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[Conto] O Cão - Rodrigo Shepard


Seus bofes estavam quase saindo pra fora quando ele parou de correr, o coração galopava forte no peito e fazia seus olhos pulsarem nas orbitas. Atrás dele estava o cadáver, despedaçado, prensado no asfalto quente. O ônibus tinha passado por cima do animal, uma das rodas dianteiras acertou a cabeça, transformando o crânio no puzzle demoníaco, o corpo fora partido ao meio, trabalho quase cirúrgico da roda traseira do automóvel. 

Já estava acostumado a fugir dele, sempre quando deixava a correspondência na casa dos Nogueira, uma família estranha de reputação ruim no bairro, o animal avançava no portão, latindo como se não houvesse amanhã, exibindo as presas afiadas, sedentas para arrancar um pedaço de sua carne. Quase sempre ele conseguia escapar de sua casa e o perseguia, mas dessa vez, a última vez, o cachorro dos Nogueira encontrou um predador maior do que ele. Um dinossauro de aço que o esmagou no cimento numa fração de segundos.

Algumas pessoas olharam assustadas para o cadáver do animal, outras gritaram para o motorista do ônibus que seguiu caminho, sem se quer parar no farol. Paulo teve vontade de para-lo também, não para lhe agredir, mas sim para agradecê-lo de todo o coração. Aquele cachorro transformava seus dias de trabalho num verdadeiro martírio, que o fez pensar em pedir demissão inúmeras vezes. 

Contudo, agora ele podia respirar aliviado. Podia ir trabalhar no dia seguinte sem ter que se preocupar com aquele maldito animal, isso o fez abrir um sorriso largo e sincero “Bem feito, vai latir no inferno agora, seu animal burro”, pensou. 

Mas foi nesse instante que, entre os curiosos do outro lado da rua, apareceu um dos donos do animal: Ivo Nogueira, um velho cego do olho esquerdo que usava uma bengala de marfim. Ele encarou o cadáver do animal com tristeza, caminhou até ele, caiu no chão de joelhos e começou a juntar os pedaços com as mãos nuas, sem pudor algum, fazendo as pessoas ao redor gemer de nojo e se afastar, alguns carros buzinaram querendo passar. 

Paulo olhou com desprezo àquela cena, ainda sorrindo, e sentiu um calafrio mórbido percorrer sua espinha quando notou que o velho o encarava com um olhar sinistro e percebeu com espanto ainda maior que, com a boca tremula, ele proferia palavras sem emitir som algum. Isso o fez se sentir mal e já bem apavorado, deu as costas à cena e partiu. 

Já de noite, quando chegou a casa, um apartamento pequeno no subúrbio, que ele dividia apenas com a lembrança da ex-mulher, Paulo tirou o uniforme e foi tomar banho, dentro de si, ainda carregava uma sensação ruim que lhe dava um frio na barriga. A imagem do cachorro morto ainda estava fresca em sua mente, fixada como um papel de parede, mas o pior era a lembrança do olhar do velho Ivo Nogueira. Era como se o sujeito ainda estive ali, na sua frente olhando para ele, surrando algo..

As pessoas do bairro diziam que os Nogueiras faziam trabalhos espirituais e que mexiam com magia negra, coisa pesada. Ainda pensando nisso Paulo tentou jantar, serviu-se de uma lasanha de carne que ele esquentou no micro-ondas, mas parou de comer na primeira garfada. O paladar rejeitou o alimento, dizendo ao celebro que aquilo não era massa com molho e carne moída, mas sim sobras de um cachorro morto, aquecido no asfalto numa tarde de verão. 

Enojado, Paulo correu até o banheiro e vomitou. Sentia suas próprias tripas se contorcer e já sem forças, jogou-se no sofá e ligou a TV, mas acabou adormecendo ali mesmo. Na própria mente em um sono profundo, algo lhe assombrou os sonhos, era um latido bestial e ensurdecedor que o fez acordar ao pulos.

