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[Livro] Jantar Secreto - Raphael Montes

Sabe aquele livro que te tira da realidade e te envolver em uma trama surreal, mas, de alguma forma acaba parecendo completamente possível e te arrasta na leitura? Então, esse livro é "Jantar Secreto" do queridinho do Brasil, Raphael Montes. 

Sinopse: Um grupo de jovens deixa uma pequena cidade no Paraná para viver no Rio de Janeiro. Eles alugam um apartamento em Copacabana e fazem o possível para pagar a faculdade e manter vivos seus sonhos de sucesso na capital fluminense. Mas o dinheiro está curto e o aluguel está vencido. Para sair do buraco e manter o apartamento, os amigos adotam uma estratégia heterodoxa: arrecadar fundos por meio de jantares secretos, divulgados pela internet para uma clientela exclusiva da elite carioca. No cardápio: carne humana. A partir daí, eles se envolvem numa espiral de crimes, descobrem uma rede de contrabando de corpos, matadouros clandestinos, grã-finos excêntricos e levam ao limite uma índole perversa que jamais imaginaram existir em cada um deles. 


Não é brincadeira quando eu digo "surreal". A verdade é que Raphael Montes brinca com o bizarro e se equilibra entre o medo e o hilário. Acho que ele exagera um pouco no "gore"? Sim, acho, mas também preciso admitir que esse é o diferencial dele e é muito bem usado. 

O livro começa num ritmo gostoso apresentando os 4 amigos aos poucos. Mostra a vida dura de cada um deles, as lutas de quem precisa se virar em uma cidade grande enfrenta. Fala sobre a crise e a decepção pessoal de cada um deles e por aí vai. Daí o narrador, Dante, que é um dos quatro amigos vai travando caminhos difíceis em seu emprego e mostrando como tudo anda mal até que... 

Bem, não vou estragar absolutamente nada desse livro para quem vai ler. O resumão que você pode ler nas orelhas do livro ou no Skoob é que por conta de uma dívida enorme eles resolvem servir jantares especiais para pessoas selecionadas a dedo onde servirão carne humana! 


Isso mesmo, Carne humana. Nada depois disso pode dar certo, não é mesmo? E não dá. esse é o tipo de livro que tudo só vai piorando e piorando e piorando e quando o livro está acabando você começa a ficar aliviado que vai sair daquele pesadelo e algo muito pior acontece. 

Ou seja, não tem saída nem para os protagonistas e nem para o leitor. Eu não tenho como agradecer mais o escritor por isso! É o sonho de todo leitor, engolir uma obra que te arrasta pelos cabelos até a última página e sem deixar de surpreender a cada capítulo. 


Eu recomendo esse livro para quem tem estômago forte. Como já disso, Raphael Montes abusa do bizarro e aqui estamos falando de canibalismo. Eu mesma fiquei uns dias rejeitando carne nas refeições. É uma leitura indispensável. Fico aqui imaginando que se fossemos norte-americanos, provavelmente, essa obra viraria uma série daquelas bem sangrentas.


[Livro] O Pistoleiro da Meia-Noite - Rodrigo Rodrigues

Tenho a maior satisfação do mundo hoje em abrir esse meu pequeno espaço para falar de um livro muito especial para mim, pois se trata do primeiro lançamento de um amigo meu e só por isso já valeu a pena ter voltado com o blog (mesmo de forma tão esporádica).



Sinopse: Frankie é um assassino de aluguel implacável que roda o país estrada afora matando desconhecidos a troco de dinheiro. No entanto, a quantia ganha é o que menos lhe interessa... A única coisa que o move é um forte impulso homicida, que ele controla por meio de protocolos rigorosos. Após quarenta anos de serviços prestados, seu corpo já não é mais o mesmo, os ossos doem e o coração velho está cansando demais. É então que a aposentadoria se torna uma realidade inevitável, mas a vontade de continuar na ativa e o medo de encarar a vida solitária deixam-lhe em conflito. Porém, quando um senador aparece em busca de vingança, o pistoleiro aceita o trabalho, planejando seu último desafio, só que, ao confrontar o alvo, um sujeito misterioso, Frankie se envolve em uma trama sobrenatural de consequências cruéis. 


Eu classificaria essa obra como uma novela, porque é maior do que um conto, mas bem menor do que um romance e, como novela, cumpre muito bem seu papel. (São 101 páginas bem intensas) 

Certamente o mundo é um hospício muito maior do que as pessoas imaginam. 

Os personagens são bem delineados, não tão aprofundados como em um romance, mas não deixa nada a desejar. A trama é simples, mas muito envolvente. Não há reviravoltas, surpresas ou sustos, você já prevê o que vem pela frente, mas é tudo descrito com muita habilidade. 

É como ler sobre uma lenda urbana que você já conhece, mas que foi tão bem escrita que empolga da mesma forma. 

O Recife do Diabo era um lugarejo esquecido, que regressava aos tempos antigos, quando os homens ainda balbuciavam palavras sem sentido e louvavam entidades ancestrais.

Bem, fui um pouco injusta quando disse que não havia surpresas: Bem no finalzinho do livro recebemos o gancho tão esperado e para alguns isso pode, sim, ser surpreendente - eu achei corajoso. Foi muito bem bolado, por sinal a forma com que o autor deixa claro que a história não acaba ali foi a parte que eu mais gostei: A motivação do protagonista. 


Dá forma que o Rodrigo Rodrigues colocou a trama, teremos continuações infinitas pela frente e eu adoraria ler cada uma delas. Ainda mais que as influências são claríssimas, Stephen King está presente em todas as páginas e isso tornou a leitura, pelo menos para mim, muito agradável e familiar. 

Não há crime aos olhos de Deus que não possa ser perdoado.

É o primeiro romance do autor e acho que já mostra um enorme potencial para crescer no cenário literário. Espero que a Editora Chiado não o perca de vista.









Rodrigo "Shepard" Rodrigues, queria te dizer que estou feliz da vida por ter você como amigo e muito orgulhosa com seu caminho. Espero que você tenha mais realizações como essa e que sejam tão boas quanto! Conte sempre comigo!






Siga o Rodrigo Rodrigues em todas as plataformas. Vamos valorizar o que nossos autores estão produzindo. Vale a pena demais e para quem tiver interesse em adquirir sua obra, tens links aqui:




[Livro] Dois Irmãos - Milton Hatoum

Provavelmente um dos maiores escritores em nosso país, ainda vivo. Milton Hatoum é um amazonense que usou seu estado para desenhar uma das histórias mais interessantes e mais triste de nossa literatura contemporânea. 



