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[Livro] O Último Magnata - F. Scott Fitzgerald

Nossa, como é difícil falar de um livro amado pela maioria dos leitores, adorado pelos críticos literários e tido, quase como unanimidade, como a maior obra do autor. 

Sinopse: A experiência de Fitzgerald como roteirista de cinema foi decisiva na criação da obra que é considerada seu trabalho mais maduro. Nas palavras de seu amigo e editor, Edmund Wilson, “O último magnata é de longe o melhor romance jamais escrito sobre Hollywood e o único a nos situar em seu interior”. Ele foi também o responsável pela última versão do livro, já que Fitzgerald morreu subitamente, vitimado por um ataque cardíaco, quando ainda trabalhava nos últimos capítulos.
A história desvenda o universo do cinema dos anos 30, época dos grandes estúdios, e conta a história do produtor Monroe Stahr. O personagem, baseado na vida de Irving Thalberg, antigo chefe da MGM, não consegue superar a morte da esposa, uma grande atriz. Confuso, passa a ser dominado pela visão de uma desconhecida, muito parecida com a falecida esposa. O livro ganhou uma versão cinematográfica em 1976. Com roteiro de Harold Pinter e dirigida por Elia Kazan, teve Robert de Niro no papel do magnata Monroe Stahr.
Francis Scott Key Fitzgerald (1896-1940) se consagrou como um dos ícones da geração perdida e um dos mais importantes escritores da literatura americana. Começou a carreira literária nos anos 20, publicando Este lado do paraíso. Com sua esposa, Zelda, mudou-se para a França, onde concluiu seu terceiro e célebre romance, O grande Gatsby (1925). Com a saúde já abalada pelo alcoolismo, Fitzgerald mudou-se então para Hollywood, onde trabalhou como roteirista cinematográfico. Em 1939, começou a escrever O último magnata, publicado postumamente em 1941. 


Li apenas dois livros de Fitzgerald, este a "O Grande Gatsby". Em ambos, o autor nos apresenta homens milionários, admiráveis, que despertam a inveja de todos que se aproximam, mas que, às portas fechadas, sentem uma imensa amargura e solidão. 

Ambos sofrem por amor, o que é interessante de se observar em homens poderosos como os criados por Fitzgerald. Eu preciso confessar logo, meu preferido ainda é Jay Gatsby, mas Stahr tem um charme bem parecido, portanto ambos são interessantes, cada um em sua área de super ricaços! 

Notem que estou falando dos protagonistas e não da história, pois é exatamente isso que fica em você após o término da leitura. A trama, pouco importou para mim aqui nessa obra, porque é Stahr que me fascinou e tudo ao redor dele pareceu simples e desinteressantes. 

Me desculpem os amantes dessa obra, em minha opinião é um livro bastante arrastado, principalmente pela sua genialidade em descrever o mundo do cinema na época de ouro dos Estados Unidos. O que de mais rico existiu nessa época do que Hollywood e suas estrelas? Mas a genialidade aqui requer detalhes, muitos e bastante extensos. 

De qualquer forma, Fitzgerald faz isso com maestria e já era de se esperar. Ele cria cenários vívidos, personagens que poderiam realmente existir (se é que não existem até hoje), mas (para mim) faz a história andar mais lentamente. Sem falar que ao lado de Stahr ninguém mais é interessante (rs). 


Stahr é poderoso magnata da industria do cinema. Tudo passa por ele e a ultima palavra é sempre dele e de seus sócios. Ele é viúvo e logo nas primeiras páginas já descobrimos que ele foi profundamente apaixonado pela esposa que era também uma estrela de cinema. 

A trama começa de fato quando ele avista uma mulher que é sósia de sua falecida esposa e fica obcecado por ela. Essa parte da história é bastante interessante. Fitzgerald criava diálogos magníficos, ricos, hipnotizantes. É neles que desvendamos toda personalidade dos personagens e o quanto são fortes (ou escondem bem suas fraquezas). 

