ela daria comidas e bebidas e, como única exigência, todos deveriam aparecer com fantasias assustadoras. Era sua última ideia para atrair amigos.

Quem não gosta de festas? Quem não gosta de Halloween? – Ela pensava.

O grande dia chegou. Marri acordou cedo e preparou os doces e salgados que seriam servidos em sua festa. Seus pais ajudaram com as bebidas e prometeram sair de casa para dar a ela mais liberdade, afinal de contas, Marri era uma garota exemplar, desesperada por amigos.

A noite chegou e as luzes foram apagadas deixando apenas os pisca-piscas revelarem a decoração. Abóboras desenhadas com rostos horripilantes do famigerado Jack O´Lantern estavam espalhadas por toda a entrada, um enorme espantalho havia sido instalado ao lado do portão, já aberto, e apenas seus olhos estavam iluminados com duas lâmpadas vermelhas. 

Marri ligou o aparelho de som em sua sala que intercalava sussurros e gritos com uma risada diabólica de bruxa e postou-se na porta já fantasiada de vampira. Com os caninos mais reais que fariam Drácula repensar se havia tido uma filha perdida por aí e sua capa que ia até o calcanhar retocou a maquiagem. Seu rosto estava tão assustador que ela agradeceu que seus pais já haviam saído. 

BramStocker ficaria satisfeito comigo! – Pensou e esperou.

Mas ninguém apareceu.

Marri esperou por horas e horas, mas estava evidente que havia fracassado em mais uma tentativa de se enturmar, então fechou o portão e entrou em sua casa, cabisbaixa e completamente envergonhada. Decidiu desligar as luzes e jantar a refeição mais deliciosa que já havia feito, mas não conseguiu.
A tristeza tomou conta de seu coração e temendo encontrar-se com seus pais resolveu dar uma volta, esquecendo até mesmo que ainda estava fantasiada. Ao sair olhou para trás a fim de admirar sua decoração, mas o que viu lhe roubou o ar dos pulmões.

No muro de sua casa havia sido pichada, com um spray vermelho, a seguinte frase:

Marri, a estranha

Marri sentiu os joelhos tremer. Desejou virar fumaça e sumir daquele mundo que julgava festas de Halloween um terror, mas que conseguia ser bem mais cruel do que os piores vilões do cinema e literatura.

Ainda com o coração aos tropeços subiu a sua rua mal iluminada e andou por alguns quarteirões. Talvez tivesse tempo de limpar tudo em sua casa antes dos pais chegarem e assim a vergonha poderia ser amenizada. Talvez devesse ligar para alguém, a fim de perguntar o que havia acontecido. Talvez ela tivesse se esquecido de colocar o endereço no maldito panfleto.

Ainda refletindo sobre os vários motivos hipotéticos por ter fracassado novamente, escutou o barulho forte de uma batida eletrônica em uma das casas na rua em que estava e foi até lá. Do outro lado da rua, escondida nas sombras das árvores viu o que deveria estar acontecendo em sua casa: Uma festa.
Mas era uma festa normal, sem nenhuma decoração e se não fossem as fantasias ninguém perceberia que estavam comemorando o Halloween. Marri se aproximou e a cada passo que dava seu coração se dilacerava. Não havia propósito naquela festa, ninguém havia se esforçado como ela para decorar o ambiente como deveria ser nessa data tão bacana.

As pessoas ali usavam as fantasias como arma de sedução e isso parecia uma afronta para ela. Logo na entrada, um casal de múmias sexy enroladas em faixas que denunciavam seus belos corpos, trombou em Marri e foram para fora da casa se agarrando sem nenhum pudor. 

Após o portão estava pior, uma garota vestida de enfermeira sexy toda ensanguentada estava aos beijos com o Frankstein mais lindo do mundo, enquanto um vampiro, parecendo o Edward, brilhava embaixo de uma grossa camada de glitter enquanto comandava o som da festa.

Três garotas fantasiadas de Bruxa sexy dançavam se oferecendo ao Edward do som deixando um grupo de Zumbis com os braços malhados e pernas fortes, excitados até os últimos fios de cabelo. 

