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[Livro] Jantar Secreto - Raphael Montes

Sabe aquele livro que te tira da realidade e te envolver em uma trama surreal, mas, de alguma forma acaba parecendo completamente possível e te arrasta na leitura? Então, esse livro é "Jantar Secreto" do queridinho do Brasil, Raphael Montes. 

Sinopse: Um grupo de jovens deixa uma pequena cidade no Paraná para viver no Rio de Janeiro. Eles alugam um apartamento em Copacabana e fazem o possível para pagar a faculdade e manter vivos seus sonhos de sucesso na capital fluminense. Mas o dinheiro está curto e o aluguel está vencido. Para sair do buraco e manter o apartamento, os amigos adotam uma estratégia heterodoxa: arrecadar fundos por meio de jantares secretos, divulgados pela internet para uma clientela exclusiva da elite carioca. No cardápio: carne humana. A partir daí, eles se envolvem numa espiral de crimes, descobrem uma rede de contrabando de corpos, matadouros clandestinos, grã-finos excêntricos e levam ao limite uma índole perversa que jamais imaginaram existir em cada um deles. 


Não é brincadeira quando eu digo "surreal". A verdade é que Raphael Montes brinca com o bizarro e se equilibra entre o medo e o hilário. Acho que ele exagera um pouco no "gore"? Sim, acho, mas também preciso admitir que esse é o diferencial dele e é muito bem usado. 

O livro começa num ritmo gostoso apresentando os 4 amigos aos poucos. Mostra a vida dura de cada um deles, as lutas de quem precisa se virar em uma cidade grande enfrenta. Fala sobre a crise e a decepção pessoal de cada um deles e por aí vai. Daí o narrador, Dante, que é um dos quatro amigos vai travando caminhos difíceis em seu emprego e mostrando como tudo anda mal até que... 

Bem, não vou estragar absolutamente nada desse livro para quem vai ler. O resumão que você pode ler nas orelhas do livro ou no Skoob é que por conta de uma dívida enorme eles resolvem servir jantares especiais para pessoas selecionadas a dedo onde servirão carne humana! 


Isso mesmo, Carne humana. Nada depois disso pode dar certo, não é mesmo? E não dá. esse é o tipo de livro que tudo só vai piorando e piorando e piorando e quando o livro está acabando você começa a ficar aliviado que vai sair daquele pesadelo e algo muito pior acontece. 

Ou seja, não tem saída nem para os protagonistas e nem para o leitor. Eu não tenho como agradecer mais o escritor por isso! É o sonho de todo leitor, engolir uma obra que te arrasta pelos cabelos até a última página e sem deixar de surpreender a cada capítulo. 


Eu recomendo esse livro para quem tem estômago forte. Como já disso, Raphael Montes abusa do bizarro e aqui estamos falando de canibalismo. Eu mesma fiquei uns dias rejeitando carne nas refeições. É uma leitura indispensável. Fico aqui imaginando que se fossemos norte-americanos, provavelmente, essa obra viraria uma série daquelas bem sangrentas.


[Livro] O Colecionador - Jhon Fowles

Livro incrível que me surpreendeu demais. Não foi o que eu esperava após ter lido tantas resenhas (isso sempre atrapalha), mas o que encontrei aqui é ainda melhor e é uma obra que serviu de base para outras que gostei muito, então valeu a pena me doar à essa história. 





Sinopse: “O Colecionador" é a história de Frederick Clegg, um homem solitário com um plano para conquistar o grande amor de sua vida. "O Colecionador" também é a história de Miranda Gray, sequestrada por um maníaco que acha que pode obrigá-la a se apaixonar por ele. Dois narradores antagônicos, sequestrador e vítima, brilham no romance de John Fowles. 









Um rapaz se apaixona por uma garota, mas sua personalidade, um tanto peculiar, o impede de se aproximar dela. As primeiras páginas contam muito bem o tipo de pessoa que ele é. 

