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O lado sombrio da Arte

Chiharu Shiota é uma artista Japonesa que hoje vive em Berlin. Suas obras são muito interessantes e sempre me atraiu demais por trazer esse ar sombrio e meio solitário.


Eu já conhecia algumas de suas obras, mas esses dias a Artista Amanda Palmer postou em seu Tumbler essa imagem que me inspirou bastante:

'Silence'

Todo o som que vem da alma se foi, ficaram apenas as lembranças.
Toda a magia da música foi gasta em uma noite apenas.
Tão intensa, tão melodiosa, tão finita.
O ar permaneceu estagnado, com aquele fio de uma lembrança agora silenciosa.
Dias, anos, eras se passaram e o som não voltou.
Ficaram apenas os barulhos incompreensíveis que tornaram o silêncio algo melhor.
Agora nem a imagem fala mais.
Ficou presa pelo silêncio.

Então, eu trouxe outras obras para vocês. Se inspirem também!






Conheça mais obras da Chiharu Shiota AQUI.


Sim, eu vejo beleza no que é sombrio! \O/




Tim Burton / O sombrio te atrai?

Hoje é aniversário de um dos cineastas mais geniais da atualidade: Tim Burton
E por esse motivo resolvi trazer de volta um dos textos que fiz homenageando essa personalidade, porque acho que existe muito dele a ser explorado ainda.


Timothy Walter Burton ou "Tim" Burton é um cineasta norte-americano que acaba de completar 56 anos de idade (apenas 2 dias depois de mim – Somo quase almas gêmeas rsrsrs).

Sua maior característica é se dedicar ao sombrio, ao lado B das coisas encontrando a beleza onde as pessoas só enxergam a morte ou degradação. A visão de Tim Burton é apurada para esse tipo de quadro que vem muitas vezes nas formas mais infantis possíveis.


Suas histórias seriam uma espécie de filme de terror para criança e um deleite para os amantes do sombrio. Então lá vai o texto!


É possível ver beleza no sombrio?


Eu gosto do cinza, do escuro, da sombra, das tempestades, do suspense, do quieto, do enigmático.
Filmes mórbidos me atraem, paisagens também. Não sou gótica, muito menos "Emo", mas vejo beleza dessa forma também.

Desenho feito pelo diretor Tim Burton
Minha inspiração é um diretor de cinema muito famoso chamado Tim Burton, que já de cara não é nada convencional. Toda sua vida esse excêntrico homem buscou mostrar que a beleza tem um lado mórbido também e nem por isso deixa de ser encantadora.

Tim Burton
Muitas de suas obras se passam em paisagens que causam repulsa nas pessoas, principalmente aos mais conservadores e parece ser esse o objetivo dele. Sempre buscando mostrar o lado alternativo (chamado de lado B), Tim Burton nos presenteia com versões artísticas de contos de fada com seu sutil toque mórbido.

Como não se apaixonar por uma noiva romântica mesmo esta sendo um cadáver?


Como não amar Edward mesmo que ele tenha mãos de tesoura...


E como ignorar o mundo maravilhoso dos sonhos (ou realidade) de Alice, quando estava no país das maravilhas?


Ali na esquina tem um barbeiro malévolo, assassino chamado Sweeney Todd, mas que na realidade é um homem que sofre, encantador e apaixonado. É seu lado mórbido falando, mas que nem por isso deixou de ser belo.


Por algum motivo esse cenário atrais várias pessoas e sou uma delas. Imagens que são taxadas te tristes ou assustadoras podem trazer paz para quem consegue a ver de forma correta.


Ahh eu gosto do mórbido, gosto das sombras, gosto da noite... Nem tudo é negro desse lado. Quem nunca sonhou em acordar na Fantástica Fábrica de Chocolate de Willy Wonka, REgravado por Tim Burton com seu toque irresistivelmente sombrio e dramático, mas escrito em 1964 pelo gênio Roald Dahl. O mórbido já existe há muito tempo e está no colorido também.


Acredito que se você conseguir abrir sua mente para outras formas de arte encontrará um leque enorme de opções e quem sabe veja beleza até no mórbido!

Feliz aniversário Tim Burton! Que você tenha sonhos mágicos com criaturas estranhas!

Edgar Allan Poe - Annabel Lee


Ahh, me explique se existe uma maneira de não se apaixonar por Edgar Allan Poe?! Eu não costumo ser romântica, mas o traço desse homem é irresistível e me faz sonhar!