Demorou alguns minutos para se acalmar. Quando abriu os olhos a TV estava na estática, chiando como um pesadelo, e assim que Paulo fitou o relógio na parede, viu que ainda era três da madrugada. Estava suado, tremendo, e um tanto assustado, mas o cansaço o consumia, então Paulo desligou o aparelho e voltou a dormir ali mesmo, mas assim que começou a sonhar o som do latido voltou, ainda mais alto do que a primeira vez e mais forte.

Pela segunda vez naquela noite, Paulo abriu os olhos, assustado, mas dessa vez, o som não parou. Continuava forte, alto e claro, foi então que soube: era o cão dos Nogueira, renascido do inferno. Desesperado o carteiro olhou em volta a procura do animal, mas nada viu. Desconfiado revistou a casa, porém não obteve sucesso, saiu e procurou no quintal e ali percebeu que o latido brotava de outro lugar, de sua mente, nos confins de seu pensamento. 

Era algo terrível que fazia sua cabeça doer, cozinhando seus miolos dentro do crânio. Aquilo lhe tirou o sono por completo e o deixou ainda mais transtornado. . No dia seguinte não foi trabalhar, como poderia? O latido gutural que brotava de sua cabeça não dava trégua e o impedia de se concertar em qualquer coisa. Quando fechava os olhos via o velho Ivo, olhando pra ele, sussurrando palavras desconhecidas, de puro ódio e rancor. 

Além disso tudo, descobriu outra coisa: tudo o que punha na boca tinha gosto de carne crua aquecida. Paulo não podia mais comer e ao sair de casa na procura de um médico mais uma surpresa, por onde fosse tinha a estranha sensação de estar sendo seguido, até mesmo sua sombra estava estranha, às vezes curvava-se de quarto e saia correndo diante de seus olhos. 

Conforme os dias foram passando às coisas só pioravam, Paulo ouvia, enxergava e sentia coisas que só ele presenciava. Estava enlouquecendo, e emagrecendo também. Parou de ir ao trabalho e de ver as pessoas, isolou-se em casa e somente no sétimo dia depois da morte do cão dos Nogueira, encontrou a solução para seus problemas, ela estava dentro de um revolver calibre 38 que ele colocou na boca e puxou o gatilho. 

Alivio.

Depois de morto ele viu o próprio cadáver no chão da sala de casa, sentia-se estranho, podia atravessar paredes e flutuar acima do chão, no entanto não sentia frio, calor nem fome e o melhor, não ouvia mais o latido do cachorro. Saiu de casa atravessando a porta, como se fosse uma cortina de agua, perguntou-se o que viria a seguir, ao sair na rua, pois era novato nesse lance de vida-a-pôs a morte. 

Procurou em algum lugar uma escada para o céu, ou mesmo um buraco para o inferno. Sem sucesso decidiu que agora poderia passar o tempo assombrando o velho Ivo Nogueira, o desgraçado que o havia amaldiçoado. Faria isso até que o velho morresse do coração, mas quando chegou ao portão da casa dele, Paulo estancou no chão, pois viu ali um velho amigo, que esperava por ele, com um sorriso demoníaco nos lábios, babando enquanto rosnava. 

Era o cão dos Nogueira, morto, assim como ele. Paulo gemeu de pavor e fugiu quando o animal atravessou o portão, eles correram pelo ar, sem que ninguém lhes desse atenção. Assim que viu o animal atravessar um ônibus sem se machucar, o carteiro chorou e se amaldiçoou, ali estava o inferno, um ciclo vicioso que transcendeu a morte e duraria até o fim dos tempos, ligando carteiro e cachorro para todo o sempre.

Escrito por Rodrigo S. Rodrigues - 08/09/2015



Música, sangue e ação

Finalmente estamos no mês mais esperado do Blog Vida Complicada. Para quem acompanha o blog, sabe que esse é o mês que a nossa querida autora Camila mais ama entre todos os outros. Então, aqui estou com um desafio enorme em trazer a coluna de música para uma temática Halloween.



