A americanização dos nacionais

Há quem não se importe muito, mas se eu escolho um livro brasileiro para ler, espero não encontrar nenhum Jhon ou Mary na trama. Me alegro quando consigo me encontrar naquela história e quando os personagens possuem características que são mais "comuns" para mim, porque somos conterrâneos.

Sim, me irrita ler uma obra nacional completamente americanizada pelo autor. E posso apontar diversos problemas que fazem uma história assumir esse perfil. Um leitor mais atento percebe, logo de cara, quando isso vai acontecer e acreditem: Isso é o suficiente para que uma estrela de classificação seja tirada.

Posso enumeras os exemplos para ficar mais claro. Quer ver só:


1 - Nomes: Porque, em nome de GOD, os personagens precisam ter nomes como: Steven, Catherine, Jason, Emma... Qual o problema com nossos nomes? Não é uma história nacional? Então porque não nomear os personagens com Pedro, Marcelo, Aline, Juliana etc... Salvo em uma história de fantasia, onde tudo se passa em mundos alternativos ou coisa do tipo, usar nomes "diferentes" é totalmente permitido, mas eu disse diferente e não americano.


2 - Locais: Qual o motivo da história - escrita por um brasileiro - se passar em Nova York? São Paulo não é grande o bastante? Não é completo o bastante? Ou o motivo é que não possui o glamour que podemos conferir nos filmes? Quer um exemplo positivo disso: André Vianco. O cara ambienta todas as suas histórias em Osasco ou Porto Alegre e é incrível se encontrar nos cenários. Stephen King escreve como se tudo acontecesse no Maine - estado que me mora - e o pessoal de lá vibra por isso. Por que não podemos fazer isso aqui? Já pensou criar uma história que se passa na cidade em que você mora, com referências reais e tal? Não seria incrível? Pensem nisso, por favor...


3 - Comidas: Não estou dizendo que é impossível, mas me diga se é normal uma família comer bacon com ovos mexidos e panquecas com milk shake logo cedo? É normal isso? Vamos combinar que brasileiro está mais para um pão com manteiga e um café com leite. Fala sério. Qual o problema em ser um pouco mais fiel à nossa realidade? É até divertido - pelo menos para mim - quando um personagem compra uma coxinha de frango no mercado ao invés de pedir um waffle! 


4 - Copos vermelhos em festas - NÃO!!! Nos mercados se vendem copos brancos ou transparentes. Não é impossível comprar os vermelhos (ou azuis) eu mesma já comprei, mas os vermelhos são como um símbolo americano de festas. Todo jovem que se preza - lá - já esperou os pais sair de casa para comprar aqueles barris de chope e distribuir copos vermelhos para os convidados em seus gramados. Nós nem temos gramados aqui quase! Vivemos presos dentro de muros e grades... Fala sério!


5 - Armários em escolas - Essa eu morro de rir. Eu sei que em muitas escolas particulares existem armários para que os alunos guardem seus materiais. Eles ficam em corredores também, mas alguém aqui já estudou em uma escola estadual? Se tivesse armários, certamente não teriam as portas (hahahahaha). Só digo que se o escritor quer mesmo impressionar e conquistar os leitores, seria legal se ele se aproximasse um pouco mais da realidade em que a massa vive. Eu mesma nunca vi esses armários nos corredores em toda a minha vida de estudante. Sei que existem porque me falaram, mas não faz parte da minha realidade, assim como não faz na da maioria dos alunos de classe media ou baixa que estudaram a vida toda em instituições publicas. Pense nisso, isso é só uma dica de uma leitora mais exigente.

Eu pensei em citar algumas obras que "escorregaram" em cada um desses itens listados acima, mas no fim desisti. Não preciso fazer isso, sei que, mesmo os que não concordarem comigo agora, irão se lembrar desse post mais para frente e reconhecer as tais obras. Sei também que nada disso é uma regra, tenho amigas com costumes bem diferentes dos meus, que comem waffle com mel no café da manhã. 