Sinopse: "Dois Irmãos" é a história de como se constroem as relações de identidade e diferença numa família em crise. É a história de dois irmãos gêmeos - Yaqub e Omar - e suas relações com a mãe, o pai e a irmã. Moram na mesma casa Domingas, empregada da família, e seu filho. Esse menino - o filho da empregada - narra, trinta anos depois, os dramas que testemunhou calado. Buscando a identidade de seu pai entre os homens da casa, ele tenta reconstruir os cacos do passado, ora como testemunha, ora como quem ouviu e guardou, mudo, as histórias dos outros. Do seu canto, ele vê personagens que se entregam ao incesto, à vingança, à paixão desmesurada. O lugar da família se estende ao espaço de Manaus, o porto à margem do rio Negro: a cidade e o rio, metáforas das ruínas e da passagem do tempo, acompanham o andamento do drama familiar. Prêmio Jabuti 2001 de Melhor Romance.



Dois irmãos gêmeos, descendentes de libaneses que nasceram em Manaus - Omar e Yaqub. Idênticos por fora, mas por dentro dotados de um abismo de semelhanças traçam a trama dessa história.

Omar, o caçula, nasceu com diversos problemas de saúde e por isso, quando a divergência apareceu entre eles (por um fato que não contarei aqui porque é spoiler) a mãe resolveu mandar Yaqub para o Líbano, a fim de apaziguar as coisas em casa. 

Bem, o afastamento do irmão só aumentou o abismo de diferenças e colocou o mais velho em uma posição que ninguém pareceu entender por muitos anos, mas que deu origem a diversos traços importantes em sua personalidade.

Esquerda: HQ que ainda não tive oportunidade de ler.
Direita: Edição nova que está muito confortável de ler.

Yaqub se tornou independente e ambicioso. Logo que voltou para o Brasil deu um jeito de ir embora e mudou-se para São Paulo, enquanto o caçula se entregava a vida boa dos "prazeres da carne" sem se preocupar com o futuro. 

O resto você vai ter que descobrir ao ler porque é tudo tão delicioso que não me atrevo contar. O livro é poético em um nível deslumbrante. Cada frase dele parece um desenho. A obra toda é muito fácil de ler e a própria trama te carrega até o final. Todos os personagens, repito: TODOS, são muito bem desenvolvidos. É impossível não se identificar com ao menos um deles. 

É um livro bom demais para ser deixado na estante. Se você (assim como eu) o guarda para depois, o passe na frente das outras leituras ainda hoje! (rs) 

Ps: Eu sei que tem uma série da Rede Globo baseada nessa obra, mas não assisti e nem sei onde encontrá-la, por isso não falei nada sobre ela. Quem souber algo, comenta aí.

[Livro] O garoto que tinha asas - Raiza Varella

Dizem que a primeira obra de uma série é sempre a melhor. Eu discordo! Pelo menos nessa saga da escritora Raiza Varella, o segundo volume me deixou bem mais apaixonada e se o ritmo continuar assim, eu vou derreter completamente com o terceiro.


Sinopse: Depois do conto de fadas protagonizado por Bárbara e Ian em O Garoto dos Olhos Azuis chegou a hora de conhecermos a história de outro casal encantado. Augusto Bittencourt, vulgo Monstro, é um renomado médico, dono de uma carreira sólida e do hábito de dispensar uma mulher atrás da outra sem piedade. Nunca se apaixonou e não acredita que um dia irá encontrar uma mulher interessante o suficiente para mudar esse fato. Mas o destino parecia pensar diferente, em uma madrugada fria ele presencia um terrível acidente de carro e conhece a garota sem nome. Uma garota que há muito tempo não sabe o que é ter um lar, se sentir segura e não precisar fugir de ninguém até que, em meio aos destroços, ela vê alguém correr em sua direção, um garoto que ela poderia jurar ter asas. Embora Augusto esteja muito longe de se parecer com um anjo, ele acaba por salvar a sua vida. Pela primeira vez, o médico de pouco humor e muito caráter terá que enfrentar e ir contra todos os seus princípios para cumprir uma promessa que não deveria ter feito e de quebra, quem sabe, se apaixonar. Em O Garoto que tinha Asas vamos descobrir se o príncipe encantado realmente vem montado em um cavalo branco ou se sua cor é o que menos importa em meio a uma singela releitura de A Bela e a Fera.

Classificação
Editora Pandorga

Se existe uma coisa que anda me desagradando profundamente, é essa onda de romances rasos com garotinhas indefesas e MUITO açúcar. Você sabe do que estou falando, não sabe? De QUASE todos os romances adolescentes lançados nos últimos tempos.

Bem, esse não é, nem de longe, algo do tipo. É um romance, sim. É contemporâneo, sim. Tem uma garota meio perdida, meio quebrada, sim. Tem um cara relutante, SIM... Mas tem um toque tão especial e uma forma tão peculiar de ser contada que tornou essa obra, uma das minhas preferidas no mercado editorial brasileiro.

Romances dificilmente me fisgam. Tenho os meus preferidos e são mais para distrair de um clássico pesado do que propriamente para acalentar meu coração com uma boa história. "O garoto que tinha asas" passou desse patamar e ganhou minhas difíceis 5 estrelas com um coração na classificação. 

Os personagens aqui conseguem ser profundos ao ponto de me fazer desejar tê -los ao meu lado. Esse volume é o segundo da trilogia ENCANTADOS e já prometi nas redes sociais, para a Editora Pandorga e também para a escritora: Vou ler QUALQUER coisa que ela escrever daqui em diante.

O enredo: Augusto tem um apelido que já fala muito sobre ele: MONSTRO.
Um cara que é chamado assim por sua própria família, não trás muita delicadeza à cena, mas é exatamente por isso que ele é encantador e apaixonante. 

Para começar, essa é uma releitura de "A Bela e a Fera", história que sempre foi minha preferido na infância e que agora vem de forma moderna e recheado de cenas dinâmicas. Impossível não gostar, mas a capacidade que a autora tem de nos envolver com a trama é profunda e deliciosa.

Outro aspecto que preciso ressaltar sobre as obras da Raiza Varella é o nível de suspense e ação que ela SEMPRE acrescenta ao romance e isso faz toda diferença, pelo menos para mim. Ponto para ela que consegue enlaçar mais de um tipo de leitor com esse toque especial na trama.