Enfim. Não quero me alongar mais na trama, mas preciso dizer que este, sendo o ultimo livro de Fitzgerald, está inacabado, portanto vai até o capítulo 6 e acredito que deveria ter mais um tanto desse para a frente. Mas o nosso escritor gênio não se foi, deixando para trás apenas leitores curiosos, ele esboçou tão bem sua ideia que só a organização de seus rabiscos puderam fazer com que a trama se fechasse. 

O final é fantástico! Ou seria fantástico ao quadrado caso ele tivesse terminado de escrever. Queria muito ter lido isso completamente revisado por ele, certamente arrancaria lágrimas. 

Por favor não me odeiem, mas Jay Gatsby ganhou meu coração bem antes de Stahr aparecer e ele ainda ocupa o lugar de ouro em minha estante, mas "O Último Magnata" não fica atrás. É um livro maravilhoso, que pode cansar um leitor mais novato, mas que encantará qualquer um que se renda à arte em palavras. 

A formação de um leitor profundo

Eu não sabia bem como nomear o tipo de leitor que eu gostaria de discutir aqui. Pensei em chamá-lo de "leitor clássico", mas sendo bem sincera, que pessoa lê APENAS livros considerados clássicos? A verdade é que a demanda de obras, nos últimos tempos, têm sido avassaladora e chega às livrarias aos montes - por dia. Impossível escapar de um contemporâneo ou outro.

E ao contrário do que dizem os críticos, nem todos são ruins. O problema dos livros contemporâneos é que pertencem a escritores que estão trilhando seus primeiros passos ainda e estes apresentam falhas, assim como nossos imortais já apresentaram um dia.

Pelo menos, em minha cabeça, é essa a diferença. Veja bem, temos hoje Cesar Bravo - um escritor incrível que está arrastando multidões de leitores por onde passa - mas que ainda não foi considerado um escritor clássico. Raphael Montes é outro exemplo e estou aqui nomeando apenas os que escrevem um determinado gênero (terror/Suspense). Então, se o que diferencia um Cesar Bravo de um Stephen King é apenas o tempo, não devemos criticar leitores que se rendem aos contemporâneos. 

Mas é inegável o quanto um clássico tem a nos dizer. Eles parecem mais profundos, mais encorpados e é deles que eu quero falar. O que torna um leitor mais profundo? Quais clássicos tornam sua bagagem realmente considerável? Você está no caminho certo em suas escolhas?

Alguns escritores são imprescindíveis para quem deseja se tornar um leitor respeitado: Vitor Hugo, Tolstoy, Dostoiévski, Thomas Man, Kafka, Cecília Meireles, Guimarães Rosa, Machado de Assis, Cervantes, Shakespeare, Alexandre Dumas, Gogol, Mia Couto, José de Alencar e mais um milhão de exemplos, mas são somente estes? Obvio que não. 

Eu descobri, estes dias, que para cada clássico que eu leio, mais três títulos são acrescentados à minha lista, ou seja, eu jamais chegarei ao final e, acredite, essa é a melhor parte!

[Livro] Laranja mecânica - Anthony Burgess

Um dos livros mais difíceis que eu já li e não falo isso pelo seu teor violento e nem pela crítica social, mas sim pela linguagem criada pelo autor. Genial, isso é inegável, mas muito difícil e eu não esperava por isso.

Mas posso resumir essa experiência com uma palavra apenas: HORRORSHOW  (Palavra que o Alex mais adora!)



Sinopse: Narrada pelo protagonista, o adolescente Alex, esta brilhante e perturbadora história cria uma sociedade futurista em que a violência atinge proporções gigantescas e provoca uma reposta igualmente agressiva de um governo totalitário. A estranha linguagem utilizada por Alex - soberbamente engendrada pelo autor - empresta uma dimensão quase lírica ao texto. Ao lado de "1984", de George Orwell, e "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley, "Laranja Mecânica" é um dos ícones literários da alienação pós-industrial que caracterizou o século XX. Adaptado com maestria para o cinema em 1972 por Stanley Kubrick, é uma obra marcante: depois da sua leitura, você jamais será o mesmo.



