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[Livro] A maldição do cigano - Stephen King


Inicialmente lançado sob o pseudônimo de Richard Bachman em 1984, "Thinner", de Stephen King, chegou ao Brasil com o título de "A maldição do cigano" e foi adaptado para o cinema em 1996 com outro nome: "A Maldição". Enfim, apesar dessa melecada de ficar mudando o título das coisas, a Editora Suma de Letras relançou o livro que seguiu o título do filme e pronto, acabou-se as mudanças bizarras. Só acho que essa obra merecia um pouco mais de destaque entre os leitores, porque é realmente aterrorizante. 

Sinopse: Bill Halleck tinha uma vida boa e tranquila, até o dia em que atropelou uma velha cigana. Inocentado no tribunal por ter boas relações com o júri, logo descobrirá que, apesar de ter escapado da justiça americana, existem outras formas de pagar por um erro. Em pouco tempo, o obeso Halleck começa a emagrecer — seus quilos sugados vertiginosamente a cada dia que passa. Para surpresa dos médicos que o examinam, não há nada de errado fisicamente. Mas Halleck terá de encontrar uma solução – e rápido – senão, em pouco tempo, não será mais do que um feixe de ossos. 


Esse livro vem com todos os pontos positivos de Stephen King. Toda sua força maligna impressa em papel foi usada nessa história, com direito a cenas nojentas e final aterrorizante. Parece até que o livro não acabou porque não é possível não ter um "Felizes para sempre" nem de leve! 

A obra conta a história de Billy Halleck, um advogado obeso bem-sucedido que, de forma bastante imprudente, atropela uma velha cigana. O caso vai a julgamento, mas, mesmo com tudo contra, Billy é inocentado (pois é bem influente no ramo) e sai ileso do acidente. O problema é que quando ele sai do tribunal, um cigano o toca e sussurra uma maldição em seu ouvido: "Mais magro". 

A maldição é real e começa, de fato, a acontecer. 

Billy começa a emagrecer e isso pode até parecer bom no começo, mas a coisa começa a sair fora de seu controle e ele passa a correr risco de morte. Desesperado vai a vários médicos e nada funciona. A situação o força acreditar que foi mesmo amaldiçoado. 


Eu pensei em várias formas de terminar essa resenha sem dar spoilers e resolvi colocar uma sequência de tópicos para atiçar a curiosidade de vocês, portanto aí vão algumas coisinhas que existem nesse livro: 

  • Billy culpa sua esposa pelo acidente
  • O cigano não amaldiçoa apenas o advogado obesa. Todo mundo envolvido no julgamento cai em suas garras e as maldições são terríveis.
  • Existe uma "cura" para sua maldição.
  • É uma saída bem ao estilo Stephen King. 

Chega! Quando eu li esse livro, não sabia absolutamente nada sobre a história e as surpresas fizeram toda diferença pra mim. Aconselho que quem se interessar faça o mesmo. Vale muito a pena!

Ah! Feliz Halloween para todos!


[Livro] Jantar Secreto - Raphael Montes

Sabe aquele livro que te tira da realidade e te envolver em uma trama surreal, mas, de alguma forma acaba parecendo completamente possível e te arrasta na leitura? Então, esse livro é "Jantar Secreto" do queridinho do Brasil, Raphael Montes. 

Sinopse: Um grupo de jovens deixa uma pequena cidade no Paraná para viver no Rio de Janeiro. Eles alugam um apartamento em Copacabana e fazem o possível para pagar a faculdade e manter vivos seus sonhos de sucesso na capital fluminense. Mas o dinheiro está curto e o aluguel está vencido. Para sair do buraco e manter o apartamento, os amigos adotam uma estratégia heterodoxa: arrecadar fundos por meio de jantares secretos, divulgados pela internet para uma clientela exclusiva da elite carioca. No cardápio: carne humana. A partir daí, eles se envolvem numa espiral de crimes, descobrem uma rede de contrabando de corpos, matadouros clandestinos, grã-finos excêntricos e levam ao limite uma índole perversa que jamais imaginaram existir em cada um deles. 


Não é brincadeira quando eu digo "surreal". A verdade é que Raphael Montes brinca com o bizarro e se equilibra entre o medo e o hilário. Acho que ele exagera um pouco no "gore"? Sim, acho, mas também preciso admitir que esse é o diferencial dele e é muito bem usado. 

O livro começa num ritmo gostoso apresentando os 4 amigos aos poucos. Mostra a vida dura de cada um deles, as lutas de quem precisa se virar em uma cidade grande enfrenta. Fala sobre a crise e a decepção pessoal de cada um deles e por aí vai. Daí o narrador, Dante, que é um dos quatro amigos vai travando caminhos difíceis em seu emprego e mostrando como tudo anda mal até que... 

Bem, não vou estragar absolutamente nada desse livro para quem vai ler. O resumão que você pode ler nas orelhas do livro ou no Skoob é que por conta de uma dívida enorme eles resolvem servir jantares especiais para pessoas selecionadas a dedo onde servirão carne humana! 


