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Biografia Express: Edgar Allan Poe

Quero contar um pouco sobre a vida de um dos maiores (se não o maior) escritor de terror do mundo: Edgar Allan Poe. Será bem "express", mas será bem elucidativo quanto ao teor de tudo que ele escreveu durante sua vida. 

Antes de tudo: Eu sei que existem biografias controversas quanto a vida desse escritor tão importante, acredito mesmo que esta que estou publicando pode contar algumas informações não verificadas, mas uma coisa é inegável: A vida desastrosa dele contribuiu - e muito - para a criação da sua obra e isso está presente em TODAS as biografias já lançadas.


A vida imita arte ou a arte imita a vida? 


Edgar amou, ainda muito jovem. Ela, Helena, uma mulher mais velha recebeu o primeiro poema escrito por ele na vida e acabou correspondendo a essa paixão. O poema se chamava "Para Helena"

Infelizmente Helena acabou falecendo e essa foi a primeira vez que Edgar entrava em contato com a morte. Logo depois, perdeu a mãe também a logo em seguida, foi adotado. 

A morte o visitou novamente e levou sua mãe adotiva, deixando para trás um pai adotivo que não gostava muito dele. Mas Edgar era brilhante e por isso foi para faculdade. Lá, se apaixonou novamente e foi correspondido, novamente. 

Mr. Poe, seu garanhão! 

Nessa época, por conta da recusa de seu padrasto em aceitá-lo como filho, vivia endividado e essa constante dificuldade o levou a beber. Beber muito. Sua má fama se alastrou e os pais de sua amada, revoltados com essa má influência, deram um jeito de acabar com o romance. 

Edgar foi obrigado a voltar para casa por conta de suas dívidas. Falido e com o coração partido, viu-se mais uma vez rechaçado pelo pai adotivo e sem rumo, alistou-se no exército. Esse período serviu de inspiração para ele escrever "O Escaravelho de ouro" anos depois. 

Nessa época, Poe tentou (inutilmente) uma reconciliação com o pai de criação e conseguiu dele apenas uma amarga e breve carta de recomendação. Munido de várias outras cartas mais calorosas de seus superiores, partiu para Washington, onde morou a maior parte do tempo em Baltimore. 

Recebia de seu pai, pequenas somas de dinheiro que mal o sustentava e foi nesse período que Poe foi roubado por um primo e precisou pedir abrigo à uma tia, chamada Maria Clemm (irmã de seu pai). Lá reencontrou seu irmão e conheceu uma prima, Virgínia Clemm que mais tarde seria sua esposa. 

Nesse período tentou se fazer mais conhecido como escritor e produziu o manuscrito "Al Aaraaf". Entre idas e vindas, voltou para Baltimore, mais ou menos na época em que seu irmão morreu. Vivendo em extrema pobreza, escreveu seu único drama chamado "Policiando". 

Nessa época também recebeu seu primeiro prêmio (50 dólares) em dinheiro pelo conto "Manuscrito encontrado numa garrafa" o que lhe alavancou a carreira. 

Poe perdeu seu cargo por causa da bebida. Voltou para Baltimore, casou com sua prima Virgínia Clemm e depois de implorar por outra chance, conseguiu o emprego novamente. De volta ao cargo, cresceu como crítico literário e publicou diversos contos que o tornou ainda mais conhecido. 

Então. Mais uma vez com problemas alcoólicos, Poe - que não servia para receber ordens - perdeu o emprego. Mudou pra Nova York e depois para Filadélfia. Ali trabalhou como editor de uma revista e investiu em seus contos. Foi nessa época que apareceu o famoso conto "A queda da casa de Usher"


Cresceu e tornou-se sócio da revista. Escreveu "Os crimes da rua Morgue" e "Escaravelho de ouro". O problema foi, novamente, a bebida, que o fez perder o emprego. Junto disso, sua esposa estava tuberculosa e Põe se entregou ainda mais ao álcool. 