Aquilo era a maior heresia do mundo. Como haviam deturpado a melhor festa do ano daquele jeito? Como haviam ignorado a decoração magnífica que ela havia demorado um mês inteiro para fazer? Aquela porcaria de festa não oferecia nem bebida e todos pareciam em um completo transe erótico.

Marri sentiu os nervos do corpo se inflar. A raiva que crescia em seu coração a deixou cega. Não aguentava mais ser ignorada por aquelas pessoas vazias e fúteis, enquanto tentava com todo afinco os conquistar com um padrão bem mais alto do que aquele. 

Enraivecida foi até o som com passos firmes e arrancou os fios mal encapados da tomada cessando aquela música de péssimo gosto, ao mesmo tempo em que sentia uma corrente elétrica passar pelo seu corpo a arrepiando toda. Um grito sepulcral escapou de sua garganta e a eletricidade se transformou em ódio que corria em sua corrente sanguínea.

Todos os monstros sexy pararam e olharam para ela, então os buchichos começaram. Marri sentia-se envergonhada novamente. As pessoas olhavam para ela com semblantes assustados e foi quando ela se lembrou de que ainda estava fantasiada de vampira horripilante e nada sexy. Um garoto no fundo da casa começou a dar gargalhadas e se aproximou sorrateiramente. Ela podia escutar o coração de todos ao seu lado como se cada um tivesse uma caixa de som acoplada ao peito. 

- Como você é estranha, Marri. Olha essa fantasia pavorosa que está usando. Parece até a filha do Drácula...

Aquilo era um elogio ou uma ofensa? – Ela pensou, mas antes de decidir o garoto se aproximou ainda mais e ela pode ver sua fantasia.

Com uma capa de couro negra e botas de cano alto, o garoto moreno com o resto deslumbrante ainda usava um chapéu e segurava uma estaca afiada de madeira que completava sua fantasia de Van Helsing. Ele estava tão lindo e sexy dentro daquele traje que ela quase se apaixonou por seu maior inimigo.

Espera aí, ele não é meu inimigo. Tem algo errado comigo – Pensou assustada. Algo dentro dela despertou e, por um segundo, sentiu vontade de morder aquele garoto. Era absurdo, ela sabia, mas inexplicavelmente a veia do pescoço dele saltava aos seus olhos e tudo que ela queria era voar para cima dele.

Os adolescentes ao redor riam dela, mas no fundo sentiam um medo inexplicável e atribuíam isso a sua fantasia tão real e tão sombria.

- Vocês parecem um bando de animais no cio com essas fantasias se oferecendo uns aos outros. Halloween é uma festa de terror e não um filme pornográfico – Disse finalmente quase sussurrando.
- Ah, eu já sei por que você está nervosa. É porque ninguém foi a sua festa? Você montou um verdadeiro circo dos horrores em frente a sua casa e ainda esperava que parássemos lá? – Disse o Van Helsing sexy apertando sua estaca com tanta força que os nódulos dos dedos ficaram brancos. 

Marri perdeu a consciência. Nunca pensou que ser rejeitada daquela forma pudesse tirá-la completamente do ar. A partir daí tudo que aconteceu foi involuntário e totalmente por instinto. Mais tarde, alguns alunos mais exaltados disseram à polícia que Marri sempre fora uma vampira disfarçada e que naquela noite havia finalmente se revelado. 

Outros disseram que ela havia chegado à festa completamente drogada e por isso agiu estranhamente, mas ninguém soube explicar o porquê daquela garota ter avançado sobre o deslumbrante Van Helsing, rugindo como só um monstro poderia fazer e drenou todo o seu sangue bem ali, na frente de todos.

Ninguém conseguiu explicar também, porque ela sorria ao terminar seu banquete sangrento e amaldiçoou todos que ali estavam e prometeu voltar a cada ano para se vingar da heresia que cometiam antes de sair voando da casa.

Marri ainda é procurada pela polícia, pelos seus pais e por alguns curiosos. As festas de Halloween continuaram até hoje, mas ninguém nunca mais vestiu algo sexy e saiu de casa no dia 31 de outubro. O Halloween começou a ser levado a sério naquela cidade e, dessa forma, nunca mais precisou presenciar nenhuma tragédia como naquela noite. 