Isso mesmo, Carne humana. Nada depois disso pode dar certo, não é mesmo? E não dá. esse é o tipo de livro que tudo só vai piorando e piorando e piorando e quando o livro está acabando você começa a ficar aliviado que vai sair daquele pesadelo e algo muito pior acontece. 

Ou seja, não tem saída nem para os protagonistas e nem para o leitor. Eu não tenho como agradecer mais o escritor por isso! É o sonho de todo leitor, engolir uma obra que te arrasta pelos cabelos até a última página e sem deixar de surpreender a cada capítulo. 


Eu recomendo esse livro para quem tem estômago forte. Como já disso, Raphael Montes abusa do bizarro e aqui estamos falando de canibalismo. Eu mesma fiquei uns dias rejeitando carne nas refeições. É uma leitura indispensável. Fico aqui imaginando que se fossemos norte-americanos, provavelmente, essa obra viraria uma série daquelas bem sangrentas.


[Conto] Desculpe, número certo - Stephen King

Sabe aquelas ligações que a gente recebe, geralmente de alguém tentando algum golpe, que tem uma pessoa gritando por socorro do outro lado da linha? 

Então, se você já recebeu alguma dessas ligações, deve entender o quanto a pessoa do outro lado pode soar familiar, ainda mais se você fica desesperado ou se já está preocupado com alguém em específico. 

Esse conto, presente no livro "Pesadelos e paisagens noturnas 2" é sobre isso. Esse sentimento desesperador de não saber quem poderia ter entrado em contato naquela ligação assustadora cheia de suspiros e soluços. 

Katie recebe uma ligação de uma mulher soluçando e pedindo coisas que ela não entende direito. Ela fica tão transtornada que começa a entrar em contato com um monte de gente. Diante dessa crescente preocupação, seu marido Bill resolve ajudá-la. 

O final é uma maravilha! Estamos falando de Stephen King, então encare "maravilha" da forma que você quiser! (rs)

Fui reler esse conto depois de ver um post do Stephen King Kingdom que falava sobre a adaptação dessa história em um dos episódios da série "Tales from the Darkside" a qual ficou no ar durante os anos 80 e 90 e adaptou vários contos de diversos autores do terror moderno, entre eles, Clive Barker. 


De qualquer forma vale a pena ler, apesar do formato bem diferente do que estamos acostumados. Aqui Stephen King escreve como se fosse um roteiro. É bem visual, mas não é meu estilo preferido, mas o que eu estou reclamando aqui? É do King, então merece ser lido!



[Conto] SUBARASHII - Rodrigo Rodrigues

Você acredita no bicho papão? 
Bem, você deveria, pois ele é real assim como nós... Faz dez anos desde que eu o vi e mesmo depois de tanto tempo não consigo esquecer aquele rosto infernal com olhos amarelos que assombram as minhas noites de insônia.



Meu nome é Cesar, tenho 42 anos, vivo aqui nesse asilo para loucos insanos no meio de porra nenhuma. Escrevo esse texto com giz de cera no verso de um jornal velho, como uma confissão e um aviso. Minha desgraça veio quando Ana, minha esposa, retornou para casa depois de uma cirurgia no apêndice. Tudo parecia normal, mas hoje vejo como fui idiota. 

Meu filho, Lu, foi quem me alertou: “Papai, a mamãe não é mamãe, isso daí se parece com ela, mas só parece”. Eu ignorei o aviso, afinal o garoto tinha uma imaginação fértil como qualquer outro de seis anos, mas hoje penso que se eu tivesse prestado atenção, ele ainda poderia estar vivo...


Eu havia notado algumas diferenças em Ana, mas por algum motivo ignorei, hoje acredito que a coisa fez algo com a minha cabeça. Ana havia voltado com uma fome voraz, principalmente por carne vermelha. Certa vez a peguei comendo carne crua e quando ela me viu, lambeu o sangue dos lábios e me beijou antes que eu dissesse algo. 

Aquele beijo foi esquisito e me deixou sem ação. Hoje tenho certeza que a coisa me hipnotizou, como um predador diante da presa. O apetite de Ana ia além da fome por comida, ela estava louca por sexo! Fazíamos quase todos os dias, de manhã, à tarde, à noite e de madrugada. Cheguei a um ponto onde eu não aguentava mais e fugia dela matando tempo no trabalho e na rua... Deus! Hoje sei que aquilo com quem eu estava transando não era minha esposa, não era sequer humano.

Tudo teve fim um mês depois em uma madrugada de sábado, eu estava dormindo quando escutei um grito. Acordei assustado, olhei para o lado e a cama estava vazia. Calcei os chinelos e fui rumo ao quarto do Lu. Assim que sai no corredor quase vomitei, o ar estava tomado por um cheiro forte de podridão nauseante que mais parecia bosta de cavalo batida com leite azedo, algo difícil de esquecer. 

Segui caminhando com o coração aos pulos debaixo do peito sem saber o que diabos estava acontecendo, e quando parei na porta do quarto do meu filho, fui tomado de pavor e desespero.


