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[Livro] Mausoléu - Duda Falcão

Mais uma parceria BRASUCA que confirma o que venho falando há muito tempo: Nossos escritores estão arrasando cada dia mais. Essa obra, além de muito bem escrita é um deleite para os olhos, com uma das edições mais bacanas que já vi. 



Sinopse: Seja bem-vindo, leitor incauto! Eu sou O Anfitrião! Fico muito contente que você tenha chegado até aqui para conhecer a arquitetura do my master! Nesta obra sepulcral sua ótica humana será ofuscada por visões grotescas. Folheie as próximas páginas... Abra a porta e entre na cripta dos insanos. Durma na pedra fria do Mausoléu e tenha pesadelos eternos, he, he, he, he. 



Classificação
Editora: Argonautas


Trinta e seis contos de terror, que percorrem cenários diversos: cemitérios, casas assombradas, pequenos vilarejos, cavernas e por aí vai... 

Vários contos foram publicados em antologias ou coisas do tipo e agora estão reunidos nessa edição que é a coisa mais linda do mundo. Sem falar que são todos bem curtos e você fica naquela: Só mais um, só mais um, só mais um e não para nunca.

O cuidado que a editora teve foi de causar inveja. O trabalho em cada folha, desde a escolha das letras até as ilustrações nos cantos, contribuíram e muito para o aproveitamento de cada história e preciso dizer, nenhum conto me decepcionou. 


Isso mesmo. Todos são excelentes. Claro que tenho os meus preferidos. O primeiro que leva o nome do livro foi o pontapé inicial do meu deslumbre. 

MAUSOLÉU brinca com monstros e fantasmas em um cemitério. Além dele, me vi perdidamente deslumbrada com DESFILE que trás uma trupe de criaturas mitológicas e mágicas para uma pequena cidade. O desfecho desse conto é delicioso! 

Além desse, posso citar entre meus preferidos A DAMA DO ESCURO e MUSEU DO TERROR que faz referência a tantos objetos famosos da literatura fantástica e de terror que li duas vezes. 

Além da genialidade do escritor, sua admiração pelo, incrível, Edgar Allan Poe é evidente em vários contos. Alguns deles fazendo referências claras ao corvo ou ao gato preto, por exemplo. Isso para uma amante desse escritor como eu, foi de deixar sorrindo de orelha a orelha.


O que mais falar do livro? Queria ter lido mais lentamente e provavelmente, deixarei essa obra do lado da cama, para sortear um conto ou outro de vez em quando. 

O que me alegra é que o escritor acabou de lançar outra obra, chamada TREZE e já avisou que um exemplar está vindo direto para minha casa. YEAH!!!!! 

Se interessou? Fala com o escritor e encomenda o seu. Vale cada página e tenho certeza que você volta para comprar o segundo também! Em breve tem resenha!


Edgar Alan Poe - O aniversário do horror

Hoje seria aniversário de um dos escritores mais incríveis do mundo. Uma personalidade tão genial, que inspirou pessoas que hoje veneramos. Nasceu em 1809 e perpetuou a literatura gótica pelo mudo até morrer, no dia 7 de outubro de 1849, aos 40 anos.

Nenhum Halloween seria legítimo, sem mencionar alguma obra do mestre do terror gótico e quase todos os filmes de terror, possuem alguma referência, mesmo que pequena à algum conto dele.

Se você ainda não conhece nada desse brilhante escritor, devo presumir que esteve preso em uma masmorra desde o nascimento, mas não se desespere, tem um post aqui mesmo, no blog que fala um pouco dele e ainda traz um dos melhores contos do Poe: O CORVO


Mas hoje quero falar sobre dois contos, incríveis, que reli esses dias e que qualquer leitor que curte literatura de verdade, precisa conhecer:

1 - O poço e o pêndulo

Um dos contos mais angustiantes de Poe, chegou a ser adaptado para a TV, mas nem de longe, conseguiu reproduzir o terror que é ler estas poucas 10 páginas de puro horror!

A história, narrada em primeira pessoa, se passa na época, tenebrosa, da inquisição, onde o próprio prisioneiro descreve o horror de sua tortura enquanto espera a morte.

As descrições dos objetos de tortura, tais como o pêndulo que dança à sua frente, se aproximando da sua carne a cada segundo, além do martírio de estar no completo escuro, tentando descobrir o que o rodeia, e mais tarde, constatando que foi jogado em um poço são... Impressionantes.

E os ratos... Meu Deus, os ratos!

Não posso dizer muita coisa, não que fosse tirar a surpresa nem nada, mas a intenção do conto é causar angústia e essa vem aos pingos, em fiapos espessos de luz e muito medo.

É diabolicamente assustador e fácil de encontrar na internet.



2 - A máscara da morte rubra

A "Morte Rubra" devastou o país quase inteiro. Uma doença que começava com uma vermelhidão forte na pele e se alastrava para o sangue, causando diversos níveis de dor, antes de trazer o fim. Todos corriam perigo, menos o príncipe Próspero que se fechou em seu castelo, com milhares de amigos, sadios e limpos, ignorando assim o resto da população.

Beleza, vinho e segurança estavam dentro da abadia. Além de seus muros, campeava a “Morte Rubra”.

Então lá pelo quinto ou sexto mês, o tal príncipe egoísta, resolveu promover um baile, para entreter àqueles que o rodeava. Pessoas sadias da alta sociedade. Para tal baile, foram criados 7 salões que dispunham de iluminação e decoração específica e em cores diferentes para diferenciá-los:

A sala da extremidade oriental, por exemplo, fora decorada em azul, e intensamente azuis eram suas janelas. A segunda sala tinha ornamento e tapeçarias purpúreas; purpúreas eram as vidraças. A terceira fora pintada de verde, sendo também verdes as armações das janelas. A quarta havia sido decorada e iluminada de alaranjado; a quinta, de branco; a sexta, de violeta. O sétimo aposento estava completamente revestido de veludo preto..."

E neste último as janelas fugiam do padrão da mesma cor, sendo pintadas de vermelhas. Esta sala, porém, ficou vazia durante toda a festa, pois a luz que a atravessava assustava os visitantes, e também tinha o relógio...

Era neste mesmo aposento que havia, encostado à parede oeste, um gigantesco relógio de ébano, cujo pêndulo produzia um badalar tão estrondoso de hora em hora, que a Banda se acanhava e silenciava a música para o observar".