Esse é o segundo livro que leio dela, mas li um conto também, chamado, “O último adeus”, que mesmo sendo mais leve em termos de ação, trouxe uma dinâmica incrível à obra e uma profundidade de arrancar suspiros (e lágrimas em alguns casos).



Mas voltando ao livro. Augusto presencia um acidente de carro e ao tentar salvar a motorista, promete a ela que cuidará do que ela chama de sua "vida" que está no banco de trás. Bem, eu pensei em dinheiro! Aposto que ele esperava por isso também, mas a verdade é que havia um garotinho encolhido no fundo do carro e o Monstro, sem ter como desfazer essa promessa irresponsável, acaba levando a criança para casa.

Ai gente, ele é como eu, não tem afinidade alguma com esses serezinhos e de repente se vê cuidando de um moleque que não fala com ninguém, além dele e que se esgueira para sua cama no meio da noite. Quer saber? Eu me derreti completamente já nessa parte.

A garota acidentada precisou ser internada e por isso, Monstro cuida do garoto enquanto aguarda que ela acorde. As cenas entre os dois são deliciosas e de uma sensibilidade enorme. 

A história não tem nada de óbvia. Você pensa: Ela vai acordar e quando abrir os olhos será amor à primeira vista. (Errou feio). A coisa vai ficando cada vez mais preta à medida que Monstro se afunda na vida dessa garota, que passa boa parte do livro sem ter um nome.

Sério, os mistérios se acumulam e os segredos vão crescendo e crescendo e quando você (e o Monstro) percebe, já está de coração entregue à trama. Acaba que essa garota tem uma história de vida arrasadora e você cria teorias conspiratórias a cada capítulo. Ouso dizer que errará todas! 


O Monstro não deixa de ser monstro e isso me agradou demais. Detesto personagens que se modificam inteiramente por alguém. Isso faz com que a essência que nos conquistou se evapore. Aqui ele reconhece algumas coisas, mas continua grunhindo até final das páginas.

Outro destaque importante são os personagens além do casal que parecem tão protagonistas quanto eles e que continuam a história do livro anterior ou começam a traçar seus passos para o próximo volume. No geral são todos excelentes. Não tem um personagem sequer que tenha me desagradado na trama.

Estou tecendo tantos elogios à obra e à autora, mas continuo sentindo que essa resenha está injusta. Isso, geralmente, acontece com obras que me agradam demais.


Bom, não vou dar mais detalhes da obra. Se você não se interessou por ela depois de ter lido tudo isso, certamente não existirá argumento que o convença, mas vai por mim, se algum dia pegou alguma dica de livro aqui no meu blog e aproveitou, faça o mesmo com essa obra. 

Se você gosta de romance, aproveite essa dica. Se você curte ação e suspense, aproveite também. Tenho certeza de que se a Raiza Varella continuar nesse caminho de qualidade, vai acabar se destacando ainda mais, no cenário literário do nosso país. Eu torço por isso! 

Chega de romances rasos. Que venham mais obras como essa para nossas estantes.



[Livro] Por trás do palco - M. H. Datria

Esse livro é uma verdadeira saga. Digo isso, porque acompanhamos diversas gerações, diversas famílias, com reviravoltas constantes em um núcleo enorme de personagens.

Sinopse: Expulsa de casa pelo pai por estar grávida, abandonada pelo namorado, Hélène se viu de uma hora para outra sozinha no mundo. Passando fome e frio nas ruas de Paris do ano de 1955, Hélène foi salva de um destino pior por Dominique Breton, dona do bordel mais famoso da cidade. A jovem que sonhava ser modelo e aparecer em capas de revistas, acabou se tornando mãe de Roberto e brilhando nos cabarés da cidade luz dos anos dourados. Ao conhecer o médico brasileiro Sandro Montserrat, na Maison de madame Dominique, este se apaixona perdidamente por ela. A entrada inesperada do jovem médico em sua vida não apenas gerou os gêmeos Ricardo e Rodrigo, como acabou conduzindo-os ao mundo mágico dos palcos e das passarelas.
POR TRÁS DO PALCO retrata uma época glamorosa, criativa e atraente do século XX que foram os anos 50, 60 e 70 e conta a trajetória de Hélène e seus filhos para vencer o preconceito e conquistar o sucesso no universo fascinante do rock and roll e da moda.
Classificação
Editora Multifoco

Seria impossível falar sobre uma história apenas. Essa obra nas mãos de George R. R. Martin teria 5 volumes de 1200 páginas cada. Graças a Deus não é dele! (rs)

A autora foi muito feliz no desenvolvimento todo. Não tem um capítulo que não seja importante e é daquele tipo que, se você pula uma página ou se distraí, perde algo primordial. A narrativa é rápida. Rápida mesmo. Impossível perder o foco e só notei a quantidade de personagens no livro quando parei para escrever essa resenha, mas os fatos vão rolando de forma tão fluida que não dá para se perder.

Ps: Isso pode ser um problema para alguns leitores. A quantidade de personagens requer atenção ou algo se perde no caminho. Eu achei fluída a leitura, mas conheço pessoas que não apreciariam tal velocidade.

Alguns personagens são deliciosos e isso ajuda muito. A construção de cada um, como já disse, é rápida, mas não perde a profundidade. Digo isso, porque em determinadas situações eu já sabia, exatamente, como alguns reagiriam. Não é que foi previsível, é que eu consegui conhecer o personagem de verdade.

Tudo começa com Helène, uma garota francesa que sonha em ser modelo. Mas não é qualquer sonho, esse. Helène persegue sua vontade com afinco e, por conta de sua beleza, as oportunidades chegam rápido para ela. Com menos de 14 anos, se envolveu com um fotógrafo e acabou fazendo um ensaio sensual, além de começar um caso romântico com ele. Resultado: Ficou grávida.

Bem, para acelerar um pouco as coisas, Helène foi expulsa de casa e acabou em um bordel. Mais uma vez, recorreu a sua beleza para crescer na profissão e acabou encontrando ali, muito mais do que um trabalho e sim uma família.


Pausa para um detalhe: O bordel, por incrível que pareça, foi o ponto alto do livro para mim. Dominique, a dona, me conquistou com sua franqueza e seu carinho por Helène e pude ver outro lado da profissão mais antiga do mundo (rs). Estamos falando dos anos 50/60, época em que as prostitutas viviam às margens da sociedade, mas possuíam certo glamour. 