O ambiente estava escuro, mas a luz da lua que vinha da janela aberta iluminava o suficiente. No chão estava o cadáver de Lu, a cabeça dele estava torcida para trás e seus olhos vidrados no vazio mórbido me encaravam. O corpo estava com a barriga aberta e sobre ele uma criatura se alimentava sugando as vísceras como se fossem macarrão ao molho italiano. 

coisa era grande, magra e velha, sua pele era cinza e de aspecto doente, o crânio murcho era alongado para trás e mais parecia uma genitália enrugada. O maxilar da criatura era grande e cheio de dentes pontudos semelhantes a estacas de aço. Olhei em volta e o quarto estava tomado por casulos pulsantes que emanavam calor, entre eles estava o cadáver de Ana que parecia uma roupa velha jogada de lado. 


Desesperado comecei a gritar e então a coisa parou de comer e olhou para mim. Seus olhos eram amarelos e brilhavam na escuridão como vagalumes, de repente ela abriu a boca e berrou: “SUUUUUBA-RA-SHIIIIIII!”. 

Confuso e apavorado sai correndo para o corredor, tropecei e desmaiei no chão. Quando acordei estava cercado de policiais que não acreditaram na minha história. O resto você consegue imaginar. Eles acharam os corpos, mas não viram nenhum casulo, muito menos a criatura.

E as vezes quando almoço ao lado de Napoleão e Mussolini, penso que talvez eu não passe de um louco assassino como todos dizem, mas eu sei o que eu vi naquela noite. Também sei que os casulos estavam cheios de crias da criatura, teriam elas o meu rosto? Espero jamais descobrir.

Escrito por Rodrigo Rodrigues – 21/10/2018.


Você já o conhece. Tem resenha do livro dele "O Pistoleiro da Meia-noite" aqui no blog. E se você se interessou e quer saber mais sobre o autor aqui estão todas suas redes e links para comprar seu livro:



Instagran 


[Conto] O vampiro - John Polidori

Em 1816, uma tempestade isolou 6 pessoas em um casarão. Entediados resolveram escrever histórias de terror para ler mais tarde em frente a lareira. A brincadeira logo foi deixada de lado, mas dessa noite nasceu o famoso livro "Frankenstein" escrito pela Mary Shelly. Como se já não bastasse, John Polidori também não abandonou por completo seu projeto e o terminou logo em seguida.


Assim nascia o primeiro relato escrito na língua inglesa que falava sobre Vampiros. Esse conto se tornou tão importante que serviu de base para a criação dos livros mais conhecidos do mundo dentro dessa temática.

  • Drácula de Bram Stoker (1897)
  • Entrevista com o vampiro de Anne Rice (976)

Levanta a mão quem queria estar nesse casarão \O/

Resumo simplificado: Aubrey, um jovem inglês conhece um homem bastante peculiar chamado Lord Ruthven, os dois acabam se aproximando e saem juntos em uma viagem. Durante esse período ocorre um pequeno desentendimento entre eles e Aubrey parte para Grécia sozinho, deixando seu amigo para trás. 

Lá, Aubrey conhece Ianthe e eles se apaixonam. É ela que conta a Aubrey sobre uma lenda local bastante bizarra que fala sobre mortos-vivos que sugam o sangue de pessoas para saciar sua fome, chamadas de vampiros. Ele parece não dar muita importância para a história, mas fica um pouco impressionado. 
Nesse meio tempo, Lord Ruthven chega a Grécia a procura de seu amigo. Reencontrando-o, ele conhece Ianthe também, a quem parece lhe ter muita simpatia. Tudo corria bem, até que Ianthe é encontrada morta em circunstâncias bem estranhas. Daí em diante Aubrey começa a seafundar em mistérios sobrenaturais que o acompanharão por muitos anos. 


É um conto delicioso, muito bem escrito e curtinho. Vale a pena pela sua descrição primorosa e por sua importância histórica.


[Livro + Filme] Christine - Stephen King

Essa é uma história sobrenatural de um carro assombrado, contado pelo melhor amigo de Arnie, seu nome é Dennis. É através de seus olhos que conhecemos Christine e, assim como ele, notamos logo de cara como a história toda já começa errada.

Sinopse: Arnie Cunnigham era um perdedor. Rosto coberto de espinhas, desajeitado com as garotas, magro demais, passava os dias pelos corredores da escola, tentando fugir da gozação dos colegas. Isso até Christine entrar em sua vida. Amor à primeira vista. A partir desse dia, o mundo ganha novo sentido. Tudo o que Arnie quer é estar junto de Christine. Mas não espere um novo Romeu e Julieta, tratando-se da mente assombrosa de Stephen King. Christine é um carro. Um Plymouth Fury 1958. Um feitiço sobre rodas que se apodera de Arnie e faz dele alguém diferente. Há algo poderosamente maligno solto pelas estradas de Libertyville. Uma força sobrenatural que vai deixando seu rastro de sangue por onde passa. 

A história é fantástica. Não quero entregar muitos detalhes para quem não leu, mas basta saber que Arnie vê Christine, na casa de seu ex-dono, caindo aos pedaços e fica alucinado por ela, ao ponto de pagar muito mais do que ela vale, mesmo com os protestos de seu amigo. É como se ele estivesse enfeitiçado. 



