Uma vez eu li um livro muito interessante, era espírita e falava sobre desdobramento. Quem conhece ou já estudou algo dessa doutrina sabe o que é, mas para os leigos deixo uma pequena, e espero que correta, explicação:
Desdobramento é o ato em que o espírito consegue sair do corpo carnal e vagar por aí, estando assim, presente em dois lugares simultaneamente.
No livro, um homem era preso em um lugar, tipo Alcatraz e vivia na pior situação possível, muitas vezes amarrado à camisa de força e subjugado a condições desumanas. Este homem descobriu uma forma de se desdobrar e aprendeu a viver livre para o resto da sua vida, mesmo estando preso.
O livro é lindo. Sério, mas não lembro o nome dele, mesmo porque havia esquecido que ele existia até o presente momento em que escrevo esse texto.
E porque eu me lembrei disso? Porque li um texto antigo meu (leia aqui) e lembrei exatamente o que senti ao escrever aquilo. Lembro-me de ter saído totalmente do ambiente em que estava, me imaginando naquele cenário. Desejando realmente viver ali.
Lembro que não queria terminar o texto, porque assim teria que voltar para a realidade. Ali estava tão bom, tão confortável, tão meu.
Então pensei que quem escreve, ou compõe, ou pinta, sofre um tipo de desdobramento quando se entrega às suas obras. Não é como se nosso espírito saísse do corpo e tal, nada disso, mas nossa mente sai com certeza. O pensamento fica tão denso em outra realidade que parece uma experiência tangível e não apenas imaginação.
Para quem leu o texto que me inspirou a escrever isso, saiba que realmente eu estive na casa de dois andares com janelas de dois minutos. Releio esse texto de tempos em tempos, porque sinto saudades desse cenário.
E esse é um dos mil motivos que me fazem continuar escrevendo...










































