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Zumbis, sangue e terror no território nacional

Quando comecei o Blog Vida Complicada passei a ter algumas oportunidades que não chegavam a mim antes como leitora. Umas delas foi conhecer escritores novos, relativamente desconhecidos no cenário literário e tão talentosos quanto os famosos publicados nas grandes editoras. 

Nesse momento passei a ler homens e mulheres de todos os cantos desse país e o ultimo que apareceu por aqui foi o talentosíssimo Francis Graciotto.


Em minha singela opinião, quando um assunto entra "na moda" acaba se esgotando com rapidez. Tivemos a onda dos vampiros, depois lobisomens, daí vieram os "softporns" e logo em seguida: ZUMBIS. 

Li algumas coisas desse último tema e achei tudo muito parecido, tudo com cara de "The Walking Dead", inclusive com a mesma formação de personagens e logo desisti dessas histórias, mas caiu no meu colo essa obra: Febre Vermelha. Conheci o escritor, a edição era linda, estávamos perto do halloween e eu resolvi dar uma chance! E então...


Que viagem boa! Me fisgou da primeira à última página. Francis tem uma abordagem nova, fresca e tão nacional que parece estar acontecendo aqui do lado. Ele tem uma linha de raciocínio rápida dos fatos que levaram ao surgimento da tal febre vermelha que vai te carregando pelos capítulos com imensa naturalidade.


Mesmo com toda rapidez e fluidez os personagens são profundos e complexos - do tipo cheios de defeitos que você adora mesmo assim. Da mesma forma que inova, faz de forma primorosa tudo que uma boa história de zumbis exige. 

Conselho: Não se apaixone por personagens nessa história. tudo é muito volátil e o mundo é perigoso demais para se apoiar totalmente em um pilar só. (rs). Febre Vermelha foi meu presente de Halloween. É uma história deliciosa e ambiciosa que já rendeu outro projeto: 


Esse pequeno livro chamado Dias Febris vem com 8 contos que se passam nesse universo tomado pela febre vermelha. Totalmente independente do romance, pode ser lido antes ou depois do romance e em qualquer ordem, sem perigo de estragar qualquer experiência.


Eu não consigo encontrar defeitos nessas duas obras. Nenhunzinho mesmo. Acredito que Francis Graciotto vai longe e espero vê-lo despontando listas e indicações pelos nossos ambientes literários. O terror merece mais destaque, pois possui qualidade literária transbordando para todos os lados, assim como um grande drama ou romance clássico. 

Leiam mais nacionais. Temos escritores incríveis aqui, escondidos simplesmente pela máfia das editoras que cobram um rim por qualquer publicação. 


Encontre as Obras do autor e suas redes sociais:




[Book] The girl who loved Tom Gordon - Stephen King

I got this book from a special Friend who travels a lot. She is almost the only person on the planet that can give me a book I haven´t read yet, without asking me anything. This was one of this events. CARLA CERES, this review is for you.





Synopsis: The story follows a 9 year old girl who finds herself lost in the woods after straying from her arguing mother and brother to pee. She continues to wander around the woods for nine days, trying to find her way out.



This synopsis is so faint, so empty that I probably would never have bought this book if I did not know Stephen King as if I do. If there´s a writer who can make this poor story really incredible, that guy is Stephen King.


Trisha is a normal girl, very intelligent, but her life is boring and her family is to blame for much of it. her parents are divorced and her brother has that delightful behavior of all teenagers in such situations. He's a pain in the ass, actually.


Well, knowing this, it's not so difficult to understand why Trisha goes into the woods with her mother and brother, but she carries her CD player along and walks a little way from them. There arguments are unbearable and she just needs some peace. So she thinks: She can pee quickly and hidden, then return to the trail without major problems.


And her problems start there. 

"She was afraid of the dark even when she was at home in her room, with the glow from the streetlight on the corner falling in thought the window. She thought that if she had to spend the night out here, she would die of terror"

What child would not die of terror in such situation? Trish was not different. When she was lost in the forest, she panicked and despaired as any other child would. And everything only got worse when the night came and together the mosquitos and other insects. The dark. The noises of the woods and, of course, worst of all: Her childish imagination.

"She wished briefly that she was dead - Better to be dead than have to endure such fear, better to be dead than to be lost."
My criticism of this book has to do with what gives Trish strength to go on. That girl really loves baseball, and one particular player, Tom Gordon, who walks by her side to calm her down and give her little survival tips. Sometimes he just shows up and sits there without saying anything and it calms down her scared heart. Trish is a child and makes bargains with herself and somehow this helps her to overcome the obstacles that only grow up each day that she is lost.

"If we win, if Tom gets the save, I´ll be saved. This thought came to her suddenly - it was like a firework bursting in her head." 