A partir daí as coisas vão ladeira abaixo em uma velocidade incrível. A família de Arnie fica "fula" da vida com a aquisição. Dennis começa a não reconhecer seu amigo por conta da mudança repentina de comportamento e por isso começa a investigar qual é a história desse carro velho que lhe causa arrepios. 

Antes e depois de Arnie
 
Olha, nesse livro tem de tudo: Carro que anda sozinho, atropelamentos bizarros (narrados com tantos detalhes que dá nó no estômago), cenas de tensão para quem pega carona com Arnie, pessoas vivas vendo mortas andando em Christine por aí e uma das cenas mais angustiantes que já li: 

Quando a namorada de Arnie engasga dentro do carro. Essa cena é de tirar o fôlego no livro. No filme ficou mais leve, mas mesmo assim dá um desespero! Dá uma olhadinha nela: 


Acreditem, a leitura é bem pior do que essa cena. Leigh, a namorada, se torna parceira de Dennis na luta contra Christine e o desenrolar é alucinante. 

O ponto negativo do livro: A parte realmente alucinante como eu estou dizendo até aqui só começa da metade para frente. É um livro de 600 páginas e nas primeiras 300 acompanhamos a amizade entre Arnie e Dennis, a mudança de Arnie e todo o desenvolvimento do carro, se revelando aos pouquinhos. 


Mas na segunda metade é que tudo acontece. Os assassinatos, as pessoas realmente entendendo o que está acontecendo e o melhor: o motivo para Christine ser como é que, diga-se de passagem, é diferente do motivo do filme e também sua primeira cena. 

Gostei muito do livro apesar disso, quem lê muito Stephen King já está acostumado com essa "enrolação". Ele dá todo o panorama da cidade e das pessoas antes de entrar fundo na história. Achei exagerado, mas nada de se jogar fora pela genialidade da escrita. 

 

Quanto ao filme: Os livros do King foram muito adaptados nos anos 80/90 e possuem (TODOS) um ponto negativo e um positivo: 

Negativo: é fraco em produção, com atores bastante despreparados e algumas mudanças importantes que alteram os finais das obras. 

Positivo: Mesmo com a mudança, as cenas mais impactantes dos livros estão lá e com as mesmas falas escritas por King. Isso é delicioso para o leitor. 

Em Christine, escrito em 83 e adaptado em 84 é tudo muito fiel. As melhores cenas estão presentes e algumas falas icônicas também. As mudanças e adaptações não fazem diferença na história e, apesar do final ser diferente, a diversão é garantida. 

Não é à toa que virou um clássico!


[Filme] A Autópsia

Uma produção até que simples com uns três cenários, contando com no máximo 5 atores que mais aparecem dos quais ficamos o tempo todo apenas com três, o filme "A Autópsia" consegue construir um clima tão tenso que arrepia até os mais experientes no gênero.





Sinopse: O corpo maltratado de uma mulher não identificada é descoberto em uma pequena vila na Virgínia e eventos inexplicáveis começam a atormentar os donos do necrotério e os responsáveis por fazer a autópsia no cadáver.



Eu não esperava tamanho "climão". Na verdade fui preparada para um grande clichê e levei uns bons sustos. Tudo começa com a descoberta de um corpo, em uma pequena cidade, de uma mulher não identificada. Ela é levada para um daqueles necrotérios que ficam na própria casa dos legistas, sabe. Antigamente isso existia.

Eu sei, bizarro, mas existia! 

Pai e filho se encarregam do trabalho no fim da tarde e quando eles começam a autópsia é que as coisas começam a pegar fogo... Literalmente.


Brincadeira, esse fogo tem um motivo específico que eu não vou contar pra não perder o susto.

Os atores são absurdamente ótimos em seus papeis. O pai, interpretado por Brian Cox está ensinando o ofício ao filho, que é vivido por Emile Hirsch. 


Uma das cenas mais legais é quando o filho mostra o necrotério para sua namorada, bem no começo do filme, e ela pede para ver um dos mortos. 

Quem não faria isso?!!!

Ao abrir uma das gavetas ela vê isso:



Daí pergunta: Para que esse sininho no pé do cadáver?
O pai responde: Para termos certeza de que eles estão mesmo mortos!


OK! Só digo que esse sininho dá o que falar no filme!

Preciso ressaltar um pouco sobre a atriz que faz a Jane Doe. Para quem não sabe Jane Doe é algo como "Maria ninguém" aqui para nós, porque ninguém sabe quem ela é e como foi parar ali. 

A atriz que dá vida (ou não) à essa personagem é a belíssima Olwen Kelly que consegue ficar assustadoramente parada o filme todo e parece morta mesmo. Eu fiquei chocada com aquilo!


E não é só de sustos que vive esse filme. O mistério em torno da Jane Dou é bem interessante também. Como ela foi morta, como foi encontrada e a forma com que seu corpo reagiu (ou continua reagindo) à violência em torno da sua morte nos deixa preso na trama. 


É realmente um suspense da pesada. Fazia muito tempo que eu não via um filme tão bom e tão pouco apelativo quanto esse. Recomendo, mas só para os mais corajosos. Ah, e assistam de dia, por viadas dúvidas!