Então há tempos trouxe AQUI o poema mais famoso dele - O CORVO - e agora trago outro. Não sei se já conhecem, a tradução está logo abaixo do poema original, porque os que entendem inglês PRECISAM ler essas palavras e suas rimas deliciosas, então aqui está:

ANNABEL LEE
(by Edgar Allan Poe)


It was many and many a year ago,
In a kingdom by the sea,
That a maiden there lived whom you may know
By the name of Annabel Lee;
And this maiden she lived with no other thought
Than to love and be loved by me.
I was a child and she was a child,
In this kingdom by the sea;
But we loved with a love that was more than love-
I and my Annabel Lee;
With a love that the winged seraphs of heaven
Coveted her and me.

And this was the reason that, long ago,
In this kingdom by the sea,
A wind blew out of a cloud, chilling
My beautiful Annabel Lee;
So that her highborn kinsman came
And bore her away from me,
To shut her up in a sepulchre
In this kingdom by the sea.

The angels, not half so happy in heaven,
Went envying her and me-
Yes!- that was the reason (as all men know, In this kingdom by the sea)
That the wind came out of the cloud by night,
Chilling and killing my Annabel Lee.

But our love it was stronger by far than the love
Of those who were older than we-
Of many far wiser than we-
And neither the angels in heaven above,
Nor the demons down under the sea,
Can ever dissever my soul from the soul
Of the beautiful Annabel Lee.

For the moon never beams without bringing me dreams
Of the beautiful Annabel Lee;
And the stars never rise but I feel the bright eyes
Of the beautiful Annabel Lee;
And so,all the night-tide, I lie down by the side
Of my darling, my darling, my life and my bride,
In the sepulchre there by the sea,
In her tomb by the sounding sea.



E agora a tradução, não menos merecedora de destaque porque foi ninguém mais, ninguém menos do que Fernando Pessoa que nos trouxe ao entendimento das rimas famosas de Poe com sei jeito magnifico também!

ANNABEL LEE
(de Edgar Allan Poe - Por Fernando Pessoa)

Foi há muitos e muitos anos já,
Num reino de ao pé do mar.
Como sabeis todos, vivia lá
Aquela que eu soube amar;
E vivia sem outro pensamento
Que amar-me e eu a adorar.

Eu era criança e ela era criança,
Neste reino ao pé do mar;
Mas o nosso amor era mais que amor --
O meu e o dela a amar;
Um amor que os anjos do céu vieram
a ambos nós invejar.

E foi esta a razão por que, há muitos anos,
Neste reino ao pé do mar,
Um vento saiu duma nuvem, gelando
A linda que eu soube amar;
E o seu parente fidalgo veio
De longe a me a tirar,
Para a fechar num sepulcro
Neste reino ao pé do mar.

E os anjos, menos felizes no céu,
Ainda a nos invejar...
Sim, foi essa a razão (como sabem todos,
Neste reino ao pé do mar)
Que o vento saiu da nuvem de noite
Gelando e matando a que eu soube amar.

Mas o nosso amor era mais que o amor
De muitos mais velhos a amar,
De muitos de mais meditar,
E nem os anjos do céu lá em cima,
Nem demônios debaixo do mar
Poderão separar a minha alma da alma
Da linda que eu soube amar.

Porque os luares tristonhos só me trazem sonhos
Da linda que eu soube amar;
E as estrelas nos ares só me lembram olhares
Da linda que eu soube amar;
E assim 'stou deitado toda a noite ao lado
Do meu anjo, meu anjo, meu sonho e meu fado,
No sepulcro ao pé do mar,
Ao pé do murmúrio do mar.


Fernando Pessoa

***


Fiz uma resenha completa da série LOST no cultura viciante.
Clique AQUI e confira!


A arte do suspense - Edgar Allan Poe

Sexta-feira 13? Haha. Juro que não fiz de propósito com esse post. Acabei de ver.

No dia 19 de janeiro de 1809 nasceu Edgar Allan Poe que veio a se tornar um autor, poeta, editor e crítico literário que ficou mais conhecido por contar histórias que envolviam o mistério macabro e o suspense. Foi o primeiro escritor de contos americanos e também o primeiro a tentar ganhar a vida somente como escritor o que lhe rendeu uma vida financeira difícil.