Now the good part of the story ...
Thirst, hunger, fright, terror, doubts and pain all over the child’s body are not enough for Mr. Stephen King. He wants more. He wants to alienate the girl’s mind and use her own imagination as a weapon. Everything in this forest is conducive to madness. The noises of the trees, the dark, endless nights and the buzzing of insects form what she calls the "cold voice."

And this cold voice, my friends, is totally inappropriate. It appears in the worst hours as a nightmare usually does. It says terrifying things when the girl desperately needs to calm down. It’s a delightful read!!

"You know what it was, the cold voice told her. It was the thing. the special thing that´s whatching you right now." 

To be fair, this is not King's best book. But even though it contains a lot of references to baseball that left me stuck for several pages, it's one of the easiest to read. It messes with the character´s mind and with ours too. Things are palpable here as in any other work of Stephen King and that is what keeps a legion of fans eager for everything he writes.


I hope "Suma de Letras" brings this work to Brazil, because Brazilian readers deserve to know this story in a beautiful and well-made edition. 

And this is my gift to my friend Carla Ceres who has brought me this book from Europe and asked me for a good review. I hope you liked what I tried to do here, and I hope you haven´t seem my languages mistakes.

In the end of the book, King keeps trying to scare us with this explanation:

" the wood themselves are real. If you should visit then on your vacation, bring a compass, bring good maps... and try to stay on the path." 

It´s impossible not to love a book written by the master of terror.

[Livro] Belas Adormecidas - Stephen King e Owen King


Obra que me fez lembrar demais outro livro do autor: "Sob a Redoma", tanto pela trama distópica e sobrenatural quanto na quantidade de personagens. 

Sinopse: Pelo mundo todo, algo de estranho começa a acontecer quando as mulheres adormecem: elas são imediatamente envoltas em casulos. Se despertadas, se o casulo é rasgado e os corpos expostos, as mulheres se tornam bestiais, reagindo com fúria cega antes de voltar a dormir. Em poucos dias, quase cem por cento da população mundial feminina pegou no sono. Sozinhos e desesperados, os homens se dividem entre os que fariam de tudo para proteger as mulheres adormecidas e aqueles que querem aproveitar a crise para instaurar o caos. Grupos de homens formam as “Brigadas do Maçarico”,incendeiam em massa casulos, e em diversas partes do mundo guerras parecem prestes a eclodir. Mas na pequena cidade de Dooling as autoridades locais precisam lidar com o único caso de imunidade à doença do sono: Evie Black, uma mulher misteriosa com poderes inexplicáveis. Escrito por Stephen King e Owen King, Belas Adormecidas é um livro provocativo, dramático e corajoso, que aborda temas cada vez mais urgentes e relevantes.


Um livro do King que trás logo nas primeiras duas páginas uma "lista de personagens" é algo para prestar atenção. Não é brincadeira, tem divisão com títulos e tudo! Dito isso preciso ressaltar o ÚNICO ponto negativo que eu encontrei nessa trama:

É um pouco mais arrastada do que as outras obras dele. As primeiras 200 páginas é basicamente para apresentar os mais de 30 personagens ao leitor e também para inserir o problema na trama que é: As mulheres começaram a dormir e durante o sono um casulo se forma ao redor delas e elas simplesmente não acordam mais. Quando alguém tenta remover essa substância esquisita elas despertam extremamente violentas, agridem (e até matam) quem as incomodou e voltam a dormir. 

"Um ruído baixo começou a soar de dentro da garganta dela, quase um ronco. As pálpebras estavam se movendo, tremendo com o movimento dos olhos por baixo da pele. Os lábios se abriram e fecharam. Um pouco de cuspe escorreu pelo canto da boca." 

Mas a questão é que você pega essa ideia logo de cara e as coisas demoram um pouco para acontecer justamente porque o leitor ainda está perdido no meio do mar de personagens. Isso atrasou bastante a trama e deixou ainda mais evidente o que todo mundo sabe: O Stephen King enrola pra cacete! (rs)


Bem, passemos para os pontos positivos do livro que são só todos os outros milhões. Se você é fã do mestre já deve estar achando o que eu escrevi anteriormente bem redundante. Nós estamos muito acostumados com esse jeito dele e até gostamos, mesmo que isso traga um ponto negativo, ainda assim é tão bem escrito e desenvolvido que você engole as páginas mesmo assim.

Por conta dessa questão de não poderem dormir, as mulheres recorrem a todo tipo de estimulante para ficarem acordadas e isso inclui cocaína e outras drogas. Isso é angustiante. Uma delas chega a pensar que talvez seria melhor se render e dormir logo de uma vez, porque assim escaparia dos problemas que anda enfrentando acordada. #QuemNunca!