Pensei em trazer algum rock meio dark, mas como já disse no post do mês passado, sou apaixonada por trilhas sonoras. Então, resolvi trazer para vocês um musical muito conhecido, mas que nem todas as pessoas doaram duas horas da sua vida para apreciar. Eu estou falando de um dos musicais mais sanguinários da história da broadway: "Sweeney Todd - O barbeiro demoníaco da Rua Fleet".


Eu só tive acesso, até agora, ao filme dirigido pelo Tim Burton e lançado em 2007. Eu lembro que eu estava no ensino médio e nem todo mundo da minha sala tinha os 16 anos mínimos para poder ver o filme. 

Por se tratar do Tim Burton, não precisa falar muita coisa sobre a questão estética do filme. Afinal, para quem está acostumado com os filmes do diretor, sabe muito bem da sua pegada mais gótica, com uma fotografia mais escura e personagens caricatos. Eu poderia ter trazido outros musicais dele em animação, como "A noiva cadáver" e o "Estranho mundo de Jack", mas quis algo um pouco mais pesado para fazer jus ao mês especial de Halloween.

Uma das minhas músicas preferidas: "A tittle priest".

Eu lembro que na época de lançamento do filme, eu li uma reportagem na Revista Época falando que o Johnny Depp estava muito inseguro em aceitar o papel, pois Burton queria que o ator usasse a própria voz para cantar no filme. Insegurança essa, difícil de acreditar ao ver o desempenho do ator, que chegou a ser indicado ao Oscar. 

O mais legal de toda a história é que não sabemos se é uma lenda ou um caso verídico. Descobri que em 1846 foi a primeira vez que essa história foi citada em um romance e logo depois ganhou adaptações para o palco. As músicas usadas no filme do Tim Burton fazem parte do espetáculo montado por Stephen Sondheim, em 1979.

A história do personagem envolve muitos mistérios, magoas e um desejo de vingança, onde o personagem principal caminha pela linha tênue entre vítima e vilão. Eu diria que esse musical tem que estar na lista de qualquer cinéfilo minimamente empenhado. Sei que o gênero musical nem sempre é muito palatável para a maioria das pessoas, mas todos deveríamos dar uma chance para esse filme, ainda mais se você gosta de um suspense e sangue... Ou talvez porque você simplesmente curte uma praia. 





Escrito por Nina Novaes



Uma trilha sonora para sentir - Sense8

Antes de começar a escrever esse post, fiquei pensando que a Camila poderia mudar a temática dos meus posts de "Música" para "trilha sonora" hahaha. Porque quando eu coloco na balança, eu curto muito mais ouvir trilhas sonoras, saber que elas representam de alguma forma uma história muito além do que a própria música já conta, do que ouvir uma banda ou um álbum. 



Hoje, eu quero apresentar para vocês, a trilha sonora de Sense8, a nova série (talvez não tão nova assim, mas...) queridinha da Netflix. Não sei se a Camila chegou a fazer algum post sobre essa série, mas ela foi a primeira pessoa que me indicou. E como ela já assistiu tudo, acredito que ela tenha maior propriedade para falar sobre a série em si. Então, vamos as músicas.

Dei uma pesquisada rápida e vi alguns elogios aos criadores da série, também responsáveis pelos filmes Matrix. Aparentemente, eles se preocupam bastante com os aspectos sonoros da história. Li uma resenha sobre a trilha sonora que concordei em vários aspectos. A série tem um ritmo mais lento - pelo menos eu senti isso -, afinal, são várias histórias e vidas contadas ao mesmo tempo, mas a fotografia e a trilha sonora ajudam bastante no envolvimento que o espectador passa a ter com a série.


Eu, particularmente, vejo a trilha sonora, como uma espécie de alma dos produções visuais. "Você não vê mais sente". A trilha do Sense8 me ajudou a sentir o que deveria sentir em cada momento da série: alegria, tristeza, amor, aflição... Além claro, de sentir uma certa conectividade (que tem a ver com a temática da série). 