Veja o trailer:




Mês do Halloween, Dicas de livros e sorteio

Diz a lenda que um alcoólatra mal educado chamado Jack Miserable bebeu excessivamente em um dia 31 de outubro e o diabo veio buscar sua alma. Jack enganou o diabo para continuar bebendo e viveu por mais alguns anos. Quando morreu, não foi admitido no céu. Ressentido, o diabo também não o quis no inferno e o enviou para a noite escura com apenas uma brasa de carvão para iluminar o caminho. Jack colocou o carvão em um nabo esculpido que funcionava como uma lanterna e dizem que ele vaga pela Terra desde então.


Lendas como essa fazem do Halloween a data a mais divertida do ano e, para nosso deleite, muitos escritores continuam criando histórias (talvez algumas delas nem sejam tão ficção assim, certo?) para nos assustar. Eu reuni uma pequena lista dos meus livros preferidos dentro do gênero "terror/horror" para quem quiser entrar no clima!




1 - O Cemitério (Stephen King): não pode faltar, né? Mas esse é especial, porque acredito que seja um dos meus preferidos entre a imensa lista de livros do King. A história me deixou absolutamente impressionada e a notícia boa para quem decidir se aventurar nessa leitura é que terá adaptação nova para o cinema. Eu acho digno, já que a adaptação dos anos 80 é assustadora, mas é tão ruim que dá dó!





2 - O Vilarejo (Raphael Montes): Pelo amor de Deus que livro bom é esse e o mais legal: é muito bem ilustrado! Acreditem, isso torna a experiência bem mais tenebrosa. Raphael Montes vem sendo comparado com Stephen King e eu discordo disso, não que ele não tenha talento, mas porque ele escreve um terror muito mais puxado para o bizarro e não tão psicológico como o do King. Mesmo assim, recomendo seus livros e espero muitas outras coisas boas vindo dele.




3 - O Colecionador (John Fowles): Acredito que Stephen King leu este livro antes de escrever seu tão aclamado "Misery". Digo uma coisa: Se você sair ileso dessa leitura, provavelmente você não tem coração. É uma história arrebatadora, contada de um jeito que mexe com você e brinca com seus sentimentos. O leitor é, constantemente, jogado de um lado para o outro e o final... Estou em choque até agora!






4 - Do Inferno (Alan Moore): É uma HQ deslumbrante que conta a versão mais aceita até hoje para a história de "Jack, o estripador". Acontece que HQ é visual, né? Imagina essa história contada dessa forma e pelas mãos do mestre Alan Moore. Acho que nem preciso falar mais nada! Leitura obrigatória para quem curte terror e suspense.






5 - Hellraiser ( Clive Barker): Você pode até me falar que já viu os filmes que passavam nos anos 90, mas uma coisa é fato: Ler essa história é muito mais apavorante do que ver. As descrições de Clive Barker são tão palpáveis que dá medo da nossa própria imaginação. Essa história mexe com nossos sentimentos e sentidos, você sente cheiros, arrepios, ansiedade, tudo! No entanto, não indico essa obra para qualquer um, porque é realmente pesada!



6 - A mão do macaco (W. W. Jacobs): Esse não é um livro e sim um conto. Não sei em qual livro você poderia encontrá-lo, mas o PDF. dele é facilmente encontrado pela internet toda. É um conto realmente apavorante que merece ser lido e relido porque em torno dele foi criada toda uma lenda urbana que aparece em várias produções do gênero. Leitura rápida e bem assustadora!


Dicas dadas, agora quero convidar vocês para participar do sorteio que está rolando lá no Facebook, em parceria com o escritor Rodrigo Rodrigues e a Livraria Torre do Tombo.



Dica para sobreviver ao Halloween + Presente para você

Que delícia foi nosso mês de Halloween não é mesmo?
Todo outubro é a mesma coisa: Aquela correria para programar coisas aterrorizantes para vocês, críticas e mais críticas por causa da minha determinação com o Halloween e não com nosso folclore e muitas, MUITAS visitas todo dia!

Eu adoro! 

De qualquer forma, rendeu muito: Falamos sobre trilha sonora de terror, tivemos resenhas de contos e livros do mesmo tema, falamos de capas horríveis do melhor escritor do mundo e ainda ganhamos dois contos EXCLUSIVOS de nossos parceiros.

Mas as novidades não acabaram, mas antes...

Dica de sobrevivência: Cuidado ao tirar Selfie no Halloween!!!





Assustou? Quer mais?

(Clique na imagem para baixar o conto)

  

Corre na Amazon que tem dois contos meus GRÁTIS, hoje e amanhã o dia todo. Corre! 

É meu presente de Halloween para vocês! \O/




[Conto] O Cão - Rodrigo Shepard


Seus bofes estavam quase saindo pra fora quando ele parou de correr, o coração galopava forte no peito e fazia seus olhos pulsarem nas orbitas. Atrás dele estava o cadáver, despedaçado, prensado no asfalto quente. O ônibus tinha passado por cima do animal, uma das rodas dianteiras acertou a cabeça, transformando o crânio no puzzle demoníaco, o corpo fora partido ao meio, trabalho quase cirúrgico da roda traseira do automóvel. 