Em Janeiro de 1845, Poe publicou seu poema The Raven (O Corvo), foi um sucesso instantâneo.
Essa foto é muito legal porque faz referência ao conto O CORVO e também
à outro muito famoso chamado O GATO PRETO.
No dia 3 de outubro de 1849, Poe foi encontrado nas ruas de Baltimore, com roupas que não eram as suas, em estado de extremo delírio, e levado para o Washington College Hospital, onde veio a morrer apenas quatro dias depois. Poe nunca conseguiu estabelecer um discurso suficientemente coerente, de modo a explicar como tinha chegado à situação na qual foi encontrado. As suas últimas palavras teriam sido, de acordo com determinadas fontes, "It's all over now: write Eddy is no more", (Está tudo acabado: escrevam Eddy já não existe).

Excêntrico em ultimo grau, Edgar Allan Poe conquistou milhões de leitores em décadas passadas e continua conquistando hoje em dia. Seus contos parecem atuais e a maneira como escreve é hipnotizadora. Se não o conhece ainda recomendo que  faça.
Geralmente tudo era sombrio e macabro ao seu redor (digo, em suas escritas)

 Bem já li vários contos, todos excelentes, mas The Haven é com certeza o meu preferido pelo tom poético que é dado a ele. Colocarei o poema abaixo cuja tradução foi feita por Fernando Pessoa, mas colocarei também a versão original em inglês e quem domina a língua leia dessa forma e se possível em voz alta. É uma delicia chegar às rimas porque elas desenham um balanço tão perfeito que me faz ler o poema quase toda semana!

 Espero que gostem tanto quanto eu...


 O Corvo
(Edgar Allan Poe)

Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
 Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de algúem que batia levemente a meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais. 
É só isto, e nada mais." 

Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
 P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais, 
Mas sem nome aqui jamais!

 Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
 Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,
"É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
É só isto, e nada mais". 
E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
"Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais;
 Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.
Noite, noite e nada mais.

A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.
Isso só e nada mais. 

Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,
 Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
"Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais."
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.
"É o vento, e nada mais."

Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
 Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
 Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,
Foi, pousou, e nada mais. 
E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
 Com o solene decoro de seus ares rituais.
"Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."
Disse o corvo, "Nunca mais". 

Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
 Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
Com o nome "Nunca mais". 

Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
 Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, "Amigo, sonhos - mortais
Todos - todos já se foram. Amanhã também te vais".
Disse o corvo, "Nunca mais".

A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
"Por certo", disse eu, "são estas vozes usuais,
 Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais
Era este "Nunca mais". 

Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureia dos maus tempos ancestrais,
 Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,
Com aquele "Nunca mais". 

Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
 Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sobras desiguais,
Reclinar-se-á nunca mais! 

Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
"Maldito!", a mim disse, "deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
 O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"
Disse o corvo, "Nunca mais". 

"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
 Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,
A esta casa de ância e medo, dize a esta alma a quem atrais
Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!
Disse o corvo, "Nunca mais". 
"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.
 Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"
Disse o corvo, "Nunca mais". 

"Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!
Torna á noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
 Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".

E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,
Libertar-se-á... nunca mais!

Fernando Pessoa

Agora para quem quer ler o original:

The Raven
(by Edgar Allan Poe,first published in 1845)


Once upon a midnight dreary, while I pondered, weak and weary,
Over many a quaint and curious volume of forgotten lore,
While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping,
As of someone gently rapping, rapping at my chamber door.
" 'Tis some visitor," I muttered, "tapping at my chamber door;
Only this, and nothing more." 
Ah, distinctly I remember, it was in the bleak December,
And each separate dying ember wrought its ghost upon the floor.
Eagerly I wished the morrow; vainly I had sought to borrow
From my books surcease of sorrow, sorrow for the lost Lenore,.
For the rare and radiant maiden whom the angels name Lenore,
Nameless here forevermore. 

And the silken sad uncertain rustling of each purple curtain
Thrilled me---filled me with fantastic terrors never felt before;
So that now, to still the beating of my heart, I stood repeating,
" 'Tis some visitor entreating entrance at my chamber door,
Some late visitor entreating entrance at my chamber door.
This it is, and nothing more." 
Presently my soul grew stronger; hesitating then no longer,
"Sir," said I, "or madam, truly your forgiveness I implore;
But the fact is, I was napping, and so gently you came rapping,
And so faintly you came tapping, tapping at my chamber door,
That I scarce was sure I heard you." Here I opened wide the door;
Darkness there, and nothing more. 

Deep into the darkness peering, long I stood there, wondering, fearing
Doubting, dreaming dreams no mortals ever dared to dream before;
But the silence was unbroken, and the stillness gave no token,
And the only word there spoken was the whispered word,
Lenore?, This I whispered, and an echo murmured back the word,
"Lenore!" Merely this, and nothing more. 