Não quero dar spoiler falando sobre as cenas especificas que cada música envolveu. Mas acho que se você ouvir a trilha sonora com os olhos fechados, provavelmente sentirá que não está sozinho no mundo. E te darei apenas um gostinho - com a minha parte favorita da série até agora:
[O vídeo pode conter pequenos spoilers para quem não vi os dois primeiros capítulos.]




Escrito por Nina Novaes



[Livro] Tubarão – Peter Benchley

Livro no Skoob

Devore ou seja devorado

Mesmo hoje, é bem difícil encontrar alguém que não conheça o filme Tubarão (Jaws) de Steven Spielberg, o longa é um marco na história do cinema, considerado o primeiro blockbuster, entre tantos.

Basta pensar no filme é já vem à cabeça a fantástica trilha sonora de John Willians: 
Tantan-tan-tan-tantantantan-TAN-TAN.

Reprisado inúmeras vezes na Sessão da Tarde, o filme marcou gerações, transcendendo o tempo e aterrorizando crianças e adultos que até hoje não conseguem ir à praia sem se lembrar, mesmo que por um instante de alguma cena do filme.

Na foto o diretor Steven Spielberg com tubarão mecânico usado no filme.

Poxa, eu mesmo, quando pirralho, ficava com medo até de ir tomar banho depois de assistir....

Enfim, vamos ao livro: Todo mundo conhece aquele velho clichê que “O livro é muito mais denso do que o Filme”, ou mesmo que “O filme é apenas a ponta do iceberg”, muito bem, acredito piamente nisso e Tubarão é um perfeito exemplo, não que o brilhante filme de Spielberg seja ruim, pelo contrário, é fantástico, mas a obra original do falecido autor Peter Benchley agrega uma margem de conteúdo muito maior.

Lançado pela primeira vez em 1974 como a primeira obra publicada do autor (o que impressiona bastante devido a qualidade da narrativa) Tubarão foi um fenômeno editorial. Em apenas alguns meses vendeu milhões de copias, isso em uma época sem internet, onde os veículos de mídia disponíveis eram bem menos criativos que os de hoje.


A história se passa em uma pequena cidade litorânea ficcional chamada Amity, localizada em Long Island, Nova York. Esta modesta comunidade dependente totalmente dos lucros arrecadados no período de verão, precisamente próximo ao feriado de 4 de julho (dia da independência americana) quando as praias estão lotadas de turistas gastões.

Era para ser mais um verão comum, no entanto quando um corpo mutilado de uma jovem é encontrado, o destemido chefe de polícia Martin Brody ordena o fechamento das praias. Essa decisão não é vista com bons olhos pelo prefeito Larry Vaughan que além da preocupação com a sobrevivência da cidade, é pressionado por sócios mafiosos interessados no dinheiro dos veranistas, desesperado ele tenta abafar o incidente e obriga Brody a manter as praias abertas.

Essa decisão infeliz ocasiona em mais mortes, protagonizadas por uma besta submarina de fome irracional.

É como se houvesse um maníaco à solta matando pessoas quando estivesse a fim. Você sabe quem ele é mas não pode pega-lo e não pode pará-lo. E o que é pior, você não sabe por que ele está fazendo isso.

Tirando a questão da máfia, a trama principal do livro é a mesma do filme. Vou colocar assim, o longa de Spielberg é basicamente um filme de aventura com doses de terror, onde o foco está totalmente na caçada ao monstro submarino.

Em suma uma obra para toda família.

Já o livro de Benchley tem uma preocupação maior com os dramas dos personagens, abordando uma gama de decisões e relações que geram inúmeros questionamentos, sendo assim uma obra de teor mais adulto (tendo inclusive cenas com descrições eróticas, que deixam a narrativa bem mais quente).

Aí é quando nossas opções se ampliam. Provavelmente eu estaria tão excitado que eu te agarraria e faria ali mesmo – talvez na cama, talvez não. Essa seria a minha vez. A sua viria depois".

