Andei lendo algumas resenhas por aí, antes de escrever a minha própria. Eu sei, isso não se faz, mas são tantas opiniões que me peguei curiosa. Essa obra desperta o famoso "amor e ódio" pela internet e, eu sei bem qual o meu lado, mas quis dar uma olhadinha no lado oposto para poder argumentar melhor a minha opinião.
Sinopse: Romance de estreia de Josh Malerman, Caixa de pássaros é um thriller psicológico tenso e aterrorizante, que explora a essência do medo. Uma história que vai deixar o leitor completamente sem fôlego mesmo depois de terminar de ler. Basta uma olhadela para desencadear um impulso violento e incontrolável que acabará em suicídio. Ninguém é imune e ninguém sabe o que provoca essa reação nas pessoas. Quatro anos depois de tudo ter começado, restaram poucos sobreviventes, incluindo Malorie e seus dois filhos pequenos. Morando numa casa abandonada próxima ao rio, ela sonha há tempos em fugir para um local onde sua família possa ficar em segurança. Mas a jornada que têm pela frente será assustadora: 32 quilômetros rio abaixo em um barco a remo, vendados, contando apenas com a inteligência de Malorie e os ouvidos treinados das crianças. Uma decisão errada e eles morrem. E ainda há alguma coisa os seguindo. Será que é um homem, um animal ou uma criatura desconhecida?
Classificação
Editora Instrínseca
Eu leio, acima de tudo, como forma de laser. Leio para me distrair ou porque me faz bem viajar dentro da vida de outras pessoas (mesmo que não sejam reais) e qualquer livro que me proporcione isso, seja ele um romance ou um terror, irá ganhar muitas estrelas. Aqui não poderia ser diferente.
Li em alguns blogs que esse é o livro mais original dos últimos tempos e não sei se concordo com essa ideia, mesmo que, logo ao começar essa obra senti o mesmo, mas algo lá no fundo do meu cérebro gritava o contrário e uma amiga me chamou a atenção para esse fato.
Caixa de Pássaros é um livro interessantíssimo e delicioso de ler, mas algo nele me lembrou - o tempo todo - da série "The Walking Dead". Talvez, seja a atmosfera ao redor dos personagens ou talvez o medo que eles sentem de tudo ao seu redor, mas lembrou. E isso, por si só, já me fez analisá-lo por outro angulo.
“No novo mundo, bebês tinham que ser treinados para acordar com os olhos fechados. Tinham que ser criados com medo. Não havia espaço para coisas desconhecidas”.
Não estou dizendo aqui que é uma cópia, mesmo porque o "vilão" dessa história não é um zumbi, já digo de cara. NÃO É MESMO ZUMBI. Então essa minha amiga (que adora me jogar na cara o quanto as obras não são originais) me fez entender de uma vez por todas, porque eu senti tanta simpatia por esse livro...
Caixa de Pássaros é uma mistura perfeita de "The Walking Dead" com "Ensaio para Cegueira"
E isso é espetacular! Agora deixemos essa coisa de originalidade de lado e vamos falar do ritmo do livro que é aceleradíssimo. (Vejo essa minha amiga revirando os olhos ao ler isso). Sim, é acelerado e me deixou com aquela tensão por saber o que raios aconteceria no final das contas.
![]() |
| Não é para tanto. Eu nem classificaria esse livro como terror. |
Agora imagine que o mundo está ameaçado por ALGO mortal. As pessoas começam a ficar em casa com medo de topar com essas coisas e a única forma de permanecer vivo é NUNCA olhar para ela.
Como assim? Como se defender de algo que você não pode ver? E o mais importante, o que é essa ameaça? Um monstro? Um ET? Como saber, se ninguém que o vê, sobrevive para contar!
O bacana foi acompanhar como tudo começou. Casos isolados aqui e ali, até que foram tomando uma proporção maior e conquistando os incrédulos. As mídias começaram a alertar sobre tais acidentes e depois falava-se abertamente em suicídio, loucura. Foi tudo evoluindo até que o mundo entrou em pânico e descobriu que quem olhasse para o que quer que estivesse no mundo ficava louco e se matava em poucos segundos.
As crianças nunca viram o mundo exterior à casa. Nem pelas janelas. E Malorie não o vê há mais de quatro anos.
Então somos apresentados a alguns personagens muito bacanas pelo olhar de Malorie, que está grávida. Ao mesmo tempo acompanhamos a própria Malori, anos depois, sozinha e tentando sobreviver com dois filhos. Os capítulos são intercalados entre passado e presente e é assim que vamos descobrindo o que está havendo no mundo.
A organização entre os sobreviventes, as prioridades, as relações afetivas e as preocupações neste novo mundo é o cenário principal da história.
O que vocês acham que aconteceria com um homem já louco se ele visse as criaturas lá fora? Acham que elas não o afetariam, que a mente dele já estaria destruída? Ou acham que a loucura alcançaria outro nível de insanidade, um nível superior? Talvez os doentes mentais herdem este novo mundo, por serem incapazes de ficarem mais loucos do que já são.
Agora quero dar destaque para "o monstro", porque não sei como posso me referir ao vilão (rs). Ele teve uma das melhores explicações que já li, a partir do personagem que mais gostei no livro. É uma pensa não terem desenvolvido melhor essa parte:
Pelo que parece, as criaturas são como o infinito. Algo complexo demais para nossa cabeça. Sabe?
Interessante não é? O problema é que essa teoria e várias outras são jogadas na nossa cara! A forma que eles encontraram para sobreviver a isso tudo também é bem interessante, viviam vendados ao sair de casa e morriam de medo de algo entrar. Daí vem o final...
Bem, é o final que divide os leitores. Não existe um meio termo aqui, ou você AMA ou DETESTA. Eu amei e senti um gosto de realidade ao fechar o livro, como se isso fosse possível acontecer daqui uns dias e deu aquele gostinho de adrenalina. Já aquela minha famosa amiga, detestou de verdade e não poupou criticas à obra.
Mesmo assim eu continuo gostando. Essa mistura de obras incríveis que acabei identificando no decorrer da leitura, me deixou satisfeita. Pode não ser o “best seller” do ano, mas que me fez engolir cada página, ah, isso fez!
Tenho tantas outras coisas para falar dessa obra, mas gostaria de deixar a maioria dos detalhes de fora. É legal acompanhar a descoberta do enredo todo. O principal está aí e você vai encontrar muito mais nas resenhas dos outros blogs, mas te aconselho a ler esse livro, mais ou menos como Malorie se encontra o tempo todo: meio cega, tateando tudo até encontrar o que procura.

