O cemitério

Quando eu estava na 7ª série se não me engano (o nome mudou agora né? Mas antes era esse) minha professora de português deu o trabalho que hoje classifico como um dos melhores de todos feito por mim na época da escola.


Vários grupos foram formados e deveríamos entrevistar uma pessoa qualquer da cidade, falando de sua profissão. O trabalho seria apresentado como um seminário da maneira o grupo achasse melhor. Nem preciso dizer que o prefeito da cidade foi à disputa inicial, diretores da escola, médicos do posto de saúde, advogados e até a professora (que precisou recusar claro porque ela dirigia a classe).

Bem o fato é que eram muitos grupos e as profissões que conhecíamos já haviam sido escolhidas. Não podia repetir, por isso saímos um dia depois da escola e fomos andar pela cidade. Até encontramos algumas pessoas com profissões diferentes, mas estas não quiseram perder tempo com um bando de pirralho e um trabalho de escola.


Enfim, tarde perdida e todos cansados e querendo ir embora, o sol já bem baixo e nossos pais iriam ficar muito bravos. Andávamos em uma avenida para pegar um ônibus e... (nunca mais vou esquecer isso na minha vida).

Havia um cemitério no meio do caminho...
... no meio do caminho havia um cemitério.

Adolescentes, juntos, sem nada para fazer, com pais bravos a espera em casa... O que deveríamos fazer nessa hora?!

Tá, não tinha neblina... Essa é uma ilustração para dar clima de suspense...
Entramos no maldito cemitério para procurar o nome de cada um nas covas e o ultimo nome encontrado seria o que iria morrer primeiro.

Pausa -Ok adolescente é idiota mesmo! Isso lá é brincadeira?

E estávamos procurando os nomes quando um senhor, (assustador naquela hora e naquele local) apareceu e ficou super bravo com todos nós, deu o maior sermão dizendo que não tínhamos respeito e que Deus iria punir a gente severamente e completou dizendo que o coveiro estava nos chamando na casa que tinha quase saindo do cemitério.


Pausa 2 -Levar bronca no cemitério já é estranho, mas ter que ir falar com o coveiro na casa dele era prova demais à nossa coragem.

Sem opção fomos até o local indicado. O coveiro era também o guarda do cemitério naquela hora porque não havia ninguém mais no local e nos chamou lá para nos mandar embora, mas era a casa dele "pô". Estávamos morrendo de medo do cara, sem falar que nunca tínhamos visto um coveiro.

O cara recebendo a gente todo sujo do dia terrível de trabalho e um bando de pirralho zoando no cemitério é uma cena linda de se ver. E foi quando tive uma ideia. A melhor de todas.

E se entrevistássemos o coveiro? Super original. Todo mundo adorou a ideia, o problema foi convencer ele a nos receber no dia seguinte para gravarmos uma entrevista.


Foi extremamente interessante, voltamos todos no cemitério no outro dia e nos certificamos de estar um dia claro dessa vez. O coveiro nos recebeu em sua varanda, na casa dento do cemitério todo arrumado e até banho havia tomado. A entrevista foi muito legal.

Sr. Sebastião (Juro que era esse o nome, não estou inventando) era o nome dele, um homem muito simpático que contou até um causo de terror no final da entrevista e alguns dias depois aceitou ir até a escola falar sobre sua jornada de trabalho para os outros alunos.

Tiramos 10 naquele bimestre, arrumamos um amigo no cemitério, quebramos a barreira de que coveiro é um homem mal e eu descobri que vou morrer antes de todos meus amigos, porque meu nome não foi encontrado. O.o

10 comentários

  1. Muito boa a história Camila, para ler, de preferência, numa noite sem lua, rsrs. A profissão de coveiro é mesmo muito instigante, uma pena que tão pouco reconhecida.

    Ótima semana para você!

    Beijos

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  2. oi Camis,

    adorei a idéia,
    super criativa e com certeza deixou a professora surpresa!!!
    imagino só a cara de vocês indo conversar com o coveiro...
    deve ter sido inesquecível...
    clima de terror mesmo...

    beijinhos

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  3. É uma história de terror, de humor negro, mas com um final feliz.rs

    Gostei muito! Vc é muito criativa. Não esquente a cabeça; tomara que vc seja a última da turma a morrer.

    Quando adolescente, me aconteceu algo bem inusitado, ao matar aula e ir a um cemitério. Talvez um dia , eu conte no blog.

    Abraços

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  4. Camilíssima, até parece que você inventou essa história, mas, se inventou, também vale porque é ótima. :) Beijos!

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  5. Ué, mas o presságio pode ser positivo, né não? Se não encontraram uma camila mortinha, deve ser porque as camilas são fortalezas e não morrem nunquinha.

    Adorei muito essa história. Mas se eu fosse o senhor bravo, teria trancado os intrépidos aborrescentes, tipo umas três horas lá dentro. Rsrs.

    Beijo, Camilouquinha.

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  6. Oi Camila,
    Vcs foram é muito corajosos!!! Eu que não ficaria num cemitério tarde... Mas eu imagino que a entrevista acabou mesmo sendo a mais original de todas.
    Beijos 1000 e uma semana maravilhosa para vc.

    www.gosto-disto.com

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  7. Hehehehehehhehe legal Camilinha!
    Sabia que eu já fui coveiro também?

    Verdade, eu vendia couve na feira...

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  8. Hauhahau! Amei o post Camila!
    Vocês realmente foram corajosos né?
    Eu tenho um amigo que é maníaco por cemitérios, sério!
    Toda viagem que ele faz, vai ao cemitério do local tirar fotos. Sim, existe louco para tudo!

    O trabalho da escola foi mega interessante!
    Que saudades desses velhos tempos... :)

    Beijos!

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  9. Coveiro e mordomo são sempre mal vistos. Hehehe.

    bah, eu sempre fui cagão pra essas coisas. Certo que eu se eu entrasse seria MUITOO forçadamente. Mas dizem que há males que vem para bem. E depois de um ato de coragem de vocês (mesmo que de brincadeira) acabaram se dando bem.

    :D

    beijoss

    ----
    Site Oficial: JimCarbonera.com
    Rascunhos: PalavraVadia.blogspot.com

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  10. Muito legal,rs ...Bom trabalho esse!!beijos,tudo de bom,chica

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