Magia ou não, sendo vampira ou não, Marri é lembrada naquela cidade pelo menos uma vez por ano, pois a casa, mesmo abandonada por seus pais e mesmo sem receber energia elétrica alguma desde sua morte, todo ano, na noite de Halloween, aparece iluminada por pisca-piscas, ornamentada por abóboras assustadoras e espantalhos com os olhos vermelhos.

Inspirado na obra “Carrie” de Stephen King.

Excelente Halloween para Vocês! 
Aproveitem o fim de semana!

[Livro] - A Coisa (IT) - Stephen King

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Um livro de mais de mil páginas (o meu exemplar tinha) que se tornou um clássico do terror há, pelo menos, três gerações, dá trabalho para resenhar. Dá trabalho até para ler, pois ando com sérias dores nas costas por possuir o exemplar antigo e megapesado!

Sim! Valeu cada pontada na espinha, o livro faz jus a sua fama e quem o leu provavelmente encarará palhaços de outra forma a partir daí.

Dividido em 5 partes, 23 capítulos e quase uma centena de subcapítulos, A Coisa manteve os pêlos do meu braço eriçados por pelo menos 50% das páginas e ainda tenho a impressão de ter alguém atrás de mim enquanto escrevo... (Agora mesmo senti um arrepio na nuca, você também sentiu?)



Veja bem, o terror que o Stephen King escreve não te deixa acordado de noite apenas, não é isso, é algo mais profundo, é como se ele desenterrasse os medos de criança que você corajosamente enterrou em sua alma ao se tornar adulto e os transcrevesse naquelas malditas páginas obscuras.

E é isso que torna esse livro tão assustador. Ele é praticamente narrado e descrito pelo medo de várias crianças que se transformaram em adultos e tiveram que encarar tudo novamente.

Aliás, que maldição é o Palhaço né? King escolheu o mais diabólico símbolo infantil para nos aterrorizar.

O ator e sua criatura! Interpretação magnífica!
A obra começa com seis adultos recebendo um telefonema os chamando de volta para Derry (cidade onde nasceram), pois haviam prometido, quando crianças que, se A Coisa voltasse, eles retornariam para destruí-la mais uma vez.

Todos reagem ao telefonema de forma diferente e através de suas lembranças mais pesadas e profundas, vamos conhecendo o passado desses adultos. Os traumas que juntos superaram e que levaram para a vida adulta até aquele momento.

Ao passo que caminhamos pela história, nos é apresentado o passado de Derry e também o caminho que a cidade trilhou até a volta da Coisa que mata crianças há várias gerações. A descrição de King é esplêndida! Chega a ser real em diversos momentos e por vezes precisei tomar um fôlego da leitura. Sério, vocês também estão sentindo um arrepio na nuca ou é impressão só minha?

Stephen King dá voltas na história, apresenta fatos em suas primeiras páginas e os usa novamente diversas vezes e em diferentes contextos.

Quem já leu esse livro vai lembrar vivamente da tal cabeça encontrada por uma moradora em sua árvore!

A MALDITA CIDADE PARECE EXISTIR!

King cuidou até disso, descrevia bairros e ruas tão vivamente que eu seria capaz de desenhar um mapa, mas olha só, senhoras e senhores, ele já desenhou o tal mapa:


Aquelas crianças, hoje crescidas, se encontram obrigadas a retornar ao passado que haviam se esforçado para esquecer e sofremos junto deles a cada lembrança. Sim, eles parecem ter esquecido boa parte do que haviam passado em Derry, como se fosse mágica e assim que pisam na cidade novamente, tudo começa a voltar com força total.

A Coisa parece mais forte, mais preparada e muito mais enraivecida. O grupo só pode contar com suas lembranças deficientes para derrotá-la novamente e dessa vez, para sempre.

Preciso ressaltar a deliciosa amizade entre esses garotos que formavam o Clube dos Perdedores.


Bill Gaguinho, o grande Bill tem toda a capacidade de liderar a turma toda e parece se preocupar o tempo todo com Eddie, um garoto hipocondríaco atormentado por uma mãe neurótica a vida toda. Ainda na base do grupo, passamos a conhecer Richie, um garoto supercriativo que tem o dom (ou pensa que tem) de criar vozes diferentes, mas as usam nas piores horas possíveis. Todos adoram atormentar Stan, um judeu que não se importa de enfrentar a pior fera do universo, mas não suporta a ideia de ficar sujo por mais de um minuto.