Acontece que ele é um psicopata e sente essa necessidade de possuí-la e assim talvez a faça amá-lo. Veja bem, não encare esse "possuí-la" como algo sexual, o que o rapaz quer, na verdade, é ter essa garota para ele como um objeto maravilhoso, como um pássaro na gaiola ou talvez como uma obra de arte presa a parede. Para isso ele a sequestra. Ah, ele diz o tempo todo que ela é sua hospede! (rá, sei!). 

Essa história pode não parecer muito original, talvez você já tenha lido aí ao menos dois livros que falam disso, mas, acreditem, essa obra foi a primeira que trouxe esse tema, exposto desse jeito, para a literatura e todas as outras podem (ou não) ter se baseado nessa para nascer. 

O livro é narrado em primeira pessoa, mas dividido em duas partes. Na primeira parte é Frederick quem expõe os fatos. Sua obsessão fica evidente e, por incrível que pareça, sua inferioridade diante dela também. Em determinados momentos da história você chega a sentir pena dele. Ele mostra o quanto ela é forte e decidida. Inteligente acima da média, chega a ser esnobe e, diversas vezes, até manipuladora. 

Na segunda parte a coisa muda de figura e é Miranda quem passa a narrar os fatos de seu próprio sequestro. É aqui que a obra te dá o petardo. Só digo uma coisa: É muito mais completa e bizarra! 

Eu não quero falar mais nada, principalmente sobre essa segunda parte, porque é interessante você se deixar guiar pela narrativa de ambos. Achei muito intrigante o paradoxo das personalidades de ambos quando narrado através dos outros do outro e de si mesmo. Como uma pessoa pode ser diferente aos olhos de cada observador. Isso é algo que grudou em minha cabeça e não consigo parar de pensar no assunto. 

Obras que beberam dessa fonte 

Jhon Fowles pode ter sido lido por alguns escritores do gênero e pode ter inspirado outras histórias igualmente fantásticas. Pode ser que exista outras, mas aqui quero citar duas que me marcaram e que gostei demais: 


Misery (Louca Obsessão) - Stephen King 
Sim, eu acho que o mestre leu esse livro para criar uma de suas melhores histórias. A trama não é exatamente igual ao "Colecionador", mas tem similaridades incríveis. De qualquer forma vale a pena ler as duas porque não seguem o mesmo rumo e o final é absolutamente diferente.  



Dias Perfeitos - Raphael Montes
Essa eu tenho certeza que veio direto da fonte. Parece até uma releitura. Obviamente possui algumas diferenças estruturais, mas a base toda está lá. Uma ressalva que quero fazer é que em "Dias Perfeitos" as coisas são muito mais bizarras! Recomendo demais a leitura. Aliás, recomendo o autor e toda sua bibliografia.
Tem resenha desse livro AQUI. Confira. 



E é isso. Não é porque um escritor se inspirou em outra obra que seu livro deve ser descartado. Não sendo uma cópia e possuindo pontos específicos só faz a coisa toda mais interessante. Um dia farei um post sobre obras que não são tão "novidades" como nós pensamos ser, mas ainda sim são ótimas. 


Uma pequena ressalva: A DarkSide relançou esse livro recentemente com uma capa de “cair o queixo”. Eu li na versão antiga (deu o maior trabalho para achar), mas fiquei encantada com o trabalho da Editora para essa nova edição. O livro parece um quadro!!! Quero demais.



[Livro] Dias Perfeitos - Raphael Montes

Segundo livro que leio do escritor e agora sim, sei que sou fã dele (a resenha do outro vem em breve), apesar de que neste, vi alguns detalhezinhos que me incomodaram um pouco, mas vamos por partes.