E antes de terminada a última badalada, eis que surge um convidado, tão estranho quanto a última sala, vestido de Morte Rubra. Quem ele é? O que ele quer? Que vestes são aquelas? Heresia? 

Leia o conto. É delicioso, com uma narrativa profunda. Impossível não se imaginar dentro daquelas salas!

Seus contos são facilmente encontrados em qualquer lugar pela internet e também em qualquer coletânea de horror que se prese. Busque algo sobre ele e descubra o melhor do terror, em sua essência! Aliás, só não lê Poe, quem não quer.

A magia dos contos


Nos últimos meses ando vendo o quanto as editoras estão investindo em histórias curtas. Vocês já notaram? Editoras grandes, passaram a investir pedado em antologias - algumas com temas específicos e outras nem tanto, mas uma coisa é certa: Todas estão se rendendo à famosas Short Stories! Veja só:


A Editora Rocco abriu espaço para os seguintes títulos:
1 - OS CONTOS DE BEEDLE, O BARDO - J. K. Rowling
2 - CLARICE NA CABECEIRA - Clarice na Cabeceira
3 - CONTOS DOS IRMÃOS GRIMM - Clarissa Pinkola Estés


A editora Intrínseca nos presenteou com uma obra incrível chamada O PRESENTE DO MEU GRANDE AMOR, que reuniu 12 escritores conceituados, incluindo David Levithan (Todo Dia), Holly Black (As Crônicas de Spiderwick) e a linda Holly Black (Feita de fumaça e osso).


A Editora Record foi genial na publicação de O LIVRO BRANCO, que reuniu 20 escritores para escrever contos inspirados nas músicas dos Beattles. Vai falar que não é o máximo!!!


E essa não é a primeira vez que eles fazem isso. A editora já havia publicado a antologia, chamada de COMO SE NÃO HOUVESSE AMANHàque reuniu 20 contos inspirados em músicas da Legião Urbana. #Lindo


A Editora Cia das Letras lançou o livro OS CONTOS FANTÁSTICOS DO SÉCULO XIX, selecionados pelo escritor Italo Calvino. A antologia contava com nomes importantes como: E. T. A. Hoffmann (O homem de areia), Charles Dickens (Um conto de natal), e o magnífico Edgar Allan Poe (O corvo). 

E estes são só alguns exemplos de antologias que fizeram sucesso. Daí me pergunto porque não podemos ter nossos próprios autores produzindo estas pequenas maravilhas? Pois lhes digo que já temos, quer ver?


Dragões é uma coletânea, organizada pela Editora Draco, com contos desse tema. Um deles, inclusive, foi resenhado aqui no blog – A DAMA DAS AMEIXAS da escritora Karen Álvares.


Agora, falando de Karen Álvares, eu posso citar HORROR EM GOTAS que foi lançado na Amazon. Uma coletânea de contos de terror que vão de fantásticos à pura realidade angustiante.

Tem também, os meus próprios contos, porque não! Já leram O MONSTRO NO CARRO? Está disponível na Amazon também. Tem também dois de terror: ESTÁTUAS ESTRANHAS e VISITA INDESEJÁVEL

Assim como o assustador FORA DA LUZ da Melissa de Sá e o conto lindoooo O ÚLTIMO ADEUS da Raiza Verella.

Estão vendo a quantidade de obras interessantes? Então o que você acha de dar uma chance para estas histórias curtas? Tenho certeza que vão servir como brasa em uma fogueira para seu apetite de leitura!


[Contos] Contos do dragão

Que tal encerrar o mês do Halloween e aproveitar o feriadão com uma seleção de contos incríveis e GRÁTIS?!

A Editora Draco – Nossa nova parceira - Tem uma antologia chamada: CONTOS DO DRAGÃO que reúne o melhor da ficção, ficção científica, fantasia, suspense e horror. É gênero para todos os gostos! E melhor, dá para baixar tudo separado. Você pode escolher o que te interessa. Dá só uma olhadinha no que tem disponível para você:



1 - The Schroedinger Show – Carlos Orsi: Conto curtinho com ar futurista e baseado na experiência do gato de Schoroedinger. (Aquela experiência tão falada no seriado The Big Bang Theory sabe?). Pois é, acontece que um pop star muito famoso resolve dar uma de gato com sua plateia e o resultado é bem interessante!
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2 - Charlotte Sometimes – Fábio Fernandes: Conto tão confuso quanto um sonho. Júlio é o protagonista dessa pequena obra e acorda em um lugar que não sabe bem o que é. Se sente confuso e perdido em locais que "parecem" conhecidos, mas não são. Ou são? Mas assim como sonhos, a confusão parece fazer sentido e o conto também!
Adorei o final!
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3 - Arcano XV – Ivan Mizanzuk: O que dizer desse conto sem deixar escapar um Spoiler?! Bem, primeiro: É, na verdade, um prólogo de uma obra maior e por isso serve só para intrigar!
É uma história sobre escolhas, sobre lados e sobre o bem e o mal.
Muito instigante mesmo. Fiquei curiosa!
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4 - Saltimbanco – Marcelo A. Galvão: Conto delicioso de ler. Gapo é um garoto pobre e inexperiente que acompanha um saltimbanco mais velho, em busca de aprendizado. Mas não é bem isso que ganha. Desesperado pela vida de sofrimento que vêm levando ao lado desse homem rude, Gapo encontra esperança em um objeto encontrado em um templo. Ele só queria ser engraçado...
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5 - Ninguém – Karen Alvares: Acho que já fiz resenha desse conto aqui, mas vamos lá. Como estou falando sobre os contos do dragão, esse não pode faltar - Texto HORRIPILANTE da nossa parceira sanguinária Karen Álvares. O conto dá arrepios da primeira à última palavra e causa certa ânsia quando chega ao fim. Um frio na barriga sabe? Aqui, o ponto principal é a curiosidade mórbida que todo mundo tem e onde ela pode nos levar. Sério, é horripilante mesmo.
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6 - A toca das fadas - Clara Madrigano: Conto genial. Vocês já viram fadas más? Pois é, elas existem e vivem em um buraco. O problema é quando garotos descobrem o tal buraco e resolver capturar uma fada.
A leitura é deliciosa.
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Tá esperando o que? Baixa logo os seus. Todos os contos estão disponíveis grátis em lojas como Amazon, Kobo, Livraria Cultura, Apple etc.