Novamente miserável, voltou para Nova York e foi morar em um abrigo e escreveu "A Balela do Balão". Mas sua esposa estava com a saúde muito debilitada, então Poe resolveu mudar para o campo e lá escreveu o tão famoso "O corvo". Este foi um pequeno período de tranquilidade para ele. 

Em 1847, sua esposa morreu e Poe demorou a se recuperar. Foi com a ajuda de Maria Clemm que ele se reergueu e escreveu "Eureka", mas a bebida estava cada vez mais presente em sua vida. 

O fim da sua vida foi marcado pela publicação dos seus poemas mais famosos: "Os Sinos", "Annabel Lee" e outros. Apaixonou-se novamente, mas o álcool o acompanhava sempre é no dia 7 de outubro de 1849, morreu entre delírios. 

"Please, Lord, help my poor soul!". 

Morreu, miserável e tragicamente, assim como viveu a vida toda. Dá para entender como seus contos e poemas são regados com muito amor e morte, né? Poe foi brilhante, mas não teve força suficiente para deixar o álcool. 


Edgar Allan Poe - Annabel Lee


Ahh, me explique se existe uma maneira de não se apaixonar por Edgar Allan Poe?! Eu não costumo ser romântica, mas o traço desse homem é irresistível e me faz sonhar!


Então há tempos trouxe AQUI o poema mais famoso dele - O CORVO - e agora trago outro. Não sei se já conhecem, a tradução está logo abaixo do poema original, porque os que entendem inglês PRECISAM ler essas palavras e suas rimas deliciosas, então aqui está:

ANNABEL LEE
(by Edgar Allan Poe)


It was many and many a year ago,
In a kingdom by the sea,
That a maiden there lived whom you may know
By the name of Annabel Lee;
And this maiden she lived with no other thought
Than to love and be loved by me.
I was a child and she was a child,
In this kingdom by the sea;
But we loved with a love that was more than love-
I and my Annabel Lee;
With a love that the winged seraphs of heaven
Coveted her and me.

And this was the reason that, long ago,
In this kingdom by the sea,
A wind blew out of a cloud, chilling
My beautiful Annabel Lee;
So that her highborn kinsman came
And bore her away from me,
To shut her up in a sepulchre
In this kingdom by the sea.

The angels, not half so happy in heaven,
Went envying her and me-
Yes!- that was the reason (as all men know, In this kingdom by the sea)
That the wind came out of the cloud by night,
Chilling and killing my Annabel Lee.

But our love it was stronger by far than the love
Of those who were older than we-
Of many far wiser than we-
And neither the angels in heaven above,
Nor the demons down under the sea,
Can ever dissever my soul from the soul
Of the beautiful Annabel Lee.

For the moon never beams without bringing me dreams
Of the beautiful Annabel Lee;
And the stars never rise but I feel the bright eyes
Of the beautiful Annabel Lee;
And so,all the night-tide, I lie down by the side
Of my darling, my darling, my life and my bride,
In the sepulchre there by the sea,
In her tomb by the sounding sea.



E agora a tradução, não menos merecedora de destaque porque foi ninguém mais, ninguém menos do que Fernando Pessoa que nos trouxe ao entendimento das rimas famosas de Poe com sei jeito magnifico também!

ANNABEL LEE
(de Edgar Allan Poe - Por Fernando Pessoa)

Foi há muitos e muitos anos já,
Num reino de ao pé do mar.
Como sabeis todos, vivia lá
Aquela que eu soube amar;
E vivia sem outro pensamento
Que amar-me e eu a adorar.

Eu era criança e ela era criança,
Neste reino ao pé do mar;
Mas o nosso amor era mais que amor --
O meu e o dela a amar;
Um amor que os anjos do céu vieram
a ambos nós invejar.

E foi esta a razão por que, há muitos anos,
Neste reino ao pé do mar,
Um vento saiu duma nuvem, gelando
A linda que eu soube amar;
E o seu parente fidalgo veio
De longe a me a tirar,
Para a fechar num sepulcro
Neste reino ao pé do mar.

E os anjos, menos felizes no céu,
Ainda a nos invejar...
Sim, foi essa a razão (como sabem todos,
Neste reino ao pé do mar)
Que o vento saiu da nuvem de noite
Gelando e matando a que eu soube amar.