Classificação


Editora: Aleph


Bem, assisti a esse filme na época da escola e achei estúpido. Não entendi o que ele queria dizer é fiquei aflita com a maioria das cenas, que ainda estão tão vivas em minha memória (obrigada professora Márcia)

Mas algumas coisas - e isso inclui a leitura - são mais bem aproveitadas com a maturidade. Venho constatando isso com meus livros. Alguns falam línguas diferentes a cada leitura que eu faço e outros simplesmente não funcionam, porque ainda não estou pronta para eles.

Laranja Mecânica, finalmente, se mostrou pronto para mim (ou eu para ele, rs) e dessa vez, a leitura fluiu...


Ou quase...

Quase porque o autor é bizumni (louco) e escreveu um livro genial, mas complicado com um dialeto próprio que te obriga a ficar consultando um dicionário QUE VEM NO LIVRO! Colocarei algumas coisas no texto e a "tradução" entre parênteses, mas imaginem que no livro não tem essa ajudinha...

O livro conta a história de Alex, um garoto bugati (rico), problemático que adora violência e a prática em larga escala ao lado dos seus druguis (amigos).

As conversas entre eles são surreais. O dialeto que eles usam - aqui chamado de NADSAT é quase como a evolução das gírias que ouvimos atualmente, mas totalmente criada pelo autor. Em determinado momento do livro, percebemos a estranheza de outros personagens mais velhos, diante desse tipo de linguagem.

...então ele veio até onde eu estava não muito skorre (rápido) e eu pude sentir o von do tchai (cheio do chá) com leite que ele estava pitando quando ele abriu a rot (boca) numa careta muito grande e cansada".

Fiquei pensando que foi exatamente isso que o autor queria proporcionar ao leitor. Se imagine entrando em uma região remota do Brasil, dessas que você não tem contato algum e experimenta conversar com um nativo de lá. É quase impossível é olha que moramos no mesmo país. (Acho isso lindo para dizer a verdade e talvez seja por isso que amei tanto essa obra).


Alex é quase um animal. Prática, ao lado dos amigos, as mais cruéis e desrespeitosas ações. Ele gosta de humilhar e espancar as pessoas e para ele é tudo um jogo. Ele faz isso porque pode.

...depois de ter amaciado aquela devotchka (garota) com minha goloz de cavalheiro, de modo que ela não havia fechado a porta como deveria ter feito, sendo nós estranhos na noite. Nós quatro então entramos com tudo, o velho Tosko tocando terror como de costume, pulando pra cima e pra baixo e cantando slovos indecentes..."

Bem, como nem tudo são flores, Alex é preso após cometer um assassinato e já na cadeia descobre que todo mundo, um dia, terá que pagar pelos seus erros e é aí que começa a parte que eu surtei vendo o filme (na época da escola).

Alex fica sabendo de um tratamento que promete CURAR pessoas como ele (aqui você deve ler: Psicopata rs) e resolve que quer participar do programa, sem saber bem o que lhe espera.

O tratamento consiste em passar cenas horrendas para ele assistir, tudo isso ao som do que ele mais gosta: Música Clássica. Sim, meus amigos, Alex têm um gosto refinado, mas não pensem que isso ajudou.

Acontece que ele prova do próprio veneno ao observar espancamentos, linchações e agressões de todos os tipos. É agora você vai se lembrar daquela cena clássica, onde pregam os olhos dele de forma que ele não pode nem piscar para que realmente veja as cenas e imagens.


A música é constante e trará para ele grandes consequências no futuro. Ao ponto em que toda vez que ele escutar música clássica, esse tratamento lhe voltará a mente, causando o mesmo efeito de pânico que ele sentiu ao ser tratado.