Fala sério, só não lê quem não quer mesmo né? =)



Dica para sobreviver ao Halloween + Presente para você

Que delícia foi nosso mês de Halloween não é mesmo?
Todo outubro é a mesma coisa: Aquela correria para programar coisas aterrorizantes para vocês, críticas e mais críticas por causa da minha determinação com o Halloween e não com nosso folclore e muitas, MUITAS visitas todo dia!

Eu adoro! 

De qualquer forma, rendeu muito: Falamos sobre trilha sonora de terror, tivemos resenhas de contos e livros do mesmo tema, falamos de capas horríveis do melhor escritor do mundo e ainda ganhamos dois contos EXCLUSIVOS de nossos parceiros.

Mas as novidades não acabaram, mas antes...

Dica de sobrevivência: Cuidado ao tirar Selfie no Halloween!!!





Assustou? Quer mais?

(Clique na imagem para baixar o conto)

  

Corre na Amazon que tem dois contos meus GRÁTIS, hoje e amanhã o dia todo. Corre! 

É meu presente de Halloween para vocês! \O/




[Conto] O Cão - Rodrigo Shepard


Seus bofes estavam quase saindo pra fora quando ele parou de correr, o coração galopava forte no peito e fazia seus olhos pulsarem nas orbitas. Atrás dele estava o cadáver, despedaçado, prensado no asfalto quente. O ônibus tinha passado por cima do animal, uma das rodas dianteiras acertou a cabeça, transformando o crânio no puzzle demoníaco, o corpo fora partido ao meio, trabalho quase cirúrgico da roda traseira do automóvel. 

Já estava acostumado a fugir dele, sempre quando deixava a correspondência na casa dos Nogueira, uma família estranha de reputação ruim no bairro, o animal avançava no portão, latindo como se não houvesse amanhã, exibindo as presas afiadas, sedentas para arrancar um pedaço de sua carne. Quase sempre ele conseguia escapar de sua casa e o perseguia, mas dessa vez, a última vez, o cachorro dos Nogueira encontrou um predador maior do que ele. Um dinossauro de aço que o esmagou no cimento numa fração de segundos.

Algumas pessoas olharam assustadas para o cadáver do animal, outras gritaram para o motorista do ônibus que seguiu caminho, sem se quer parar no farol. Paulo teve vontade de para-lo também, não para lhe agredir, mas sim para agradecê-lo de todo o coração. Aquele cachorro transformava seus dias de trabalho num verdadeiro martírio, que o fez pensar em pedir demissão inúmeras vezes. 

Contudo, agora ele podia respirar aliviado. Podia ir trabalhar no dia seguinte sem ter que se preocupar com aquele maldito animal, isso o fez abrir um sorriso largo e sincero “Bem feito, vai latir no inferno agora, seu animal burro”, pensou. 

Mas foi nesse instante que, entre os curiosos do outro lado da rua, apareceu um dos donos do animal: Ivo Nogueira, um velho cego do olho esquerdo que usava uma bengala de marfim. Ele encarou o cadáver do animal com tristeza, caminhou até ele, caiu no chão de joelhos e começou a juntar os pedaços com as mãos nuas, sem pudor algum, fazendo as pessoas ao redor gemer de nojo e se afastar, alguns carros buzinaram querendo passar. 

Paulo olhou com desprezo àquela cena, ainda sorrindo, e sentiu um calafrio mórbido percorrer sua espinha quando notou que o velho o encarava com um olhar sinistro e percebeu com espanto ainda maior que, com a boca tremula, ele proferia palavras sem emitir som algum. Isso o fez se sentir mal e já bem apavorado, deu as costas à cena e partiu. 

Já de noite, quando chegou a casa, um apartamento pequeno no subúrbio, que ele dividia apenas com a lembrança da ex-mulher, Paulo tirou o uniforme e foi tomar banho, dentro de si, ainda carregava uma sensação ruim que lhe dava um frio na barriga. A imagem do cachorro morto ainda estava fresca em sua mente, fixada como um papel de parede, mas o pior era a lembrança do olhar do velho Ivo Nogueira. Era como se o sujeito ainda estive ali, na sua frente olhando para ele, surrando algo..

As pessoas do bairro diziam que os Nogueiras faziam trabalhos espirituais e que mexiam com magia negra, coisa pesada. Ainda pensando nisso Paulo tentou jantar, serviu-se de uma lasanha de carne que ele esquentou no micro-ondas, mas parou de comer na primeira garfada. O paladar rejeitou o alimento, dizendo ao celebro que aquilo não era massa com molho e carne moída, mas sim sobras de um cachorro morto, aquecido no asfalto numa tarde de verão. 

Enojado, Paulo correu até o banheiro e vomitou. Sentia suas próprias tripas se contorcer e já sem forças, jogou-se no sofá e ligou a TV, mas acabou adormecendo ali mesmo. Na própria mente em um sono profundo, algo lhe assombrou os sonhos, era um latido bestial e ensurdecedor que o fez acordar ao pulos.

Demorou alguns minutos para se acalmar. Quando abriu os olhos a TV estava na estática, chiando como um pesadelo, e assim que Paulo fitou o relógio na parede, viu que ainda era três da madrugada. Estava suado, tremendo, e um tanto assustado, mas o cansaço o consumia, então Paulo desligou o aparelho e voltou a dormir ali mesmo, mas assim que começou a sonhar o som do latido voltou, ainda mais alto do que a primeira vez e mais forte.

Pela segunda vez naquela noite, Paulo abriu os olhos, assustado, mas dessa vez, o som não parou. Continuava forte, alto e claro, foi então que soube: era o cão dos Nogueira, renascido do inferno. Desesperado o carteiro olhou em volta a procura do animal, mas nada viu. Desconfiado revistou a casa, porém não obteve sucesso, saiu e procurou no quintal e ali percebeu que o latido brotava de outro lugar, de sua mente, nos confins de seu pensamento. 

Era algo terrível que fazia sua cabeça doer, cozinhando seus miolos dentro do crânio. Aquilo lhe tirou o sono por completo e o deixou ainda mais transtornado. . No dia seguinte não foi trabalhar, como poderia? O latido gutural que brotava de sua cabeça não dava trégua e o impedia de se concertar em qualquer coisa. Quando fechava os olhos via o velho Ivo, olhando pra ele, sussurrando palavras desconhecidas, de puro ódio e rancor. 