Mas o nosso amor era mais que o amor
De muitos mais velhos a amar,
De muitos de mais meditar,
E nem os anjos do céu lá em cima,
Nem demônios debaixo do mar
Poderão separar a minha alma da alma
Da linda que eu soube amar.

Porque os luares tristonhos só me trazem sonhos
Da linda que eu soube amar;
E as estrelas nos ares só me lembram olhares
Da linda que eu soube amar;
E assim 'stou deitado toda a noite ao lado
Do meu anjo, meu anjo, meu sonho e meu fado,
No sepulcro ao pé do mar,
Ao pé do murmúrio do mar.


Fernando Pessoa

***


Fiz uma resenha completa da série LOST no cultura viciante.
Clique AQUI e confira!


Quando a chuva cai


E quando a chuva cai é outra história.


Os animais parecem se esconder, mas não é isso, todos querem um lugar tranquilo e reservado para ver esse espetáculo. Não é todo dia, não é toda noite, quando chove tudo muda... O cheiro, a cor, o ânimo.

E não sou só eu que falo isso, vejo pessoas correndo pela rua, sorrindo para as gostas por que é inevitável não alargar os lábios em uma gargalhada quando no meio do caminho te pegam as gotas geladas. Eu não perdia uma. Ensacava minha mochila com um saco qualquer que pegava com a caseira da escola e enquanto a maioria se abrigava abaixo das telhas eu e meus amigos fanfarrões corríamos pulando nas poças. O tênis secaria amanhã e eu seria um tantinho mais feliz por ter feito isso! Valeu a pena!


Então veja que até meu querido e amado Fernando Pessoa gostava dela. Ele me entenderia!

 Chove. Há Silêncio
Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva
Não faz ruído senão com sossego.
Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva
Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego...

Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece...

Não paira vento, não há céu que eu sinta.
Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente...

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

No momento que escrevi isso estava chovendo claro, espero que quando estiverem lendo também esteja porque o calor está de matar!


A arte do suspense - Edgar Allan Poe

Sexta-feira 13? Haha. Juro que não fiz de propósito com esse post. Acabei de ver.

No dia 19 de janeiro de 1809 nasceu Edgar Allan Poe que veio a se tornar um autor, poeta, editor e crítico literário que ficou mais conhecido por contar histórias que envolviam o mistério macabro e o suspense. Foi o primeiro escritor de contos americanos e também o primeiro a tentar ganhar a vida somente como escritor o que lhe rendeu uma vida financeira difícil.

Em Janeiro de 1845, Poe publicou seu poema The Raven (O Corvo), foi um sucesso instantâneo.
Essa foto é muito legal porque faz referência ao conto O CORVO e também
à outro muito famoso chamado O GATO PRETO.
No dia 3 de outubro de 1849, Poe foi encontrado nas ruas de Baltimore, com roupas que não eram as suas, em estado de extremo delírio, e levado para o Washington College Hospital, onde veio a morrer apenas quatro dias depois. Poe nunca conseguiu estabelecer um discurso suficientemente coerente, de modo a explicar como tinha chegado à situação na qual foi encontrado. As suas últimas palavras teriam sido, de acordo com determinadas fontes, "It's all over now: write Eddy is no more", (Está tudo acabado: escrevam Eddy já não existe).

Excêntrico em ultimo grau, Edgar Allan Poe conquistou milhões de leitores em décadas passadas e continua conquistando hoje em dia. Seus contos parecem atuais e a maneira como escreve é hipnotizadora. Se não o conhece ainda recomendo que  faça.
Geralmente tudo era sombrio e macabro ao seu redor (digo, em suas escritas)

 Bem já li vários contos, todos excelentes, mas The Haven é com certeza o meu preferido pelo tom poético que é dado a ele. Colocarei o poema abaixo cuja tradução foi feita por Fernando Pessoa, mas colocarei também a versão original em inglês e quem domina a língua leia dessa forma e se possível em voz alta. É uma delicia chegar às rimas porque elas desenham um balanço tão perfeito que me faz ler o poema quase toda semana!