Um exemplo disso é o fato do chefe de polícia Brody ter que lidar com a culpa das mortes dos banhistas, enquanto desconfia que sua esposa com quem tem três filhos, o está traindo com o jovem oceanográfico Matt Hooper, que veio a cidade para ajudar a eliminar o grande Tubarão-Branco que está aterrorizando as praias.

Essa desconfiança ocasiona uma série de conflitos e inimizades com os dois personagens, que mesmo a contragosto são obrigados a trabalhar juntos para derrotar o inimigo em comum. Este elemento me surpreendeu muito, pois coloca o chefe Brody em uma situação explosiva, onde suas emoções e ações são testadas, tornando a estória bem mais interessante, pois tira o Tubarão de foco e te faz se preocupar mais com as relações humanas.


Se não bastasse as indiferenças entre os dois personagens, junta-se ao time o misterioso e canastrão Quint, um veterano pescador de meia-idade que vê nas tragédias de Amty um meio de lucrar (isso apenas no começo, pois no final a coisa se torna uma questão de honra). Tendo fama de exime pescador ele é contrato por Brody, como a última esperança de salvar a cidade.

O interessante nessa equipe é que nenhum deles se dá bem e esse não fosse pelas circunstancias jamais trabalhariam juntos. No filme este elemento é amenizado, pois mesmo existindo uma certa tensão no trio, não é nada denso, ou mesmo pessoal, tudo se baseia apenas no calor do momento. (Foto do trio abaixo)

Da esquerda para a direita. Quint, Brody e Hooper

Apesar das diferenças entre ambas as obras, é notável como alguns elementos da narrativa conseguiram ser massificados no filme. O melhor deles para mim é o próprio Tubarão, as descrições de Benchley sobre a besta submarina são fantásticas, chegando a quase dar um tom mitológico que beira o sobrenatural, isso no filme foi muito respeitado por Steven Spielberg onde cada cena é uma personificação quase que perfeita do livro.


O peixe apareceu na água a alguns metros do barco. Como um foguete decolando, o focinho, mandíbula e barbatanas peitorais elevaram-se na água em linha reta. Em seguida surgiram a barriga branca-acinzentada, a barbatana pélvica e a gigantesca genitália.

Acredito que o mérito do autor não está em ter criado um monstro, mas sim ter exposto uma criatura que já existe. Trazendo em pauta um dos conflitos mais antigos, Homem V Natureza. Sob essa ótica a maestria de Benchley nos faz perceber como o homem é pequeno e avulso a força da natureza, sendo está uma crítica atemporal.


Na reta final da narrativa o clima denso torna-se explosivo, os nervos estão à flor da pele e o momento de maior clímax está acontecendo, eis o confronto final contra o monstruoso Tubarão-Branco, que coloca em jogo não só a vida dos três personagens, mas também o destino da pequena cidade.

Este arco é um dos grandes pontos de diferença entre as obras, reza a lenda inclusive que o autor não ficou satisfeito com adaptação feita no filme, devido à impossibilidade física das coisas, se você se lembrou do tubarão explodindo acertou, todavia, essa é apenas uma das diferenças.

Acho que seria injusto revelar os detalhes aqui, pois diminuiria muito a experiência da descoberta na leitura, se você é apaixonado pelo filme, leia o livro, não tem nada a perder, somente a ganhar, ambas as obras são ótimas em seus respectivos meios, e de certa forma se completam.


Escrito por Rodrigo Shepard



Muito além do "Uptown Funk"

Uma novidade para vocês: Uma vez por mês a minha amiga Nina Novaes do Blog Psicose da Nina, vai escrever sobre música aqui no Blog. tenho certeza que você vão adorar cada dica, eu não convidei ela a toa! Vamos lá?

1... 2... 
1... 2... 3... 4...

***

Camila deu uma missão muito interessante e bastante desafiadora para mim: falar sobre música. Bem, eu não sou a pessoa com o melhor gosto musical ou que realmente entenda sobre gêneros musicais. Eu apenas ouço e as vezes me encanto com algumas coisas. Serão esses encantamentos que trarei para vocês aqui no Vida Complicada.


