Às quatro e meia da madrugada as primeiras luzes se acendem.
Padeiros, trabalhadores rurais e outros já se encaminham para seus afazeres diários, com olhos semi-cerrados de sono e vão letamente costurando obstáculos nas ruas ainda escuras da cidade.
Aos poucos luzes vão aparecendo nas casas, inundando o ar com cheiro de café acordando os passarinhos. Já são 6 horas da manhã.
A cidade dá seu primeiro suspiro de bom dia. Carros saem às ruas com mães e pais atrasados, crianças correm pelas calçadas gritando e rindo com suas mochilas “de rodinhas” enquanto outras crianças seguem vendendo balas em semáforos (mas ninguém nota). A cidade dá seu próximo suspiro, parecendo pedir a Deus coragem para mais um dia.
Às sete horas da manhã todos na rua parecem ter perdido a hora. Motos costuram o transito unindo um veículo ao outro, derrapam, buzinam e freiam diante dos sinais vermelhos. Motoristas se estressam em suas primeiras horas do dia. Pedestres correm atrás dos ônibus ou aguardam suas caronas.

O comércio está aberto e o sol já brilha alto. A cidade dá mais um suspiro de calor e cansaço e nem chegou a hora do almoço ainda. O caos reina no centro da cidade até as nove da matina, enquanto nos bairros as donas de casa seguem com seu trabalho diário da limpeza de suas residências. A cidade suspira novamente, parece que todos se acomodaram.
Às dez horas os fogões começam a trabalhar. Bares, restaurantes e residências produzem um magnífico aroma que perfuma as calcadas.
O caos recomeça, crianças saem ao meio dia das escolas e seus pais em meio ao transito se espremem para buscá-las e levá-las para casa. A cidade tem fome, suspira por alimento e a população parece entender, barulho de talheres e pratos é ouvido em todos os lugares até as treze horas.
Nesse momento mais nada na cidade dorme. Comércio se prepara para o segundo período, academias, cafés, lan houses, bancos, padarias, farmácias, oficinas mecânicas, tudo está aberto e pronto para mais um período.
O Sol brilha (e aquece) com toda sua força até as dezessete horas, quando parece que começa a ter sono. A cidade suspira se preparando novamente para o transito caótico. Ambulâncias e viaturas policiais parecem fazer parte da paisagem natural quase inexistente nessas metrópoles.
Ninguém repara nos canteiros de flores cultivados pelos moradores mais velhos e já aposentados, o tempo corre e é impossível parar para observar isso. O transito não para, as pessoas querem chegar em seus lares, muitos tem jornada tripla e precisam se apressar.
Mais um suspiro da cidade, implorando descanso ao menos por algumas horas. Impossível.
Às dezenove horas, as luzes na rua se acendem novamente, o sol parece ter desistido de iluminas essa bagunça toda. Ainda há muitos carros na rua, estudantes vão para suas faculdades, famílias saem para jantar fora, pessoas vão fazer compras e a rotina vai até as vinte e duas horas quando todos em um suspiro final se preparam para dormir.

A cidade suspira outra vez, agora mais calma, o transito vai se acalmando faltam apenas duas horas para o dia acabar. Guardas noturnos se acomodam, apagam-se as luzes dos últimos estabelecimentos, mas se você observar bem verá que muitas pessoas apenas começaram sua jornada. Ainda há carros transitando pela rua, poucos, mas há.
Ouve-se bem de leve o ultimo suspiro da cidade, residências apagadas, comércio fechado, poucos sons rompem a calmaria. Hora de dormir.
Às quatro e meia da madrugada as primeiras luzes se acendem...
Começa tudo de novo!
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