Sinopse: Téo é um solitário estudante de medicina que divide seu tempo entre cuidar da mãe paraplégica e examinar cadáveres nas aulas de anatomia. Durante uma festa, ele conhece Clarice, uma jovem de espírito livre que sonha tornar-se roteirista de cinema. Ela está escrevendo um road movie sobre três amigas que viajam em busca de novas experiências. Obcecado por Clarice, Téo quer dissecar a rebeldia daquela menina. Começa, então, uma aproximação doentia que o leva a tomar uma atitude extrema. Passando por cenários oníricos, que incluem um chalé em Teresópolis e uma praia deserta em Ilha Grande, o casal estabelece uma rotina insólita, repleta de tortura psicológica e sordidez. O efeito é perturbador. Téo fala com calma, planeja os atos com frieza e justifica suas atitudes com uma lógica impecável. A capacidade do autor de explorar uma psique doentia é impressionante – e o mergulho psicológico não impede que o livro siga um ritmo eletrizante, repleto de surpresas, digno dos melhores thrillers da atualidade. Dias perfeitos é uma história de amor, sequestro e obsessão. Capaz de manter os personagens em tensão permanente e pródigo em diálogos afiados, Raphael Montes reafirma sua vocação para o suspense e se consolida como um grande talento da nova literatura nacional.

Classificação


Em dias perfeitos, Raphael traz um assunto que eu amo muito: Psicopatas.

Téo é um estudante de medicina e desde as primeiras páginas já notamos que tem algo errado com ele. Sua afeição por um dos cadáveres de estudo é bem doentia e bizarra. Mas Téo sabe exatamente o que fazer para passar despercebido e são essas atitudes artificiais (típicas de um psicopata) que ele é introduzido à história.

Sua rotina é bem metódica. Além de estudar muito e ser brilhante na faculdade, Theo cuida da mãe paralítica com todo carinho (algo que sabemos ser só fingimento), além de manter as aparências com os vizinhos e tal, mas tudo muda quando, em uma festa, ele conhece Clarice e se apaixona por ela.

Sabemos que psicopatas não se apaixonam como pessoas normais, no máximo criam um laço de dependência ou fascínio por outra e é exatamente o que acontece com Téo em relação a Clarice, coitada.

A garota é totalmente diferente dele: cheia de personalidade, adora beber, fuma descontroladamente e não tolera regras. Além disse está escrevendo um roteiro (que leva o nome do livro - Dias Perfeitos) que Téo sabe que pode ficar melhor, mas nada disso importa, porque Téo está apaixonado e tem certeza que pode mudar tudo isso. Melhorar na verdade.

Afinal, relacionamento também é privação. Estavam atados um ao outro. Ele levaria Clarice consigo para sempre: já não podia viver ou mesmo morrer sem ela".

Ele só precisa passar um tempo com ela para poder mostrar todo seu amor e fazê-la entender o quanto, só ele, pode ser perfeito para ela. É nessa loucura, que após alguns dias de densa perseguição ele a sequestra (de uma forma horrenda) para proporcionar momentos de "paz" à Clarice, seguindo os locais que ela cita em seu roteiro para ampliar sua inspiração. Dessa forma espera que ela se apaixone por ele.

É aqui que senti o maior incomodo durante a leitura. A questão de sequestrar alguém, por purpura obsessão, proporcionar o bom e o melhor para essa pessoa desenvolver um trabalho inacabado, além de tentar "melhorar" aquela personalidade ao seu bel prazer, já foi IGUALMENTE explorado aqui:


Essa foi uma das inúmeras críticas que li antes de pegar esse livro e pensei: "Não pode ser tão igual". Mas é...

De qualquer forma, Raphael Montes escreve muito bem. Sua narrativa é acelerada e deliciosa e se você NÃO leu o livro citado acima, vai deitar e rolar com esse.

- Ah, Camila, se tem esse enorme defeito, porque você deu 5 estrelas?

Simples: O FINAL ME JOGOU NO CHÃO. Eu juro que não esperava. Isso não, como eu vinha lendo e imaginando o final do outro, quando cheguei às últimas páginas desse quase engasguei. Raphael Montes se mostrou insano! Deu-me uma voadora no peito e eu ainda o agradeci no Twitter! Hahaha

Téo fechou os olhos, ainda deprimido, mas sem se perturbar. Fosse o que fosse, tinha a sensação de que ninguém conseguiria pegá-lo".

Sério, vale a pena. Vale muito e eu recomendo para qualquer pessoa que curte leituras angustiantes e aterrorizantes.

Ah, tenho dois exemplares desse livro! O que será que faço com o outro hein?! Não sei... Deixa eu pensar...
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