Eu vou falar sobre o último CD do DJ Mark Ronson. Você provavelmente deve ter ouvido no rádio (haha alguém ainda ouve? Acho que um dia podemos conversar sobre isso, enfim...) a música Uptown Funk com o Bruno Mars. Uma delícia de música que particularmente me dá vontade de dançar. E a primeira vez que vi foi no programa da Ellen Degeneres uma apresentação da música que me encantou totalmente.


Depois disso fui ouvir o CD completo no Spotify (site de música) e me apaixonei mais ainda. O CD foi lançado em janeiro desse ano com um pegada muito gostosa de funk e R&B (dei uma googlada para conseguir definir os estilos rs). Não sei vocês, mas as músicas desse álbum parece me levar numa viagem no tempo. Então, aproveite a playlist e se deixe levar!



Minha paixão por esse álbum está tão grande que até coloquei uma música dele no meu blog. E recomendo que toda vez que você gostar de uma música (gostar de verdade!), vá atrás do álbum e do cantor. Você pode se surpreender!

***

Vai dizer que esse não foi um MEGA presente para o  feriado? Aproveita a dica da Nina e entra no clima! \O/


Meus últimos contatos com a Camila

Numa das últimas conversas que tive com a Camila Monteiro antes de seu desaparecimento (há hipóteses de sequestro por ETs e de guerra interior, mas meu sexto sentido diz que ela planejou tudo), eu contava pra Camila sobre o tempo que eu vinha perdendo ultimamente no trânsito e como consegui torná-lo mais útil.  Bem, enquanto nossa amiga não volta e tendo recebido uma encomenda literária para não deixar órfãos os leitores do blog Vida Complicada, resolvi escrever sobre essa descoberta da qual eu contava pra ela alguns dias antes do fatídico sumiço. 



Quem tem ouvidos, leia 
Regina Magnabosco 

Venho ao blog Vida Complicada para falar de um descomplicador da vida moderna: os audiolivrosEmbora não nos proporcionem o enlevo pelo cheiro do papel e a virada de páginaseles são úteis companheiros no trânsito, especialmente se você é o motorista. Outro ponto positivo é que os livros falados não tiram do leitor a autonomia de criar suas imagens e significados a partir das palavras do autor. É como alguém lendo pra você. 
Eu nunca tinha tido curiosidade de conhecer um livro falado até que, há três mesescomecei a trabalhar em um lugar que fica muito longe da minha casa e precisava dar um fim à sensação de perda de tempo no trajeto. Ouvindo poesias ou uma boa história, nem me importo tanto mais com a distância, os congestionamentos ou um sinal vermelho. 
O produto pode ser adquirido em CD ou MP3, com código de acesso entregue por e-mail ou, inclusive, com possibilidade de baixar o arquivo de áudio gratuitamente nos sites de venda. Algumas gravações são muito boas, outras nem tanto. Já adquiri um CD de poesias, por exemplo, que tinha 7 horas de gravação, mas cujo marcador de faixas apresentava apenas números em quase todo o conteúdo. Eu precisava praticamente adivinhar onde estava a poesia que eu queria ouvir de novo (anotar nem sempre é possível e a memória nem sempre colabora). Mas isso não fez com que eu me arrependesse de ter adquirido a obra: a relação custo-benefício é positiva.  
preço, na comparação com outros formatos, não apresenta muita vantagem. À exceção de alguns trabalhos gratuitos, os preços são normalmente iguais ou menores que os das obras impressas de mesmo título, mas costumam ser maiores que os dos e-booksOs livros falados podem ser encontrados nos sites de grandes livrarias ou em portais específicos. Os acervos mais volumosos que encontrei foram os dos sites Universidade Falada -www.universidadefalada.com.br, em língua portuguesa, e Audible - www.audible.com, em língua inglesa. 