Por conta disso, Helène teve outras oportunidades e conheceu outras pessoas, influentes ou não. O fato é que ficou grávida novamente, dessa vez de gêmeos, mas não foi simplesmente abandonada. Sandro Montserrat, um brasileiro de família rica, resolveu assumir as crianças e aí começa outra fase do livro.

Isso tudo que eu falei, não chega ao meio do livro. Eu disse que o ritmo era rápido, então você já imagina o quanto de história vem por aí.

Acompanharemos o casal, Helène e Sandro, assim como conheceremos melhor seus três filhos, suas namoradas, suas profissões e muitos, MUITOS, problemas.

A obra é feita de reviravoltas. Estamos, na maior parte do tempo, com os filhos adolescentes de Helène, nessa segunda parte do livro, portanto imagine as idas e vindas dessa turma. Suas personalidades e seus impulsos.

Mas a própria Helène não para de aprontar. É uma mulher forte e, por diversas vezes, parece não se colocar muito no lugar dos outros. Vou confessar a achei o máximo. Sua determinação e até as besteiras que ela faz é simplesmente refrescante. Queria ser um pouco como ela. 

Por fim, gostei muito da obra de estréia da M. H. Datria e percebi que essa historia, tem uma continuação. TEM QUE TER.

Eu recomendo a obra para leitores que não curtem enrolação. Que gostam de ir direto ao ponto, mas mesmo assim, apreciam uma boa trama com muitas idas e vindas.



[Livro] Mausoléu - Duda Falcão

Mais uma parceria BRASUCA que confirma o que venho falando há muito tempo: Nossos escritores estão arrasando cada dia mais. Essa obra, além de muito bem escrita é um deleite para os olhos, com uma das edições mais bacanas que já vi. 



Sinopse: Seja bem-vindo, leitor incauto! Eu sou O Anfitrião! Fico muito contente que você tenha chegado até aqui para conhecer a arquitetura do my master! Nesta obra sepulcral sua ótica humana será ofuscada por visões grotescas. Folheie as próximas páginas... Abra a porta e entre na cripta dos insanos. Durma na pedra fria do Mausoléu e tenha pesadelos eternos, he, he, he, he. 



Classificação
Editora: Argonautas


Trinta e seis contos de terror, que percorrem cenários diversos: cemitérios, casas assombradas, pequenos vilarejos, cavernas e por aí vai... 

Vários contos foram publicados em antologias ou coisas do tipo e agora estão reunidos nessa edição que é a coisa mais linda do mundo. Sem falar que são todos bem curtos e você fica naquela: Só mais um, só mais um, só mais um e não para nunca.

O cuidado que a editora teve foi de causar inveja. O trabalho em cada folha, desde a escolha das letras até as ilustrações nos cantos, contribuíram e muito para o aproveitamento de cada história e preciso dizer, nenhum conto me decepcionou. 


Isso mesmo. Todos são excelentes. Claro que tenho os meus preferidos. O primeiro que leva o nome do livro foi o pontapé inicial do meu deslumbre. 

MAUSOLÉU brinca com monstros e fantasmas em um cemitério. Além dele, me vi perdidamente deslumbrada com DESFILE que trás uma trupe de criaturas mitológicas e mágicas para uma pequena cidade. O desfecho desse conto é delicioso! 

Além desse, posso citar entre meus preferidos A DAMA DO ESCURO e MUSEU DO TERROR que faz referência a tantos objetos famosos da literatura fantástica e de terror que li duas vezes. 

Além da genialidade do escritor, sua admiração pelo, incrível, Edgar Allan Poe é evidente em vários contos. Alguns deles fazendo referências claras ao corvo ou ao gato preto, por exemplo. Isso para uma amante desse escritor como eu, foi de deixar sorrindo de orelha a orelha.


O que mais falar do livro? Queria ter lido mais lentamente e provavelmente, deixarei essa obra do lado da cama, para sortear um conto ou outro de vez em quando. 

O que me alegra é que o escritor acabou de lançar outra obra, chamada TREZE e já avisou que um exemplar está vindo direto para minha casa. YEAH!!!!! 

Se interessou? Fala com o escritor e encomenda o seu. Vale cada página e tenho certeza que você volta para comprar o segundo também! Em breve tem resenha!


A americanização dos nacionais

Há quem não se importe muito, mas se eu escolho um livro brasileiro para ler, espero não encontrar nenhum Jhon ou Mary na trama. Me alegro quando consigo me encontrar naquela história e quando os personagens possuem características que são mais "comuns" para mim, porque somos conterrâneos.

Sim, me irrita ler uma obra nacional completamente americanizada pelo autor. E posso apontar diversos problemas que fazem uma história assumir esse perfil. Um leitor mais atento percebe, logo de cara, quando isso vai acontecer e acreditem: Isso é o suficiente para que uma estrela de classificação seja tirada.

Posso enumeras os exemplos para ficar mais claro. Quer ver só:


1 - Nomes: Porque, em nome de GOD, os personagens precisam ter nomes como: Steven, Catherine, Jason, Emma... Qual o problema com nossos nomes? Não é uma história nacional? Então porque não nomear os personagens com Pedro, Marcelo, Aline, Juliana etc... Salvo em uma história de fantasia, onde tudo se passa em mundos alternativos ou coisa do tipo, usar nomes "diferentes" é totalmente permitido, mas eu disse diferente e não americano.


2 - Locais: Qual o motivo da história - escrita por um brasileiro - se passar em Nova York? São Paulo não é grande o bastante? Não é completo o bastante? Ou o motivo é que não possui o glamour que podemos conferir nos filmes? Quer um exemplo positivo disso: André Vianco. O cara ambienta todas as suas histórias em Osasco ou Porto Alegre e é incrível se encontrar nos cenários. Stephen King escreve como se tudo acontecesse no Maine - estado que me mora - e o pessoal de lá vibra por isso. Por que não podemos fazer isso aqui? Já pensou criar uma história que se passa na cidade em que você mora, com referências reais e tal? Não seria incrível? Pensem nisso, por favor...


3 - Comidas: Não estou dizendo que é impossível, mas me diga se é normal uma família comer bacon com ovos mexidos e panquecas com milk shake logo cedo? É normal isso? Vamos combinar que brasileiro está mais para um pão com manteiga e um café com leite. Fala sério. Qual o problema em ser um pouco mais fiel à nossa realidade? É até divertido - pelo menos para mim - quando um personagem compra uma coxinha de frango no mercado ao invés de pedir um waffle! 