Além disso tudo, descobriu outra coisa: tudo o que punha na boca tinha gosto de carne crua aquecida. Paulo não podia mais comer e ao sair de casa na procura de um médico mais uma surpresa, por onde fosse tinha a estranha sensação de estar sendo seguido, até mesmo sua sombra estava estranha, às vezes curvava-se de quarto e saia correndo diante de seus olhos. 

Conforme os dias foram passando às coisas só pioravam, Paulo ouvia, enxergava e sentia coisas que só ele presenciava. Estava enlouquecendo, e emagrecendo também. Parou de ir ao trabalho e de ver as pessoas, isolou-se em casa e somente no sétimo dia depois da morte do cão dos Nogueira, encontrou a solução para seus problemas, ela estava dentro de um revolver calibre 38 que ele colocou na boca e puxou o gatilho. 

Alivio.

Depois de morto ele viu o próprio cadáver no chão da sala de casa, sentia-se estranho, podia atravessar paredes e flutuar acima do chão, no entanto não sentia frio, calor nem fome e o melhor, não ouvia mais o latido do cachorro. Saiu de casa atravessando a porta, como se fosse uma cortina de agua, perguntou-se o que viria a seguir, ao sair na rua, pois era novato nesse lance de vida-a-pôs a morte. 

Procurou em algum lugar uma escada para o céu, ou mesmo um buraco para o inferno. Sem sucesso decidiu que agora poderia passar o tempo assombrando o velho Ivo Nogueira, o desgraçado que o havia amaldiçoado. Faria isso até que o velho morresse do coração, mas quando chegou ao portão da casa dele, Paulo estancou no chão, pois viu ali um velho amigo, que esperava por ele, com um sorriso demoníaco nos lábios, babando enquanto rosnava. 

Era o cão dos Nogueira, morto, assim como ele. Paulo gemeu de pavor e fugiu quando o animal atravessou o portão, eles correram pelo ar, sem que ninguém lhes desse atenção. Assim que viu o animal atravessar um ônibus sem se machucar, o carteiro chorou e se amaldiçoou, ali estava o inferno, um ciclo vicioso que transcendeu a morte e duraria até o fim dos tempos, ligando carteiro e cachorro para todo o sempre.

Escrito por Rodrigo S. Rodrigues - 08/09/2015



[Conto] O sino da Tempestade - Carla Ceres

Hoje é um dia especial.
Nosso mês do Halloween não seria o mesmo, se a talentosa Carla Ceres não passasse por aqui. Portanto, aproveite esse conto EXCLUSIVO, escrito por ela:

O sino da Tempestade

Imagem gentilmente cedida pelo site Cardoso Sinos e Relógios

Invadir a igreja foi fácil. Meu irmão era coroinha. Surrupiou a chave da porta lateral e, à meia-noite, subimos à torre, para sabotar o sino.

Os cartuchos de pólvora ficaram na casa do Binho. Não queríamos explodir o sino. Ele era milagroso, e nós, como quase todo mundo na nossa cidadezinha, acreditávamos em seus poderes. O plano era revestir seu interior com uns travesseiros velhos, para impedi-lo de soar. Mesmo no escuro e morrendo de medo, conseguimos. Para completar, escondemos a escadinha dobrável que o padre usava para enfeitar o sino em dias de festa. Assim, mesmo que descobrissem nossa arte, não conseguiriam desfazê-la rapidamente.

Claro que a sabotagem era só a primeira parte do plano. No dia seguinte, foi a vez dos tornados. Queríamos caçar tornados no Vale da Ventania, perto da casa do Binho, o maior especialista em explosivos da oitava série. Acontece que o sino atrapalhava. Por causa do sino, não havia tornados na região, só uns redemoinhos grandões, cheios de folhas secas e poeira. Pra dizer a verdade, o último grande vendaval que se meteu a besta com o nosso sino foi o de 1978, meu pai nem era nascido. Minha avó conta que bastaram as primeiras badaladas pros ventos sossegarem.

Imagem: Wikimedia Commons

O Binho não sabia fazer uma bomba atômica. Isso estragava um pouco o nosso plano, pois todo mundo sabe que um tornado dos grandes só sossegaria se explodissem uma bomba atômica dentro dele. Tivemos que nos contentar com bombas comuns, acionadas à distância. Plantamos os explosivos no vale e ficamos de longe, esperando os tornados. Vieram dois redemoinhos. Deixamos passar. Queríamos caça maior. Veio mais um, bem sem graça. Deixamos passar. Quando chegou o quarto redemoinho, já estávamos fartos de não fazer nada e resolvemos treinar com ele. Fogo! O malandro deu uma finta e passou longe da explosão, todo prosa. Que raiva! Continuamos praticando. Fogo! Fogo! Fogo! Acertamos dois. Foi a glória.

O Binho correu pra casa e pegou dinamite. Nossa, como sentimos inveja dele! Nosso pai era presidente da câmara. Isso nem se comparava a ter um pai que trabalhava na pedreira e trazia toneladas de explosivos pra casa, pro filho brincar.

Dessa vez, ficamos bem longe, de verdade. O redemoinho que veio fez jus aos explosivos. Era grande, do tamanho de uma girafa na ponta dos pés, com o pescoço esticado. Fazia até barulho. Fogo! O estrondo foi assustador, mas apavorante mesmo foi o grito que o acompanhou, um grito humano ou quase. De onde havia surgido aquele menino? Nós não o tínhamos visto. Agora ele estava lá, caído no meio da cratera da explosão, morto. Começamos a chorar. Éramos assassinos.

Papai chegou minutos após nosso telefonema. “Não contem a ninguém o que aconteceu”, ordenou nervoso. “Olhem bem pra ele. Vocês conhecem esse menino?” Não conhecíamos. Era um menino estranho, magro, os cabelos compridos sujos de terra. Bem, ele todo estava sujo de terra, talvez por causa da explosão. E usava um colete cáqui, grande demais e uma saia longa de mulher. “Ele estava dentro do redemoinho”, meu irmão insistia em dizer, aos prantos.

“O Jonas vai saber o que fazer”, papai disse, colocando o corpo do menino na carroceria da nossa caminhonete, cobrindo-o com uma lona e saindo à toda, para o Instituto Médico Legal, onde nosso tio Jonas trabalhava. Nós, os assassinos, ficamos no Vale da Ventania, chorando.