Não é um livro sanguinário. Não espere algo próximo de "O Cemitério" ou "IT". Como eu já disse ele está mais próximo de "Sob a Redoma" do que qualquer outra coisa. Há sim algumas cenas bastante pesadas e cheias de sangue, mas nada comparado ao que estamos acostumados a ler. Portanto nivele suas expectativas quanto a isso. Mesmo assim encontramos aqui referências à estupros e abusos psicológicos e sexuais, mesmo entre família. (Isso é constante nas obras dele).

"Jeanette fez o que ele mandou e, enquanto fazia, manteve o olhar na janela atrás dos ombros dele. Era uma técnica que ela começou a aprender aos onze anos, quando o padrasto a tocava, e aperfeiçoou com o falecido marido. Se encontrasse alguma coisa em que se concentrar, um ponto focal, quase dava para esquecer o corpo e fingir que estava agindo sozinho enquanto você visitava aquilo que de repente estava achando tão fascinante." 

Tramas e subtramas são muito bem desenvolvidos e da metade do livro para frente você nem consulta mais o glossário de personagens. Cada um fica absolutamente distinto do outro o que acelera a leitura.

Nosso famoso escritor preferido é conhecido pela sua critica religiosa e aqui ele faz um trabalho diferente do que andou fazendo em toda sua carreira. Ele muda o foco e aposta no "feminismo". As mulheres adormecendo e deixando para trás homens perdidos e desesperados é algo muito bem explorado. Por conta disso podemos chegar a conclusão de que um mundo só de homens simplesmente acabaria uma hora ou outra. Sem falar que a violência cresceria em números astronômicos e não para por aí...

Uma das personagens chega a dizer que se fosse ao contrário, se os homens dormissem e as mulheres ficassem acordadas, em pouco tempo eles se organizariam, dariam a luz à novos meninos (banco de espermas, sacou) e os educaria diferente. Assim o mundo continuaria... MELHOR!

Tem como ser mais feminista do que isso?

Só quero falar mais uma coisinha da trama: Em determinadas partes do livro, o leitor acompanha o "Nosso Lugar" que é o mundo paralelo em que as mulheres adormecidas estão e isso é bem bizarro e interessante. Elas começam a se organizar e a distinção entre as duas realidades começa, de fato, a se distanciar É uma obra que te coloca para pensar sobre diversos aspectos das nossas relações. Te instiga à critica feminista e mostra um lado do King que muita mulher vai adorar.

"As mulheres começaram a chamar de “lugar novo” porque não era mais Dooling, ao menos não a Dooling que elas conheciam. Mais tarde, quando começaram a perceber que poderiam ficar ali por muito tempo, começaram a chamar de Nosso Lugar. O nome pegou."

Eu estou falando muito do Stephen King e não estou citando o filho Owen que escreveu esse livro junto dele, mas é porque eu simplesmente não consegui identificá-lo. Só vi Stephen ali e isso me alegra! Teremos um substituto para quando nosso mestre partir? Quem sabe?!


Agora um pequeno elogio à editora: A suma manteve a capa original do livro e isso agradou demais os fãs brasileiros e, ainda por cima, lançou aqui no país o livro apenas 20 dias depois do lançamento lá dos Estados Unidos. Um "VIVA" para a Suma. Muito amor por vocês!


Leia, mas se você for daqueles que detestam a enrolação do King, se prepare antes.


[Livro] A maldição do cigano - Stephen King


Inicialmente lançado sob o pseudônimo de Richard Bachman em 1984, "Thinner", de Stephen King, chegou ao Brasil com o título de "A maldição do cigano" e foi adaptado para o cinema em 1996 com outro nome: "A Maldição". Enfim, apesar dessa melecada de ficar mudando o título das coisas, a Editora Suma de Letras relançou o livro que seguiu o título do filme e pronto, acabou-se as mudanças bizarras. Só acho que essa obra merecia um pouco mais de destaque entre os leitores, porque é realmente aterrorizante. 

Sinopse: Bill Halleck tinha uma vida boa e tranquila, até o dia em que atropelou uma velha cigana. Inocentado no tribunal por ter boas relações com o júri, logo descobrirá que, apesar de ter escapado da justiça americana, existem outras formas de pagar por um erro. Em pouco tempo, o obeso Halleck começa a emagrecer — seus quilos sugados vertiginosamente a cada dia que passa. Para surpresa dos médicos que o examinam, não há nada de errado fisicamente. Mas Halleck terá de encontrar uma solução – e rápido – senão, em pouco tempo, não será mais do que um feixe de ossos. 


Esse livro vem com todos os pontos positivos de Stephen King. Toda sua força maligna impressa em papel foi usada nessa história, com direito a cenas nojentas e final aterrorizante. Parece até que o livro não acabou porque não é possível não ter um "Felizes para sempre" nem de leve! 