4 - Copos vermelhos em festas - NÃO!!! Nos mercados se vendem copos brancos ou transparentes. Não é impossível comprar os vermelhos (ou azuis) eu mesma já comprei, mas os vermelhos são como um símbolo americano de festas. Todo jovem que se preza - lá - já esperou os pais sair de casa para comprar aqueles barris de chope e distribuir copos vermelhos para os convidados em seus gramados. Nós nem temos gramados aqui quase! Vivemos presos dentro de muros e grades... Fala sério!


5 - Armários em escolas - Essa eu morro de rir. Eu sei que em muitas escolas particulares existem armários para que os alunos guardem seus materiais. Eles ficam em corredores também, mas alguém aqui já estudou em uma escola estadual? Se tivesse armários, certamente não teriam as portas (hahahahaha). Só digo que se o escritor quer mesmo impressionar e conquistar os leitores, seria legal se ele se aproximasse um pouco mais da realidade em que a massa vive. Eu mesma nunca vi esses armários nos corredores em toda a minha vida de estudante. Sei que existem porque me falaram, mas não faz parte da minha realidade, assim como não faz na da maioria dos alunos de classe media ou baixa que estudaram a vida toda em instituições publicas. Pense nisso, isso é só uma dica de uma leitora mais exigente.

Eu pensei em citar algumas obras que "escorregaram" em cada um desses itens listados acima, mas no fim desisti. Não preciso fazer isso, sei que, mesmo os que não concordarem comigo agora, irão se lembrar desse post mais para frente e reconhecer as tais obras. Sei também que nada disso é uma regra, tenho amigas com costumes bem diferentes dos meus, que comem waffle com mel no café da manhã. 

A cultura americana está aí para ser aproveitada e eu gosto muito dela. Vivo dentro dela o tempo todo, mas acho que o escritor precisa olhar ao redor de si próprio e criar personagens mais palpáveis para os seus leitores. Ou será que a ideia é ser só mais um no meio desse mar de livros? 

Aqui, me parece que ser o diferente é ser um pouco mais normal, não acham?

[Livro] Meu Amiguinho do Espaço - Alan Borges

Mais um livro de parceria com um escritor nacional. Dessa vez, um infanto-juvenil com todas as características de um clássico já muito conhecido.

Sinopse: Ah, ainda lembro-me dele.
Já se passaram tantos anos, mas parece que foram apenas alguns dias.
Lembro-me dele, como se o tivesse visto há poucos instantes.
Mesmo depois de crescido e envelhecido, ainda sinto a sua falta.
E não há nada que possa amenizar minha saudade, a não ser...
O sorriso das estrelas. Elas ainda me confortam...
Te contarei um pouco desta história, que faz parte da minha.
O descreverei aqui, para vocês...
Não posso falar-te muito a respeito.
Precisaria de um livro de um milhão de páginas.
Irei resumir, mas não te preocupes: revelarei momentos extraordinários e falarei de algo incrível que nunca esqueci.



Classificação

Um livro rápido, li em um dia, mas não achei a leitura mais fácil do mundo não. Já explico o motivo...

Comecei a leitura com a impressão de que conhecia aquela escrita de algum lugar e demorei apenas algumas páginas para descobrir de onde vinha: O Pequeno Príncipe está presente na essência dessa história, portanto, se você é daqueles “fanáticos” por essa obra, vai ter um verdadeiro êxtase com o livro que estou resenhando agora.

São apenas 95 páginas, com uma linguagem muito fácil, mas com aquele aspecto de “sonho” sabe? Como explicar melhor? Sabe quando você tem aquele sonho completamente maluco, mas que faz o maior sentido? É isso que senti aqui.

Agora, preciso dizer abertamente o motivo que me fez achar essa linguagem (e essa história) não tão fácil de ler, como parece: Eu simplesmente não gostei de ler O Pequeno Príncipe.

** Pausa para o apedrejamento **

Ok. Agora que vocês já se acalmaram voltemos à resenha: assim como no clássico, o livro é o relato das lembranças do narrador, que quando criança conheceu um ser de outro planeta. Este ser o ensinou coisas valiosíssimas sobre a vida e sobre amizade.

- Nem tudo o que parece ser é o que realmente é - sussurrava a vozinha que, eu ainda não sabia o motivo, tentava me encorajar”.

É um livro que te força a refletir em várias coisas durante a leitura. Excelente para adolescentes e até mesmo crianças que já estejam acostumadas à leitura, mas adultos deveriam ler também. Não acredito nessa coisa de que livros devem estipular a idade para o leitor.

Alguns livros infantis devem ser levados mais a sérios do que muito clássico por aí.

Essa obra é simples e complexa ao mesmo tempo. Assim como o clássico, podemos retirar reflexões dela com mais ou menos intensidade e acredito que cada vez que você pegar o livro para ler, dependendo se sua idade irá tirar lições diferentes. Acredito que um livro como esse nas mãos de um filósofo, daria estudo por várias aulas.

Já pensou nisso Alan Borges? É uma ideia de divulgação! (rs)

Quando a edição, eu adorei. A capa é muito bacana e traduz bem o clima da obra. A diagramação é excelente. A Editora Chiado está de parabéns.

Recomendo essa obra aos amantes do clássico “O Pequeno Príncipe”, mas também aos que gostam de histórias que te colocam para pensar!

Agora vamos à notícia boa?! Sim, vai ter sorteio!!! Para participar é bem simples. Siga as regras abaixo e fique na torcida:

1 - Seguir o blog é essencial e primeira regra do sorteio.
2 - Responder o e-mail que eu enviar no prazo de 48 horas. Após isso haverá outro sorteio.
3 - Deixar um comentário neste post falando da resenha. Leia o post antes de comentar, por favor.
4 - Preencher o formulário abaixo o máximo que puder!

Ah! Aos que ainda não sabe participar dos sorteios com o formulário Rafflecopter é só clicar AQUI que eu ensino passo a passo.



Boa sorte!


[Livro] A Matéria dos Sonhos - Valéria Martins

E para quem me pediu um romance sério, honesto e sem frescuras, eis aqui uma dica imperdível. Esta parceria surgiu logo no finalzinho de 2015 - quando eu já havia fechado o blog para parcerias - mas a apresentação da autora me conquistou.