 Espero que gostem tanto quanto eu...


 O Corvo
(Edgar Allan Poe)

Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
 Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de algúem que batia levemente a meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais. 
É só isto, e nada mais." 

Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
 P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais, 
Mas sem nome aqui jamais!

 Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
 Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,
"É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
É só isto, e nada mais". 
E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
"Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais;
 Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.
Noite, noite e nada mais.

A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.
Isso só e nada mais. 

Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,
 Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
"Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais."
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.
"É o vento, e nada mais."

Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
 Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
 Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,
Foi, pousou, e nada mais. 
E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
 Com o solene decoro de seus ares rituais.
"Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."
Disse o corvo, "Nunca mais". 

Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
 Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
Com o nome "Nunca mais". 

Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
 Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, "Amigo, sonhos - mortais
Todos - todos já se foram. Amanhã também te vais".
Disse o corvo, "Nunca mais".

A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
"Por certo", disse eu, "são estas vozes usuais,
 Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais
Era este "Nunca mais". 

Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureia dos maus tempos ancestrais,
 Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,
Com aquele "Nunca mais". 

Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
 Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sobras desiguais,
Reclinar-se-á nunca mais! 

Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
"Maldito!", a mim disse, "deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
 O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"
Disse o corvo, "Nunca mais". 

"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
 Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,
A esta casa de ância e medo, dize a esta alma a quem atrais
Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!
Disse o corvo, "Nunca mais". 
"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.
 Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"
Disse o corvo, "Nunca mais". 

"Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!
Torna á noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
 Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".

E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,
Libertar-se-á... nunca mais!

Fernando Pessoa

Agora para quem quer ler o original:

The Raven
(by Edgar Allan Poe,first published in 1845)


Once upon a midnight dreary, while I pondered, weak and weary,
Over many a quaint and curious volume of forgotten lore,
While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping,
As of someone gently rapping, rapping at my chamber door.
" 'Tis some visitor," I muttered, "tapping at my chamber door;
Only this, and nothing more." 
Ah, distinctly I remember, it was in the bleak December,
And each separate dying ember wrought its ghost upon the floor.
Eagerly I wished the morrow; vainly I had sought to borrow
From my books surcease of sorrow, sorrow for the lost Lenore,.
For the rare and radiant maiden whom the angels name Lenore,
Nameless here forevermore. 

And the silken sad uncertain rustling of each purple curtain
Thrilled me---filled me with fantastic terrors never felt before;
So that now, to still the beating of my heart, I stood repeating,
" 'Tis some visitor entreating entrance at my chamber door,
Some late visitor entreating entrance at my chamber door.
This it is, and nothing more." 
Presently my soul grew stronger; hesitating then no longer,
"Sir," said I, "or madam, truly your forgiveness I implore;
But the fact is, I was napping, and so gently you came rapping,
And so faintly you came tapping, tapping at my chamber door,
That I scarce was sure I heard you." Here I opened wide the door;
Darkness there, and nothing more. 

Deep into the darkness peering, long I stood there, wondering, fearing
Doubting, dreaming dreams no mortals ever dared to dream before;
But the silence was unbroken, and the stillness gave no token,
And the only word there spoken was the whispered word,
Lenore?, This I whispered, and an echo murmured back the word,
"Lenore!" Merely this, and nothing more. 

Back into the chamber turning, all my soul within me burning,
Soon again I heard a tapping, something louder than before,
"Surely," said I, "surely, that is something at my window lattice.
Let me see, then, what thereat is, and this mystery explore.
Let my heart be still a moment, and this mystery explore.
" 'Tis the wind, and nothing more." 

Open here I flung the shutter, when, with many a flirt and flutter,
In there stepped a stately raven, of the saintly days of yore.
Not the least obeisance made he; not a minute stopped or stayed he;
But with mien of lord or lady, perched above my chamber door.
Perched upon a bust of Pallas, just above my chamber door,
Perched, and sat, and nothing more. 