A obra conta a história de Billy Halleck, um advogado obeso bem-sucedido que, de forma bastante imprudente, atropela uma velha cigana. O caso vai a julgamento, mas, mesmo com tudo contra, Billy é inocentado (pois é bem influente no ramo) e sai ileso do acidente. O problema é que quando ele sai do tribunal, um cigano o toca e sussurra uma maldição em seu ouvido: "Mais magro". 

A maldição é real e começa, de fato, a acontecer. 

Billy começa a emagrecer e isso pode até parecer bom no começo, mas a coisa começa a sair fora de seu controle e ele passa a correr risco de morte. Desesperado vai a vários médicos e nada funciona. A situação o força acreditar que foi mesmo amaldiçoado. 


Eu pensei em várias formas de terminar essa resenha sem dar spoilers e resolvi colocar uma sequência de tópicos para atiçar a curiosidade de vocês, portanto aí vão algumas coisinhas que existem nesse livro: 

  • Billy culpa sua esposa pelo acidente
  • O cigano não amaldiçoa apenas o advogado obesa. Todo mundo envolvido no julgamento cai em suas garras e as maldições são terríveis.
  • Existe uma "cura" para sua maldição.
  • É uma saída bem ao estilo Stephen King. 

Chega! Quando eu li esse livro, não sabia absolutamente nada sobre a história e as surpresas fizeram toda diferença pra mim. Aconselho que quem se interessar faça o mesmo. Vale muito a pena!

Ah! Feliz Halloween para todos!


[Livro] Jantar Secreto - Raphael Montes

Sabe aquele livro que te tira da realidade e te envolver em uma trama surreal, mas, de alguma forma acaba parecendo completamente possível e te arrasta na leitura? Então, esse livro é "Jantar Secreto" do queridinho do Brasil, Raphael Montes. 

Sinopse: Um grupo de jovens deixa uma pequena cidade no Paraná para viver no Rio de Janeiro. Eles alugam um apartamento em Copacabana e fazem o possível para pagar a faculdade e manter vivos seus sonhos de sucesso na capital fluminense. Mas o dinheiro está curto e o aluguel está vencido. Para sair do buraco e manter o apartamento, os amigos adotam uma estratégia heterodoxa: arrecadar fundos por meio de jantares secretos, divulgados pela internet para uma clientela exclusiva da elite carioca. No cardápio: carne humana. A partir daí, eles se envolvem numa espiral de crimes, descobrem uma rede de contrabando de corpos, matadouros clandestinos, grã-finos excêntricos e levam ao limite uma índole perversa que jamais imaginaram existir em cada um deles. 


Não é brincadeira quando eu digo "surreal". A verdade é que Raphael Montes brinca com o bizarro e se equilibra entre o medo e o hilário. Acho que ele exagera um pouco no "gore"? Sim, acho, mas também preciso admitir que esse é o diferencial dele e é muito bem usado. 

O livro começa num ritmo gostoso apresentando os 4 amigos aos poucos. Mostra a vida dura de cada um deles, as lutas de quem precisa se virar em uma cidade grande enfrenta. Fala sobre a crise e a decepção pessoal de cada um deles e por aí vai. Daí o narrador, Dante, que é um dos quatro amigos vai travando caminhos difíceis em seu emprego e mostrando como tudo anda mal até que... 

Bem, não vou estragar absolutamente nada desse livro para quem vai ler. O resumão que você pode ler nas orelhas do livro ou no Skoob é que por conta de uma dívida enorme eles resolvem servir jantares especiais para pessoas selecionadas a dedo onde servirão carne humana! 


Isso mesmo, Carne humana. Nada depois disso pode dar certo, não é mesmo? E não dá. esse é o tipo de livro que tudo só vai piorando e piorando e piorando e quando o livro está acabando você começa a ficar aliviado que vai sair daquele pesadelo e algo muito pior acontece. 

Ou seja, não tem saída nem para os protagonistas e nem para o leitor. Eu não tenho como agradecer mais o escritor por isso! É o sonho de todo leitor, engolir uma obra que te arrasta pelos cabelos até a última página e sem deixar de surpreender a cada capítulo. 


Eu recomendo esse livro para quem tem estômago forte. Como já disso, Raphael Montes abusa do bizarro e aqui estamos falando de canibalismo. Eu mesma fiquei uns dias rejeitando carne nas refeições. É uma leitura indispensável. Fico aqui imaginando que se fossemos norte-americanos, provavelmente, essa obra viraria uma série daquelas bem sangrentas.


[Conto] Desculpe, número certo - Stephen King

Sabe aquelas ligações que a gente recebe, geralmente de alguém tentando algum golpe, que tem uma pessoa gritando por socorro do outro lado da linha? 

Então, se você já recebeu alguma dessas ligações, deve entender o quanto a pessoa do outro lado pode soar familiar, ainda mais se você fica desesperado ou se já está preocupado com alguém em específico. 