É uma lavagem cerebral. Tenho certeza que se ele soubesse o que lhe aguardava jamais se permitiria participar de tal tratamento. O que nos leva ao ponto principal da coisa:

Até que ponto o "estado" deve decidir quem precisa receber esse tratamento e quem não? Será que ele é tão eficaz como prometem? Será que é certo, obrigar que todos sejam iguais em suas ações? Esse é o melhor caminho? Lavagem cerebral não é algo simples e tem consequências.

Gente, o final é sensacional. Não revi o filme ainda, mas farei em breve. É um livro difícil? Sim, mas vale cada página e olha, eu juro que na metade da leitura eu nem precisa mais consultar o dicionário. A linguagem de tornou natural para mim e a leitura fluiu de verdade.


A magia dos contos


Nos últimos meses ando vendo o quanto as editoras estão investindo em histórias curtas. Vocês já notaram? Editoras grandes, passaram a investir pedado em antologias - algumas com temas específicos e outras nem tanto, mas uma coisa é certa: Todas estão se rendendo à famosas Short Stories! Veja só:


A Editora Rocco abriu espaço para os seguintes títulos:
1 - OS CONTOS DE BEEDLE, O BARDO - J. K. Rowling
2 - CLARICE NA CABECEIRA - Clarice na Cabeceira
3 - CONTOS DOS IRMÃOS GRIMM - Clarissa Pinkola Estés


A editora Intrínseca nos presenteou com uma obra incrível chamada O PRESENTE DO MEU GRANDE AMOR, que reuniu 12 escritores conceituados, incluindo David Levithan (Todo Dia), Holly Black (As Crônicas de Spiderwick) e a linda Holly Black (Feita de fumaça e osso).


A Editora Record foi genial na publicação de O LIVRO BRANCO, que reuniu 20 escritores para escrever contos inspirados nas músicas dos Beattles. Vai falar que não é o máximo!!!


E essa não é a primeira vez que eles fazem isso. A editora já havia publicado a antologia, chamada de COMO SE NÃO HOUVESSE AMANHàque reuniu 20 contos inspirados em músicas da Legião Urbana. #Lindo


A Editora Cia das Letras lançou o livro OS CONTOS FANTÁSTICOS DO SÉCULO XIX, selecionados pelo escritor Italo Calvino. A antologia contava com nomes importantes como: E. T. A. Hoffmann (O homem de areia), Charles Dickens (Um conto de natal), e o magnífico Edgar Allan Poe (O corvo). 

E estes são só alguns exemplos de antologias que fizeram sucesso. Daí me pergunto porque não podemos ter nossos próprios autores produzindo estas pequenas maravilhas? Pois lhes digo que já temos, quer ver?


Dragões é uma coletânea, organizada pela Editora Draco, com contos desse tema. Um deles, inclusive, foi resenhado aqui no blog – A DAMA DAS AMEIXAS da escritora Karen Álvares.


Agora, falando de Karen Álvares, eu posso citar HORROR EM GOTAS que foi lançado na Amazon. Uma coletânea de contos de terror que vão de fantásticos à pura realidade angustiante.

Tem também, os meus próprios contos, porque não! Já leram O MONSTRO NO CARRO? Está disponível na Amazon também. Tem também dois de terror: ESTÁTUAS ESTRANHAS e VISITA INDESEJÁVEL

Assim como o assustador FORA DA LUZ da Melissa de Sá e o conto lindoooo O ÚLTIMO ADEUS da Raiza Verella.

Estão vendo a quantidade de obras interessantes? Então o que você acha de dar uma chance para estas histórias curtas? Tenho certeza que vão servir como brasa em uma fogueira para seu apetite de leitura!


[Livro] Os miseráveis - Vitor Hugo

Uau! O que dizer? Tanta coisa se passa nessa obra que nem sei por onde começar, então já vou avisando, essa resenha vai ficar enorme e nem de longe contarei um terço do que aconteceu na história. Então arruma uma cadeira confortável e volte comigo para meados de 1800, na França.