FOTO DA TEMPESTADE DE POEIRA: 

Uma tempestade começou a se formar. O Binho se abrigou em sua casa e não nos deixou entrar. “Fora daqui, seus assassinos! Eu nem conheço vocês!”, gritou, batendo a porta. Meu irmão soluçou pelo caminho todo até chegarmos à cidade. Deixei-o em casa e fui pro IML. Eu era o mais velho, precisava assumir a culpa ou o remorso me enlouqueceria. O corpo do menino estava sobre uma das mesas de cirurgia, sozinho. Nem sinal de meu pai, meu tio ou, ao menos, uma recepcionista. A ventania da tempestade lá fora deve ter derrubado algum poste porque as luzes se apagaram. Fiquei no escuro, com o cadáver e imaginei tê-lo ouvido gemer. Fugi para a rua. O vendaval destelhava casas como se procurasse algo. Por fim, encontrou. Arrancou o telhado do IML e levou o corpo do menino para o alto, num redemoinho gigante.

Corri para a igreja. Carreguei a escadinha torre acima. Arranquei os travesseiros do sino. Uma rajada de vento trouxe o menino morto. Ele me agarrou, me olhou nos olhos e perguntou “Por quê? Nosso povo tem deixado vocês em paz”. Em vez de responder, toquei o sino. Antes de se desfazer no ar, o garoto com olhos de ventania me atirou da torre.

Um mês depois, saí do coma e descobri que me tornara um tipo de herói municipal por tocar o sino e salvar a cidade. Sobre o menino morto, ninguém fala. Só querem saber como o colete do verdureiro e a saia da vereadora Jacira foram parar na torre da igreja, com uns travesseiros muito suspeitos. O casal diz que as roupas estavam no varal. O povo não acredita. Gentinha fofoqueira!


Escrito por: Carla Ceres



[Conto + Filme] Gigante do volante - Stephen King

Livro no Skoob
Este é o segundo conto dos quatro que pertencem à obra Escuridão Total Sem Estrelas do Stephen King. 


Eu adorei esse conto e descobri esses dias que existia um filme dele (sério, o King arrasa com essas adaptações) e por isso resolvi trazer a resenha de ambos para o blog.

Gigante do volante trás o pior (melhor no caso) da escrita de King. É dinâmico, aterrorizante e chocante em medidas absurdas. Nesse quesito o filme é idêntico e, pelo menos para mim, serviu apenas para dar mais vida aos personagens e cenários porque foi exatamente como eu havia os imaginado tudo durante a leitura. 

Essa é a história de Tess uma escritora (mais uma vez escritores hein?!) que é convidada para dar uma palestra sobre seus livros em uma cidadezinha próxima. 

Tess escreve livros investigativos e já possui uma coleção de casos solucionados por quatro senhoras da Sociedade do Tricô de Willow Grove, que passam o tempo todo tricotando e discutindo sobre investigação. Sua relação com estas senhoras é quase real e divertida, já que "passa o dia com elas" há algum tempo. 

No final da palestra, Ramona, responsável pelo evento lhe indica um atalho que promete a levar mais depressa morre casa, evitando trânsito e engarrafamentos, dica que Tess aceita na hora, mas que vem a ser sua ruína. 

Então viu – tarde demais - vários pedaços de madeira espalhadas no meio da estrada. Haviam pregos enferrujados cravados em vários deles.

Após sofrer um acidente, a escritora se vê no meio do nada com um dos pneus do carro estourado, mas consegue ajuda - quase por milagre - de um homem gigante que passava por lá no exato momento.

Tess e Doreen, uma de suas senhores tricoteiras

Resumindo: Tess é estuprada, espancada e deixada para morrer em uma tubulação ali perto por esse gigante. 

Em algum lugar, pessoas escutavam música, e compravam coisas pela Internet, e tiravam cochilos, e falavam ao telefone, mas aqui havia uma mulher sendo estuprada, e ela era aquela mulher.

Mas ela não morre e volta, mais forte do que nunca para se vingar do gigante.


A história é eletrizante do começo ao fim. Dá "faniquito" na cadeira e se você é mulher, se sentirá transtornada, assim como Tess se sente do meio do conto em diante. 

O filme é igualmente apavorante. As cenas são fortes e profundas. Impossível não se colocar no lugar de Tess e torcer por sua vingança. As falas são, em alguns momentos, idênticas ao conto, mas em outros, até melhores e com mais efeito, como essa em que Tess divide suas dúvidas com uma de suas senhoras tricoteiras: 

Tess: Eu acabei de me enviar ao inferno.
Doreen: Argumento aceito. Mas porque não se certificar que o outro cara chegue lá primeiro? 

Para quem já leu o conto e vai ver o filme: Tudo que ficou gravado em sua memória aparece no filme e agora farei você surtar: 

  • O detalhe do brinco.
  • O GPS quase assombrado
  • A placa de promoção de refrigerante (arrepio)
  • O maldito furgão dos Padeiros Zumbis
  • O gigante e sua dança assustadora
  • O beliscão no mamilo (Socorro)
  • A confusão e o quanto ela se perde em pensamentos após ser atacada.
  • Etc... 
É uma obra para ser apreciada. É tensa. É realmente do Stephen King. É imperdível. 


Conto e filme: Eu recomendo.


[Lançamento] Maratona do terror: Perdidos – Juliana Skwara

Hoje quero falar sobre um lançamento muito bacana, mas antes quero ressaltar dois pontos interessantes:

Contos: Não há como explicar a satisfação que é ler um bom conto. Para quem não tem paciência de acompanhar uma obra inteira, essa é a melhor dia. Contos são mágicos. Trazem o melhor da trama de forma acelerada! Recomendo.


A escritora: Juliana Skwara é revisora e administradora do Novos Escritores que ajuda muita gente. Eu mesma já apareci por lá e a receptividade é ótima e hoje, divulga seu primeiro livro!

Dito isso, vamos a sinopse da obra:




Maratona do terror: Perdidos – Juliana Skwara

Esse livro é uma maratona de contos assustadores. Ele começa com a história de Lily, uma Estudante apaixonada por filmes de terror que faz de tudo para assistir à pré-estreia de um filme ao lado dos seus amigos em uma “Sexta-Feira 13”, conto inicial, e termina com a “A casa nº 7”, uma casa mal assombrada em que um casal tem o azar de se abrigar. Para viver essas e outras histórias aterrorizantes, não deixe de ler “Maratona do Terror: Perdidos – Contos de Arrepio!