Esse conto, presente no livro "Pesadelos e paisagens noturnas 2" é sobre isso. Esse sentimento desesperador de não saber quem poderia ter entrado em contato naquela ligação assustadora cheia de suspiros e soluços. 

Katie recebe uma ligação de uma mulher soluçando e pedindo coisas que ela não entende direito. Ela fica tão transtornada que começa a entrar em contato com um monte de gente. Diante dessa crescente preocupação, seu marido Bill resolve ajudá-la. 

O final é uma maravilha! Estamos falando de Stephen King, então encare "maravilha" da forma que você quiser! (rs)

Fui reler esse conto depois de ver um post do Stephen King Kingdom que falava sobre a adaptação dessa história em um dos episódios da série "Tales from the Darkside" a qual ficou no ar durante os anos 80 e 90 e adaptou vários contos de diversos autores do terror moderno, entre eles, Clive Barker. 


De qualquer forma vale a pena ler, apesar do formato bem diferente do que estamos acostumados. Aqui Stephen King escreve como se fosse um roteiro. É bem visual, mas não é meu estilo preferido, mas o que eu estou reclamando aqui? É do King, então merece ser lido!



[Conto] SUBARASHII - Rodrigo Rodrigues

Você acredita no bicho papão? 
Bem, você deveria, pois ele é real assim como nós... Faz dez anos desde que eu o vi e mesmo depois de tanto tempo não consigo esquecer aquele rosto infernal com olhos amarelos que assombram as minhas noites de insônia.



Meu nome é Cesar, tenho 42 anos, vivo aqui nesse asilo para loucos insanos no meio de porra nenhuma. Escrevo esse texto com giz de cera no verso de um jornal velho, como uma confissão e um aviso. Minha desgraça veio quando Ana, minha esposa, retornou para casa depois de uma cirurgia no apêndice. Tudo parecia normal, mas hoje vejo como fui idiota. 

Meu filho, Lu, foi quem me alertou: “Papai, a mamãe não é mamãe, isso daí se parece com ela, mas só parece”. Eu ignorei o aviso, afinal o garoto tinha uma imaginação fértil como qualquer outro de seis anos, mas hoje penso que se eu tivesse prestado atenção, ele ainda poderia estar vivo...


Eu havia notado algumas diferenças em Ana, mas por algum motivo ignorei, hoje acredito que a coisa fez algo com a minha cabeça. Ana havia voltado com uma fome voraz, principalmente por carne vermelha. Certa vez a peguei comendo carne crua e quando ela me viu, lambeu o sangue dos lábios e me beijou antes que eu dissesse algo. 

Aquele beijo foi esquisito e me deixou sem ação. Hoje tenho certeza que a coisa me hipnotizou, como um predador diante da presa. O apetite de Ana ia além da fome por comida, ela estava louca por sexo! Fazíamos quase todos os dias, de manhã, à tarde, à noite e de madrugada. Cheguei a um ponto onde eu não aguentava mais e fugia dela matando tempo no trabalho e na rua... Deus! Hoje sei que aquilo com quem eu estava transando não era minha esposa, não era sequer humano.

Tudo teve fim um mês depois em uma madrugada de sábado, eu estava dormindo quando escutei um grito. Acordei assustado, olhei para o lado e a cama estava vazia. Calcei os chinelos e fui rumo ao quarto do Lu. Assim que sai no corredor quase vomitei, o ar estava tomado por um cheiro forte de podridão nauseante que mais parecia bosta de cavalo batida com leite azedo, algo difícil de esquecer. 

Segui caminhando com o coração aos pulos debaixo do peito sem saber o que diabos estava acontecendo, e quando parei na porta do quarto do meu filho, fui tomado de pavor e desespero.


O ambiente estava escuro, mas a luz da lua que vinha da janela aberta iluminava o suficiente. No chão estava o cadáver de Lu, a cabeça dele estava torcida para trás e seus olhos vidrados no vazio mórbido me encaravam. O corpo estava com a barriga aberta e sobre ele uma criatura se alimentava sugando as vísceras como se fossem macarrão ao molho italiano. 

A coisa era grande, magra e velha, sua pele era cinza e de aspecto doente, o crânio murcho era alongado para trás e mais parecia uma genitália enrugada. O maxilar da criatura era grande e cheio de dentes pontudos semelhantes a estacas de aço. Olhei em volta e o quarto estava tomado por casulos pulsantes que emanavam calor, entre eles estava o cadáver de Ana que parecia uma roupa velha jogada de lado. 


Desesperado comecei a gritar e então a coisa parou de comer e olhou para mim. Seus olhos eram amarelos e brilhavam na escuridão como vagalumes, de repente ela abriu a boca e berrou: “SUUUUUBA-RA-SHIIIIIII!”. 