Then this ebony bird beguiling my sad fancy into smiling,
By the grave and stern decorum of the countenance it wore,
"Though thy crest be shorn and shaven thou," I said, "art sure no craven,
Ghastly, grim, and ancient raven, wandering from the nightly shore.
Tell me what the lordly name is on the Night's Plutonian shore."
Quoth the raven, "Nevermore." 

Much I marvelled this ungainly fowl to hear discourse so plainly,
Though its answer little meaning, little relevancy bore;
For we cannot help agreeing that no living human being
Ever yet was blessed with seeing bird above his chamber door,
Bird or beast upon the sculptured bust above his chamber door,
With such name as "Nevermore." 

But the raven, sitting lonely on that placid bust, spoke only
That one word, as if his soul in that one word he did outpour.
Nothing further then he uttered; not a feather then he fluttered;
Till I scarcely more than muttered,"Other friends have flown before;
On the morrow he will leave me, as my hopes have flown before."
Then the bird said,"Nevermore." 

Startled at the stillness broken by reply so aptly spoken,
"Doubtless," said I, "what it utters is its only stock and store,
Caught from some unhappy master, whom unmerciful disaster
Followed fast and followed faster, till his songs one burden bore,
Till the dirges of his hope that melancholy burden bore
Of "Never---nevermore." 
But the raven still beguiling all my fancy into smiling,
Straight I wheeled a cushioned seat in front of bird and bust and door;
Then, upon the velvet sinking, I betook myself to linking
Fancy unto fancy, thinking what this ominous bird of yore,
What this grim, ungainly, ghastly, gaunt, and ominous bird of yore
Meant in croaking, "Nevermore." 

Thus I sat engaged in guessing, but no syllable expressing
To the fowl, whose fiery eyes now burned into my bosom's core;
This and more I sat divining, with my head at ease reclining
On the cushion's velvet lining that the lamplight gloated o'er,
But whose velvet violet lining with the lamplight gloating o'er
She shall press, ah, nevermore!

Then, methought, the air grew denser, perfumed from an unseen censer
Swung by seraphim whose footfalls tinkled on the tufted floor.
"Wretch," I cried, "thy God hath lent thee -- by these angels he hath
Sent thee respite---respite and nepenthe from thy memories of Lenore!
Quaff, O quaff this kind nepenthe, and forget this lost Lenore!"
Quoth the raven, "Nevermore!" 

"Prophet!" said I, "thing of evil!--prophet still, if bird or devil!
Whether tempter sent, or whether tempest tossed thee here ashore,
Desolate, yet all undaunted, on this desert land enchanted
On this home by horror haunted--tell me truly, I implore:
Is there--is there balm in Gilead?--tell me--tell me I implore!"
Quoth the raven, "Nevermore." 
"Prophet!" said I, "thing of evil--prophet still, if bird or devil!
By that heaven that bends above us--by that God we both adore
Tell this soul with sorrow laden, if, within the distant Aidenn,
It shall clasp a sainted maiden, whom the angels name Lenore
Clasp a rare and radiant maiden, whom the angels name Lenore?
Quoth the raven, "Nevermore." 

"Be that word our sign of parting, bird or fiend!" I shrieked, upstarting
"Get thee back into the tempest and the Night's Plutonian shore!
Leave no black plume as a token of that lie thy soul spoken!
Leave my loneliness unbroken! -- quit the bust above my door!
Take thy beak from out my heart, and take thy form from off my door!"
Quoth the raven, "Nevermore." 
And the raven, never flitting, still is sitting, still is sitting
On the pallid bust of Pallas just above my chamber door;
And his eyes have all the seeming of a demon's that is dreaming.
And the lamplight o'er him streaming throws his shadow on the floor;
And my soul from out that shadow that lies floating on the floor
Shall be lifted--- nevermore!

A lista

Li um poema (AQUI) muito simples esses dias que me tocou profundamente.
Pare agora e olhe para trás, quantas coisas já se passaram? Quantas desilusões.
Quantas vezes mudamos de ideia, quantas nos permitimos ser ignorantes.