Obs: Não leia à noite!



Ah, morri com esse aviso no final! Já quero ler! Ficou curioso também? Dá uma olhada nos links da escritora e encomende o seu:








Boa leitura!

[Tutorial] Como ler no Kindle se eu não tenho Kindle?


Você sabia que pode ler livros da Amazon sem ter um Kindle?

Sim, é possível e também muito fácil. Então como estou prestes a publicar mais um conto naquela plataforma, eu resolvi vir aqui ensinar vocês como se faz.

Quer aprender? Vem comigo:

Passo 1: A primeira coisa que você deve fazer, para ler um livro baixado da Amazon, é criar uma conta na loja. É rápido e fácil. Portanto CLIQUE AQUI e cria a sua.

Passo 2: Agora que você já tem uma conta na loja, você precisa baixar o aplicativo de leitura. Assim como o Facebook e o Twitter possuem um aplicativo para que você possa acessá-los do seu celular ou tablet, o Kindle também tem o seu.

CLIQUE AQUI. Preencha no campo disponível o mesmo e-mail que você usou para criar sua conta e logo você receberá um link especial para baixar seu aplicativo.

Você também pode ir direto para a Loja de aplicativos e procurar por Kindle. No Android é AQUI e no Iphone é AQUI.


Passo 3: Instale o aplicativo e faça o login. Para isso utilize aqueles dados que você usou para criar a conta no PASSO 1.

Passo 4: Espere sincronizar. Você vai precisar de internet para isso. O aplicativo irá procurar os livros que você já comprou lá na loja e eles aparecerão no seu dispositivo automaticamente.

DICAS IMPORTANTES


Dica 1 - Caso não tenha comprado nada ainda, a dica que posso te dar é que diariamente aparecem livros e contos GRÁTIS para download e você pode rechear seu Kindle sem pagar nada.

Dica 2 - Além disso, algumas obras são tão baratas que vale a pena pagar menos de 2 reais para ter horas de diversão em forma de leitura. Essa é a grande vantagem do livro digital sobre o livro físico.

Dica 3 - Caso você queira COMPRAR algo na Amazon, saiba que eles aceitam apenas cartões com bandeira internacional, caso contrário sua forma de pagamento não será aceita. Não é possível gerar boleto na Amazon (infelizmente).

Dica 4 - Você pode (e deve) avaliar as obras que leu, mas isso deve ser feito no site e não no celular ou tablete. Por algum motivo, as avaliações não são computadas corretamente se você fizer assim, mas infelizmente você só poderá avaliar algo lá, quando fizer uma compra. Não importa o valor (pode ser de 1,99), mas você só poderá fazer isso quando GASTAR algo lá ao menos uma vez.

Dica 5 - A avaliação não é boa apenas para o escritor que a recebe, pois a partir delas, o site vai criar as dicas que você receberá sempre que entrar na loja. Leituras que podem te agradar ficarão mais à mostra para você e isso vale muito a pena.

Dica 6 - Meu livro Kamaleon está publicado lá e você pode compra-lo por apenas R$9,50. Além disso, eu tenho um conto publicado exclusivamente na Amazon, que está no valor mínimo do site (R$1,99). Que tal começar a testar seu Kindle com ele?!




Espero que tenha gostado do tutorial e qualquer dúvida 
é só gritar que eu ajudo!




[Livro] Enshadowned - Kelly Creagh



Livro no Skoob
Vocês sabem o quanto eu amo Edgar Allan Poe? É muito, muito mesmo!

Bem, vocês imaginam então, o tamanho da minha ansiedade quando alguém resolve escrever uma obra inteira se enrolando nas obras desse escritor e criando um romance no meio disso?

Sim, é a trilogia perfeita e está sendo lançada pela nossa parceira Editora Pandorga! \O/

A resenha do primeiro volume já foi feita aqui no blog há muito tempo atrás – Leia a resenha de Nevermore – e agora eu trago a continuação dessa obra sombria e magnífica. Se preparem!

Enshadowed Começa exatamente onde o outro terminou e por isso essa resenha conterá SPOILERS para quem pretende começar a série, mesmo assim tentarei ser direta e cuidadosa.

Isobel precisa ir à Baltimore, visitar o túmulo de Poe na madrugada de seu aniversário para encontrar o admirador do escritor. Sombrio? Sim... A obra toda é assim e é encantadora por isso.

Essa é sua única chance de conseguir entrar no mundo em que Varren está preso e ela só pode contar com sua amiga Gwen que estava naquela festa no fim do livro 1 (Nevermore)!

E o que foi aquela festa?! Quem leu “A Máscara da Morte Rubra” de Edgar Allan Poe teve espasmos de alegria naquelas últimas páginas. Eu tive.

Se quiser saber sobre esse conto, veja esse vídeo aqui:


Isobel continua sendo perseguida pelas forças sombrias de seus pesadelos, mesmo acordada que farão de tudo para interferir sua busca por Varren. O livro é poético, assim como Poe e como Isobel – protagonista – não é das melhores alunas em literatura, ganhamos de brinde um guia para as obras do mestre das histórias sombrias.

As descrições e os cenários se encaixam perfeitamente nos diversos contos do escritor e quem os conhece aproveita mais da obra, tanto do primeiro volume quanto desse segundo.

O ponto negativo é a narrativa que é um pouco lenta em alguns momentos. Outra coisa que me incomoda muito é o quanto as protagonistas – aqui a Isobel – são lentas para reagir às situações. Romances sobrenaturais podem cair dessa armadilha e se não desenvolvido bem, fica chato e, muitas vezes, bobo.

Mas a ideia de unir um romance com as obras de Poe foi genial demais e faz com que os defeitinhos da trama se camuflem!

Isso não vai garantir 5 estrelas, mas ganha 4 porque tem como ficar melhor e eu gostei de ler a obra. No final é isso né? Se fez passar o tempo bem, valeu a pena!


[Conto] O Estranho - Karen Alvares

Lembra do post anterior em que falei sobre o meu conto em um concurso? AQUI.

Pois é, hoje venho trazer mais uma dica de um dos contos participantes do Concurso #Brasilemprosa que a Amazon está realizando em parceria com a Sansung. (meu concorrente e esse é de peso).

O Estranho – da escritora e parceira Karen Alvares, se parece com aqueles sonhos surreais que temos, sabe?