Ainda junta-se ao grupo Ben, um garoto obeso e solitário que até então dividia seu tempo livre com os livros e uma paixonite secreta pela bela Bev, que acaba entrando no grupo para a alegria de Ben, mas que parece ter olhos apenas para Bill. E por último junta-se ao grupo um garoto negro que vivia sendo atormentado na escola por isso, chamado Mike, que anos mais tarde seria o responsável por convocar toda a turma de volta a cidade.


Antes e Depois do Clube dos Perdedores


Eu adorei cada segundo das aventuras dessas crianças e o mais legal foi passar para a segunda fase, quando todos se reencontram já adultos. Os costumes, as brincadeiras e as manias retornam de forma espantosa e involuntária, assim como as piores lembranças há muito esquecidas.

É uma história de arrepiar e encantar na mesma proporção (talvez arrepie um pouco mais, sei lá), mas é sem dúvida alguma, um dos melhores clássicos do terror e leitura obrigatória para os fãs de Stephen King.


O resumo é bem esse, mas a obra é muito mais profunda. Tolkien se sentiria em casa com o tamanho do universo que King criou para essa história. Sentirei falta desses personagens porque possuíam uma personalidade tão viva que me fizeram acreditar serem reais em diversas partes.

Ah, droga! Vou mesmo sentir falta do Clube dos Perdedores! Vou sentir falta até do Palhaço Parcimonioso... Não, dele não!

Recomendo! Leia sem falta, mas se você tem medo de história de terror, sugiro que leia de dia!


Lendas Urbanas Brasileiras

Sim, nós temos lendas urbanas também e são boas, de arrepiar.
Algumas delas foram adaptadas e fortemente incorporadas para nossos costumes e até hoje existem pessoas que afirmam serem, estes causos, verídicos, nada fantasiosos. Bem, eu não duvido de nada nesse mundo e não vou atrás de provar que são apenas lendas, mesmo porque não quero ter a certeza de que são verdadeiras.

Achou covardia? Aposto que você não tem coragem de apagar a luz do seu quarto e diante do espelho dizer 3 vezes:

Maria Sangrenta, Maria sangrenta, Maria sangrenta.

Vai lá, eu espero! (Rá!)

Lendas ou não, são terríveis, então vamos a elas:

Chupa-cabra


Quem não se lembra da onda de fazendeiros desesperados em busca dessa criatura que a cada relato ficava mais apavorante? Alguns o descrevia como um cachorro, outros diziam ter dentes para fora da boca como um javali, alguns mais afoitos diziam que andavam sobre duas patas e uivava, enfim... Não faltou história para essa criatura que foi “vista” não só no Brasil, mas também em Porto Rico, Flórida, Chile e México. Lenda ou não, o Chupa-Cabra espantou fazendeiros e drenou muito animal no pasto nos anos 90.

Arranca-Línguas


Essa eu não conhecia, mesmo porque é mais comum em Goiás e na região do Rio Araguaia. As pessoas diziam que um ser maior que um gorila costumava atacar moradores dessa região e arrancava suas línguas para se alimentar. Nos poucos relatos que encontrei pela internet, esse ser chegou a aterrorizar cidades inteiras, que passaram a se esconder em casa assim que o sol ia embora! #Tenso

A loira do banheiro


Essa eu vivi ativamente enquanto estudante. A lenda conta que havia uma loira que vivia nos banheiros das escolas e para invoca-la era necessário dar descarga 3 vezes, seguidas de 3 batidas na porta e logo em seguida chamar por ela. É uma variação da Maria Sangrenta Americana que aparecia quando chamada pelo espelho, mas que nunca funcionou comigo...

Sim, eu já tentei. Claro que rodeada de amigos e com a porta do maldito banheiro aberta, mas já pensou se... #ArrepieiAgora

A procissão das almas


Eu nunca gostei de procissão. Desde criança morria de medo de ver aquele bando de gente de noite, segurando velase rezando pela rua. Me arrepia só de imaginar até hoje. Agora sabendo dessa lenda aqui, não saio nem na rua se topar com uma.

