Segunda – feira fui a padaria comprar minha janta, (um lanche frio que fazem lá), mas não estava pronto então fiquei no cantinho do balcão esperando, (e provando que tudo vira post), resolvi escrever sobre minha (inicialmente) simples ida a um estabelecimento em hora de “pico” .
06h20min da tarde, em uma segunda-feira, uma pequena padaria de esquina em um bairro de classe média, próxima a uma escola estadual. Imaginem o movimento! O lanche demorou demais, ainda bem, deu para observar muita gente dentro daquele pequeno comércio.
Alguma vez você já parou para olhar ao seu redor? Não na intenção de criticar ou coisa assim, todos temos costumes diferentes e vemos o mundo de maneira particular. Cada família tem sua rotina, preferências e cada um, guarda suas vergonhas e segredos. É muito interessante isso. Por exemplo:
Um homem entrou na padaria, vestido de Jeans, jaqueta de couro, com um capacete preto cheio de adesivos agressivos e uma tatuagem enorme no pescoço, se aproximou do balcão e pediu três pães, mas olhando para o mousse. O problema (que eu imaginei) é que o doce era ROSA, e acho que ele pensou que não seria legal um MACHÃO daqueles comendo um “docinho rosinha”. Pegou o pão e se encaminhou até o balcão, dai voltou meio relutante e perguntou de que sabor era aquele doce - MORANGO.
Ele: Ah, me dá um desses, minha namorada deve gostar, não tem de outro sabor não né? Ahh acho que ela vai gostar. Muita explicação para pedir um doce (na hora era evidente o desejo, vocês tinham que ver a cara dele para o “docinho meigo”. Que bobo, pede logo e come. Nada a ver essa coisa de ROSA para meninas e AZUL para meninos. Enfim, cada um com suas neuras.
A próxima que observei foi uma senhorinha. Entrou devagarzinho, olhando tudo, pediu dois pães apenas e seguiu para o caixa com um caderninho pequeno nas mãos. O dono pegou o caderno DELA e anotou o que ela pegou e o valor na frente, então lentamente foi embora. Agora me fala, não existe isso mais. Qualquer um pode adulterar o caderninho para pagar menos, perde-lo e não saber o valor, enfim, mas analisando a senhorinha (muito velhinha) fiquei pensando como antigamente as pessoas confiavam mais nos outros. O dono da padaria não tinha porque desconfiar dela. Senti raiva de não ter nascido há 60 anos atrás.

Dai entrou uma mulher, devia ter uns 35 anos, nem gorda, nem magra. Pegou um leite desnatado, pediu o pacote de pão integral, margarina light, até ai tudo bem, todos sabemos que TODAS as mulheres no mundo sempre estão de dieta (mesmo comendo horrores) o interessante é que ela pediu uma bomba de doce de leite, ahh e quando a atendente foi embrulhar ela disse: “Não, não, vou comendo no caminho”. Será que ela tá se Auto-Sabotando na dieta ou escondendo de alguém que tava comendo um doce altamente calórico.
Esses três casos me chamaram muito a atenção. Fiquei pensando nessas pessoas e nas suas vidas quando chegassem em casa. Será que o MACHÃO tem mesmo namorada? Será que era pra ele mesmo o doce rosa? Será que ele é GAY e tem vergonha ou só ficou com vontade de comer um doce. Simples assim? Porque ele ficou tão encabulado ao pedir a guloseima? Fiquei inventando várias histórias de vida para ele. Do GAY ao namorado carinhoso.
Como será que foi a vida daquela velhinha? Será que tem seu marido ainda? Será que mora com filhos? Será que alguma vez ela já arrancou alguma folha daquele caderninho? Existem muitas possibilidades né?!
Aquela mulher, porque será que ela quis ir comendo o doce? Gulodice? Será que o marido é um chato que implica com o peso dela? Será que ela é anoréxica e vai vomitar quando chegar em casa? Será que ela está feliz da vida por ter ganhado aumento no serviço e resolveu se permitir sair da dieta para comemorar?
Estão vendo como os livros nascem? São tantas histórias saídas de apenas uma pequena espera em uma padaria. São tantas vidas, tantas possibilidades. Queria poder acompanhar essas pessoas e descobrir a realidade de cada uma delas.
Dai fiquei me perguntando se alguma pessoa ali me observou parada no canto do balcão olhando para todos e sorrindo, o que devem ter pensado de mim. Queria poder perguntar a alguém qual história esta daria a minha vida.
Isso não é divertido? Tente fazer o mesmo um dia. Vá a algum lugar e só observe durante um tempo, dai tente formar histórias para as pessoas, encaixe elas em alguma situação. A imaginação é um presente de Deus para nós. É o meu maior HOBBY, curtir a imaginação dos outros e escrever as minhas!