A cultura americana está aí para ser aproveitada e eu gosto muito dela. Vivo dentro dela o tempo todo, mas acho que o escritor precisa olhar ao redor de si próprio e criar personagens mais palpáveis para os seus leitores. Ou será que a ideia é ser só mais um no meio desse mar de livros? 

Aqui, me parece que ser o diferente é ser um pouco mais normal, não acham?

9 comentários

  1. Oi Camila,eu também penso assim como você,um dia comecei a ler um livro de escritor brasileiro,a historia se passava no nordeste e os personagens tinham nomes americanos,larguei o livro rsrsrs,se é para ler uma obra americanizada prefiro ler de escritores estrangeiros.Bjss.

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  2. Oi Camila!
    Não é algo que chega a me irritar profundamente se encontro esse tipo de coisa em livros nacionais, mas também acho bobagem. Ora! Se a história se passa aqui, que seja aqui. Que assuma suas origens.
    Bem lembrado sobre o King. Ele sempre diz que escreve sobre o Maine porque conhece muito bem o lugar e as pessoas. Isso faz toda a diferença na ambientarão da história (muito mais do que transportar para as páginas caracteristicas que conhecemos apenas de filmes e series de TV).
    Beijos,
    alemdacontracapa.blogspot.com

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  3. Olá, Camila.
    Tenho que concordar com você: a americanização dos nossos livros é constante. Para variar, basicamente é o brasileiro não valorizando o que é nosso.

    Desbravador de Mundos - Participe do top comentarista de reinauguração. Serão quatro vencedores!

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  4. Adorei esse post, Camila. Os copos vermelhos me surpreenderam. Nunca havia reparado neles. Mandou bem. Beijos!

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  5. oi, oi.

    eu tbm gosto muito da cultura americana, tanto é que a maioria das músicas que eu ouço são gringas. mas, eu não concordo muito com a "americanização". poxa! no português nós temos tantas palavras/nomes bonitos, e o brasileiro é criativo, né? é só usar a imaginação pra inovar. ;)

    bjs!
    Não me venha com desculpas

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  6. kkkk gostei do post kkkk mas confesso que ainda tenho um certo preconceito com literatura brasileira.
    Bj e fk c Deus.
    Nana
    http://procurandoamigosvirtuais.blogspot.com

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  7. Oi Cah,

    Entendo bem o seu ponto de vista e concordo em muitas coisas. Mas acho que se a historia for bem construída e ambientada, até que nao vejo muito problema. Acho que essa opcao que muitos autores br tomam em contar historias em outros paises se dá pela bagagem literária deles. Muitos nunca leram se quer um livro nacional, posso julgar que entendem menos da propria cultura brasileira do que do pais que escreve. É uma pena isso acontecer, mas como disse no comeco, se a historia for bem escrita, por que nao?
    Mas na outra ponta temos a desvalorização da nossa cultura que concordo plenamente com você. Por que as historias nao podem acontecer no nosso pais, estado, cidade ou bairro? Com Marias, Joãos?
    Muito pertinente esse seu post para refletirmos melhor sobre que tipo de literatura nacional estamos construindo.
    Beijos

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  8. Mesmo sendo americanizada eu continuo amando histórias assim.
    Post it & Livros

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  9. Oi Camila,

    A triste verdade disso é que autores internacionais vendem mais que nacionais e os autores para chegarem perto disso criam seus livros com aura de estrangeiro. Já reparou no tanto de pseudônimo estrangeiro? Às vezes você compra e só depois descobre que o autor é nacional.

    É triste, mas nas compras de livros a maioria é de fora. Não acho legal, mas entendo que pra vender eles tão dando o que a gente mais compra. O engraçado disso é que eles consomem mais livros de autores americanos do que estrangeiros e nós aqui somos o contrário.

    Bjs, @dnisin
    www.sejacult.com.br

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