Já estava acostumado a fugir dele, sempre quando deixava a correspondência na casa dos Nogueira, uma família estranha de reputação ruim no bairro, o animal avançava no portão, latindo como se não houvesse amanhã, exibindo as presas afiadas, sedentas para arrancar um pedaço de sua carne. Quase sempre ele conseguia escapar de sua casa e o perseguia, mas dessa vez, a última vez, o cachorro dos Nogueira encontrou um predador maior do que ele. Um dinossauro de aço que o esmagou no cimento numa fração de segundos.

Algumas pessoas olharam assustadas para o cadáver do animal, outras gritaram para o motorista do ônibus que seguiu caminho, sem se quer parar no farol. Paulo teve vontade de para-lo também, não para lhe agredir, mas sim para agradecê-lo de todo o coração. Aquele cachorro transformava seus dias de trabalho num verdadeiro martírio, que o fez pensar em pedir demissão inúmeras vezes. 

Contudo, agora ele podia respirar aliviado. Podia ir trabalhar no dia seguinte sem ter que se preocupar com aquele maldito animal, isso o fez abrir um sorriso largo e sincero “Bem feito, vai latir no inferno agora, seu animal burro”, pensou. 

Mas foi nesse instante que, entre os curiosos do outro lado da rua, apareceu um dos donos do animal: Ivo Nogueira, um velho cego do olho esquerdo que usava uma bengala de marfim. Ele encarou o cadáver do animal com tristeza, caminhou até ele, caiu no chão de joelhos e começou a juntar os pedaços com as mãos nuas, sem pudor algum, fazendo as pessoas ao redor gemer de nojo e se afastar, alguns carros buzinaram querendo passar. 

Paulo olhou com desprezo àquela cena, ainda sorrindo, e sentiu um calafrio mórbido percorrer sua espinha quando notou que o velho o encarava com um olhar sinistro e percebeu com espanto ainda maior que, com a boca tremula, ele proferia palavras sem emitir som algum. Isso o fez se sentir mal e já bem apavorado, deu as costas à cena e partiu. 

Já de noite, quando chegou a casa, um apartamento pequeno no subúrbio, que ele dividia apenas com a lembrança da ex-mulher, Paulo tirou o uniforme e foi tomar banho, dentro de si, ainda carregava uma sensação ruim que lhe dava um frio na barriga. A imagem do cachorro morto ainda estava fresca em sua mente, fixada como um papel de parede, mas o pior era a lembrança do olhar do velho Ivo Nogueira. Era como se o sujeito ainda estive ali, na sua frente olhando para ele, surrando algo..

As pessoas do bairro diziam que os Nogueiras faziam trabalhos espirituais e que mexiam com magia negra, coisa pesada. Ainda pensando nisso Paulo tentou jantar, serviu-se de uma lasanha de carne que ele esquentou no micro-ondas, mas parou de comer na primeira garfada. O paladar rejeitou o alimento, dizendo ao celebro que aquilo não era massa com molho e carne moída, mas sim sobras de um cachorro morto, aquecido no asfalto numa tarde de verão. 

Enojado, Paulo correu até o banheiro e vomitou. Sentia suas próprias tripas se contorcer e já sem forças, jogou-se no sofá e ligou a TV, mas acabou adormecendo ali mesmo. Na própria mente em um sono profundo, algo lhe assombrou os sonhos, era um latido bestial e ensurdecedor que o fez acordar ao pulos.

Demorou alguns minutos para se acalmar. Quando abriu os olhos a TV estava na estática, chiando como um pesadelo, e assim que Paulo fitou o relógio na parede, viu que ainda era três da madrugada. Estava suado, tremendo, e um tanto assustado, mas o cansaço o consumia, então Paulo desligou o aparelho e voltou a dormir ali mesmo, mas assim que começou a sonhar o som do latido voltou, ainda mais alto do que a primeira vez e mais forte.

Pela segunda vez naquela noite, Paulo abriu os olhos, assustado, mas dessa vez, o som não parou. Continuava forte, alto e claro, foi então que soube: era o cão dos Nogueira, renascido do inferno. Desesperado o carteiro olhou em volta a procura do animal, mas nada viu. Desconfiado revistou a casa, porém não obteve sucesso, saiu e procurou no quintal e ali percebeu que o latido brotava de outro lugar, de sua mente, nos confins de seu pensamento. 

Era algo terrível que fazia sua cabeça doer, cozinhando seus miolos dentro do crânio. Aquilo lhe tirou o sono por completo e o deixou ainda mais transtornado. . No dia seguinte não foi trabalhar, como poderia? O latido gutural que brotava de sua cabeça não dava trégua e o impedia de se concertar em qualquer coisa. Quando fechava os olhos via o velho Ivo, olhando pra ele, sussurrando palavras desconhecidas, de puro ódio e rancor. 

Além disso tudo, descobriu outra coisa: tudo o que punha na boca tinha gosto de carne crua aquecida. Paulo não podia mais comer e ao sair de casa na procura de um médico mais uma surpresa, por onde fosse tinha a estranha sensação de estar sendo seguido, até mesmo sua sombra estava estranha, às vezes curvava-se de quarto e saia correndo diante de seus olhos. 