Enfim, aceitei resenhar o livro, mas avise que poderia ler apenas no fim de janeiro. Acontece que a curiosa aqui pegou a obra no começo do mês, só para dar aquela espiada, sabe e no mesmo dia eu já havia devorado a história toda! SIM, no mesmo dia. \O/


Sinopse: Jovem rica e mimada, Mariana sofre uma imensa decepção amorosa às vésperas do casamento e cai em depressão. Seu irmão aventureiro a incentiva a empreender uma viagem a Chapada Diamantina, na Bahia, a fim de espairecer e encontrar um novo rumo. Lá ela se depara com paisagens belíssimas, conhece um modo de vida bem diferente do que estava acostumava, envolve-se com o guia turístico Alex e desfruta a verdadeira amizade com Claudia, menina maluquinha a quem o destino a uniu para sempre.
A matéria dos sonhos é um romance sobre busca, amor, amizade e encontro.




Classificação

O que eu mais gostei nessa obra foi a forma despretensiosa com que a protagonista lida com as coisas. Algo que me irrita profundamente em todos os romances é que a fórmula da Disney (felizes para sempre) precisa estar presente naquela ordem já conhecida. Na vida real, nós sabemos que não é assim. 

Mariana levou uma surra da vida e caiu até o fundo do poço. Curtiu sua foça como todas nós já curtimos um dia na vida e foi arrastada para a realidade quando menos esperava (e queria). 

Após acordar e se permitir viver novamente, Mariana descobriu que o mundo era muito maior do que aquilo que ela vivia. Encontrou as belezas no nosso país e conheceu pessoas diferentes, daquelas ao qual ela estava acostumada. Diferentes até demais em alguns momentos e pensa que ela se deixou levar por isso? Nesses momentos é que sua personalidade se sobressaia, nos mostrando o quando ela estava cada vez mais preparada para voltar à realidade que havia deixado de lado, por um tempo.

Chapada Diamantina
(uma das maravilhas do nossa país, ressaltado nessa obra)

Aquele "sacode poeira" aqui foi delicioso. Mas engana-se quem pensa que Mariana seguiu o caminho mais fácil. Ela buscava se conhecer e foi o que fez. Usou todo o tempo que pode para descobrir quem ela realmente era fora daquele relacionamento falido em que vivia há anos e também encontrou seus limites.

Respeitar os limites é a ordem dessa obra e foi exatamente o que me fascinou. Eu juro que não esperava menos dessa protagonista que me conquistou logo na primeira página da obra. Não só ela, mas também Alex e Claudia, duas pessoas que eu gostaria de conhecer, se existissem!

Queria muito que não terminasse a história, mas o final foi simplesmente fantástico. Deu aquela vontade de pegar o carro e partir para longe também, em busca dos meus limites, sabe? Esse livro me fez pensar de verdade. Queria poder seguir os mesmo passos que a Mariana seguiu.

Chapada Diamantina
Impossível não sonhar com esse lugar agora!

Quero ressaltar novamente, a qualidade das nossas obras nacionais. Esse romance não fica atrás de nenhum outro estrangeiro e abriu meu 2016 com um toque de sutileza. Pretendo ler qualquer outra obra dessa escritora que chegou tímida no meu Facebook e me conquistou quando eu já não queria mais parcerias. 

Valéria Martins, obrigada por ter me encontrado. Seu livro me trouxe momentos valiosos de reflexão bem no começo do ano. Foi um presente para mim. 

Leiam "A Matéria Dos Sonhos" e duvido que não escape ao menos um suspiro durante sua leitura.

Acompanhe a escritora: Facebook | Blog | Amazon | Livraria Cultura 


***

Este livro faz parte do meu projeto #LendoDeGraça, que consiste em ler sem pagar nada, conseguindo obras por meio de trocas on line, em sebos etc... Leia mais sobre esse projeto AQUI. >>> Essa obra foi lida em formato digital e fornecida pela própria escritora, como forma de divulgação.

[Livro] O vilarejo - Raphael Montes

Tudo começa assim:

  • Uma coleção de livros de uma Senhora falecida 
  • Um manuscrito ilustrado, escrito em uma língua estranha 
  • Um convite ao escritor Raphael Montes para "aproveitar" o que quisesse disso tudo 
  • Uma leitora (eu) maluca por demônios e contos sombrios 
  • Uma nova paixão para mim: Raphael Montes 







Sinopse: Em 1589, o padre e demonologista Peter Binsfeld fez a ligação de cada um dos pecados capitais a um demônio, supostamente responsável por invocar o mal nas pessoas. É a partir daí que Raphael Montes cria sete histórias situadas em um vilarejo isolado, apresentando a lenta degradação dos moradores do lugar, e pouco a pouco o próprio vilarejo vai sendo dizimado, maculado pela neve e pela fome.






Classificação


As histórias podem ser lidas em qualquer ordem, sem prejuízo de sua compreensão, mas se relacionam de maneira complexa, de modo que ao término da leitura as narrativas convergem para uma única e surpreendente conclusão.

O Vilarejo é dividido em 7 contos, cada um fazendo referência à um dos 7 demônios que são, geralmente, conhecidos pelos seus 7 pecados principais - os nossos 7 pecados capitais.

O legado mais famoso do padre Binsfeld é a classificação dos demônios, escrita em 1589. De acordo com seu trabalho, cada um dos demônios, os Sete Reis do Inferno, era responsável por invocar um pecado capital nos seres humanos: Asmodeus (luxúria), Belzebu (gula), Mammon (ganância), Belphegor (preguiça), Satan (ira), Leviathan (inveja) e Lúcifer (soberba)".
Essa fórmula, nas mãos certas, não tinha como dar errado. E não deu!

Abaixo segue a descrição destes 7 contos que fui resenhando conforme lia, portanto acompanhem as minhas reações que foram transferidas ao papel em tempo real. (haha soou sério isso)

Duvido que alguém vai resistir à essa obra!

*****

1 - Beuzebu - BANQUETE PARA ANATOLE

Conto sombrio, recheado do mais puro terror que é, se ver em meio ao nada. Aqui é o Demônio Belzebu quem dá as cartas e espalha toda sua FOME.

Felika, mãe de duas crianças, cuida como pode de sua família faminta, enquanto espera seu marido voltar. Ele saiu há algum tempo, atrás de comida e ainda não voltou. O frio assola o vilarejo, assim como a fome, mas Felika é precavida e sabe manter suas crianças bem. Ao contrário dos outros moradores do local, que possivelmente já morreram de fome.

As crianças comem de dois em dois dias. Felika, acostumada ao protesto da barriga, de quatro em quatro. Por seus cálculos, os mantimentos do esconderijo duram mais cinco semanas".
Ela poupa energia como pode, faz o que pode para sobreviver, mas até quando conseguirá manter a calma?