Back into the chamber turning, all my soul within me burning,
Soon again I heard a tapping, something louder than before,
"Surely," said I, "surely, that is something at my window lattice.
Let me see, then, what thereat is, and this mystery explore.
Let my heart be still a moment, and this mystery explore.
" 'Tis the wind, and nothing more." 

Open here I flung the shutter, when, with many a flirt and flutter,
In there stepped a stately raven, of the saintly days of yore.
Not the least obeisance made he; not a minute stopped or stayed he;
But with mien of lord or lady, perched above my chamber door.
Perched upon a bust of Pallas, just above my chamber door,
Perched, and sat, and nothing more. 

Then this ebony bird beguiling my sad fancy into smiling,
By the grave and stern decorum of the countenance it wore,
"Though thy crest be shorn and shaven thou," I said, "art sure no craven,
Ghastly, grim, and ancient raven, wandering from the nightly shore.
Tell me what the lordly name is on the Night's Plutonian shore."
Quoth the raven, "Nevermore." 

Much I marvelled this ungainly fowl to hear discourse so plainly,
Though its answer little meaning, little relevancy bore;
For we cannot help agreeing that no living human being
Ever yet was blessed with seeing bird above his chamber door,
Bird or beast upon the sculptured bust above his chamber door,
With such name as "Nevermore." 

But the raven, sitting lonely on that placid bust, spoke only
That one word, as if his soul in that one word he did outpour.
Nothing further then he uttered; not a feather then he fluttered;
Till I scarcely more than muttered,"Other friends have flown before;
On the morrow he will leave me, as my hopes have flown before."
Then the bird said,"Nevermore." 

Startled at the stillness broken by reply so aptly spoken,
"Doubtless," said I, "what it utters is its only stock and store,
Caught from some unhappy master, whom unmerciful disaster
Followed fast and followed faster, till his songs one burden bore,
Till the dirges of his hope that melancholy burden bore
Of "Never---nevermore." 
But the raven still beguiling all my fancy into smiling,
Straight I wheeled a cushioned seat in front of bird and bust and door;
Then, upon the velvet sinking, I betook myself to linking
Fancy unto fancy, thinking what this ominous bird of yore,
What this grim, ungainly, ghastly, gaunt, and ominous bird of yore
Meant in croaking, "Nevermore." 

Thus I sat engaged in guessing, but no syllable expressing
To the fowl, whose fiery eyes now burned into my bosom's core;
This and more I sat divining, with my head at ease reclining
On the cushion's velvet lining that the lamplight gloated o'er,
But whose velvet violet lining with the lamplight gloating o'er
She shall press, ah, nevermore!

Then, methought, the air grew denser, perfumed from an unseen censer
Swung by seraphim whose footfalls tinkled on the tufted floor.
"Wretch," I cried, "thy God hath lent thee -- by these angels he hath
Sent thee respite---respite and nepenthe from thy memories of Lenore!
Quaff, O quaff this kind nepenthe, and forget this lost Lenore!"
Quoth the raven, "Nevermore!" 

"Prophet!" said I, "thing of evil!--prophet still, if bird or devil!
Whether tempter sent, or whether tempest tossed thee here ashore,
Desolate, yet all undaunted, on this desert land enchanted
On this home by horror haunted--tell me truly, I implore:
Is there--is there balm in Gilead?--tell me--tell me I implore!"
Quoth the raven, "Nevermore." 
"Prophet!" said I, "thing of evil--prophet still, if bird or devil!
By that heaven that bends above us--by that God we both adore
Tell this soul with sorrow laden, if, within the distant Aidenn,
It shall clasp a sainted maiden, whom the angels name Lenore
Clasp a rare and radiant maiden, whom the angels name Lenore?
Quoth the raven, "Nevermore." 

"Be that word our sign of parting, bird or fiend!" I shrieked, upstarting
"Get thee back into the tempest and the Night's Plutonian shore!
Leave no black plume as a token of that lie thy soul spoken!
Leave my loneliness unbroken! -- quit the bust above my door!
Take thy beak from out my heart, and take thy form from off my door!"
Quoth the raven, "Nevermore." 
And the raven, never flitting, still is sitting, still is sitting
On the pallid bust of Pallas just above my chamber door;
And his eyes have all the seeming of a demon's that is dreaming.
And the lamplight o'er him streaming throws his shadow on the floor;
And my soul from out that shadow that lies floating on the floor
Shall be lifted--- nevermore!
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