Conforme os dias foram passando às coisas só pioravam, Paulo ouvia, enxergava e sentia coisas que só ele presenciava. Estava enlouquecendo, e emagrecendo também. Parou de ir ao trabalho e de ver as pessoas, isolou-se em casa e somente no sétimo dia depois da morte do cão dos Nogueira, encontrou a solução para seus problemas, ela estava dentro de um revolver calibre 38 que ele colocou na boca e puxou o gatilho. 

Alivio.

Depois de morto ele viu o próprio cadáver no chão da sala de casa, sentia-se estranho, podia atravessar paredes e flutuar acima do chão, no entanto não sentia frio, calor nem fome e o melhor, não ouvia mais o latido do cachorro. Saiu de casa atravessando a porta, como se fosse uma cortina de agua, perguntou-se o que viria a seguir, ao sair na rua, pois era novato nesse lance de vida-a-pôs a morte. 

Procurou em algum lugar uma escada para o céu, ou mesmo um buraco para o inferno. Sem sucesso decidiu que agora poderia passar o tempo assombrando o velho Ivo Nogueira, o desgraçado que o havia amaldiçoado. Faria isso até que o velho morresse do coração, mas quando chegou ao portão da casa dele, Paulo estancou no chão, pois viu ali um velho amigo, que esperava por ele, com um sorriso demoníaco nos lábios, babando enquanto rosnava. 

Era o cão dos Nogueira, morto, assim como ele. Paulo gemeu de pavor e fugiu quando o animal atravessou o portão, eles correram pelo ar, sem que ninguém lhes desse atenção. Assim que viu o animal atravessar um ônibus sem se machucar, o carteiro chorou e se amaldiçoou, ali estava o inferno, um ciclo vicioso que transcendeu a morte e duraria até o fim dos tempos, ligando carteiro e cachorro para todo o sempre.

Escrito por Rodrigo S. Rodrigues - 08/09/2015



[Livro] A casa assombrada - John Boyne


Se eu tivesse que resumir este livro em apenas uma palavra, com certeza, seria: Impecável.
Talvez: Aterrorizante. Estimulante. Clássico. Existem tantas palavras que poderiam ser usadas para defini-lo corretamente, mas ficarei apenas com: Obrigatório.


Sinopse: Eliza Caine tem 21 anos e acaba de perder o pai. Totalmente sozinha e sem dinheiro suficiente para pagar o aluguel na cidade, ela se depara com o anúncio de um tal H. Bennet. Ele busca uma governanta para se dedicar aos cuidados e à educação das crianças de Gaudlin Hall, uma propriedade no condado de Norfolk – sem, no entanto, mencionar quantas são, quantos anos têm ou dar quaisquer outras explicações. Assim, ela larga o emprego de professora numa escola para meninas e ruma para o interior.
Chegando a Gaudlin Hall, Eliza se surpreende ao encontrar apenas Isabella, uma menina que parece inteligente demais para sua idade, e Eustace, seu adorável irmão de oito anos. Os pais das crianças não estão lá. Não se veem criados. Ela logo constata que não há nenhum outro adulto na propriedade, e a identidade de H. Bennet permanece um mistério.
A governanta recém-contratada busca informações com as pessoas do vilarejo, mas todos a evitam. Nesse meio tempo, fica intrigada com janelas que se fecham sem explicação, cortinas que se movem sozinhas e ventos desproporcionais soprando pela propriedade. E então coisas realmente assustadoras começam a acontecer…

Classificação:
Skoob

Se você é fã de suspense, deve ler A casa assombrada e se ainda não conhece a escrita, deslumbrante e profunda, do autor irlandês (O garoto do Pijama Listrado), saiba que está cometendo um grande erro literário. Essa, é mais uma daquelas resenhas difíceis de fazer, por ter recebido minhas 5 estrelas logo nas primeiras 50 páginas e por tê-las mantido até o final, sem vacilar um minuto sequer.

John Boyne já havia me conquistado com O Palácio de Inverno e agora me ganhou de vez, entrando no meu Ranking de melhores escritores e me obrigando a procurar suas outras obras. Essa, em especial me ganhou pelo suspense, pelo título e, principalmente, pela profundidade.

E se você está pensando que estou entusiasmada demais, espera até bater o olho na primeira frase do livro: 

Culpo Charles Dickens pela morte do meu pai.

Sim, o livro começa citando o renomado autor e não para por aí, o próprio Charles Dickens faz uma aparição nas primeiras páginas, em uma leitura para seu público. Eliza Caine (protagonista) cita diversas obras do escritor e fala um pouco sobre ele e só aí, já havia me conquistado.

Eliza Caine é uma mulher de 21 anos (descrita como pouco atraente) que vive em Londres no nebuloso ano de 1867 e narra essa história com tamanha profundidade, que nos prende a cada linha, como se dependêssemos daquilo para respirar. As inúmeras menções a Charles Dickens foi o que me atraiu de início, mas não foi o que me manteve, com certeza.