Ninguém chora os mortos. Não podem desperdiçar energia lamentando a partida dos que não suportaram o frio e a fome".

Conto curto e muito gostoso de ler. Final incrível!

*****

2 - Leviathan - AS IRMÃS VÁLIA, VELMA E VONDA

Três irmãs, duas delas (gêmeas) com propensão à escrita. A terceira, bem mais velha tinha inclinação apenas para namorar o rapaz mais belo do vilarejo.

Sabe como é né? A criança cresce criando histórias, aprende escrever ficção, junto disso, por um azar do destino, se apaixona pelo namorado - bem mais velho - da irmã e logo nasce o inevitável: INVEJA

É irônico que, na ficção, um homicídio surja como solução para seus problemas".

Esse conto delicioso, na proporção que uma história de terror pode ter. (Bem, para mim é perfeito!) Raphael Montes me surpreende a cada frase.

*****

3 - Lúcifer - O NEGRO CAOLHO

O vilarejo agora é visitado pelo Demônio Lúcifer, que espalha a SOBERBA para seus moradores.

Um negro chega ao vilarejo. É diferente de todos (loiros de olhos claros) e assusta os moradores. Os homens o prendem e se preparam pra matá-lo quando a sra. Helga se adianta e o salva. Ela vê naquele negro, caolho e maltratado, um homem igual os outros e cheia de compaixão o acolhe em sua casa.

— O mundo não se resume a este vilarejo no meio do nada, sr. Ivan. Existem outras línguas. E outros tons de pele. O fato de sermos todos brancos, de olhos claros, não nos torna melhores ou piores.
Quando seu marido chega, dias depois, se sente incomodado com a presença de um nego, mas os argumentos de sua esposa, são convincentes e ele acaba por acatar tal empregado.

— O homem negro apara o jardim, varre a casa, limpa as janelas e canta para Iuri dormir sem que tenhamos que pagar nada. Tenho trabalhado bem menos desde que ele chegou e me dedicado mais ao nosso filho".

Mas as pessoas não o aceitam de forma alguma e sua diferença parece ser passe livre para a degradação. A sra. Helga se mantém íntegra, até que um dia recebe a visita de um vendedor que a alerta sobre a natureza selvagem de homens (negros) como seu empregado. Preocupado, diz a ela para observar os movimentos do negro e ficar esperta, sempre. E é isso que ela faz.

Sem se dar conta, a sra. Helga para de chamá-lo de Mobuto e, como todos no vilarejo, passa a chamá-lo de negro".
O negro é bom. A sra. Helga também, mas até onde vai a resistência dos dois. Ela contra toda a sociedade e ele contra todas as humilhações que a vida lhe impõe todos os dias. Esse conto é ótimo no começo e angustiante a medida que vai evoluindo. Devorei em minutos. Impossível parar der ler. Cometi o pecado da gula aqui! #medo

****

4 - Asmodeus - A DOCE JEKATERINA

Esse conto é interessante, porque trás a LUXÚRIA junto de uma personagem que já conhecemos em um conto anterior, mas anos depois de sua primeira aparição, o que nos faz pensar que os sete demônios, realmente, visitaram o vilarejo, mas em épocas diferentes.

Mikhail é um rapaz com um fetiche por mulheres gordas. Vive aos extremos da vida, bebe muito e se delícia em bordéis, gastando o pouco que ganha de uma vez só. Sua vida seguiria esse curso até o final, se um dia sua vista não caísse, por acaso, em sua vizinha, uma garotinha de 13 ou 14 anos e, para o azar dela, seu apetite sexual mudou.

O plano veio da urgência de tocá-la, de consumi-la. Já não bastavam os olhares furtivos, já não bastava o perfume que captava em perseguições mais ousadas..."

Mikhail se rende a sua nova obsessão e acaba sequestrado a pequena Jekaterina, abusando da menina como lhe convinha. À base de ameaças, recorreu ao seu pequeno corpo várias outras vezes e assim foi até que ela, por circunstâncias maiores, acabou se mudando do vilarejo.

Mikhail cresceu e se tornou um obeso mórbido. Sua vida miserável tomou o rumo esperado e o leitor pode imaginar que Jekaterina também se tornou adulta. O fim do conto é ótimo. Pura luxúria. Vibrei até a última linha!

*****

5 - Belphegor - A VERDADEIRA HISTÓRIA DE IVAN, O FERREIRO

Está cada vez mais difícil fazer essa resenha, porque agora, tudo pode virar um grande spoiler.

O demônio da vez, trás a PREGUIÇA nas costas e conta a história de Ivan, um homem forte e enorme que finge gostar do seu trabalho, quando na verdade deseja dormir o dia todo.

Veio ao mundo com uma força negativa. Era assim que ele chamava a sensação, de força negativa. Algo inanimado e abstrato que pesava em todos os seus pensamentos. Convivia com isso desde sempre. Uma apatia que o convidava a ficar na cama, uma repulsa dos serviços físicos prolongados e das jornadas cansativas".

E para vencer aquela maldita "força negativa" que o assolava, o homem encomenda duas garotinhas negras à um comerciante e as ensina seu ofício. Com isso pode ao mesmo tempo, se tornar o maior ferreiro da vila enquanto dorme, deliciosamente, em sua cama quentinha.

Mas espere, nada é coincidência nessa vila. Um dia, um negro enorme, forte e caolho aparece por ali e a sorte pode vir a mudar a vida de Ivan. Também não podemos nos esquecer dos outros demônios que já passaram pela vila e outros que ainda estão por aparecer.

Tudo está se conectando aqui! Os personagens reaparecem e sanam nossa curiosidade de forma esplêndida. Estou apaixonada por esse livro!

*****

6 - Mammon - O PORQUINHO DE PORCELANA DA SRA. BRANKA

Quando Latasha nasceu, já era órfã de pai e ficara, naquele instante, órfã de mãe também. Sorte que a vida colocou a avó, Branka, no seu caminho. Mas, assim como os moradores daquele vilarejo já vinham comentando há tempos:

...uma maldição recaiu sobre o vilarejo; vivem um período de trevas, pontuado por desgraças familiares, com atos de barbárie e violência".

Branka era uma avó dedicada, mas muito preocupada com o dinheiro. Tinha uma estima profunda pelo seu contador e seguia a risca o que ele dizia. E foi, por conta de um dos conselhos do homem, que na juventude de Latasha, Branka reformulou toda a sua vida, em busca de reduzir os gastos e aumentar o ganho da casa: Não havia mais carne durante as refeições, as massas eram servidas sem molho e as roupas costuradas em tecido mais pobre.