Reza a lenda que uma velha que gostava de passar boa parte do tempo olhando a rua pela janela, um dia avistou uma procissão passando, com pessoas vestindo roupas largas e brancas, com velas nas mãos. A velha sabia que não era dia de procissão e não reconhecia ninguém que ali estava.

Uma dessas pessoas foi até a velha e entregou uma vela, pedindo que a guardasse, pois voltaria para pegá-la no dia seguinte. A velha fez como pedido e foi dormir. No outro dia, ao acordar, viu que no lugar da vela estava apenas o osso de uma pessoa adulta e de uma criança. Isso foi uma forma de punição, pois essa procissão não era para ser vista por pessoas vivas!

Você arrisca ficar olhando alguma depois de ler isso?! #NuncaMais

Dizem que a Procissão das Almas, em Mariana, é baseada nessa lenda, e por isso os devotos que dela participam usam os mesmos trajes e aparatos descritos pela senhora que presenciou a Procissão das Almas.

O Homem do saco


Essa lenda foi algo inventado pelos pais terríveis do século passado. Pessoas que produziam traumas absurdos em suas crianças e se divertiam com isso. A lenda sofre diversas variações de acordo com a criatividade dos adultos (rsrs), mas todas as versões são terríveis.
Reza a lenda que um velho com um saco pegaria qualquer criança que estivesse sem nenhum adulto por perto. Algumas vezes quem contava essa história ia mais longe e dizia que o tal homem levava as crianças para sua casa e fazia sabonetes e botões com eles.  WTF! Sabonete! Que coisa horrível de inventar para uma criança!

Só sei que vários homens sofreram Bullying de crianças naquela época HAHAHAHAHAHAHAHA

A gangue do palhaço


Oh criatura assustadora é o palhaço né? Stephen King tem larga culpa nisso quando criou o seu Pennywise apavorante (logo teremos resenha desse livro aqui), mas a lenda é de muito antes.

Nos anos 90, um jornal de São Paulo escreveu sobre o caso de um palhaço que, nos Estados Unidos da década de 60, assassinava crianças. A história fez sucesso na cidade de Osasco, onde começaram os boatos de que um palhaço na cidade estaria roubando crianças para vender seus órgãos. As pessoas se impressionam e começam a inventar, daí as coisas mais absurdas viram lendas.

Mas não para por aí, o estado todo se alarmou com essas histórias que começou a ficar cada vez mais horripilante. Em pouco tempo, já havia se tornado uma gangue inteira de palhaços que atacava em toda a região, com uma Kombi azul, mas apenas em escolas públicas. A história tomou proporções tão grandes que ninguém mais sabia se era verdade ou apenas lenda urbana. Já notaram como escola abre margem para coisa de terror?!

Bem, tem bastante material aqui para seu subconsciente te pregar uma peça hoje a noite né? 

Então, bons sonhos...




Top 5 – Escritores de terror


TOP 5 - ESCRITORES DE TERROR

Hoje quero enumerar aqui os 5 escritores mais importantes (em minha opinião) para o gênero de terro que você não pode morrer sem conhecer ao menos uma obra.

Classificar os melhores é bem complicado, porque nem sempre agrada a todos, mas acredito que ao menos 3 nomes dessa lista que criei são unanimidade entre os fãs. Ah, também quero ressaltar que a ordem que eu vou colocar aqui não significa, necessariamente, a ordem de qualidade. Já foi difícil escolher 5 deles, delimitar uma ordem é quase impossível.

1 – Stephen King


Impossível falar de terror sem citar o nome mais conhecido no meio literário e cinematográfico. King parece ter seduzido tanto leitores quando produtores de filmes, porque suas obras são campeãs de adaptações e até quando ficam ruins... Ficam ótimas!

Mr. King tem a capacidade de nos transportar para dentro de seus horripilantes romances e nos prender por noites e noites de pesadelos. É imprescindível conhecer pelo menos 3 de suas mais de 60 obras antes de morrer. Quase obrigatório para fãs de terror.

2 – Edgar Alan Poe


Como não colocar o mestre do suspense sombrio aqui nesta lista. Poe consegue nos encantar e aterrorizar ao mesmo tempo. Seus contos serviram de base para diversas histórias, músicas, filmes e outros contos. 