Sinopse: Esta obra é uma poderosa denúncia a todos os tipos de injustiça humana. Narra a emocionante história de Jean Valjean — o homem que, por ter roubado um pão, é condenado a dezenove anos de prisão. Os miseráveis é um livro inquietantemente religioso e político. Com a França do século XIX como pano de fundo, «Os Miseráveis» conta uma apaixonante história de sonhos desfeitos, de um amor não correspondido, paixão, sacrifício e redenção, num testemunho intemporal da sobrevivência do espírito humano.



Classificação

Os miseráveis pode ser considerada uma obra cansativa, não vou gritar com isso, mas é tão genial que me deu aquele gostinho de poder quando finalmente cheguei ao final. Fui chamada de corajosa, louca e nerd, mas na verdade me considero privilegiada por ter conseguido enfrentar as mais de 1600 páginas e os inúmeros personagens – alguns deles com vários nomes e apelidos diferentes. 

Enfim, vou admitir que sentirei falta de alguns deles, tão singulares e tão apaixonantes e por isso ilustrarei o post com imagens do filme estrelado por tantos atores magníficos para tornar essa leitura um pouco mais visual para vocês. 

Algumas pessoas chegam a ler outros livros antes de se aventurar em Os Miseráveis pela profundidade da obra, mas eu fui em frente e me meti nessa bela enrascada, escrita pelo genial Vitor Hugo em 1862. Isso por causa do Desafio literário que eu mesma propus a vocês e que agora receberá essa obra na seguinte categoria:


Jean Vanjean

Os Miseráveis conta a história de Jean Valjean, um homem condenado a trabalhos forçados nas Galés por roubar um pão para alimentar sua família. Só que sua pena aumentava à medida que ele tentava escapar da escravidão e isso lhe roubou 18 anos de vida.

A história se passa em 1812, na França e trás um núcleo de personagens típicos de periferia. Prostitutas, ex-presidiários, vigaristas, meninos de rua etc. compõem o cenário pobre e miserável de pessoas endurecidas, como o próprio título já diz: Miseráveis.

Jean Valjean cumpre sua pena e é liberto, mas deve andar com seus documentos que provam que ele esteve nas Galés como escravo e alerta a qualquer um que ele é um homem perigoso e agressivo. Isso torna sua vida ainda mais complicada. 


Repudiado, nunca consegue um lugar para dormir ou para comer e passa a vagar pelas cidades, passando fome, até conhecer o Bisco Bienvenue e essa parte é hilária. O bispo é muito louco, prega o desprendimento total de seus bens e vive quase na pobreza, mesmo que receba da igreja condição mais do que necessária para viver bem e isso gera brigas homéricas com sua irmã. 

E essa personalidade o torna um alvo fácil para Jean Valjean que ao passar a noite em sua casa, acaba roubando seus objetos de prata e fugindo de madrugada. Mas é capturado é trazido de volta pela polícia. Nesse momento acontece a maior transformação de sua personalidade.


Subjugado e humilhado acaba presenciando mais uma das loucas facetas do Bispo Bienvenue que diz aos policiais que havia doado aquela prataria toda para ele e ainda lhe entrega mais dois candelabros e manda que os policiais o libertem. 

Antes de deixa-lo ir embora, o Bispo diz a Jean Valjean que fez isso para que ele se torne um homem bom novamente e que volte a acreditar em Deus. Isso mexe com sua cabeça e o faz voltar a raciocinar como uma pessoa de bem e não tão endurecido pela vida e pelos anos de escravidão. Por isso ele rasga seu documento e resolve criar uma vida nova, mas se torna um fugitivo da lei.

Anos se passam, Jean Valjean prospera e cresce como pessoa de bem. Cria uma indústria, empregando várias pessoas e se transformando no novo prefeito da cidade, tornando a vida de todos ao seu redor, muito melhor. 


Até que aparece Javert que descobre que ele é um fugitivo da polícia. 

Uma pausa aqui para falar sobre a magnífica atuação dos atores nesse musical. Não pouparei elogios para todos eles, que tornaram essa obra tão linda e profunda em algo ainda mais incrível. 