A menina chora muitas noites. Está fadada às garras vigilantes da velha que coleciona moedas num porco maldito".
Latasha passou a viver uma vida de inferno por causa da GANÂNCIA de sua avó e, por conta disso, sentia ódio profundo da velha. Mas um dia, por sorte dela talvez, Branka sofreu um pequeno acidente e...

Uau, mais um conto incrível! Como já disse, estou resenhando enquanto leio e não consigo me conter quanto a empolgação de terminar aqui e partir para o próximo conto. Vou ali e já volto.

*****

7 - Satan - UM HOMEM DE MUITOS NOMES

Muito obrigada, Raphael Montes, por dificultar ao nível “máster” o meu trabalho de resenhar.

Como falar de um conto que é puro spoiler? Fechando o ciclo do livro - de forma impecável - o próprio demônio da IRA, derrama seu horror em um desfecho incrível.

Muitos personagens voltam à trama e fecham o ciclo da maldade, desenhada desde o primeiro conto. Não posso falar mais nada!

*****

O epílogo é um show à parte. Deu arrepios e foi quase melhor que os contos! Nada fica de fora, nada é por acaso. A trama é muito bem elaborada e a escrita, sem comentário. É ÓTIMA.

Não é para menos que Raphael Montes está sendo comparado ao Stephen King e isso é uma responsabilidade enorme nas costas. Acho que com um pouco mais de bagagem ele poderá carregar uma coroa de príncipe (rs)

Ps: Ele é brasileiro! Um VIVA para ele!


[Livro] Dias Perfeitos - Raphael Montes

Segundo livro que leio do escritor e agora sim, sei que sou fã dele (a resenha do outro vem em breve), apesar de que neste, vi alguns detalhezinhos que me incomodaram um pouco, mas vamos por partes.

Sinopse: Téo é um solitário estudante de medicina que divide seu tempo entre cuidar da mãe paraplégica e examinar cadáveres nas aulas de anatomia. Durante uma festa, ele conhece Clarice, uma jovem de espírito livre que sonha tornar-se roteirista de cinema. Ela está escrevendo um road movie sobre três amigas que viajam em busca de novas experiências. Obcecado por Clarice, Téo quer dissecar a rebeldia daquela menina. Começa, então, uma aproximação doentia que o leva a tomar uma atitude extrema. Passando por cenários oníricos, que incluem um chalé em Teresópolis e uma praia deserta em Ilha Grande, o casal estabelece uma rotina insólita, repleta de tortura psicológica e sordidez. O efeito é perturbador. Téo fala com calma, planeja os atos com frieza e justifica suas atitudes com uma lógica impecável. A capacidade do autor de explorar uma psique doentia é impressionante – e o mergulho psicológico não impede que o livro siga um ritmo eletrizante, repleto de surpresas, digno dos melhores thrillers da atualidade. Dias perfeitos é uma história de amor, sequestro e obsessão. Capaz de manter os personagens em tensão permanente e pródigo em diálogos afiados, Raphael Montes reafirma sua vocação para o suspense e se consolida como um grande talento da nova literatura nacional.

Classificação


Em dias perfeitos, Raphael traz um assunto que eu amo muito: Psicopatas.

Téo é um estudante de medicina e desde as primeiras páginas já notamos que tem algo errado com ele. Sua afeição por um dos cadáveres de estudo é bem doentia e bizarra. Mas Téo sabe exatamente o que fazer para passar despercebido e são essas atitudes artificiais (típicas de um psicopata) que ele é introduzido à história.

Sua rotina é bem metódica. Além de estudar muito e ser brilhante na faculdade, Theo cuida da mãe paralítica com todo carinho (algo que sabemos ser só fingimento), além de manter as aparências com os vizinhos e tal, mas tudo muda quando, em uma festa, ele conhece Clarice e se apaixona por ela.

Sabemos que psicopatas não se apaixonam como pessoas normais, no máximo criam um laço de dependência ou fascínio por outra e é exatamente o que acontece com Téo em relação a Clarice, coitada.

A garota é totalmente diferente dele: cheia de personalidade, adora beber, fuma descontroladamente e não tolera regras. Além disse está escrevendo um roteiro (que leva o nome do livro - Dias Perfeitos) que Téo sabe que pode ficar melhor, mas nada disso importa, porque Téo está apaixonado e tem certeza que pode mudar tudo isso. Melhorar na verdade.

Afinal, relacionamento também é privação. Estavam atados um ao outro. Ele levaria Clarice consigo para sempre: já não podia viver ou mesmo morrer sem ela".

Ele só precisa passar um tempo com ela para poder mostrar todo seu amor e fazê-la entender o quanto, só ele, pode ser perfeito para ela. É nessa loucura, que após alguns dias de densa perseguição ele a sequestra (de uma forma horrenda) para proporcionar momentos de "paz" à Clarice, seguindo os locais que ela cita em seu roteiro para ampliar sua inspiração. Dessa forma espera que ela se apaixone por ele.

É aqui que senti o maior incomodo durante a leitura. A questão de sequestrar alguém, por purpura obsessão, proporcionar o bom e o melhor para essa pessoa desenvolver um trabalho inacabado, além de tentar "melhorar" aquela personalidade ao seu bel prazer, já foi IGUALMENTE explorado aqui:


Essa foi uma das inúmeras críticas que li antes de pegar esse livro e pensei: "Não pode ser tão igual". Mas é...

De qualquer forma, Raphael Montes escreve muito bem. Sua narrativa é acelerada e deliciosa e se você NÃO leu o livro citado acima, vai deitar e rolar com esse.

- Ah, Camila, se tem esse enorme defeito, porque você deu 5 estrelas?

Simples: O FINAL ME JOGOU NO CHÃO. Eu juro que não esperava. Isso não, como eu vinha lendo e imaginando o final do outro, quando cheguei às últimas páginas desse quase engasguei. Raphael Montes se mostrou insano! Deu-me uma voadora no peito e eu ainda o agradeci no Twitter! Hahaha

Téo fechou os olhos, ainda deprimido, mas sem se perturbar. Fosse o que fosse, tinha a sensação de que ninguém conseguiria pegá-lo".

Sério, vale a pena. Vale muito e eu recomendo para qualquer pessoa que curte leituras angustiantes e aterrorizantes.

Ah, tenho dois exemplares desse livro! O que será que faço com o outro hein?! Não sei... Deixa eu pensar...
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