Sua solidão e tristeza me assolou. As inúmeras reflexões a sua falta de beleza também me fez pensar o quanto esse livro é crítico e me lembrou de que preconceitos são um defeito antigo do homem. A religião também é um ponto discutido no livro e Eliza faz perguntas de arrepiar qualquer beato.

A Bíblia foi escrita por homens”, exclamei. “Passou por tantas mudanças, por tantas traduções ao longo dos séculos, que se adapta e se reinventa de acordo com a época em que o leitor entra em contato com ela. Apenas um tolo acredita que as suas palavras são as palavras de Jesus Cristo.

De qualquer forma, a obra começa com Eliza Caine indo a uma leitura de Dickens com seu pai, já bem debilitado, e após essa noite, chuvosa e fria, ele acaba falecendo. Sem rumo e sozinha pela primeira vez na vida, Eliza resolve se candidatar para um cargo de governanta em Galdin Hall que viu, quase sem querer, no jornal e para seu espanto é aceita rapidamente sem maiores perguntas e sem nenhuma explicação sobre o cargo.

E assim, de repente, sua vida se transforma. De filha dedicada e protegida para mulher solitária e de mudança para um lugar onde não conhece ninguém e longe de Londres. Ela descobre logo que tomará conta de duas crianças: Isabelle e Eustace e mesmo eles parecem submersos nos segredos da casa e... 

Que crianças são aquelas? História de terror com pequeninos é realmente de arrepiar qualquer um.

Considerei a possibilidade de trocar de quarto e me mudar para um dos muitos aposentos vagos no segundo ou no terceiro andar da mansão, mas duvidava que o espírito com tanto rancor pela minha presença desistisse por uma alteração tão irrelevante.

Logo de cara, Eliza se sente perdida, pois é recebida pelas duas crianças e mais ninguém. Ao perguntar pelos adultos da casa recebe respostas evasivas e assim começa sua corrida pela verdade. Mas a maior mudança, certamente, não foi física e sim espiritual. Pois Eliza vai parar em um casarão antigo cheio de histórias mal contadas, segredos e cercada de medo.

Todos parecem correr de suas perguntas. Ninguém conta, de fato, o que acontece ali dentro e para piorar, Eliza começa a perceber que não está sozinha, mesmo quando se tranca em seu quarto.

Gritei e caí para trás; o som do meu grito foi aterrador até mesmo para mim; olhei para o lado e vi Isabella cobrindo os ouvidos com as mãos, Eustace me encarando com os olhos arregalados e a boca escancarada.

Não sei se essa foi à intenção de John Boyne, mas eu passei o tempo todo sentindo que coisas eram escondidas de mim também (leitora). Isso me deixou tão louca quanto Eliza, que buscava esclarecimentos o tempo todo. Foi uma jogada de mestre, em minha opinião.

O desenrolar do livro é lento, mas delicioso. Vocês nunca irão me ouvir falar isso novamente, eu acho. Prefiro obras mais aceleradas, mas essa teve a velocidade certa. Eu pensava no livro o tempo todo, me imaginava naquele casarão e com aquelas crianças, totalmente desprotegida e cheia de perguntas enquanto tentava sobreviver aos inúmeros "acidentes" tão corriqueiros do local.

O que tinha acontecido naqueles quinze segundos? Como uma coisa daquelas poderia acontecer? Não tinha sido minha imaginação, pois meus machucados eram reais. Havia uma presença naquela casa...

As cenas não tiram o sono, mas dão aquele arrepio interessante, sabe? Não é uma obra para aterrorizar, mas mesmo assim te deixa com o pensamento fixo nos tais "acidentes". Pequenos, rápidos e completamente aterrorizantes de uma forma... Diferente. Só lendo para entender.

Eu fiquei apaixonada pela obra e por isso a classifico com cinco estrelas, ou melhor, cinco casarões assombrados:


Agora, uma reflexão importante sobre esse livro:

Quando comecei ler essa obra, me encantei já nas primeiras páginas. 
Confesso que me joguei na história sem saber nada sobre o livro e depois de terminada a leitura, fui buscar o que as outras pessoas estavam falando...

Foi nesse instante que conheci o tão aclamado "A volta do parafuso" de Henry James, e curiosa que sou, mandei vir o livro, para tirar a limpo essa história de que Boyne havia se baseado na história de James para escrever sua obra.

Minha conclusão é a seguinte: Boyne se baseou sim, impossível não notar a imensa semelhança entre as obras, no entanto, a história de Henry James me pareceu arrastada demais e no final eu é que me arrastava para terminar a leitura. O desfecho também me desagradou e não senti empatia pelas personagens...

Já em "A casa assombrada" senti exatamente o contrário. A narrativa, por mais lenta que parecesse me fez grudar os olhos nas páginas e prender o fôlego a cada acidente. O final me arregalou os olhos e as 5 estrelas vieram fácil.

Bem, caso Boyne tenha se baseado na obra "A volta do parafuso", devo dizer que ele não poderia ter sido mais feliz em tal feito. Sua criação elevou o nível da história de James e delineou muito melhor o cenário de suspense que a governanta narra.

Boyne me fez arrepiar e se essa foi sua ideia, espero que ele se baseie em outras obras clássicas para suas futuras, MELHORES, histórias!


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