[Livro] Onze Semanas - Ernani Lemos

Sabe aquele livro que começa sem muita pretensão e vai crescendo, crescendo, crescendo e quando você percebe, está na última página, completamente envolvido com a trama e prevendo: Ressaca Literária. 


Sinopse: A relação de amor entre duas pessoas, seja de mãe e filho, seja de marido e mulher, é desmedida por padrão. No início a empolgação se esforça para esconder todos os defeitos e no fim o cansaço faz esquecer todas as qualidades. Não há relacionamento em que uma pessoa veja a outra com justiça. Se existe alguém com quem nunca somos generosos, é com quem amamos.
Que acontecimento poderoso consegue afastar mãe e filha por quase toda a vida? E que tipo de força é capaz de reaproximá-las nas fronteiras da morte?
Da cama de hospital onde vive seus últimos dias, Claudia dá início a uma jornada dolorosa pelas experiências que moldaram a história dela e da filha, Meg. A mãe terá que ser mais rápida do que a morte para convencer a jovem a dividir confissões de uma vida marcada por um trauma. Manter-se viva e reviver a memória serão os desafios de Claudia para mudar o mundo das pessoas que mais ama.
Com uma dose de mistério que fatalmente leva os olhos à próxima página, Onze Semanas é uma viagem de sensações viscerais que conduz o leitor inúmeras vezes, sem que ele perceba, ao papel dos personagens. 

Classificação
Editora: Chiado

Ernani Lemos tem uma narrativa aconchegante. Eu não consigo encontrar outra palavra para o que ele faz nessa obra. 

Onze Semanas é o prazo que Meg tem ao lado de sua mãe, que está em fase terminal de um câncer que a consome há algum tempo. A questão é bem mais profunda do que isso - e você se pergunta: 

"O que poderia ser pior do que esse prazo tão curto com alguém que amamos?" 

Meg não perdoa sua mãe por algo que lhe aconteceu quando criança e, de fato, quando começamos a conhecer os seus motivos, o ódio parece mesmo a melhor justificativa, no entanto, Cláudia (mãe) tem uma ideia, que promete esclarecer todas as dúvidas e mágoas da filha e propõe a ela um jogo. É o último pedido que ela faz e Meg se vê obrigada a aceitar. 

Toda semana, Meg precisa ir ao hospital visitar Cláudia. Ela deve contar algo da vida dela para MERECER algumas páginas de um diário, onde a história que ela quer saber foi, minuciosamente, contada pela mãe. 


De início, a ideia parece meio boba e Meg cumpre com desdém seu papel, mais por curiosidade do que por comprometimento com a mãe, mas aos poucos e sem perceber, as duas voltam a se conectar e o tempo (onze semanas) que antes não importava tanto e até parecia, passou a ser curto demais. 

Eu chorei!!!!

Chorei mesmo. Essa obra te coloca de frente com a morte e com as oportunidades que deixamos escapar a cada dia, por medo ou orgulho. Sem falar que no meio da leitura eu perdi meu avô, que sofreu por quase um ano antes de morrer. 

Esse livro me tocou mesmo. Mexeu na ferida e expôs meus medos e inseguranças de uma forma assustadora. Quem é leitor sabe bem o quanto um livro, lido na hora certa, pode virar um tesouro e este foi exatamente isso para mim. 

Onze Semanas é narrado de uma forma tão doce e tão honesta que me fez entrar na trama. Ninguém é perfeito. Ninguém mesmo. A vida prega peças absurdas na gente e se você não está o mínimo preparado, é arrastado pelos eventos como se estivesse no meio de um tsunami. 

As revelações do tal diário são surpreendentes. Eu juro que não estava prevendo nada do que se mostrou no final e senti o famoso "soco no estômago" (adoro essa expressão. Ela é a mais fiel que consigo imaginar) que eu tanto espero de um livro. 


Meg tem razão de sentir ódio da mãe. A mãe teve razão em todos os seus atos. O irmão de Meg tem razão de agir como sempre agiu com a família. O vizinho da Meg... Bem, esse eu não sei. 

Nem todo livro é perfeito e nesse, algumas explicações me soaram meio estranhas. Eu jamais agiria da forma que foi descrita aqui em algumas situações, mas esse é o grande lance: As pessoas são diferentes e agem de forma imprevisível. 

O que aprendi, lendo esse livro é que TUDO tem dois lados. Qualquer ato, qualquer reação. E as consequências ou recompensam acabam vindo, uma hora ou outra. Uma vida pode ser jogada fora, dependendo de como você reage aos problemas que se desenrolam a frente. 

A edição da Chiado está linda. Cuidadosa e delicada. Ando percebendo um crescimento grande na qualidade de suas obras e isso me alegra. 

Leiam! Eu recomendo com força. Essa história não poderia ter vindo a mim em uma hora tão propicia, mas não ando vendo resenhas negativas dela, então deve ser mesmo uma excelente obra!


4 comentários

  1. Beijinhos feliz semana querida amiga.

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  2. Esse livro parece muito bom, Camila. Já vi que, se pegar pra ler, vou chorar horrores. Beijos!

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  3. A história parece ser bem tocante. Mais do que tratar de uma doença terminal, o simples fato do autor abordar sobre relações familiares fragilizadas, já parece bem emocionante. Acho que choraria horrores tbm!

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  4. Camila, fiquei bem interessada nesse livro! Realmente, tem livro que vem no momento certo, na vibe correta. Meus pêsames pelo seu avô. Espero que esteja bem.
    Beijos!

    claramenteinsana.com

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