Lembra aquelas cenas angustiantes em que tentamos correr e não conseguimos, tentamos falar e não damos conta, tentamos andar e estamos presos, tentamos, tentamos, tentamos...

Foi o que senti lendo o conto da Karen escrito exclusivamente para o Concurso. Um conto que perturba, que deixa dúvidas e mesmo assim encanta. A escrita da autora é algo que me agrada há muito tempo e por isso o recomendo.

Só achei um pouco confuso no final, precisei ler novamente e a pedido da própria autora, com outros olhos e dessa vez pude absorver mais da pequena trama. Como já disse, recomendo a leitura e recomendo que leiam duas vezes também (rs).

Vem conferir, está saindo por apenas R$1,99 na Amazon e é bem curtinho. Compre AQUI.


[Conto] O monstro no carro – Camila B. Monteiro

Eu resolvi participar de um concurso que está rolando em parceria com a Amazon e a Sansung e para isso escrevi um conto chamado: O monstro no carro.


O concurso se chama Brasil em Prosa e vai premiar 3 escritores com presentes lindos e mais publicação fora do país. É um lindo começo para quem quer deslanchar na carreira e um incentivo ótimo para a auto publicação que a Amazon tanto promove.


Quem quiser tentar a sorte e inscrever um conto – que tem que ter no máximo 6 mil caracteres – é só entrar no site AQUI e ler as regras, mas se você é do tipo que curte ler, venha conhecer o meu conto.

Chama O monstro no carro, mas não é de terror. Esse gênero está proibido para esse concurso e só digo que mesmo assim vai mexer com suas entranhas, mas de uma forma engraçada.

Com a revisão da minha amiga Carla Ceres, meu conto já está entre os 30 mais vendidos da categoria, então isso deve significar algo né?

Confere a sinopse e baixe o seu por apenas R$1,99 lá na Amazon:

O monstro no carro conta a história de Pedro, um garoto que se viu preso dentro do seu próprio carro junto de um inseto apavorante por quase uma eternidade que durou menos de meia hora.

Abraço Caudaloso - Gregório Duvivier

Há umas três semanas, eu fui prestar um concurso publico feito pela Vunesp e na parte de Português havia um texto que me serviu como refresco em uma prova absurdamente difícil.

O texto é do Gregório Duvivier (Porta dos fundos) e se eu já gostava dele, agora passei a gostar muito mais. Li o texto, respondi as questões e finalizei a prova sorrindo. Ainda reservei uns minutinhos no final para reler o texto, porque sério, vale muito a pena! Confiram:

Abraço Caudaloso (02/02/2015 - Folha de São Paulo)

Amizade entre cronistas é um perigo: todo papo esbarra em crônica, já que toda crônica é uma espécie de papo. Foi numa conversa com o Antonio Prata, meu ex-amigo-platônico -"ex" não por não ser mais amigo mas por não ser mais platônico- que a bola começou a quicar. "Isso dá uma crônica", ele disse. Mas nenhum dos dois escreveu, por escrúpulos de estar roubando a ideia do outro. Eu, que tenho menos escrúpulos e menos ideias, resolvi escrever.

Palavras, percebemos, são pessoas. Algumas são sozinhas: Abracadabra. Eureca. Bingo. Outras são promíscuas (embora prefiram a palavra "gregária"): estão sempre cercadas de muitas outras: Que. De. Por.

Algumas palavras são casadas. A palavra caudaloso, por exemplo, tem união estável com a palavra rio -você dificilmente verá caudaloso andando por aí acompanhada de outra pessoa. O mesmo vale para frondosa, que está sempre com a árvore. Perdidamente, coitado, é um advérbio que só adverbia o adjetivo apaixonado. Nada é ledo a não ser o engano, assim como nada é crasso a não ser o erro. Ensejo é uma palavra que só serve para ser aproveitada. Algumas palavras estão numa situação pior, como calculista, que vive em constante ménage, sempre acompanhada de assassino, frio e e.

Algumas palavras dependem de outras, embora não sejam grudadas por um hífen -quando têm hífen elas não são casadas, são siamesas. Casamento acontece quando se está junto por algum mistério. Alguns dirão que é amor, outros dirão que é afinidade, carência, preguiça e outros sentimentos menos nobres (a palavra engano, por exemplo, só está com ledo por pena -sabe que ledo, essa palavra moribunda, não iria encontrar mais nada a essa altura do campeonato).

Esse é o problema do casamento entre as palavras, que por acaso é o mesmo do casamento entre pessoas. Tem sempre uma palavra que ama mais. A palavra árvore anda com várias palavras além de frondosa. O casamento é aberto, mas para um lado só. A palavra rio sai com várias outras palavras na calada da noite: grande, comprido, branco, vermelho -e caudaloso fica lá, sozinho, em casa, esperando o rio chegar, a comida esfriando no prato.

Um dia, caudaloso cansou de ser maltratado e resolveu sair com outras palavras. Esbarrou com o abraço que, por sua vez, estava farto de sair com grande, essa palavra tão gasta. O abraço caudaloso deu tão certo que ficaram perdidamente inseparáveis. Foi em Manoel de Barros. Talvez pra isso sirva a poesia, pra desfazer ledos enganos em prol de encontros mais frondosos.


Genial não é mesmo?! Quer ler mais crônicas como essa? Tem AQUI




[Conto] 1922 - Stephen King

Dia dos namorados: que lindo, que romântico, que reconfortante... Para quem está namorando. Então para mim não serve de nada e para comemorar a minha "solteirice" resolvi postar uma resenha, no estilo mais romântico que o meu escritor preferido no mundo poderia criar:

Livro no Skoob

1922 - Primeiro Conto do livro 'Escuridão total, sem estrelas (Stephen King)

O conto começa com uma confissão e daí você já imagina o que virá em seguida, se a pior coisa que poderia acontecer já veio explícita na primeira página:

Meu nome é Wilfred Leland James, e esta é minha confissão. Em Junho de 1922 eu assassinei minha esposa, Arlette Christina Winters James, e escondi seu corpo o colocando no fundo de um velho poço. Meu filho, Henry Freeman James, me ajudou neste crime, embora tivesse 14 anos, ele não foi responsável; eu o enganei para fazê-lo participar, brincando com seus medos e derrubando todas as suas objeções deveras normais por um período de dois meses. Isto é uma coisa da qual eu me arrependo mais amargamente do que o crime, por razões que este documento mostrará".

