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[Coluna] Não funcionou para mim #1

Resolvi criar uma coluna diferente aqui no blog, chamada - Não funcionou para mim - onde falarei de livros que não me conquistaram, mas que de alguma forma merecem ser resenhados.

Todo leitor sabe que alguns livros são completamente insuportáveis para uns, ao mesmo tempo em que se tornam preciosos para outros. Por isso resolvi colocar aqui, um pouco sobre o que não "funcionou" para mim naquele momento da minha vida.

Sim, porque já peguei obras que detestei um dia, e em um momento totalmente diferente da vida e acabei gostando. Para tudo existe o tempo certo e para leitura a regra é a mesma.

Hoje trago duas obras. Ambas me encantaram em sua sinopse, cada uma me atraiu com um ponto específico e, talvez por eu ter ido com "muita sede ao pote", me decepcionei rápido demais.


O Gigante EnterradoSinopse: Uma terra marcada por guerras recentes e amaldiçoada por uma misteriosa névoa do esquecimento. Uma população desnorteada diante de ameaças múltiplas. Um casal que parte numa jornada em busca do filho e no caminho terá seu amor posto à prova - será nosso sentimento forte o bastante quando já não há reminiscências da história que nos une? Épico arturiano, o primeiro romance de Kazuo Ishiguro em uma década envereda pela fantasia e se aproxima do universo de George R. R. Martin e Tolkien, comprovando a capacidade do autor de se reinventar a cada obra. Entre a aventura fantástica e o lirismo, "O gigante enterrado" fala de alguns dos temas mais caros à humanidade: o amor, a guerra e a memória.

Pela sinopse parece uma obra incrível. Mágica. Original. Bem, é bastante original e trás mesmo o fantástico para a trama, com ogros, dragões e névoas encantadas, mas a narrativa é extremamente lenta. Cheia de rodeios para no fim não revelar quase nada.

Após a página 200 percebi que havia pouca coisa que me surpreendia e até mesmo a mágica do caminho não me agradava mais. Os protagonistas não me conquistaram e a ÚNICA passagem que me deixou sorrindo, foi exatamente a que eu havia lido no blog da Cia das Letras:

Boa senhora, a ilha de que essa mulher fala não é uma ilha comum. Nós, barqueiros, já levamos muitos até lá ao longo dos anos e, a essa altura, deve haver centenas habitando seus campos e bosques. Mas se trata de um lugar de características estranhas, e quem chega lá vaga por entre as árvores e a vegetação sozinho, sem jamais ver qualquer outra alma. De vez em quando, numa noite de luar ou quando uma tempestade está prestes a cair, é possível sentir a presença dos outros habitantes. Mas na maior parte dos dias, para cada viajante, é como se ele fosse o único morador da ilha.

Afinal de contas, qualquer história sobre o Caronte me atraí. Mas as alegrias pararam aí, bem na página 57.

O que me fez trazer esse livro para cá e não descartá-lo totalmente da indicação foi o seguinte:

  • A trama tem um grande potencial e talvez eu não estivesse no momento certo para a leitura.
  • Conheço pessoas que adorariam essa obra e isso já me faz entender que ela não funcionou para mim, mas pode agradar outros.
  • A edição do livro é uma das mais lindas que já vi e isso me deixou com sentimento de culpa! Ok, não devemos julgar o livro pela capa, mas essa capa é linda demais e me forçou seguir a leitura até o final.
  • Em alguns momentos, a história me lembrou de algo que Neil Gaiman escreveria e sendo ele um dos meus escritores preferidos, decidi que o problema foi comigo.

Por isso, recomendo essa obra para pessoas que buscam uma trama mágica, lenta e rica em detalhes.

***

Casa de praia com PiscinaSinopse: Marc Schlosser, um renomado médico de Amsterdã, exerce sua profissão com certas doses de cinismo. Quando um de seus pacientes, o famoso ator Ralph Meier, o convida para passar as férias de verão com sua família, Marc aceita, apesar de contrariar a esposa, que não suporta a postura arrogante e sedutora de Ralph.
Assim, o casal e as filhas adolescentes dividem com o ator, sua mulher, um diretor de Hollywood e sua jovem namorada uma casa com piscina a poucos quilômetros de uma praia mediterrânea. Alguns dias monótonos se passam até que em certa noite ocorre um grave incidente que interrompe as férias e marca a vida de todos para sempre. Marcado pela ironia afiada e pela trama de forte teor psicológico, Casa de praia com piscina é um romance inquietante e questionador que mais uma vez prova o talento de Herman Koch.

Essa obra me conquistou mais pelo escritor do que pela sinopse, na verdade. A trama me pareceu interessante, mas nada surpreendente, só que eu já havia lido outro livro do Hermann Koch e sabia da incrível capacidade que ele tem de cativar o leitor com sua narrativa.

O primeiro livro do escritor se chama O Jantar e foi resenhado aqui no blog. Ganhou 5 estrelas, porque não posso dar 6 e habita o lugar mais ventilado na minha estante. Caí de amores pela escrita dele e quando vi esse livro, me joguei de cabeça, sem puxar o fôlego antes.

Me dei mal.

A trama e a narrativa são típicas do escritor e no começo me fez relembrar um pouco os protagonistas de O Jantar, com um narrador duvidoso e cheio de defeitos, as páginas foram virando automaticamente e eu vibrava a cada traço de personalidade que ia descobrindo...

Mas percebi, lá pela página 200 que não saia disso. Quer dizer, eu já havia descoberto que o narrador era um médico "escroto", preconceituoso, que tinha nojo de pessoas, mas cadê a casa de praia com piscina?! *__*

A coisa toda acontece de uma vez. Do meio para o final a trama acelera, mas uns 15 capítulos do final as surpresas acabaram para mim. Desvendei tudo e já esperava o óbvio (que acabou vindo).

Li cada frase com o seguinte pensamento:

- Hermann, você consegue fazer melhor, meu amigo!


Ele consegue mesmo. Seu primeiro livro ainda é um dos meus preferidos nesse gênero, enquanto esse segundo eu pretendo esquecer rapidamente.

O que me fez trazer o livro para cá:

  • A trama é lenta, mas muito bem desenvolvida.
  • O escritor merece e assim como conheço pessoas que detestaram O Jantar, sei que existem leitores que levariam um puta susto no final dessa obra.
  • O protagonista, mesmo sendo um estúpido, me agradou (rs), eu sei, tenho um lado imoral aflorado e às vezes me identifico com os piores tipos.
  • Eu cheguei até o final, portanto, mesmo não gostando muito, algo me prendeu ali e isso significa que outras pessoas podem gostar da trama.
  • Participei de uma TAG e me indicaram esse livro, por isso fui obrigada a postar sobre ele (rs).

Indico esse livro para leitores pacientes, que curtem conhecer muito profundamente os personagens antes de saber quem matou quem. A escrita é impecável e merece ser indicada.

***

Sobre a Tag

A Nina do Blog Psicose da Nina, me convidou para participar de uma brincadeira e se eu aceitasse, ela escolheria um livro da minha estante do Skoob. Acabou que ela escolheu esse Casa de praia com Piscina do Hermann Koch e eis aqui a minha resenha.


Bem, a ordem é que eu convide outras 5 pessoas para o desafio, mas eu não as encontrei ainda! Também não desisti, assim que reunir as 5 aviso vocês.

Espero que tenham gostado e quem quiser participar dessa TAG me avisa aqui nos comentários. \0/



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