Convergência das artes 

Os audiolivros surgiram no início do século XX, tendo como público alvo as pessoas com deficiência visual.  Aos poucos, o mercado foi se expandindo e as obras hoje disponíveis vão além da literatura. Há gravações com conteúdo para concurseiros e estudantes em geral. 
Na linguagem politicamente correta da acessibilidade, há uma diferença entre os termos audiolivro e livro falado, sendo o primeiro referente às gravações carregadas de emoção e interpretação do locutor (ou locutores) este último à boa e fria leitura da obra. Observei, entretanto, que esses nomes nem sempre são usados distintamenteo que significa que se você prefere um dos estilos, é recomendável ouvir trecho da obra antes de adquiri-la, o que é possível em alguns casos. 
O mercado do audiolivro é promissor inclusive para atoresO livro To the Lighthouse (Passeio ao Farol), de Virgínia Woolf, foi transformado em audiobook pela narração da atriz Nicole Kidman. No Brasil, atores consagrados também estrelam nesse palco virtual. Paulo Autran lê poesias de Fernando Pessoa e a atriz Zezé Polessa narra A Mulher que Matou os Peixes, de Clarice Lispector, por exemplo, mas a maioria dos títulos é gravada mesmo por locutores ou atores desconhecidos. 
É a convergência das artes pela Comunicação. 

O verdadeiro motivo do sumiço da Camila e ainda: Camiloxços. Quem são, onde vivem...

A Camila simplesmente virou para mim e disse: toma a minha senha e escreva alguma coisa no blog até eu voltar (segundo a Carla, como vocês puderam ler nos posts anteriores, a Camila estava resolvendo questões extraplanetárias). Eu não sei muito o que escrever, já que a minha criatividade está em baixa. Mas como o assunto no momento é o sumiço da Camila, eu estou pensando em apresentar a minha própria versão dos fatos...


Bem, pelo que eu saiba, a Camila não esteve exatamente envolvida com seres de outros planetas. Me desculpa Carla, mas chegou no meu ouvido outra história. Na realidade, a história que eu ouvi, ela estava tendo uma guerra dentro dela. Isso mesmo, ao contrário do que a gente acha, todos nós guardamos pequenos mundos dentro de nós.

Através de alguns informantes, que não posso revelar o nome, me disseram que o mundo de Camilox foi invadido pelo Monstrum sa defectu creativitas, mais conhecido como Defectu. Com o seu exército de defectum sui habeatis, ele foi responsável por capturar quase todos os camiloxços.

Os camiloxços, seres que vivem no mundo de Camilox, são responsáveis por construir várias estruturas que ajudam a Camila em sua vida, entre elas ter criatividade para escrever. O Defectu ao paralisar os trabalhos dos camiloxços fez com que nossa blogueira-escritora desse uma parada nas suas produções.


A guerra que começa normalmente sem a gente perceber e as vezes é facilmente resolvida por nossos co-mini-cidadãos existentes dentro de nós. Então, os camiloxços conseguiram de alguma maneira avisar a sua grande deusa Camila que eles não estavam mais dando conta. Então, ela resolveu tomar providências. Para isso foi preciso tomar medidas drásticas e cortar o mal pela raiz, o recente império do Defectu precisava ser derrubado.

Então, ela foi atrás dos Doctores, seres humanos como só, mas que possuem a capacidade de lutar contra seres como o Defectu. Assim, a Camila deu o seu primeiro passo na luta contra o Defectu e seu exército de defectum sui habeatis na semana passada. Infelizmente, muitas lutas ainda serão travadas contra o Defectum, mas os camiloxços guardam em seu coração lembranças de tempos melhores e a esperança de que eles longo voltarão.

"Viva a Camila! Deusa dos camiloxços!"

Bem, essa história é meio estranha né? Mas é a versão que eu ouvi. 