Leia o poema:

A Lista

Faça uma lista de grandes amigos,
quem você mais via há dez anos atrás...
Quantos você ainda vê todo dia ?
Quantos você já não encontra mais?
Faça uma lista dos sonhos que tinha...
Quantos você desistiu de sonhar?
Quantos amores jurados pra sempre...
Quantos você conseguiu preservar?
Onde você ainda se reconhece,
na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria?
Quantos amigos você jogou fora...
Quantos mistérios que você sondava,
quantos você conseguiu entender?
Quantos defeitos sanados com o tempo,
era o melhor que havia em você?
Quantas mentiras você condenava,
quantas você teve que cometer ?
Quantas canções que você não cantava,
hoje assobia pra sobreviver ...
Quantos segredos que você guardava,
hoje são bobos ninguém quer saber ...
Quantas pessoas que você amava,
hoje acredita que amam você?.

(Oswaldo Montenegro)

A frase: "Hoje é do jeito que achou que seria?" me chamou a atenção!
Não, nada é como imaginei anos atrás. Eu não sou como imaginei que seria!

É para pensar né?!

Homenagem merecida

Algumas pessoas merecem ser esquecidas e a mídia insiste em trazê-las à tona o tempo todo enquanto infelizmente algumas outras pessoas merecem ser lembradas sempre e simplesmente nem são conhecidas. Por exemplo:

Você conhece Adélia Prado?


Por acaso você sabia que ela fez aniversário dia 13/12? Mas e daí?!

Daí que essa não é qualquer mulher, é uma grande escritora. Seus poemas são tão simples e profundos que te prende do começo ao fim. São pessoas assim que deveriam ser lembradas.

Segundo Carlos Drummond de Andrade: “Adélia é lírica, bíblica, existencial, faz poesia como faz bom tempo: esta é a lei, não dos homens, mas de Deus. Adélia é fogo, fogo de Deus em Divinópolis”.

Se um homem desses remeteu tal elogio deve ser por algum motivo. Não merece nossa atenção ao menos um pouquinho?! Quer ler um poema dela? Olha só esse:

Casamento

Há mulheres que dizem:
Meu marido se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como “este foi difícil”
“prateou no ar dando rabanadas”
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.”



Seus primeiros versos foram escritos em 1950, e de lá para cá ela vem presenteando o mundo com suas palavras. Mulher simples, tradicional que gostava de falar sobre tudo. Tinha opinião e coragem. O que mais gosto em sua escrita é a simplicidade com que trata as coisas, as palavras comuns, os pensamentos leves e também o carinho que tem pela família. Após a morte dos pais escreveu esse poema:

Poema Esquisito

Dói-me a cabeça aos trinta e nove anos.
Não é hábito. É rarissimamente que ela dói.
Ninguém tem culpa. Meu pai, minha mãe descansaram seus fardos,
não existe mais o modo de eles terem seus olhos sobre mim.
Mãe, ô mãe, ô pai, meu pai. Onde estão escondidos?
É dentro de mim que eles estão.
Não fiz mausoléu pra eles, pus os dois no chão.
Nasceu lá, porque quis, um pé de saudade roxa,
que abunda nos cemitérios.
Quem plantou foi o vento, a água da chuva.
Quem vai matar é o sol.
Passou finados não fui lá, aniversário também não.
Pra quê, se pra chorar qualquer lugar me cabe?
É de tanto lembrá-los que eu não vou.
Ôôôô pai
Ôôôô mãe
Dentro de mim eles respondem
tenazes e duros
porque o zelo do espírito é sem meiguices:
Ôôôôi fia.”

Enfim, Senhora Adélia, aqui no meu blog você tem seu merecido momento de fama. Façamos isso mais vezes. Vamos dar valor no que merece que o mundo só tem a ganhar.

Excelente dia a todos.

Palavras jogadas ao vento

Tenho pavor de pessoas que não sabem fazer poemas e acham que se jogarem algumas palavras na tela e colocarem um formato diferente no texto já são Luiz Vaz de Camões...