Nesse meio tempo Jean Valjean conhece Fantine, uma mulher sofrida que precisou deixar sua filha Cosette sob o abrigo de um casal, que prometeu cuidar da criança em troca de dinheiro, que ela deveria mandar de tempos em tempos. Por acaso ela é demitida da indústria de Jean Vanjean e acaba na periferia passando por períodos horríveis em sua vida para cumprir sua promessa.

É aqui que ela canta essa música que me fez chorar como uma menininha (hahaha):



Jean Valjean se sente culpado pela sua situação e a acolhe, prometendo buscar sua filha assim que puder e dar a ela tudo que lhe foi negado até então. Muita coisa acontece nessa parte da história. Ele realmente vai buscar Cosette e descobre que o casal que cuidava dela na verdade a maltratava e usava o dinheiro para seu próprio bem e não o dela. Então ele tira a garota do casal e a adota como filha.


Essa parte da história é horrível no livro, mas no filme é hilária (maior contraste que percebi entre as duas versões)! Me deu uma tristeza enorme ler sobre a péssima vida da pequena Cosette e o quanto Fantine estava enganada ao pensar que havia feito o melhor para sua filha. A infância sofrida e os maus tratos me deram arrepios. Torci para Jean Valjean chegar logo...

A relação dos dois, por outro lado, é deliciosa. Jean Valjean a acolhe como filha e, mesmo fugindo de Javert o tempo todo, dá à menina a dignidade perdida. Ele troca de nome diversas vezes na história, muda como um camaleão diante dos percalços de sua jornada, mas nada diminui seu brilho e sua vontade de viver.


O que torna a história muito grande e às vezes cansativa é a mania que o narrador tem de puxar o leitor para o ambiente ou para a época da história em que aquela cena está acontecendo. Para isso ele conta toda uma nova história dentro daquela e se você não pular páginas (não faça isso aqui, mesmo que a história demore um ano para ser lida) vai se perdendo dentro de muita coisa além do romance propriamente dito.

O ponto positivo disso é: Mesmo com toda essa divagação, a obra vale a pena. O narrador tem o dom de envolver o leitor em qualquer história que conte e até mesmo quando Jean Valjean está percorrendo os esgotos da cidade, a parte acrescida do narrador é interessante. 


Uma coisa que li em algum lugar (agora não me lembro onde), é que os fatos históricos contados no livro não devem ser levados muito a sério, porque não relatam a verdade completa. As batalhas (A Batalha de Waterloo por exemplo – A que Napoleão Bonaparte perdeu que é o cenário em que a história toda se passa) contem muitos fatos que não aconteceram ou que foram diferente. 

Portanto não é uma obra para aprender sobre a história Francesa e sim para ser encarada como um Romance histórico “baseado” na história real. O autor romanceou muito, tudo que realmente aconteceu, mesmo assim dá para visualizar muita coisa, se você estudou um pouco a história da França na época do ginásio.


Eu, particularmente, sempre gostei muito da história da França. No período que estudávamos isso na escola lembro que me empenhava mais nessa matéria do que nas outras e é por isso que percebi o grande erro que muita gente comete ao falar desse livro.

Os miseráveis, NÃO se passa durante a Revolução Francesa que aconteceu em 1789. A Revolução que vemos na obra é a Estudantil. A obra toda se passa no período entre 1812 e 1832, portanto a Revolução Francesa JÁ ACONTECEU! 

Falando em Revolução Estudantil, essa é uma parte muito bacana do livro, onde conhecemos outros personagens ótimos que não posso deixar de citar:


Primeiro falarei sobre o jovem Marius Pontmercy que se apaixona por Cosette (que nessa altura já é uma jovem mulher) e mal enxerga Éponine que se derrama aos seu pés - Sua vida tem um laço incrível com a vida de Cosette, mas isso você só vai descobrir se ler a obra rs).