NINA                                          

Cadê a Camila 2


Oi, pessoal! Ainda é a Carla Ceres explicando o sumiço da Camila. Bem, vocês se lembram de que ela encontrou um “inseto” metálico que “lembrava vagamente um Fusquinha que tivesse se incendiado depois de capotar várias vezes morro abaixo. Não tinha patas, mas parecia ter rodas amassadas e uns apêndices espelhados semelhantes a retrovisores tortos. Isso quando estava em estado sólido, porque, quando entrava em modo gasoso, o bichinho se transformava numa nuvem de fumaça colorida com mini-relâmpagos por dentro. Os dois estados, sólido e nuvem, se alternavam a intervalos imprevisíveis”.

Então vamos continuar:

A Camila pegou um pote de maionese e penou pra prender a criatura que sempre evaporava pra fora do vidro. Por fim, apelou pra baixa tecnologia. Grudou um imã dentro do pote e, mesmo em forma de nuvem, o prisioneiro não conseguiu mais fugir. A névoa ferromagnética ficou lá no fundo, toda jururu, relampejando de tristeza. Enquanto isso, nossa blogueira bióloga levou o recipiente pra dentro de casa, ensopou um algodão com éter e atirou lá dentro. A ideia era fazer o inseto dormir para poder examiná-lo melhor. Nesse momento, seu celular tocou e exibiu a mensagem: “Muito obrigado pelo éter! Eu estava com sede. Agora abra este vidro e me solte enquanto é tempo”.

Claro que a Camila não acreditou na mensagem nem quando viu que o algodão estava sequinho e que o prisioneiro, agora em forma sólida, fazia gestos ameaçadores. Ainda assim, ela encarou o bichinho e disse rindo, porque era maluquice falar com um inseto: “Nem pense que eu vou te deixar sair daí”. A resposta veio pelo viva-voz do celular: “Sou um animal de estimação. Liberte-me agora ou os maiores virão”. Assustada, a Camila tampou bem o vidro de éter e guardou-o no armarinho do banheiro. Quando voltou ao quarto, encontrou duas névoas de uns dois metros de altura que a levaram para sua nave espacial.


Então é isso, pessoal, abduziram a Camila. Mas ela vai voltar porque o alienígena menorzinho, que mantém contato comigo pelo celular, testemunhou a seu favor: “A humana foi generosa e me ofereceu bebida após a captura”, ele informou. Claro que a nossa amiga vai voltar mais magra, como se tivesse feito uma operação de redução de estômago. Aliás, é isso mesmo que os alienígenas vão fazer com ela. Vão reduzir seu estômago para que ela nunca seja capaz de comer seus animaizinhos de estimação que visitam a Terra de vez em sempre.

Camila Pós-Abdução



Cadê a Camila 1


Dá licença, pessoal! Meu nome é Carla Ceres e estou invadindo este blog pra contar a verdade sobre o desaparecimento da Camila Monteiro. Não repararam, não? Ela está sumida desde segunda-feira e vai levar umas duas semanas pra voltar. Até que não é muito tempo nesse tipo de sequestro quase relâmpago.

Bem, começando do começo, vocês sabem que a Camila é bióloga e, embora pareça muito gente boa, já fez poucas e ótimas com vários insetos. Ela colecionava os infelizes pra montar uma tal de caixa entomológica. Lembram? Acontece que, semana passada, ela encontrou um “inseto” muito esquisito perto da casa dela. Um bichinho tão estranho que, se ela o capturasse, poderia catalogar e registrar com o seu nome.

Pra vocês terem ideia da esquisitice da coisa, o animalzinho era metálico e lembrava vagamente um Fusquinha que tivesse se incendiado depois de capotar várias vezes morro abaixo. Não tinha patas, mas parecia ter rodas amassadas e uns apêndices espelhados semelhantes a retrovisores tortos. 

Isso quando estava em estado sólido, porque, quando entrava em modo gasoso, o bichinho se transformava numa nuvem de fumaça colorida com mini-relâmpagos por dentro. Os dois estados, sólido e nuvem, se alternavam a intervalos imprevisíveis.


(Pra manter o suspense, continua no próximo post.)

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