Vários escritores fantásticos são crias de Poe e até mesmo uma série foi criada embasada em seus poemas.
Poe consegue ser moderno até hoje e sua forma de escrita deu origem às histórias góticas que tanto nos atrai hoje. Leitura obrigatória também.

3 – Bram Stocker


Será que preciso dizer alguma coisa? Bram Stocker nos apresentou a criatura mais terrível de toda a literatura fantástica que perpetua até hoje como um dos seres mais temidos de todos: O Conde Drácula.

A genialidade de Stocker ao criar uma criatura que se alimenta do sangue dos humanos foi tão admirada que até hoje nascem escritores seguindo seus passos. Mas enganam-se quem pensa que ele estaria feliz ao ver a modinha de vampiros bons que existem atualmente, o monstro de Bram Stocker é impiedoso, maligno e sem um pingo de sentimento.

4 – Anne Rice


Em minha opinião, Anne Rice foi a primeira a expor as criaturas mais diabólicas de Bran Stocker de uma forma diferente. Ela criou vampiros como Lastat que traziam em seu coração um completo vazio de sentimentos. Vampiros sanguinários e aproveitadores.

Mas também criou Louis, um vampiro mais racional e sentimental. Que buscava algo mais do que apenas sangue e aniquilação ao seu redor. A partir daí os escritores sentiram-se livres para criar diversos tipos de criaturas, cada um com sua particularidade. Mesmo assim, é uma das melhores escritoras desse gênero que não se limita apenas aos sugadores de sangue, mas também aos Lobos e bruxas.

5 – André Vianco


Sim. Eu não poderia terminar minha lista sem colocar ao menos um brasileiro nele. Vianco segue os passos de Bram Stocker e criou vampiros malignos em sua primeira série chamada de OS SETE.  André Vianco é um escritor brilhante que busca nos clássicos, inspiração para sua escrita moderna.

Acredito que no Brasil, nenhum outro escritor o supera no suspense e uma vez que conhecemos suas criaturas, fica difícil largar a leitura. Vianco também escreve sobre demônios e anjos, mas sem seguir modinhas, o que é ótimo, pois nenhum de seus livros se perde em romances açucarados. Esse cara tem o terror correndo nas veias e é por isso que ele fecha o meu Top 5. 

Adaptação - O Pacto (Joe Hill)

Olá, pessoal!

Lembram-se da resenha que fiz do livro O PACTO do Joe Hill (filho do Stephen King)?

Pois é, finalmente saiu o trailer da adaptação que será estrelada por Daniel Radcliffe (eterno Harry Potter) atuando como o jovem perturbado Ig Perrish que acorda um belo dia e percebe que chifres estão nascendo em sua cabeça! (leia o post AQUI para relembrar)

Eu adorei essa capa!
Joe Hill está participando das filmagens e cuidando da produção-executiva, cujo diretor é Alexandre Aja que esteve nas produções Piranha 3D e Espelhos do Medo.

O filme tem uma possível data de estreia: 31 de Dezembro nos Estados Unidos! Está pertinho. \O/


Confira o trailer:

[BOOK] - Doctor Sleep - Stephen King

The King is back with your shining boy!
O rei está de volta com seu garoto iluminado!

Sim! Eu li Dr. Sleep na língua original do Mr. King (inglês), pois não tive paciência para esperar a tradução. Isso foi imensamente bom, porque será sempre meu primeiro livro lido em inglês e vou lhes contar, isso abriu um novo leque de opções para mim!

Dr. Sleep foi um dos melhores livros que eu li do autor. Talvez por que foi na língua original e ter me feito tão bem essa experiência, mas a verdade é que a historia trás um ritmo tão alucinante e constante que fica difícil desgrudar os olhos da página.

"He had always thought the story of Bluebeard was the scariest of all time, the scariest there ever could be, but this one was worse. Because it was true." - Dan pensando sobre a história que Hallorann havia contado.
TRADUÇÃO: “Ele sempre havia pensado que a história do Barba Azul era a mais assustadora de todos os tempos, o mais assustador que jamais poderia ser, mas este foi o pior. Porque era verdade.” 

Essa obra, para quem não sabe, é a continuação do livro O ILUMINADO que deu fama ao escritor e o consagrou como o mestre do terror. Aqui, King conta a historia de Dan Torrance APÓS o Hotel Overlock trazendo consigo todos os traumas e medos do passado até a vida adulta.