Tem como piorar? Claro que tem! Isso é King e eu não traria um conto qualquer para o meu dia dos namorados! \O/

Wilfred arquiteta um plano perfeito para se livra da esposa que o pressiona dia e noite para vender as terras que ganhou de herança. Ela quer se mudar para a cidade e ele a odeia por isso. Para tal plano, trabalha a mente de seu filho Henry e o faz odiá-la também, pois precisa de ajuda para se livrar dela.

Ela fora um problema para mim por todos os dias de nosso casamento, e era um problema mesmo agora, em nosso divórcio sangrento. Mas o que mais eu deveria estar esperando?"

Obviamente que matar uma pessoa não é tão fácil como ele havia planejado em sua cabeça. Henry também não aguenta o tranco tão bem quanto esperavam e diversas coisas começaram - desde o início - a sair dos trilhos.

Aqui vai algo que aprendi em 1922: sempre há coisas piores esperando".

Capa alternativa.
Não sei de onde é, mas andei vendo alguns exemplares assim pela internet!

Arlette não ajuda muito, talvez porque o conto é narrado por Wilfred, ela não cai nas graças de nenhum leitor e obviamente não se rende frente à morte, desencadeando um cenário de horror até mesmo antes de ser assassinada.

Tudo desanda, tudo dá errado, tudo se torna macabro demais até para Wilfred e é nesse clima que o conto segue até a última palavra de suas 155 páginas sangrentas.

Henry cresce com o peso do pior ato de sua vida e perde uma parte de sua de sua inocência bem antes da hora. Isso o faz ver o pai com outros olhos e duas pessoas que deveriam permanecer aliadas começam a enfrentar os problemas inevitáveis de um plano mal traçado

– Do que você entende? – ele perguntou com infinito desdém – Você nem mesmo pôde cortar uma garganta sem fazer uma bagunça - Eu fiquei sem palavras. Ele viu isso, e me deixou assim".

O que mais dizer desse conto... É uma típica obra do Stephen King, com todo o terror obsceno que só ele sabe construir. Os personagens são incrivelmente complexos e a atmosfera não poderia ser melhor descrita. Nas primeiras páginas já somos absorvidos pelo suspense e é impossível largar o conto até conhecer o final.

Eu prometi a mim mesmo me matar e trocar de lugar com ela no inferno se ela parasse. Mas ela não parou. Nem iria. Os mortos não param. É isso o que eu sei agora".

Chega de quotes né? É que esse conto é tão lotado de frases incríveis que eu poderia ler tudo novamente bem agora. Aliás, é o que farei...

Feliz dia dos namorados pra vocês! \O/

Um pouco de sangue começou a manchar minha meia. Isso não me perturbou, nem um pouquinho. Eu já havia visto mais sangue do que isso na vida; em 1922 houve um quarto cheio dele".

Hahahaha UAU!!!!



Pensa que ser escritor é fácil?

Você pensa que ser escritor - aqui nesse país - é fácil? Bem, se você seguir por vários caminhos traçados bem antes de você escrever sua primeira linha na vida, talvez até consiga chegar à algum lugar.

Veja bem, a primeira regra para você ser um bom escritor é tem um emprego. Você precisa trabalhar muito e acumular grana. Essa regra é imprescindível e por isso é a primeira.

Depois disso, você precisa amar a literatura, claro, porque você certamente terá que transformar isso em seu maior passatempo, já que terá pouco tempo para escrever. Afinal, você trabalha, lembra?

Saiba que nem metade das pessoas que te apoia, comprarão seu livro quando a hora chegar. Você terá que conquistar leitores novos a cada dia e isso é um trabalho árduo, mas se for feito com dedicação pode ser bastante prazeroso.

Enfim, a próxima regra é óbvia: Escreva o livro todo e o ame depois de pronto. Você precisa vibrar com o que criou e só assim conseguirá levar ele para o máximo possível de estantes pelo país. Chegue até o final, revise mais de duas vezes, arrume tudo e só depois tente publicá-lo.

Agora nessa etapa (e eu presumo aqui que você tenha conseguido uma editora tradicional), você precisará de dedicação integral para publicar e programar divulgações em todos os lugares possíveis. Se puder contar com jornais, televisão e rádio, ajuda também, mas a internet é imprescindível.

E finalmente entra a parte da grana, sabe o emprego da primeira regra? Certamente quando você pensar em divulgar seu livro vai precisar dele para promover anúncios, pagar fretes de envios de livro autografados, comprar exemplares extras para distribuir por aí etc... etc...

Acha pouco? Você precisa acreditar na sua história acima de tudo, eu acredito na minha e mesmo assim não é o suficiente. Você precisa escrever até o final e sorrir ao terminar, satisfeito.

Você precisa ter outras ideias, outras histórias, porque as pessoas vão te cobrar. Você vai precisar de mais tempo e passará a escrever também de madrugada.

Outra regra é não se melindrar com críticas, elas virão aos montes e provavelmente você ficará soterrado por um longo tempo abaixo delas. Também precisará aprender a ligar com os vários NÃOS que irá receber, de editoras, de distribuidoras, de livrarias, de leitores, de Blogs e por aí vai...


Então depois de passar por toda essa tormenta, começarão a chegar os elogios, as críticas boas, as compras, as curtidas e os novos seguidores. Estes serão fiéis e você poderá contar com ele na próxima tentativa, porque é obvio que você irá tentar de novo.

Porque publicar um livro é como ter um filho: ninguém se lembra da dor que passou dos enjoos, das críticas, dos quilos a mais... O que fica registrado em sua memória é aquela resenha positiva, aquela compra de 10 exemplares de uma vez, daquela foto linda da sua obra em uma estante desconhecida, dos inúmeros e-mails carinhosos e principalmente do orgulho de ver um pensamento seu impresso em suas mãos.

Por fim, ser escritor nesse país é trabalhoso, mas vale a pena. Eu passei - e passo - por isso tudo aí acima diariamente e tenho dois livros publicados, mais três prontinhos e em processo de revisão e um sexto sendo escrito nesse momento. Se fosse tão ruim eu já teria pulado fora, não acha?!

Quer comprar as minhas obras? Ah, por favor, ajude essa escritora vai. CLICA AQUI e corre para o meu site de vendas.

Kamaleon já está em formato digital na Amazon AQUI
E se você preferir comprar diretamente da Editora Cata-vento, tem AQUI.

Pensa que é fácil?! \o/
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