"PERALÁ" não é assim tão fácil. Saber escrever é uma coisa e jogar palavras é outra. Quer um exemplo?
Sei que nunca saberei no amor que sinto
o
que
se
passa
na cabeça sentimental de
quem sofre tanto dessa paixão
e
não tem muita coisa
importante é entender
o
coração

Lindo né?! Lindo nada... Totalmente nada a ver, sem sentido nenhum e sem pontuação. Para que foi usado o ENTER nesse caso? Colocar uma palavra abaixo da outras não faz o texto ficar "misterioso" pelo amor de Deus.


Agora quer outro exemplo?!
Alma minha gentil, que te partiste,
tão cedo desta vida descontente,
repousa lá no Céu eternamente
e viva eu cá na terra sempre triste.
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
memória desta vida se consente,
não te esqueças daquele amor ardente
que já nos olhos meus tão puro viste.
E se vires que pode merecer-te
alguma cousa a dor que me ficou
da mágoa, sem remédio, de perder-te,
Roga a Deus, que teus anos encurtou,
que tão cedo de cá me leve a ver-te,
quão cedo de meus olhos te levou.
Luiz Váz de Camões (certamente o meu preferido entre todos)


Me dá vontade de chorar! É lindo, tem sentido, é profundo e tem pontuação. Não me mata de vergonha alheia quando leio porque na boa, sinto um negócio dentro do estomago quando vejo palavras jogadas à toa. Coitadas delas!
Gente vamos ter um pouco mais de dó da nossa língua. Tão linda tão cheia de significado, tão complexa para ser usada assim, com esse relaxo todo.

Quer exemplos de pessoas que sabem escrever? Vou dar alguns, meus preferidos:
Coisinhas da Chica: Para quando quiser ler uma crônica curta e cheia de emoção.
Eterno: Se quiser saber como usar as palavras de maneira formosa e encantadora sempre.
Verdades e Bobagens: Para quando quiser opiniões inteligentes e histórias engraçadas.
Inquietude: Se estiver a fim de descobrir outras maneiras de usar nossas palavras e ser inteligente ao mesmo tempo.
Ahhh chega, tem vários blogs desse jeito por ai, é só procurar atenciosamente. Guardo mais vários aqui. Quem quiser é só pedir!
Beijos!

Um poema de amor

Eu tenho um amigo Poeta. Mas não é só um poeta qualquer, é um amigo NERD e poeta!
E ele tem uma criatividade tão grande que cada dia nos presenteia com uma poesia diferente, sempre com seu toque inteligente e cheio de bom humor.
Geralmente ele mistura coisas surreais de vídeo game e seriados com sentimentos e coisas sérias e é o que dá o toque especial em tudo que escreve.

Mas uma delas me chamou a atenção e resolvi trazer a vocês aqui. Foi sua primeira poesia de AMOR, bem, sem deixar de lado o toque especial dele claro. Achei muito legal e engraçada:

ELA

O que tem de diferente nela?
Que pelas outras fez meu coração fechar porta e janela,
Que me fez esquecer o endereço da casa amarela,
Que não me dá mais vontade de assistir "Brasileirinhas - Cinderela".

Será o brilho do sol batendo no rosto dela?
Será o jeito que limpa o canto da boca sujo de Nutella?
Será o coraçãozinho desenhado no bilhete escrito "traz meio quilo de costela"?
Será a delicadeza de quando no video game entra na frente da tela?

Deve ser o som da sua voz enquanto canta fazendo brigadeiro de panela,
Ou o rosto zangado quando a Sookie come metade da chinela,
Ou quando me faz voltar no Extra quando eu compro presunto e esqueço mussarela,
Ou talvez sua persuasão na discussão "seriado ou novela".

Mas com certeza algumas coisas são, nessa nossa vida bela:

O beijo mais gostoso que banana com açucar e canela,
O toque mais macio que a mais selecionada vitela,
O perfume mais cheiroso que qualquer rosa amarela,
O olhar mais profundo que exame de próstata que deixa sequela,
A voz mais inebriante do que cervela Stella,
E um amor maior do que o sentinela.

Poesia escrita por: Carlos Antônio da Silva Pereira ou apenas Carlin
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