Confuso e apavorado sai correndo para o corredor, tropecei e desmaiei no chão. Quando acordei estava cercado de policiais que não acreditaram na minha história. O resto você consegue imaginar. Eles acharam os corpos, mas não viram nenhum casulo, muito menos a criatura.

E as vezes quando almoço ao lado de Napoleão e Mussolini, penso que talvez eu não passe de um louco assassino como todos dizem, mas eu sei o que eu vi naquela noite. Também sei que os casulos estavam cheios de crias da criatura, teriam elas o meu rosto? Espero jamais descobrir.

Escrito por Rodrigo Rodrigues – 21/10/2018.


Você já o conhece. Tem resenha do livro dele "O Pistoleiro da Meia-noite" aqui no blog. E se você se interessou e quer saber mais sobre o autor aqui estão todas suas redes e links para comprar seu livro:



Instagran 


[Conto] O vampiro - John Polidori

Em 1816, uma tempestade isolou 6 pessoas em um casarão. Entediados resolveram escrever histórias de terror para ler mais tarde em frente a lareira. A brincadeira logo foi deixada de lado, mas dessa noite nasceu o famoso livro "Frankenstein" escrito pela Mary Shelly. Como se já não bastasse, John Polidori também não abandonou por completo seu projeto e o terminou logo em seguida.


Assim nascia o primeiro relato escrito na língua inglesa que falava sobre Vampiros. Esse conto se tornou tão importante que serviu de base para a criação dos livros mais conhecidos do mundo dentro dessa temática.

  • Drácula de Bram Stoker (1897)
  • Entrevista com o vampiro de Anne Rice (976)

Levanta a mão quem queria estar nesse casarão \O/

Resumo simplificado: Aubrey, um jovem inglês conhece um homem bastante peculiar chamado Lord Ruthven, os dois acabam se aproximando e saem juntos em uma viagem. Durante esse período ocorre um pequeno desentendimento entre eles e Aubrey parte para Grécia sozinho, deixando seu amigo para trás. 

Lá, Aubrey conhece Ianthe e eles se apaixonam. É ela que conta a Aubrey sobre uma lenda local bastante bizarra que fala sobre mortos-vivos que sugam o sangue de pessoas para saciar sua fome, chamadas de vampiros. Ele parece não dar muita importância para a história, mas fica um pouco impressionado. 
Nesse meio tempo, Lord Ruthven chega a Grécia a procura de seu amigo. Reencontrando-o, ele conhece Ianthe também, a quem parece lhe ter muita simpatia. Tudo corria bem, até que Ianthe é encontrada morta em circunstâncias bem estranhas. Daí em diante Aubrey começa a seafundar em mistérios sobrenaturais que o acompanharão por muitos anos. 


É um conto delicioso, muito bem escrito e curtinho. Vale a pena pela sua descrição primorosa e por sua importância histórica.


[Livro + Filme] Christine - Stephen King

Essa é uma história sobrenatural de um carro assombrado, contado pelo melhor amigo de Arnie, seu nome é Dennis. É através de seus olhos que conhecemos Christine e, assim como ele, notamos logo de cara como a história toda já começa errada.

Sinopse: Arnie Cunnigham era um perdedor. Rosto coberto de espinhas, desajeitado com as garotas, magro demais, passava os dias pelos corredores da escola, tentando fugir da gozação dos colegas. Isso até Christine entrar em sua vida. Amor à primeira vista. A partir desse dia, o mundo ganha novo sentido. Tudo o que Arnie quer é estar junto de Christine. Mas não espere um novo Romeu e Julieta, tratando-se da mente assombrosa de Stephen King. Christine é um carro. Um Plymouth Fury 1958. Um feitiço sobre rodas que se apodera de Arnie e faz dele alguém diferente. Há algo poderosamente maligno solto pelas estradas de Libertyville. Uma força sobrenatural que vai deixando seu rastro de sangue por onde passa. 

A história é fantástica. Não quero entregar muitos detalhes para quem não leu, mas basta saber que Arnie vê Christine, na casa de seu ex-dono, caindo aos pedaços e fica alucinado por ela, ao ponto de pagar muito mais do que ela vale, mesmo com os protestos de seu amigo. É como se ele estivesse enfeitiçado. 



A partir daí as coisas vão ladeira abaixo em uma velocidade incrível. A família de Arnie fica "fula" da vida com a aquisição. Dennis começa a não reconhecer seu amigo por conta da mudança repentina de comportamento e por isso começa a investigar qual é a história desse carro velho que lhe causa arrepios. 