Éponine tem uma das histórias mais tristes do livro, porque sofre de amor o tempo todo – e isso para mim é pior do que a própria morte – e também é protagonista de uma das cenas mais lindas do filme. É de chorar, porque eu li o livro, sofri por ela e nessa cena... (lágrimas)


O outro personagem que me apaixonei foi pelo pequeno Gravoche um garoto incrível e esperto além do limite que é tão perspicaz que praticamente rouba a cena quando aparece. Ele ilumina o elenco de personagens que formam a Revolução Estudantil e no filme suas músicas foram as mais fofas, mesmo que estivessem gritando por guerra e sangue.

Aqui está algo sobre a igualdade -
Todos são iguais quando estão mortos.

A quantidade de personagens é imensa. No começo foi difícil me encontrar, mas com o passar das páginas a coisa fica no automático. As personalidades são facilmente distanciadas e mesmo com núcleos distintos, como acontece muito, todos eles acabam se interligando de uma forma ou outra. Alguns de forma surpreendente como no caso de Épomine e Cosette.

O interessante é que a obra passa por gerações e os mesmos personagens se encontram em situações diferentes e eles estão tão modificados pelos problemas que enfrentaram na vida que não se dão conta que já se conheceram - Algumas vezes acabam se reconhecendo, mas em outras, isso passa despercebido. Não é uma falha do escritor, como ouvi algumas pessoas falando, mas sim o que acontece de fato em nossa vida.



Eu não sei mais o que falar dessa obra, aqui no Word já se foram 4 páginas e sinto que não contei nada. Sinto que estou na página 5 do livro ainda e tenho mais de 1600 para resenhar e mesmo assim seria injusta.

Demorei 4 meses para ler esse livro. Parei diversas vezes porque me cansava dela e voltava porque sentia falta – Principalmente de Jean Valjean - mas quando cheguei ao final, respirei orgulhosa de mim e pesarosa por ter que abandonar tantos personagens incríveis. 

Não consigo diminuir uma estrela por conta disso. Não seria justo com Vitor Hugo que escreveu uma história incrível e foi tão criticado pelos leitores, pela igreja, pelo governo, pelos jornais e por mais meio mundo. Hoje Os miseráveis é um clássico que deve ser lido e apreciado. 


Ah, o filme vale a pena, vale mesmo e as músicas ficaram grudadas em minha cabeça. Por isso dou 5 Torres Eiffel para a leitura:





Filmes Clássicos


Algumas pessoas gostam, outras odeiam... Eu adoro!!!

Filmes clássicos me dão certa alegria, não sei por que, mas me grudo na tela quando me deparo com algum desses filmes que fizeram história.

Vocês podem até dar risada com o que vou falar agora, mas eu me acabo com filmes de sessão da tarde! Verdade!!! Infelizmente não posso curtir muito esses filmes porque trabalho o dia todo e faz algum tempo que não fico em casa no período da tarde, mas se por alguma eventualidade preciso faltar... humm, lá estou eu grudada na TV para ver meu clássico.

Um dos que me marcaram muito foi “Curtindo a vida adoidado”, lembra? Hahaha, me da vontade de rir só de lembrar dele!


Outro que assisti mais de cinco milhões de vezes foi “Lagoa azul”, esse é impossível não lembrar!


Acho que a rede Globo foi à culpada disso porque tenho a impressão que antes passavam toda semana esses filmes, mas enfim!

Porque estou contando isso? Porque ontem assisti um desses clássicos que amo e que me fazem ficar grudadas na TV do começo ao fim.


Lembram desse? Nossa, se eu morasse na praia não entraria no mar pelo menos uns dois meses! Hahaha
É um filme bem antigo, mas é tão legal de ver até me inspirou pra fazer o post hoje.



Também quero deixar alguns créditos para uma pessoa que além de me inspirar a fazer esse post ficou curtindo o filme comigo, meu amigo Joe do blog Escrevendo aos pouquinhos, quem não conhece o blog dele corre lá porque ta perdendo!

Bem, é isso! E vocês? Gostam dos clássicos? Lembram de algum que marcou época ou que foi especial em algum sentido?!

Excelente final de semana para todos. Beijos e obrigada pelo carinho!
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