Um fato interessante é que Stephen King lançou mais de 30 entre O Iluminado e sua continuação. Esse é o segundo livro dele lançado esse ano, mas o ritmo é igual e as vezes até superior.

Gostei muito do começo, onde Stephen King foi bem gentil e nos mostrou alguns momentos de Danny pequeno, passando por problemas que obviamente o perseguirão por toda vida e encontrando total suporte de sua mãe e do incrível Dick Hallorann. Essas passagens moldam o futuro do garoto inocente que quase foi consumido por sua "iluminação" até sua vida adulta que é onde se passa a historia toda.

“When the pupil is ready, the teacher will appear” – Dick Hallorann
TRADUÇÃO: “Quando o aluno etiver pronto o professor aparecerá”

O pequeno Danny, que falava com seu dedo e via fantasmas, cresceu e se tornou um alcoólatra como seu pai além de ter sua "Iluminação" quase completamente adormecida até que um dia - em um incidente que ele vai remoer por toda a vida - seus poderes voltam com força total.

Após 40 anos pensando em uma continuação, King não poderia lançar algo mediano né? Agora existem outros iluminados, o mundo está maior e existem outros vilões.

Minha Biblioteca Particular só cresce!

Dan conhece uma criança "Iluminada" chamada Abra, e começa a interagir com ela. Eu estou maluca para contar a vocês como eles se conhecem, por que é simplesmente incrível. Isso só torna a interação entre eles mais espetacular ainda, dois iluminados podem desenvolver muitas formas de se comunicar e isso enriqueceu o livro demais.

Abra é muito mais poderosa do que Daniel e isso atrai a atenção de Rose, a líder de um grupo que se auto intitula NÓ VERDADEIRO e são descritos como criaturas que se parecem um pouco com vampiros, mas ao invés de sangue se alimentam de "Luminosidade" (poder que os iluminados possuem).

Reprodução livre da líder do Nó Verdadeiro - Rose The Hat. 
Abra define bem o que eles são para Dan nessa passagem:

"They call themselves the True Knot. Most of them are old, and they really are like vampires. They look for kids like me. And like you were, I guess. Only they don’t drink blood, they breathe in the stuff that comes out when the special kids die.” She winced in disgust. “The more they hurt them before, the stronger that stuff is. They call it steam.”
TRADUÇÃO: Chamam-se Nó Verdadeiro. A maioria deles são velhos, e eles realmente são como vampiros. Eles olham para as crianças como eu e como você era, eu acho. Só que eles não bebem sangue, respiram o material que sai quando as crianças especiais morrem. "Ela fez uma careta de desgosto. “Quanto mais eles os machucam antes, mais forte o material é”. Eles chamam isso de vapor. "

O livro traz, aos montes, um dos traços que eu adoro no Stephen King que são as referencias. Ele conseguiu citar mais de 15 referências (e eu posso ter me esquecido de alguma, claro), entre elas está: Edgar Alan Poe, Oscar Wild, Sono of Anarky, Jogos Vorazes e Senhor dos Anéis.

Nossa tem mais um monte de coisas bacanas que eu poderia falar aqui, mas a resenha ficaria imensa, só deixarei aqui uma curiosidade:

O Iluminado foi escrito por um Stephen King que bebia demais, assim como seu protagonista Jack Torrance que quase destruiu sua família toda por conta disso. Já em Doctor Sleep, Stephen King está curado de seu vício e trás como protagonista Dan Torrance, um ex alcoólatra frequentador do AA que praticamente nasce novamente. Interessante né?

Por fim deixo as palavras do próprio Stephen King em seus agradecimentos, que resume bem o que é essa obra em comparação à outra:

And people change. The man who wrote Doctor Sleep is very different from the well-meaning alcoholic who wrote The Shining, but both remain interested in the same thing: telling a kickass story. - Stephen King
TRADUÇÃO: E as pessoas mudam. O homem que escreveu Doctor Sleep é muito diferente do alcoólatra bem-intencionado, que escreveu The Shining, mas ambos permanecem interessados ​​na mesma coisa: contar uma história arrasadora.


É isso aí, gente! Sinto-me super satisfeita com essa obra e para mim ela merece 5 estrelas ou melhor, 5 caveiras!




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