Antes e depois de Arnie
 
Olha, nesse livro tem de tudo: Carro que anda sozinho, atropelamentos bizarros (narrados com tantos detalhes que dá nó no estômago), cenas de tensão para quem pega carona com Arnie, pessoas vivas vendo mortas andando em Christine por aí e uma das cenas mais angustiantes que já li: 

Quando a namorada de Arnie engasga dentro do carro. Essa cena é de tirar o fôlego no livro. No filme ficou mais leve, mas mesmo assim dá um desespero! Dá uma olhadinha nela: 


Acreditem, a leitura é bem pior do que essa cena. Leigh, a namorada, se torna parceira de Dennis na luta contra Christine e o desenrolar é alucinante. 

O ponto negativo do livro: A parte realmente alucinante como eu estou dizendo até aqui só começa da metade para frente. É um livro de 600 páginas e nas primeiras 300 acompanhamos a amizade entre Arnie e Dennis, a mudança de Arnie e todo o desenvolvimento do carro, se revelando aos pouquinhos. 


Mas na segunda metade é que tudo acontece. Os assassinatos, as pessoas realmente entendendo o que está acontecendo e o melhor: o motivo para Christine ser como é que, diga-se de passagem, é diferente do motivo do filme e também sua primeira cena. 

Gostei muito do livro apesar disso, quem lê muito Stephen King já está acostumado com essa "enrolação". Ele dá todo o panorama da cidade e das pessoas antes de entrar fundo na história. Achei exagerado, mas nada de se jogar fora pela genialidade da escrita. 

 

Quanto ao filme: Os livros do King foram muito adaptados nos anos 80/90 e possuem (TODOS) um ponto negativo e um positivo: 

Negativo: é fraco em produção, com atores bastante despreparados e algumas mudanças importantes que alteram os finais das obras. 

Positivo: Mesmo com a mudança, as cenas mais impactantes dos livros estão lá e com as mesmas falas escritas por King. Isso é delicioso para o leitor. 

Em Christine, escrito em 83 e adaptado em 84 é tudo muito fiel. As melhores cenas estão presentes e algumas falas icônicas também. As mudanças e adaptações não fazem diferença na história e, apesar do final ser diferente, a diversão é garantida. 

Não é à toa que virou um clássico!


Biografia Express: Edgar Allan Poe

Quero contar um pouco sobre a vida de um dos maiores (se não o maior) escritor de terror do mundo: Edgar Allan Poe. Será bem "express", mas será bem elucidativo quanto ao teor de tudo que ele escreveu durante sua vida. 

Antes de tudo: Eu sei que existem biografias controversas quanto a vida desse escritor tão importante, acredito mesmo que esta que estou publicando pode contar algumas informações não verificadas, mas uma coisa é inegável: A vida desastrosa dele contribuiu - e muito - para a criação da sua obra e isso está presente em TODAS as biografias já lançadas.


A vida imita arte ou a arte imita a vida? 


Edgar amou, ainda muito jovem. Ela, Helena, uma mulher mais velha recebeu o primeiro poema escrito por ele na vida e acabou correspondendo a essa paixão. O poema se chamava "Para Helena". 

Infelizmente Helena acabou falecendo e essa foi a primeira vez que Edgar entrava em contato com a morte. Logo depois, perdeu a mãe também a logo em seguida, foi adotado. 

A morte o visitou novamente e levou sua mãe adotiva, deixando para trás um pai adotivo que não gostava muito dele. Mas Edgar era brilhante e por isso foi para faculdade. Lá, se apaixonou novamente e foi correspondido, novamente. 

Mr. Poe, seu garanhão! 

Nessa época, por conta da recusa de seu padrasto em aceitá-lo como filho, vivia endividado e essa constante dificuldade o levou a beber. Beber muito. Sua má fama se alastrou e os pais de sua amada, revoltados com essa má influência, deram um jeito de acabar com o romance. 

Edgar foi obrigado a voltar para casa por conta de suas dívidas. Falido e com o coração partido, viu-se mais uma vez rechaçado pelo pai adotivo e sem rumo, alistou-se no exército. Esse período serviu de inspiração para ele escrever "O Escaravelho de ouro" anos depois. 

Nessa época, Poe tentou (inutilmente) uma reconciliação com o pai de criação e conseguiu dele apenas uma amarga e breve carta de recomendação. Munido de várias outras cartas mais calorosas de seus superiores, partiu para Washington, onde morou a maior parte do tempo em Baltimore. 

Recebia de seu pai, pequenas somas de dinheiro que mal o sustentava e foi nesse período que Poe foi roubado por um primo e precisou pedir abrigo à uma tia, chamada Maria Clemm (irmã de seu pai). Lá reencontrou seu irmão e conheceu uma prima, Virgínia Clemm que mais tarde seria sua esposa. 

Nesse período tentou se fazer mais conhecido como escritor e produziu o manuscrito "Al Aaraaf". Entre idas e vindas, voltou para Baltimore, mais ou menos na época em que seu irmão morreu. Vivendo em extrema pobreza, escreveu seu único drama chamado "Policiando". 

Nessa época também recebeu seu primeiro prêmio (50 dólares) em dinheiro pelo conto "Manuscrito encontrado numa garrafa" o que lhe alavancou a carreira. 

Poe perdeu seu cargo por causa da bebida. Voltou para Baltimore, casou com sua prima Virgínia Clemm e depois de implorar por outra chance, conseguiu o emprego novamente. De volta ao cargo, cresceu como crítico literário e publicou diversos contos que o tornou ainda mais conhecido. 

Então. Mais uma vez com problemas alcoólicos, Poe - que não servia para receber ordens - perdeu o emprego. Mudou pra Nova York e depois para Filadélfia. Ali trabalhou como editor de uma revista e investiu em seus contos. Foi nessa época que apareceu o famoso conto "A queda da casa de Usher". 


Cresceu e tornou-se sócio da revista. Escreveu "Os crimes da rua Morgue" e "Escaravelho de ouro". O problema foi, novamente, a bebida, que o fez perder o emprego. Junto disso, sua esposa estava tuberculosa e Põe se entregou ainda mais ao álcool. 

Novamente miserável, voltou para Nova York e foi morar em um abrigo e escreveu "A Balela do Balão". Mas sua esposa estava com a saúde muito debilitada, então Poe resolveu mudar para o campo e lá escreveu o tão famoso "O corvo". Este foi um pequeno período de tranquilidade para ele. 

Em 1847, sua esposa morreu e Poe demorou a se recuperar. Foi com a ajuda de Maria Clemm que ele se reergueu e escreveu "Eureka", mas a bebida estava cada vez mais presente em sua vida. 

O fim da sua vida foi marcado pela publicação dos seus poemas mais famosos: "Os Sinos", "Annabel Lee" e outros. Apaixonou-se novamente, mas o álcool o acompanhava sempre é no dia 7 de outubro de 1849, morreu entre delírios. 

"Please, Lord, help my poor soul!". 

Morreu, miserável e tragicamente, assim como viveu a vida toda. Dá para entender como seus contos e poemas são regados com muito amor e morte, né? Poe foi brilhante, mas não teve força suficiente para deixar o álcool. 


[Filme] A Autópsia

Uma produção até que simples com uns três cenários, contando com no máximo 5 atores que mais aparecem dos quais ficamos o tempo todo apenas com três, o filme "A Autópsia" consegue construir um clima tão tenso que arrepia até os mais experientes no gênero.





Sinopse: O corpo maltratado de uma mulher não identificada é descoberto em uma pequena vila na Virgínia e eventos inexplicáveis começam a atormentar os donos do necrotério e os responsáveis por fazer a autópsia no cadáver.



Eu não esperava tamanho "climão". Na verdade fui preparada para um grande clichê e levei uns bons sustos. Tudo começa com a descoberta de um corpo, em uma pequena cidade, de uma mulher não identificada. Ela é levada para um daqueles necrotérios que ficam na própria casa dos legistas, sabe. Antigamente isso existia.

Eu sei, bizarro, mas existia! 

Pai e filho se encarregam do trabalho no fim da tarde e quando eles começam a autópsia é que as coisas começam a pegar fogo... Literalmente.


Brincadeira, esse fogo tem um motivo específico que eu não vou contar pra não perder o susto.

Os atores são absurdamente ótimos em seus papeis. O pai, interpretado por Brian Cox está ensinando o ofício ao filho, que é vivido por Emile Hirsch. 


Uma das cenas mais legais é quando o filho mostra o necrotério para sua namorada, bem no começo do filme, e ela pede para ver um dos mortos. 

Quem não faria isso?!!!

Ao abrir uma das gavetas ela vê isso:



Daí pergunta: Para que esse sininho no pé do cadáver?
O pai responde: Para termos certeza de que eles estão mesmo mortos!


OK! Só digo que esse sininho dá o que falar no filme!

Preciso ressaltar um pouco sobre a atriz que faz a Jane Doe. Para quem não sabe Jane Doe é algo como "Maria ninguém" aqui para nós, porque ninguém sabe quem ela é e como foi parar ali. 

A atriz que dá vida (ou não) à essa personagem é a belíssima Olwen Kelly que consegue ficar assustadoramente parada o filme todo e parece morta mesmo. Eu fiquei chocada com aquilo!


E não é só de sustos que vive esse filme. O mistério em torno da Jane Dou é bem interessante também. Como ela foi morta, como foi encontrada e a forma com que seu corpo reagiu (ou continua reagindo) à violência em torno da sua morte nos deixa preso na trama. 


É realmente um suspense da pesada. Fazia muito tempo que eu não via um filme tão bom e tão pouco apelativo quanto esse. Recomendo, mas só para os mais corajosos. Ah, e assistam de dia, por viadas dúvidas!

Veja o trailer:




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